Aquaman (idem)
EUA, 2018 2h23. Diretor: James Wan. Com Jason Momoa, Amber Heard, Nicole Kidman
Eu confesso que estava todo empolgado com a chegada do que parecia ser a grande aventura do fim do ano. Tudo fazia a gente crer que seria o filme mais emocionante de uma temporada fraca em termos de aventura. Ou seja, este era o momento de celebrar o mais recente super espetáculo da Warner DC. Mais ainda que eu, havia uma grande expectativa pela criação de uma figura promissora, o chamado Aquaman, Jason Momoa. Embora já tivesse feito Game of Thrones, primeira temporada, e umas poucas outras aventuras, não se tinha certeza que era a figura certa de protagonista. Alto forte, bonito e com cintilantes olhos verdes, infelizmente Momoa é o único verdadeiro acerto do que veio a ser uma enorme decepção. Não se pode verdadeiramente crucificar o moço que tem que encarar imagens e fantasias, do que é uma das mais infelizes direções de arte do ano. Fez me lembrar um dia de pesadelo do diretor francês Luc Besson.
A história até começa bem, com um rapaz que cuida de um farol salvando uma bela moça que estava morrendo afogada, vinda das profundezas do oceano. Esta é uma aparição com a ainda bela Nicole Kidman, apesar dos seus 51 anos. Logo eles têm um filho, mas são atacados em breve por outras figuras do oceano e que irão espalhar tragédias e explosões. Fica difícil se acostumar com a sucessão de ataques e explosões, tanto de cidades europeias quanto de figuras do fundo do mar, sendo que todas essas têm planos diabólicos para destruir a humanidade e mesmo as figuras mais lendárias das profundezas do oceano. Aparece também uma bela mocinha que tenta manter a paz (a interpretação é de Ambar Heard, uma figura fotogênica e que ficou mais famosa de apanhar e processar seu marido Jonnhy Depp). Segue-se uma sucessão de ataques de monstros e elementos bizarros. Certamente esse é um dos filmes mais confusos, com pior roteiro, e aquela infame e tresloucada cena de insuportável ação. Com certeza, você não acreditou no que eu escrevi. Então, veja o filme que vou me divertir muito com o resultado, que tem até um finalzinho extra na conclusão. Não sei explicar também o equívoco do diretor Jame Wan, que antes era admirado por Velozes e Furiosos 7, Jogos Mortais e Invocação do Mal (ele é da Malásia com descendência chinesa). Não diga que eu não avisei. (Germano Pereira)
Aquaman
Por Adilson de Carvalho Santos
Durante muito tempo Aquaman foi um dos heróis mais
subestimados da DC Comics e, até bem pouco tempo atrás, poucos o levavam a
sério com sua imagem sendo usada até mesmo em vinhetas humorísticas no Cartoon
Network. Criado em Novembro de 1941 por Paul Norris e Mort Weisinger, o herói
submarino foi inicialmente tratado como um personagem secundário publicado nas
páginas de “More Fun Comics” em seus primeiros cinco anos, depois ficando
encostado em “Adventure Comics” até 1961. Hoje estreando um filme próprio, com
um visual mais arrojado, e destaque maior nas hqs, o personagem assumiu uma
posição mais central no universo da DC Comics, reconquistando fãs, muitos dos
quais ainda se lembrando do personagem chamado de “herói submarino” nos
desenhos produzidos pelo estúdio Filmation (The Superman / Aquaman Hour), já
exibidos pelo SBT.
O atual Aquaman
mescla elementos de duas fases distintas do herói: Na década de 90, o autor
Peter David lhe deu uma postura mais agressiva com barba e um arpão no lugar de
uma das mãos. Coube a David também explorar a mitologia do continente perdido
de Atlântida, lar de Arthur Curry, o nome do personagem, fruto do amor de uma
princesa do mítico reino aquático e de um homem da superfície. No período em
que Peter David esteve à frente das histórias de Aquaman, este abandonou a
imagem de um herói politicamente correto e assumiu uma atitude mais imponente, independente
do trabalho em equipe na Liga da Justiça, grupo do qual tomou parte desde seu
lançamento em 1960 (The Brave & The Bold #28), sendo esta inclusive a
primeira vez que Aquaman apareceria na capa de uma hq desde sua criação. Outra
fase essencial para a formação do novo status quo do personagem foi o período
chamado de “Novos 52”, em que o autor Geoff Johns e o desenhista brasileiro
Ivan Reis praticamente reinventaram o personagem, inclusive usando a seu favor
o desinteresse do público que subestimava o personagem para criar histórias que
aproveitassem ao máximo 60 anos de histórias. Johns e Reis desenvolveram os
coadjuvantes, introduziram novos elementos em seu passado e conduziram os
leitores a uma guerra com o mundo da superfície, até então, sem precedentes no
universo da editora DC Comics.
