segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

O Destino de Uma Nação (Darkest Hour)


O Destino de Uma Nação (Darkest Hour)
Inglaterra, 17. 2h5min. Direção de Joe Wright. Roteiro de Anthony McCarten. Baseado em livro de sua autoria. Com Gary Oldman, Lily James, Kristin Scott Thomas, Ben Mendehlson (como Rei George VI), Ronald Pickup, Stephen Dillane, Samuel West. David Strathairn (voz de Presidente Roosevelt).

É curioso que simultaneamente tenham surgido três filmes diferentes sobre o mesmo personagem histórico, no caso o Primeiro Ministro inglês Sir Winston Churchill (1874-1975), uma figura lendária e polêmica, que foi responsável por salvar a Grã-Bretanha da destruição diante da invasão da Europa nas mãos do nazismo de Hitler. O primeiro caso foi a minissérie The Crown da Netflix, de Peter Morgan, ainda disponível, uma super produção excepcional que teve a ousadia de chamar um ator americano para o papel, no caso John Lithgow, que levou um Emmy, o SAG, Critic´s Choice e foi indicado ao Globo de Ouro. Quase simultaneamente surgiu depois um longa-metragem britânico ainda de qualidade (ainda que inferior aos dois outros) que foi o apenas Churchill (Idem), 17, feito por um diretor pouco conhecido australiano (Jonathan Teplitsky, que fez Uma Longa Viagem com Nicole Kidman) e com o escocês Brian Cox, que está bem e sua mulher feita pela ótima, Miranda Richardson. Mas para tentar ser um pouco diferente os acontecimentos registrados pelo filme estão restritos a apenas 96 horas de básica importância para a sobrevivência da Grã-Bretanha. Resultado: um filme interessante, mas menor.

Este terceiro e mais importante, da Universal Focus, está sendo promovido porque é a primeira indicação ao Globo de Ouro, apesar de sua ilustre e querida carreira, de Gary Oldman que tem bastante chance de até se sair vencedor (havia também possibilidade de roteiro e outros prêmios técnicos, mas este ano a disputa dos prêmios ainda mais o Oscar está mais difícil e disputada). Gary se revela um ator versátil num verdadeiro tour de force a ponta de ser irreconhecível escondido atrás de uma incrível maquiagem e trejeitos (com a boca). Além de conseguir reproduzir os mais famosos discursos do primeiro ministro inglês, que além disso reproduz na parte final do filme, num verdadeiro show.

Acredito que o filme (que nos EUA está tendo uma carreira razoável com cerca de 23 milhões de dólares de renda) não seja para todo mundo. Os muito jovens e os menos interessados em História (com H maiúsculo) ou Política, podem se aborrecer sobre um conflito fundamental na História das guerras, mas já um pouco distante para alguns. O trabalho do roteiro (e um livro) foi feito por Anthony McCarten que pesquisou tudo com cuidado e fez também o premiado A Teoria de Tudo e dirigido por um dos meus diretores preferidos, o excelente Joe Wright (Desejo e Reparação, e por isso nem mostra muito a cena de Dunkirk, visto agora em filme parecido, Orgulho e Preconceito, Anna Karenina, Hanna, no episódio Nosedive de Black Mirror, e agora Stone com Tommy Lee Jones). Em vez de um filme frívolo e cheio de lances visuais, fez um trabalho discreto e até sombrio (as figuras femininas são ainda mais em segundo plano, apesar da qualidade de Kristin Scott Thomas e a promissora Lily James-(Cinderella). Mas seria obrigatório para ser visto por todos os políticos brasileiros, uma verdadeira lição para eles.

2 comentários:

  1. "Mas seria obrigatório para ser visto por todos os políticos brasileiros, uma verdadeira lição para eles." Apenas esse desfecho já nos convida à leitura do texto de Rubens Ewald Filho, rico em informações e comentários preciosos.

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  2. Drama histórico espetacular !!! O Gary Oldman vai levar em o Oscar de melhor ator.

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