quarta-feira, 26 de junho de 2013

Diana Ross

A visita da Diva: Diana Ross



     Tenho ido pouco a shows mas não consegui recusar o gentil convite de Alicinha Cavalcanti para a estréia em São Paulo, no Espaço das Americas de Diana Ross. Afinal ela é um mito, uma Diva, e nunca a tinha visto num palco. O show para o padrão americano é dos mais pobres: 8 musicos, 3 backing vocals, 5 troca de vestidos (um deles Pink escarlate é de baile e quase a derruba, já não tem idade para ser princesinha da Disney). Nem chegam a usar os telões. Para os padrões americanos, uma pobreza feita para viajar. Alias Diana, fui procurar, esta com 74 anos e não é mais aquela magricela de provocar inveja. Mas esta muito bem em cena, bonita, segurando bem a voz, simpática, cantando seus sucessos (do cinema ela ao menos canta do The Wiz, O Magico Inesquecivel, O Magico de Oz Black, Ease on Down the Road e Do You Know where You´re Going Too, indicada ao Oscar por Mahogany. Do filme que lhe deu indicação ao Oscar e seu estréia no cinema, O Ocaso de uma estrela/Lady Sings the Blues,72.O Ocaso de uma estrela, a Vida de Billie Holiday nem menção). Dura pouco mais de hora, mas é agradável de ver. Mas Michael Jackson ficaria desapontado.

Ref fim.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Richard Matheson

A morte de Richard Matheson


      Ele foi um dos maiores escritores de ficção cientifica, se exagero. Richard Matheson morreu domingo aos 87 anos, depois uma longa doença. Qualquer um que gosta do gênero e que como eu se apaixonou pela serie de teve Além da Imaginação (Twilight  Zone) sempre será um grande admirador de sua inteligente e habilidade. Que demonstrou também em vários outros clássicos do cinema, em particular o conto que deu origem a Encurralado/Duelo , o primeiro longa de sucesso de Spielberg, 71. Mas seu curriculum incluem ainda o mais recente Gigantes de Aço (Steel, 011, com Hugh Jackman),  Eu Sou a Lenda (07, mas que é refilmagem de The Omega Man, A Ultima Esperança da Terra, com Charlton Heston. E muito mais: sendo o primeiro famoso O Incrivel Homem que Encolheu (57)  de Jack Arnold, O Solar Maldito de Roger Corman (primeiro de uma serie de adaptações de Edgar Allan Poe, que fizeram juntos: A Mansão do Terror, Muralhas do Pavor,O Corvo, Farsa Trágica. Escreveu Fanatismo Macabra para Tallulah  Bankhead na Hammer, O Insaciavel Marques de Sade com Keir Dullea, o famoso A Casa da Noite Eterna, 73, o Cult Em Algum Lugar do Passado com Christopher Reeve (80), Tubarão III, O tiro que não deu Certo, os românticos O Amor Além da Vida, Ecos do Além, A Caixa com  Cameron Diaz e inúmeros episódios de serie de teve. Para mim, um gênio em sua arte. Descanse em Paz.

Ref fim

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Adeus, Minha Rainha

Adeus, Minha Rainha. (Adieu à la Reine) França, 12. Direção de Benoit Jacquot.   100 min Com Léa Seydoux, Diane Kruger, Virginie Ledoyen, Xavier Beauvois, Noémie Lvovsky, Michel Robin, Lolite Chammah, Anne Benoit.

      A pseudo biografia de Maria Antonieta feita por Sofia Coppola que era mais um vídeo clip que outra coisa, sem qualquer preocupação com os fatos ou a narrativa deve ter incitado o consagrado diretor Benoit (A Escola da Carne, Sade ) e que lhe rendeu os Césars de fotografia, direção de arte, figurino, o Prix Louis Delluc, além de ter concorrido em Berlim. 

