Revisitando Psicose
(Psycho, 1960) de Alfred Hitchcock. No Cinemark dias 31, 1 e 4 de fevereiro.
Aconteceu no
dia 16 de junho de 60 a pré-estreia em Nova York, do maior sucesso da carreira de Alfred
Hitchcock (1899-1980). Depois abriria em 4 de agosto em Londres e só no dia 10
de agosto de 1960 em
Los Angeles. No Brasil, Psicose
chegaria logo depois, fato raro na época, dia 25 de agosto (curiosamente antes
do resto do mundo). Em toda parte, seria imenso sucesso se tornando seu maior
êxito de bilheteria, tendo considerável influencia em outros cineastas e em
todo o gênero. Vamos relembrar o filme que originalmente da Paramount (quando
morreu, Hitchcock era um dos grandes acionistas da Universal e dono dos seus
principais filmes, depois de determinado número de anos). Então hoje Psicose pertence a Universal. Na
verdade, durante a rodagem Hitch já estava rompendo com a Paramount e este
filme foi rodado nos estúdios (backlot)
da Universal.
Ficha
Técnica: Psicose (Psycho). EUA, 1960 Direção de Alfred Hitchcock. Preto e Branco. 109
min. Paramount/Universal. Roteiro de Joseph Stephano, baseado em livro de
Robert Bloch. Fotografia de John L. Russell. Música de Bernard Hermann. Direção
de Arte Joseph Hurley e Robert Clatworthy. Com Anthony Perkins, Janet Leigh,
Vera Miles, Martin Balsam, John Gavin, John McIntire, Simon Oakland, Patricia
Hitchcock. Disponível no Brasil em VHS e
DVD.
Sinopse: Marion Crane, uma jovem que
roubou dinheiro de sua empresa, aproveita o fim de semana para fugir. Mas se
perde na estrada e se hospeda no Bates Motel, onde é misteriosamente
assassinada. A polícia e a irmã dela Lila procuram por seu paradeiro. Mas quem
pode saber mais é Norman Bates, que administra o motel junto com sua mãe
inválida.
A Equipe
Técnica: Hitchcock
comprou os direitos do livro original e pouco conhecido de Robert Bloch por
apenas 9 mil dólares e fez questão de adquirir o maior numero possível de
exemplares para que poucos soubessem do final surpresa. Bloch (1917-94) ficaria
mais conhecido como roteirista de série de TV de mistério (como Thriller, Alfred Hitchcock Presents, I
Spy e até Star Trek - escreveu 3
roteiros para eles-, Ghost Story, A Garota da Uncle, Monsters
etc. É mais lembrado por sua associação com o produtor William Castle, para
quem escreveu duas imitações de Baby
Jane, Almas Mortas (Strait Jacket, 64) com Joan Crawford e
Diane Baker e Quando Descem as Sombras
(Night Walker, 65, com Barbara
Stanwyck, Robert Taylor). Ou seja, nunca fez nada de importante. Curiosidade:
no livro, Norman é gordo, feio, mais velho e desagradável. Em vez de um galã
(além disso, ele é mais secundário no livro que não começa com a fuga de
Marion). O personagem havia sido inspirado num fato real, Ed Gein, um serial
killer que também inspirou Silencio dos
Inocentes.
Também era
pouco conhecido o roteirista Joseph
Stefano (1922-2006), que havia feito Anna
de Brooklyn com Gina Lollobrigida e
Orquidea Negra com Sophia Loren. Depois de Psicose teve uma carreira honrosa em
fitas de suspense A Tortura da Suspeita
(The Naked Edge, 61), Os Felinos (Eye of the Cat, 69 com David Hemmings), Um Dia para Relembrar (Two
Bits, 95, com Al Pacino, ao que parece autobiográfico). E claro que também telefilmes
e séries de TV. Mas tanto para Bloch quanto Stefano, Psicose foi o ponto alto de suas carreiras.
