Tatuagem Brasil, 13. Direção e roteiro de Hilton Lacerda.110 min. Com Irandhir Santos, Jesuita Barbosa, Ariclenes Barroso, Rodrigo Garcia, Johnny Hooker, Sylvia Prado, Sylvio Restiffe.
Não há duvida que o que há de mais novo e interessante no cinema brasileiro recente tem vindo do Nordeste, mais especificamente do nascente e crescente cinema de Recife. Não conhecia pessoalmente todo os lideres do movimento mas tive ótima impressão quando os entrevistei para um novo programa da HBO. São inteligentes, bem humorados, criativos, de idéias e propostas variadas ainda que quase sempre convergentes. Bem sintetizada pela figura deste Hilton Lacerda, que é aqui diretor estreante de ficção (fez antes documentário sobre Cartola) mas foi co-roteirista de quase todos os filmes marcantes do movimento (desde o pioneiro Baile Perfumado, passando por Árido Movie, Amarelo Manga, A Festa da Menina Morta, claro que não é deles mas vale como referencia, A Febre do Rato). E também pela figura do astro do filme que é o Irandhir Santos, um ator brilhante que tem sido consagrado por suas participações marcantes em O Som ao Redor, Febre do Rato, Tropa de Elite 2, Olhos Azuis.
Seu desafio desta vez é interpretar um homossexual assumido Clécio (melhor dizendo bissexual já que vive com mulher e tem filho, melhor mesmo seria não classificá-lo). A historia se passa durante os anos da repressão política da ditadura, quando alguns atores dedicados se apresentam num grupo de vanguarda que provoca polemicas, com suas encenações ousadas em todos os sentidos. O filme na verdade tem algo libertário que tem conquistado a critica e o publico (gosto particularmente do jovem ator Jesuita Barbosa, que faz o recruta do exercito, que tem que enfrentar seu despertar sexual e o ataque de um colega).
Parece também que uma nova geração de talentos começa a surgir por lá e o filme é sua primeira explosão. Vamos ver como vai reagir o publico no momento mal acostumado apenas com comédias digestivas.
Ref fim.
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