       Sem jamais ceder a emoção (o filme pretende dar uma visão fria e distanciada de uma historia triste, os últimos dias de poder da rainha Maria Antonieta, austríaca casada com Luis XVI. Não de sua prisão propriamente dita, muito menos de sua morte na guilhotina, esses são fatos que o publico deve ter em seu subconsciente, assim como sua famosa frase de que o povo deveria comer brioches!).

       Rodado nos verdadeiros castelos de Versalhes, Chantilly, Dampierre, o filme é narrado pelo ponto de vista de uma servente da Rainha, devota e um pouco apaixonada por ela feita por Lea Seydoux (que esteve no filme explicito que ganhou Cannes este ano). Ela é a leitora da Rainha e como não podia deixar de ser uma grande admiradora e ate conhecedora de leitura (embora a gente não fique sabendo praticamente nada a seu respeito).O roteiro inspirado em livro de Chantel Thomas mostra a vida cotidiana no Palácio em julho de 1789, justamente nas vésperas e nos dias imediatamente posteriores a tomada da Bastilha (comentada mas não mostrada). Ou seja, quem comenta são os serviçais e não os nobres, quase sempre especulações informativas enquanto a heroína se movimenta sem  fim pelos corredores pobres ou ricos do castelo. Não se revela nada de muito novo (a não ser para mim ao menos o encanto que Maria Antonieta tem por uma dama de companhia por quem tem uma paixonite a Madame de Polynac, a sempre bela Ledoyen) nem se faz muito drama, evitando-se ao Maximo qualquer nostalgia da queda da nobreza (embora esta não seja especialmente criticada).

       O ritmo discreto e a narrativa indireta não me incomodaram porque o elenco é interessante (foi um acerto chamar Diane Kruger, a Helena de Troia para substituir Eva Green  e esta tem ate alguns momentos de Grace Kelly!) e inclui também a atriz Noémie Lvovsky, que esta também em cartaz como estrela de “Camille outra vez”. Enquanto Sofia se fixava nos prazeres da realeza, aqui se fixa na convivência das classes, os nobres e os empregados que tinham vida miserável.  Toda a parte técnica também é muito competente inclusive a trilha musical climática de Bruno Coulais. 

Ref fim.

A Bela que Dorme

A  Bela que Dorme (Bella Addormentata) Italia, França, 2012. Direção de Marco Bellochio. 115 min. Com Toni Servillo, Isabelle Huppert, Alba Rohrwacher, Michele Riodino, Gianmarco Tognazzi,Maya Sansa, Brenno Placido, Giggio Morra.

       Fazem mais de 50 anos que o diretor Marco Bellochio impressiona a gente (ao menos desde a estréia em 65 com o poderoso De Punhos Cerrados, ele nasceu em 1939). Passou por momentos menos felizes mas nos últimos tempo retomou a melhor forma com o sucesso aqui de Vincere (09) e agora com este filme que ganhou  a Mostra Internacional de São Paulo (critica) e dois prêmios em Veneza. Desta vez se inspirou em fato real: os últimos dias de vida de Eluana Anglaro , uma jovem que durante 17 anos sobreviveu no estado vegetativo  ate quando sua família tomou a policia decisão de desligar os aparelhos. O caso acabou provocando na Itália um confronto aberto entre os que apoiavam e condenavam a eutanásia.

