França,
15. 105 min. Direção de Pascale Pouzadous. Com Sandrine Bonnaire,
Marthe Villalonga, Antoine Duléry, Gilles Cohen, Grégoire Montana,
Sabine Pakora, Charles Gérard.
É estranho como não tenha tido
maior premiação e repercussão este drama francês (mas como certo tom de
comédia também) de diretora estreante (era atriz de comédia e que por
justiça ao menos deveria ter dado uma indicação ao César para a veterana
Marthe Villalonga, que está excelente numa interpretação humana, mas
sempre discreta). Na verdade, o filme é endereçado ao público feminino
que está mais preparado para digerir uma historia difícil e que por
enquanto é pouco abordada pelo cinema. Marthe, nascida em 1932, tem uma
longa carreira (nasceu em Argel mas foi muito pouco premiada). Mas
consegue criar um personagem discreto e ao mesmo tempo cheio de ternura.
Muito complexo porque jamais cai na pieguice ou melodrama. Também é
muito ajudada pela presença de Sandrine Bonnaire (que é das figuras mais
adoráveis do cinema Frances, as vezes que a entrevistei fiquei
encantado com sua naturalidade e encanto).
Embora o tema seja
polemico tem a tendência de se tornar mais comum com o envelhecimento da
população em todo o mundo, inclusive Brasil. Uma alternativa ainda
pouco explorada é o desejo de morte assistida, ou seja, diante da falta
de perspectiva no futuro, Marthe no caso Madeleine, que está com 92
anos, espanta a família quando informa que deseja se matar (com pílulas)
porque não quer ir morrendo aos poucos. Isso provoca uma reação
dramática no filho malcriado (bem francês por sinal), no neto surfista
mas compreensivo e principalmente na filha Sandrine, que é a única a lhe
dar força e compreensão.
Eu disse que era um tema difícil e
complicado, porque deve mexer com crenças e sentimentos pessoais das
espectadoras, mas nunca cai num meloso ou ridículo. Se presta a debates e
polêmicas, mas também é uma experiência ousada e bastante bem sucedida.
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