sexta-feira, 22 de abril de 2016
Uma História de Loucura (Une histoire de fou)
França, 2015. 134 min. Direção de Robert Guédiguian. Com Ariane Ascaride, Simon Abekarian, Gregorie LePrince Ringuet, Shirus Shahidi, Robison Stévenin.
Esperava mais deste novo filme do marselhês Guédiguian, que acompanhamos a carreira desde que foi revelado e premiado em Cannes, em Marius e Janette, 97, com sua habitual mulher e estrela Arianne Ascaride. Seus filmes tem sido exibidos no Brasil até pela amizade com o Jean Thomas, dono da Imovision e também marselhês. E em geral são diferentes e interessantes. Já havia inclusive mexido no mesmo tema, o absurdo massacre dos armênios, um genocídio absurdo e inconcebível que até não foi admitido oficialmente pelos perpetradores, basicamente o governo Turco. O filme anterior era mediano e se fixava mais na visão do antigo lugar e na sua sobrevivência. Chamava-se Armênia (2006) e ficava a desejar.
Infelizmente neste caso o problema é ainda maior. Mais ambicioso e maior orçamento, começa em preto e branco mostrando como os sobreviventes armênios se organizaram pra agir como terroristas tentando principalmente o reconhecimento de sua etnia e o massacre bárbaro. Assim começa e aproveito o que diz o release para resumir a história: começa em Berlim (1921) quando Talaat Pacha, a principal pessoa por trás do genocídio armênio é morto na rua por Soghomon Thelirian, absolvido pela justiça alemã e considerado um herói para os armênios. 60 anos mais tarde, onde uma nova geração ainda clama por justiça. Aram um jovem de ascendência Armênia que vive em Marselha explode o carro do embaixador Turco em Paris. Casualmente, Gilles Tessier, um jovem ciclista que estava passando naquele momento é gravemente ferido pela explosão e perde as pernas.
Aram, em fuga, deixa sua família e junta-se ao Exército Secreto pela Libertação da Armênia em Beirute, o viveiro da revolução internacional naqueles anos. Anouch, a mãe de Aram, interpretada por Ariane, visita Gilles no hospital para pedir perdão por seu filho, porém, os fatos apontam para algo inesperado capaz de mudar a vida de todos.
Eu conheci a tragédia da Armênia através das conversas com Leon Cakoff, que perdeu grande parte da família dessa forma e nunca se conformou com isso. Mas acho que até ele iria se conformar com o filme longo, confuso, que se prende aos terroristas um tema difícil hoje em dia, quando não se sabe mais quem é herói e é bandido. Apesar da boa vontade geral, o filme resulta inconvincente e mais atrapalha do que explica.
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