Hitchcock
fez Psicose com orçamento baixo -
menos de um milhão de dólares, de fato custou 800 mil dólares e rendeu na época
mais de 40 milhões! - porque achava que era um filme de risco, utilizando sua
equipe técnica da série de TV (Alfred
Hitchcock Presents, no Brasil, Suspense,
então em seu auge, durando de 1955
a 62, fora outras versões posteriores). Tanto que seu
fotografo John L. Russell fez 68 episódios da série e se fixou sempre na
televisão. Como se sabe Hitch rodou em preto e branco (pela ultima vez em sua
carreira), não só porque era mais econômico mas como achava que a visão de
sangue no chuveiro e depois no ralo provocaria engulhos na plateia, que o
rejeitaria.
Contou ainda
com a ajuda de seu amigo, o excelente compositor Bernard Herrman (1911-75), o
mesmo que fez a trilha para Cidadão Kane,
de Orson Welles e no final da carreira criaria o tema de Táxi Driver para Scorsese e também trabalhos para Brian De Palma (o
mais famoso dos imitadores de Hitchcock) e Truffaut (A Noiva Estava de Preto). Pois Hitch e Hermann tinham uma relação
tumultuada, com muitas brigas, mas o compositor era famoso por não se fixar em
temas melodiosos mas por inventar momentos de clima (fez também Jason e os Argonautas, Mysterious
Island e As Viagens de Gulliver,
os três de Ray Harryhaunsen). Já havia trabalhado com Hitch antes em Um
Corpo que Cai
(Vertigo), O Homem Errado, O Homem que
Sabia Demais, Intriga Internacional,
Marnie (chegou a escrever também
para Cortina Rasgada, mas a
Universal não gostou e esse foi o motivo da briga (triste verdade, sem a trilha
de Hermann os filmes seguintes dele perderam muito e aqui é essencial). Uma
curiosidade: Walt Disney teria recusado deixar Hitch filmar uma vez na
Disneylândia porque “ele fez aquele filme nojento, Psicose”.
Outro nome
importante da equipe é Saul Bass, que Hitchcock chamou para fazer o storyboard da cena do chuveiro. Acho
Bass um gênio e vale a pena falar um pouco sobre ele.
Saul Bass (1920-1996): O artista que revolucionou a
arte da titulagem no cinema. Formado pela Art Students League, começou fazendo
cartazes até ser chamado por Otto Preminger para fazer a abertura de alguns de
seus filmes mais importantes: Carmen
Jones, O Homem do Braço de Ouro, Anatomia de Um Crime, O Cardeal. Desde
então sua técnica (com a criação de logotipos) fez escola. Alguns cineastas
também começaram a Ihe encomendar storyboards,
uma espécie de "desenho de produção” para determinadas sequências mais
difíceis de fitas como Psicose, de
Hitchcock, Grand-Prix, de
Frankenheimer. Trabalhando também para design publicitário, só em 1974 pudemos
ver finalmente uma direção sua com uma obra-prima do Cinema Fantástico, Fase IV Destruição, um assustador e
envolvente presságio do que seria a humanidade sob o domínio das formigas.
Ganhou o Oscar® de Documentário Curta por Why
Man Creates, em 1968. Não voltou a dirigir, mas nos últimos anos de sua
vida ainda voltou a criar letreiros de filmes, principalmente para seu
admirador Martin Scorsese. Morreu em 25 de abril em Los Angeles, vítima de
linfoma.
Carreira
como desenhista de títulos (PF): 1954 – Carmen Jones, de Otto Preminger. 1955 –
Almas em Desespero, de José Ferrer. O Pecado Mora ao Lado, de Billy Wilder.
Caminhos sem Volta, de Dmytrik. A Grande Chantagem, de Robert AIdrich. O Homem
do Braço de Ouro, de Otto Preminger. 1956 – Redenção de Um Covarde (Johnny
Concho), de Don McGuire. Trapézio, de Carol Reed. No Despertar da Tormenta
(Storm Center) de Daniel Taradash. Um Homem de 3 Metros de Altura, de M.
Ritt. Morte sem Glória, de Aldrich. A Volta ao Mundo em 80 Dias, de M.
