sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Vicio Inerente (Inherent Vice)

EUA, 14. Direção e roteiro de Paul Thomas Anderson. Baseado em livro de Thomas Pynchon. Com Joaquin Phoenix, Josh Brolin, Eric Roberts, Maya Rudolph, Serena Scott Thomas, Jena Malone, Owen Wilson, Reese Witherspoon, Benicio del Toro, Martin Short, Martin Donovan, 148 min. PREVISTO PARA 26 DE MARÇO

Acho que eu sou o único crítico que nunca me convenceu até hoje, desde quando caíram todos de joelhos rezando para Magnólia, como uma obra-prima certa. Possível pensei eu, pensando no que viria a seguir que para minha surpresa foi uma comedia romântica Embriagado de Amor com Adam Sandler. Continuei achando irregular, para um filme impressionante como Sangue Negro (confuso, mas era forte e o ator estava excelente) temos que suportar equívocos como o recente O Mestre, frustrada tentativa de denunciar um chefe religioso (mas que no meio do caminho renegou a proposta) e  o atual Vicio Inerente, uma das comédias mais ultrajantes e sem graça já feitas pela humanidade. Inspirada num livro e autor de que ele é admirador (Pynchon teria aprovado o roteiro do diretor que seria bastante fiel, mas custa a ter pé ou cabeça e imaginem que chegou a ser indicado ao Oscar® da categoria. Num caso desse nem vale discutir, veja o filme se quiser arriscar, azar o seu. Na sala em que vi em Hollywood houve fuga em massa!).

Enfim, acho que Mr. Anderson (nunca me esqueço dele chegar para uma sessão de gala em Cannes com chinelo de dedo! Coisa bem de americano mal informado) tem ideias e possível talento, mas não sabe para onde ir. Esta pseudo comédia lembra um pouco aquela de Johnny Depp chamada Medo e Delírio (o astro hoje decadente, fez outra parecida chamada Diário de um Jornalista Bêbado).Ou seja, são piadinhas para gente que curte e consome drogas e acha uma graça enorme nas confusões e no uso excessivo e confuso delas. Os outros não conseguem entrar na piada.

Passa-se no começo da moda do uso de drogas em Los Angeles, em 1970, quando um detetive de Los Angeles, Larry Doc Sportello (Phoenix voltando a ficar chapado), que recebe a visita de uma ex-namorada hippie e promiscua (Katherine Waterston) que lhe pede ajuda. Esta na cara que é uma furada, mas ele insiste e vai encontrar um grupo de pessoas bizarras que lhe fazem embarcar numa série de confusões e equívocos. Na policia, em hospital, onde todo mundo claro está piradão (o filme custou vinte milhões e não conseguiu chegar nem aos 10 de renda!).

O filme tem participação especial de Reese Witherspoon (que nada faz de importante, mas foi trazida pelo amiguinho Phoenix) e pela primeira vez o diretor trabalha com sua mulher de muitos anos e filhos, a comediante Maya Rudolph, que é filha da cantora negra Minnie Riperton, que morreu cedo. O papel central era por Robert Downey Jr que o largou (deve ter sido o psiquiatra que achou perigoso novamente lidar com drogas). Estranhamente indicado para Oscar® de roteiro, indica que o diretor não perdeu o prestigio. Eu achei curiosa a história de que ele pertence a geração Home Video, e que começou fazendo filminhos rodados e editados em vídeo. O pai curiosamente apresentava na teve de Cleveland um show de filmes de terror! Até hoje Paul continua a rodar curtas experimentais entre os projetos maiores.  Que saia logo o grande filme tão prometido.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O Duplo (The Double)

Inglaterra, 13. 93min. Direção de Richard Ayoade.com Jesse Eisenberg, Mia Wasikowskva, Wallace Shawn, Yasmin Paige, Phyllis Sommerville, Sally Hawkins, Chris O´Dowd, Paddy Considine.

