Jurassic World II – O Reino Está Ameaçado
Por Adilson de Carvalho Santos
É curioso que esses gigantescos répteis gerem tanto fascínio
tendo sido extintos há cerca de 65 milhões de anos. Eu próprio tinha um
dinossauro de brinquedo tipo o Rex de “Toy Story” e nunca me liguei que
dinossauros e seres humanos, na verdade nunca co-existiram no planeta. Imaginar
esse encontro é recorrente no cinema e o escritor Michael Crichton (1942/2008)
soube explorar essa fantasia e adicionar à receita do entretenimento os temores
provocados pela engenharia genética, e assim a pré-história
revive.
O embrião para o livro que Crichton escreveu do assunto
começou com um roteiro de 1983 sobre um pterodátilo clonado, mas foi rejeitado
pelos estúdios. Muitos anos depois o escritor e ex-médico norte americano
juntou à história o cenário de um parque temático, coisa que já havia explorado
em “Westworld”, filme de 1973 e atualmente série da HBO de muito sucesso. O
mundo havia mudado em 1990 e já pronto para receber os dinossauros renascidos
em meio a discussões filosóficas sobre a teoria do caos. Ação e conteúdo eram
bem equilibradas e os estúdios se interessaram pelo livro “Jurassic Park –
Parque dos Dinossauros” antes mesmo de sua publicação inicial em 1990, inspirado
nos trabalhos dos paleontólogos Robert Bakker e Jack Horner. A Universal
conseguiu os direitos garantindo o interesse de Steven Spielberg. O grande
triunfo técnico foi o uso eficiente de animatrônicos e efeitos digitais que
tornaram os dinossauros rápidos e mortais, distantes dos efeitos stop motion
que acompanharam durante anos os filmes do gênero. Impressionantes no realismo
em cenas como o ataque do T-Rex ou a perseguição dos Velociraptores.
O sucesso do filme despertou diversas discussões sobre o
comportamento dos dinossauros e um aumento considerável no interesse de jovens
por paleontologia, área de estudo do Dr. Alan Grant (Sam Neill) e Dra. Ellie
Sattler (Laura Dern) dupla central na história que se junta ao matemático Ian
Malcolm (Jeff Goldblum) em uma visita surpresa a uma ilha que abriga
dinossauros renascidos pelo milagre da clonagem, a partir do sangue coletado de
um mosquito encontrado preso em âmbar. O Dr. Malcolm com sua ironia e postura
questionadora serve como voz para o escritor discursar suas teorias sobre a
natureza e a postura dos cientistas de se colocarem irresponsavelmente como
Deus. O dono do lugar é o milionário John Hammond (Richard Altenborough) que
leva seus netos para o passeio que vem a se tornar um grande pesadelo para
todos. Hammond e Malcolm representam esses polos respectivos de esperança
(vestido em branco) e caos (vestido em preto) frente ao avanço da ciência. O
filme realizado em 1993 obteve uma bilheteria milionária e levou Crichton a
escrever a sequência “The Lost World – Jurassic Park” cujo subtítulo vem para
evitar confusão com um romance homônimo escrito por Conan Doyle, o criador de
Sherlock Holmes. Novo livro levou claro a novo filme lançado em 1997 com várias
passagens que homenageiam clássicos como “King Kong” e “Goldzilla”. Curioso que
o livro seja centrado no Dr.Malcolm (Goldblum), personagem que morreu no
primeiro livro (no filme ele sobrevive), mas aparece miraculosamente vivo nas
páginas do segundo livro. A história ainda guarda espaço para romance entre o
Dr.Malcom (Goldblum) e a Dra Sarah Harding (Julianne Moore) e uma sequência
eletrizante de safari com os dinos tecnicamente tão elogiosa quanto John Wayne caçando
os animais selvagens em “Hatari” (1962).
Em 2001, um terceiro capítulo foi dirigido por Joe Johnston
(Capitão America Primeiro Vingador), sendo o primeiro não baseado em um livro
de Michael Crichton. “Jurassic Park III” tras o Dr.Alan Grant ajudando a uma
família a recuperar seu filho perdido na Ilha Sorna, cheia de dinossauros
perigosos. Como novidade, os pteredátilos que estão presentes no primeiro
livro, mas não chegaram a ser usados no primeiro filme, protagonizam diversas
cenas de ação junto a um elenco humano que ainda inclui William H.Macy e Tea
Leoni. A bilheteria milionária da franquia deixava claro que os dinos não
deixariam as telas, mesmo levando-se conta que o animal no logo do filme na
verdade não pertence ao período jurássico (200 a 155 milhões de anos), e sim ao
período cretáceo (145 a 65 milhões de anos).
As licenças poéticas voltam a povoar a imaginação quando o
diretor Colin Trevorrow ressuscitou mais uma vez os grandes lagartos em “Jurassic
World – Mundo dos Dinossauros” (2015), realizado sete anos depois da morte do
autor. Carregado de referências aos filmes anteriores e com o casal Chris Pratt
(Starlord de “Guardiões da Galaxia”) e Bryce Dallas Howard a frente do elenco.
O filme ainda aproveitou alguns elementos da história original como o diálogo
entre o Dr. Wu (BD Wong) e o Sr. Masrani (Irffan Khan). A chegada do Indominus
Rex como o monstro da vez é aterrador e impulsiona a história tanto quanto o
ataque do T Rex no primeiro filme. Na receita entram novas considerações sobre
o avanço impensado da ciência e famílias partidas (os sobrinhos de Claire)
lutando para não serem devoradas. Uma das ideias não aprovadas para a retomada
da franquia foi o uso de soldados híbridos metade humanos, metade répteis.
A chegada do novo título “Jurassic World II – Reino Ameaçado”
vem com a certeza de que a franquia deve em breve gerar outros. A cultura pop
sempre acolheu bem esses animais pré históricos, até mesmo o genial Mauricio de
Souza criou o simpático filhote de T Rex Horácio que é um sucesso nas HQs.
Divertido como descer pela cauda de um brontossauro e gritar “IABADABADUU”!

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