Anderson. 1957 – Santa Joana, de Preminger. Orgulho e Paixão, de Kramer. Bom
Dia Tristeza, de Preminger. Como Nasce Um Bravo, de Quine. 1958 – Um Corpo que
Cai, de Hitchcock. Da Terra Nascem os Homens, de Wyler. 1959 – Anatomia de Um Crime,
de Preminger. Intriga Intemacional, de Hitchcock. 1960 – Onze Homens e Um
Segredo, de Milestone. Spartacus, de Kubrick (também consultor visual). Exodus,
de Preminger. 1961 – Amor, Sublime Amor, de R. Wise. Pelos Bairros do Vício, de
Dmytrik. Quando o Amar É Cruel, de Garfein. 1962 – Tempestade Sobre Washington,
de Preminger. Os Vitoriosos, de Foreman (também o prólogo). 1963 – Nove Horas
Para a Eternidade, de M. Robson. Deu a Louca no Mundo, de Kramer. O Cardeal, de
Preminger. 1965 – A Primeira Vitória, e Bunny Lake Desapareceu, de Preminger.
1966 – O Segundo Rosto, de Frankenheimer. Com Minha Mulher, Não Senhor, de
Panama. Grand-Prix, de Frankenheimer. 1971 – Amigos são para essas Coisas (Such
Good Friends), de Preminger. 1975 – Setembro Negro (Rosebud) de Preminger. 1976
– Isto Também era Hollywood (That´s Entertainment Parte II). 1979 – Alien, o
Oitavo Passageiro (Alien) de Ridley Scott. 1980 – O Fator Humano (The Human
Factor) de Preminger. 1987 – Broadcast News – Nos Bastidores da Notícia (Broadcast
News) de James L. Brooks. 1988 – Quero ser Grande (Big) de Penny Marshall. 1984
– Code Name: 84, a
Verdade sobre o Vietnã (84 Charlie MoPic) de Patrick Duncan. 1989 – A Guerra
dos Roses (War of the Roses), de Danny
De Vito. 1990 – Os Bons Companheiros (Goodfellas), de Scorsese. 1991 – Dr.
Hollywood – Uma Receita de Amor (Doc Hollywood), de Michael Caton-Jones. Cabo
do Medo (Cape Fear), de Scorsese. 1992 – Mr. Saturday Night – a Arte de Fazer
Rir (Mr Saturday Night), de Billy
Crystal. 1993 – A Idade da Inocência (Age of Innocence), de Scorsese. 1995 –
Duro Aprendizado (Higher Learning), de John Singleton. Cassino (Casino), de
Scorsese. A Personal Journey with Martin Scorsese through American Movies, documentário de Scorsese.
Diretor:
1963 – The Searching Eye. 1964 – From Here to There. 1968 – Why Man Creates.
1974 – Fase IV – Destruição (Phase IV. Nigel Davenport, Michael Murphy).
Continuações e Refilmagem: Psicose teve continuações sempre
estreladas por Anthony Perkins (1932-1992), 1) Psicose 2, dirigida por Richard Franklin, em 1983 bem curiosa e digna, até com a presença de
Vera Miles. A continuação número 2, de 1986, Psicose 3. foi dirigida por Perkins, que fez um trabalho péssimo e
de mau gosto. 3) Houve ainda um telefilme de 1990, Psicose 4 – A Revelação, com Perkins e Henry Thomas como Norman
Bates jovem e Olivia Hussey como a mãe (esse tv-movie razoável explica as origens psicológicas que o transformaram
em psicopata assassino). Deu origem também a uma lamentável série de TV de
curta duração chamada Bates Motel
(Idem, 1987). Em 1998 Gus van Sant fez a refilmagem homônima, utilizando o
mesmo roteiro com Anne Heche, Julianne Moore, Vince Vaugham e Viggo Mortensen.
Foi uma mancha negra na carreira deste diretor pretensioso e que ganhou duas
palmas de Ouro em Cannes (uma delas pelos 60 anos do Festival).