Michael Caine e Harmony Korine são dois dos produtores deste filme independente britânico que foi dirigido pelo jovem Ayoade, mulato filho de nigeriano com a norueguesa  Dagny Amalie, que fez curso em Cambridge, onde passou a fazer parte do grupo de comediantes (e teve êxito Cult com Dark Places, 04, paródia de filmes de terror), além de dirigir music vídeos, em geral na mesma linha. Seu longa seguinte teve ótimas criticas, Submarino (Submarine, 10), estrelado por Craig Roberts e Sally Hawkins. Ben Stiller apresentou o filme e o chamou também para participação em Vizinhos Imediatos de Terceiro Grau (12).

Diante de tudo isso chega até a ser convencional, mais esta adaptação da velha história do duplo que vem atormentar um rapaz tímido chamado Simon, que trabalha numa agência do governo e leva uma vida infeliz que se torna ainda mais radical quando aparece um cara semelhante a ele, James, apenas mais atrevido o que ninguém parece notar. Inspirado em livro do grande Dostoeiwsky, o filme é menos radical de que outro recente com  Jake Gylenhall (O Homem Duplicado, do canadense Dennis Villeneuve, 13, mais desagradável e mais pretensioso).

A maior qualidade daqui não como sempre é a figura pálida e neutra de Eisenberg, mas a produção que é toda estilizada com domínio da cor amarela, cenários antiquados, como se procurasse recordar o antigo Rússia ou ainda União Soviética ou então o Kafka de sempre. Com ar de filme de terror, o filme resulta básico, sem surpresas, com um curioso elenco entrando e saindo sem dizer a que veio. O Ayoade ficou devendo ao menos mais seu senso de humor.

Sem Direito a Resgate (Life of Crime)


EUA, 13. Direção de Daniel Schechter.  Com Jennifer Aniston, Mos Def, Isla Fisher, Will Forte, Tim Robbins, John Hawkes, Kevin Corrigan, Clea Lewis. 

Não conheço o diretor Daniel que dirigiu os desconhecidos Goodbye Baby (07),  Supporting Caracters (12). Também é roteirista (acrescente também The Big Bad Swim, 06, dirigido por Ishai Setton). Este projeto esteve na Fox em 1986 com Diane Keaton no papel principal mas acharam que lembrava demais Por Favor Matem minha Mulher (Ruthgless People, 86) que foi feito com Bette Midler, mas na verdade é inspirado num clássico do conto americano que foi escrito pelo lendário O. Henry e depois disso inúmeras vezes copiado: chamava-se The Ramson of the Red Chief, quando fez parte do filme de contos chamado Páginas da Vida (50).

De qualquer forma uma boa história não se despreza, porque pode ser reaproveitada, como fez o excelente escritor Elmore Leonard (no seu livro Switch, 1925-2013). Dele não é preciso lembrar que escreveu Jackie Brown (Tarantino), Irresistível Paixão (George Clooney), Os Indomáveis (3.10 to Yuma), e assim por diante. Mas nada se pode fazer sem talento e depois de ter participado deste projeto, Jennifer Aniston deve ter ficado abalada porque bem que podia ter passado sem esta (ainda mais que voltou agora com o drama Cake, que lhe deu indicações a prêmio e no qual se sai bastante bem). Não posso dizer o mesmo onde ela tem a infelicidade de interpretar uma megera, porque é a única forma de dar certo a história.

Dois bandidos incompetentes sequestram a mulher de milionário corrupto planejando  em pedir um milhão de dólares de resgate. Naturalmente ele tem amante e nenhum interesse em pagar coisa alguma, podem ficar com ela. E claro que a jovem megera assume o comando da quadrilha e parte para a vingança, já que sabe de todos os podres. Acho que o Silvio de Abreu saberia fazer, se já não fez alguma vez, uma grande novela em cima dessa situação (que lá dura uma semana), mas enfim precisa ter timing, talento e coadjuvantes competentes. Por respeito ao autor o filme não foi tão destroçado quanto deveria, mas é porque nem se deram ao trabalho de rir com a versão de Bette Midler que ainda deve circular.