Muitas mudanças
acompanharam ao longo de sua publicação. Na era de ouro (1938 – 1946) o
personagem era um entre vários do gênero, enfrentando principalmente piratas e
vilões nazistas, bem adequado ao clima ufanista do período. Com o advento da
era de prata (1956 – 1970), a DC Comics convencionou que haveria duas terras
paralelas e vários personagens (The Flash, Lanterna Verde etc.) foram recriados.
Aquaman foi aqui batizado de Arthur Curry, ganhou um elenco de coadjuvantes,
incluindo os parceiros mirins Aqualad e Aquamoça, a amada Mera, o conselheiro
Vulko , e os vilões Arraia Negra e Mestre dos Oceanos, sendo este o meio-irmão
de Arthur com quem o herói disputaria o trono da Atlântida. Esta fase teve os
roteiros de Robert Bernstein e a arte de Ramona Fradon, uma das primeiras
mulheres desenhistas na época. A partir de 1962, Aquaman ganhou série própria
com seu nome, e que duraria 9 anos de publicação contínua. Várias histórias
desse período chegaram ao Brasil pela saudosa editora EBAL, do pioneiro Adolfo
Aizen.
No título “Aquaman”
(1969 / 1970), versão brasileira editora Ebal, o herói teve momentos emblemáticos
como a parceria com Aqualad, confronto com o mitológico Netuno e até o casamento
com Mera, uma princesa vinda de uma outra dimensão aquática. A partir de 1975
com a popularização do desenho da TV “Superamigos”, produzido pelo estúdio
Hanna-Barbera, Aquaman passou a aparecer nas páginas de uma revista homônima,
publicada entre 1975 e 1982, inicialmente em preto e branco, e depois a cores,
em vários formatos. Apesar de ter poderes muito ligados ao mundo aquático, Arthur
tem pele invulnerável, capacidade de sobreviver aos rigores das profundezas
submarinas, força, agilidade e reflexos sobre humanos, além de telepatia que
lhe permite se comunicar com os seres marinhos, justamente um dos poderes mais
atacados por ”haters” que jocosamente questionam “por que falar com peixes? ”.
No início dos anos 2000 o roteirista Rick Veitch ousou estabelecer uma ligação
entre Arthur Curry, o Aquaman, e o lendário Rei Arthur das lendas medievais,
incluindo a troca do arpão por uma mão mágica feita de água concedida pela dama
do lago.
Além de Jason Momoa
que interpreta Aquaman pela terceira vez (Batman vs Superman, Liga da Justiça e
o filme solo), o personagem já teve dois interpretes: Alan Ritchson o
interpretou em episódios do seriado de TV “Smallville”, entre 2005 e 2010,
animando a Warner Tv a produzir um episódio piloto intitulado “Mercy Reef” protagonizado
por Justin Hartley, mas o piloto acabou recusado pelos executivos da época. Curiosamente,
Aquaman também foi um filme fictício na segunda e terceira temporada de “Entourage”
na HBO, pura paródia! Absorvido pela cultura pop, o herói é constantemente
mencionado no seriado “The Big Bang Theory”, aparece em animações e até mesmo
em desenhos de Mauricio de Souza para o evento da “Comic Con Experience”. Que
não se duvide da importância do herói, muito além dos fictícios sete mares da
literatura ou dos reais 61 mares que cobrem 71% da Terra, e muito mais na
imaginação fértil em quadrinhos ou em outras mídias, e que agora conferimos com
todo o requinte de uma super produção que pode reerguer o prestígio da DC
Comics nas telas.
Preciso assistir
ResponderExcluirAdilson dos Santos Carvalho excelente retrospectiva e análise da história do Aquaman. Eu assisti e não tenho dúvidas de que esse filme será uma das maiores produções e bilheterias do ano.Saí maravilhada da sala e, assim como você, também acredito que Aquaman tem grandes chances de reeeguer o prestígio da DC Comics nas telonas.
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