Bastidores: A aparição habitual de Hitchcock
é logo no começo, com cerca de 4 minutos de duração, usando um chapéu de pé
diante do escritório de Marion. A voz da mãe Bates, foi dublada pela atriz Virginia
Gregg. John Gavin que faz o amante de Janet, mas tarde seria embaixador dos EUA
no México, durante o Governo Reagan. A filha de Hitchcock, sua herdeira única,
Patricia, faz uma colega de escritório de Janet. Foi o maior sucesso de
bilheteria da carreira de Hitchcock. Durante o lançamento do filme, o diretor
proibiu a entrada de pessoas no meio das sessões (na época as sessões eram
corridas) o que acabou provocando curiosidade e ainda maior êxito. Um choque na
época foi matar a estrela do filme na metade da história (Janet, 1927-2004, na
época era uma popular estrela há mais de 12 anos, considerada “família” e que
havia formado o casal ideal com Tony Curtis). A famosa cena do chuveiro foi
planificada por storyboard pelo
artista gráfico Saul Bass, mas ao contrário da lenda foi totalmente dirigida
por Hitchcock. Janet, que hoje é mais lembrada como a mãe de Jamie Lee Curtis,
chegou a escrever um livro a respeito também
foi usada uma dublê de corpo mas apenas dá a impressão de nudez, não se chega
realmente a se ver tanta coisa. Foi também o primeiro filme americano a mostrar
uma privada, coisa até então proibida pela censura e o truque para isso é que é
parte essencial da historia (quando Janet joga um papel rasgado no vaso). Não é
verdade a lenda de que Hitch usou água fria para conseguir uma reação de Janet
(toda a seqüência levou uma semana para ser rodada). O som da faca é na verdade
o som de uma faca penetrando num melão!O Sangue era calda de chocolate Bosco.
A ultima
cena do filme (Spoiler) tem em cima da imagem da figura central
colocada, superposta, quase subliminarmente a caveira da mãe de Norman. A
censura na época quis cortar a cena do chuveiro dizendo que havia nudez (e que se
via um bico do seio). Ai há duas versões, uma de que Hitch teria mostrado plano
a plano provando que isso não era verdade, outra que os censores de dividiram e
devolveram a copia para ser retirada a parte ofensiva (e como não tinha voltou
da mesma forma e eles liberaram). Outra coisa que tentaram cortar foi o termo
travesti ate que o roteirista provou que esse era um termo técnico cientifico.
Hitch recebeu uma carta de um pai ofendido porque a filha não queria mais tomar
banho de banheira depois de ter visto o francês As Diabólicas, e agora não queria mais tomar chuveiradas por causa
do filme. Dizem que ele teria respondido: “Mande a para lavagem a seco!”. Anthony
Perkins ficou tão marcado pelo personagem, que isso prejudicou sua carreira que
foi basicamente uma repetição consciente ou não do personagem de Norman Bates.
Seu homossexualismo foi disfarçado por um casamento com Berry Benson (Irmã de
Marisa e que morreu num dos aviões que foram sequestrados em 11 de setembro de
2001). Perkins faleceu de Aids. Vera Miles e John Gavin ainda estão vivos mas
aposentados como atores.
Mais trivia:
foram consideradas para o papel de Marion, Eva Marie Saint, Shirley Jones, Lana
Turner, Piper Laurie, Martha Hyer, Hope Lange. O diretor embora famoso por não
dirigir atores (ele dizia que já os contratava sabendo o que iriam render e só
interferia em ultimo caso, se estivessem fazendo algo errado. Como faz Woody
Allen hoje). Mas Hitch aliás com toda razão, não gostava nada da interpretação
de John Gavin, a quem considerava um canastrão “duro” (ele queria no lugar
Stuart Whitman, que é igualmente canastrão!). A casa usada no filme ainda está
de pé nos Estúdios da Universal e você pode visita-la na tour deles (note como
ela muda de tamanho conforme a perspectiva e ângulo que você fotografa-la). Essa
casa foi inspirada num quadro de Edward Hopper, de 1925, chamada House by the Railroad e o quadro esta no
Museu de Arte Moderna de Nova York. Quando elenco e equipe começaram a rodar o
filme tiveram que jurar (na Bíblia como nos julgamentos) que manteriam segredo
sobre o conteúdo do filme (a cena final não constava do script e só foi
revelada na hora de rodar para os interessados).
