sexta-feira, 7 de junho de 2013

Esther Williams

Perdemos Esther Williams a rainha das águas

    Nunca houve antes ou depois uma estrela como Esther Williams. Durante aproximadamente dez anos, de meados dos anos 40 até meados dos cinquenta, ela foi campeã absoluta de bilheteria e estrela absoluta nos estúdios da Metro de uma série de filmes que invariavelmente traziam números musicais aquáticos, balés que criaram praticamente o hoje famoso como categoria olímpica,  nado sincronizado. Como sempre diziam dela, seca era como as outras, molhada era uma estrela.

      Tenho especial carinho por Esther porque eu fui nadador e obviamente tentava imitar na piscina os mergulhos e saltos que ela realizava no cinema. Era o nosso ídolo. Nunca imaginei que anos depois quando era jornalista e cobria o Fest Rio para a Rede Globo, entrei numa festa e fui apresentado a ela. Esta quase imediatamente  ordenou, como uma rainha- Você será meu Escort durante o festival. Naturalmente tinha se informado e sabia quem eu era e a importância do canal. E foi assim que durante uma semana eu convivi momentos inesquecíveis que Esther. Uma mulher grande (felizmente eu também era) e bem humorada. Fui o apresentador/coordernador da entrevista coletiva dela, não só para jornalistas mas também fãs como bem me lembro o Fallabella. Fiquei meio irritado até porque ela numa pergunta me deixou meio mal, como se tivesse errado. E na verdade era ela que forçou a situação para se sair bem... Ok, faz parte dos aprendizados de conviver com estrelas. Em  compensação assisti ao lado dela o filme que a revelou, Escola de Sereias, com Esther fazendo um comentário de áudio de DVD, sabe daquele jeito. Só que exclusivo. Também lhe peguei em algumas mentiras (inventou uma historia de que nadava todo dia na Baia de Guanabara, conversa que inventou para a imprensa e eu sabia que era mentira). E no ultimo dia, tive o prazer de lhe ensinar samba e dançar com ela em plena avenida carioca. As fotos se perderam mas para mim foi um momento inesquecível.

     Depois disso ainda a vi duas vezes em Nova York, mas ali eu já não era rei e não merecia tanta atenção. Também já estava ficando idosa, pesada e parecia beber bastante, como toda americana. Mas no seu apogeu, Esther era uma das mulheres mais bonitas do cinema. Ah,  sim Esther obviamente mentia a idade e nas conversas sempre fugia dizendo que não se perguntava essas coisas para uma senhora. Assim a data certa seria 1921 e os noventa e um anos. Com estrelas, nunca se tem certeza de nada! Mas como estrela morreu no dia de seu aniversário.

      Insisto Esther era bonita, alta (1 e 74, muito para a época), tinha ombros largos como toda nadadora, mas como atriz era espontânea e natural. Chegava mesmo a cantar com uma voz agradável (ela também me jurou que nunca foi dublada nas canções e chegou mesmo a cantar para mim o “Boneca de pixe” que interpretou com Van Johnson num filme. E que teria sido a própria Carmen Miranda que lhe teria ensinado!  Mas não é isso que dizem as pesquisas e livros). Atualmente estaria enfrentando também uma doença nos olhos degenerativa, que estava deixando-a cega (alguns sugerem que poderia ser consequência do cloro das piscinas, mas é especulação). Descanse em paz, Esther, eu nunca vou esquecê-la.

Ref fim.

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