Para dar
para nós a impressão de sermos voyeurs,
Hitch usou uma lente de 50 mm
na sua câmera de 35 (que resulta o mais próximo possível do que é uma visão de
um ser humano, isso é claro na cena em que Norman olha pelo buraco). Perkins ganhou 40
mil dólares de salário (a mesma quantia que Marion rouba). Hitch não recebeu
salário (teria direito a 250 mil dólares) em troca de participação nos lucros
(o que lhe rendeu 15 milhões de dólares, o que hoje equivale a 170 milhões!). A
frase mais famosa do filme é “o melhor amigo de um rapaz é sua mãe”. Está em
décimo quarto lugar dentre os melhores filmes de todos os tempos do American
Film Institute e em primeiro na lista do AFI de thrillers! Norman Bates ficou
em segundo lugar na lista dos vilões. Em todos os cinemas americanos que passou
o filme tinha um cartaz em papelão de Hitchcock com o seguinte aviso: “O
gerente deste cinema foi instruído como risco de sua própria vida, a não
admitir no cinema pessoas depois que o filme já começou. Qualquer tentativa que
seja feita por portas traseiras, saída de incêndio ou ventiladores, será
rechaçada a força. O objetivo dessa ordem é logicamente ajudar você a se
divertir mais com Psicose. Assinado
Alfred Hitchcock”.
A cena do
chuveiro dura 45 segundos e tem 78
planos diferentes (em dois a faca toca o corpo de Janet ou sua dublê, Marli
Renfro (que havia sido capa da Playboy mas não foi creditada). No trailer do
filme, não aparecem cenas dele mas Hitchcock fazendo uma tour pela Universal e
chegando até ao banheiro onde ele abre a cortina do chuveiro e Vera Miles grita
(Janet não esta disponível). Vera foi por uns tempos a atriz favorita de Hitch
e segundo ela, não fez mais porque recusou seus avanços. Estiveram juntos antes em O
Homem Errado (a atriz da Broadway Kim Stanley foi consultada antes mas recusou
porque não gostava de Perkins) e aqui ela usa peruca porque havia raspado a
cabeça antes por Cinco Mulheres Marcadas,
do mesmo ano. Há. varias referencias a pássaros no filme, Marion é Crane
(cegonha), Norman coleciona pássaros empalhados e diz que ela come como um
pássaro. O próximo filme do diretor foi justamente Os Pássaros.
(Spoiler) Já quase no final, quando Norman
esta na delegacia, o guarda de uniforme que aparece é o depois famoso Ted
Knight, o apresentador metido de Mary
Tyler Moore Show. No final da cena do chuveiro, quando a câmera recua Hitch
recorreu a congelamento da imagem (porque ele achou que o fato da atriz estar
viva, obviamente se revelava na pupila dos olhos e no pulsar da veia do pescoço).
Psicose foi indicado aos Oscars de
atriz coadjuvante (a única vez na carreira de Janet Leigh), fotografia em preto
e branco, direção de arte em PB e direção (ele foi indicado antes por Rebecca, 40, Um Barco e Nove Destinos, 44, Quando
Fala o Coração, 45, Janela
Indiscreta, 54, mas não ganharia nunca. Em compensação lhe deram o premio
Irving Thalberg pela carreira de carreira como produtor em 68).
Mancadas: Não é verdade que Janet engula
saliva depois de seu personagem esta morto. Mas há outras falhas. Por exemplo,
um plano do carro Ford 57 que ela ainda não pegou quando esta viajando noutro
Ford negro. A mão de Janet muda de posição quando puxa a cortina (polegar para
cima e para baixo). A sombra da câmera no rosto da mulher que está com lata de
pesticida. Na agencia de carros, os mesmos figurantes vão e voltam incessantemente.
No começo do filme a toalha de Sam muda de lado sem ele ter mexido nela. Quando
Norman vem correndo para atender Marion no motel, esta chovendo mas ele não
ficou molhado. Quando Marion sai do carro para conversar com o vendedor de
carros usados dá para ver refletido na porta do carro, o rosto de um técnico da
equipe que logo se esconde. Há também outro reflexo de técnico na janela do Motel
quando Sam e Lilá estão andando por ela. Alem disso, Lilá e Sam entram no
quarto que não esta fechado a chave como seria lógico. Quando o detetive chega
no Motel para investigar o céu esta limpo, logo depois fica nublado (pode ser
liberdade artística). O filme fixa a data dos acontecimentos em 11 de dezembro
mas no extrato de banco de Marion logo depois se vê que é 20 de janeiro. Quando
Norman limpa o chão com sangue, a mancha varia de tamanho de uma tomada para
outra.
Crítica: Foi preciso acontecer a estúpida
refilmagem de 1998, feita por Gus Van Sant, para se dar o justo valor ao gênio
de Hitchcock. Como foi usado o mesmo roteiro, deu para perceber a inteligência
de suas opções no original, de filmar em preto e branco (para o vermelho do
sangue não tornar a fita repulsiva), de escolher o elenco certo (não é a toa
que Perkins ficou estigmatizado porque seu psicopata é perfeito). A trilha
musical de Bernard Hermann ajuda a criar o clima do filme, que de outra forma
pareceria arrastado. Há alguns momentos de bravura criativa além, obviamente,
da cena do chuveiro (como a morte do policial, a visão da casa dos Bates).
Embora não seja o melhor filme do cineasta, seu status legendário marcou todo o
gênero de terror e suspense (o filme apesar de Hitchcock ser conhecido como o
Mestre do Suspense, não segue a lição do diretor. Segundo este, é Thriller ou
filme de mistério, quando um detetive investiga um caso criminal e o assassino
ou bandido é descoberto ao final. Ou seja, o publico fica sabendo quem é ele ao
mesmo tempo que o investigador. Já suspense é quando o público fica sabendo dos
fatos, o público sabe mas não o investigador e dessa forma pode torcer pelo
desenlace. Mas como no Brasil, não é usado o adjetivo thriller na falta de
outro melhor “suspense” virou um genérico, principalmente com o advento das
locadoras. Portanto, Psicose se
classifica mais como Terror (Os Pássaros
é outro que poderia ser chamado assim).
O fato é que
nem o diretor, nem o gênero, nem Perkins que faz o protagonista voltariam a ser
os mesmos. E nunca mais você tomou um banho de chuveiro nem frequentou um motel
de beira de estrada sem pensar nele. Edipiano, travesti, necrófilo e péssimo
gerente de motel, Norman é uma figura fascinante que gerou inúmeras imitações, mas
ainda impressiona e assusta.
Mas nem tudo
é perfeito. 50 anos deixam sempre sua marca. Perkins já não surpreende tanto e
o filme tem momentos em que parece arrastado e também pobre (Hitch adorava usar
projeções de fundo, como na cena do carro onde a policia para Marion, que hoje
não ficam bem). A explicação psiquiátrica na delegacia que tenta deixar tudo
muito claro, hoje parece desnecessária e longa demais. O filme vale mesmo pelas
cenas surpreendentes, não apenas a do chuveiro (que é ainda insuperável), mas o
ataque ao detetive Balsam nas escadarias e mesmo a surpresa com a mãe. Mas é
sempre preciso levar em conta a passagem do tempo e que o público hoje em dia
está muito sofisticado e acostumado a ver filmes e resolver mistérios. Até
mesmo os criminosos e os crimes sofisticaram-se também. Acreditem que naquela
época nem mesmo a palavra psicose e psicopata era do conhecimento geral como
atualmente.
Que texto lonnnngo!
ResponderExcluirPor que será que todos os blogs que eu visito não tem comentários (todos excelentes),será que os blogueiros não tem amigos e parentes.Eu acho que é mesmo aquela história de santo de casa não fazer milagres,sei lá.
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