      Não é exatamente um docu drama mas tem o ar febril de um caso que movimento povo e provocou ate confrontos de rua. Grande parte dos figurantes eram pessoas que realmente tinha estado diante do hospital em Udine (também real). Ainda assim preferiu-se inventar personagens fictícios, tanto da vitima quanto de sua família. Desde o começo a produção causou polemicas de tal maneira que não queriam que ele recebesse ajuda da Film Commission de onde foi rodado (a região de Friuli Venezia Giulia) chegando mesmo ao cumulo de no final das contas fecharem a comissão!(francamente fanatismo religioso- de qualquer religião- é o que há de mais burro e frequente no mundo!). De qualquer forma Bellochio conseguiu administrar a trama complexa com pelo menos três niveis de narrativa tornando-a compreensível e mesmo envolvente. Foge de soluções fáceis deixando também claro duvidosa ação do então primeiro ministro Berlusconi que envolve a política e o parlamento sem a menor necessidade.Quem faz o papel da mãe da menina doente desde acidente de carro é a grande Isabelle Huppert, no papel de uma famosa estrela de cinema. Obsessivamente católica, a ponto de representar o papel da Igreja no conflito do filme. Enquanto isso outro casal de idéias opostas mesmo assim se apaixona. (o rapaz chamado Roberto , Michele Riondino, tem um irmão mentalmente doente). Numa terceira historia, o Dr. Pallido (Pier Giorgio Bellochio sente-se atraído por uma viciada em drogas com tendência suicida (Maya) sedada enquanto o pessoal da clinica aposta quanto tempo ela ir sobreviver! (você é livre de se matar, ele diz para a garota, e eu sou livre de te impedir!). Mas como o tema é política, o filme traz uma coisa rara, um político honesto, Beffardi (Toni Servillo) recém eleito mas que tem votar na lei criado por Berlusconi  para impedir que a moça não mais respirasse artificialmente. Mesmo que seja contra sua consciência.

      E o humor não esta ausente quando mostra o medico que prescreve pílulas animar e sossegar os políticos (inclusive um banho turco iluminado a velas  que parece a Roma antiga!). O fato de não ter tido conhecimento dos fatos quando eles sucederam pode incomodar alguns e faz perder alguns detalhes. Mas não me incomodou, achou assim o filme ainda mais forte e poderoso.

Ref fim

Como na Canção dos Beatles Norwegian Wood


Como na Canção dos Beatles Norwegian Wood (Norwegian Wood ou Noruewei no Mori) 133 min. Japão, 10. Direção de Tran Anh Hung. Com Kenichi Matsumaya, Rinko Kikuchi, Kiko Mizuhara, Kengo Kora, Reika Kirishima.

      É bom termos de volta o talentoso Tran Anh Hung que depois de ter estudado na França foi pioneiro do cinema vietnamita estreando com uma obra prima ainda inesquecível  O Cheiro da Papaia Verde (93). Também foram exibidos aqui os filmes seguintes, todos interessantes, em particular Cyclo (entre a inocencia e o crime, 95, que mostrava o caos do país), As Luzes de um verão (2000).  Não me lembrava de ter visto Fugindo do Inferno, 09, mas encontrei minha critica arrasadora: 

Fugindo do Inferno **

     I Come with The Rain.. Ex-policial é contratado por milionário da industria farmacêutica para encontrar o filho que desapareceu misteriosamente nas Filipinas. Mas aparentemente se tornar um assassino sádico. 

      O diretor famoso por seus belos visuais e originalidade, fez aqui seu primeiro trabalho em inglês, rodado em grande parte em Hong Kong com um ator americano. O resultado é um filme brutal, repulsivo e por vezes difícil de seguir. Começa já com o anti-heroi, lutando contra o serial killer (que inclusive come cadáveres e lhe morde as costas, suponho que isso seja simbólico!). Dali em diante, embora mantenha uma fotografia interessante, vai ficando cada vez mais pesado (brasileiro não irá reconhecer isso mas os dois orientais são famosos e astros,  o coreano Byung e o japonês Kimura).assim como Shawn de HK (ele faz o amigo policial que o ajuda). Mas o resultado é incoerente e por fim cansativo. Parece que o diretor pirou e se perdeu. 

      Passado esse equivoco ele retorna agora com este filme que não parece ter nem sua cara, nem seu estilo. Um drama romântico: depois de ouvir a canção "Norwegian Wood," Toru (Matsuyama) lembra-se de sua vida nos anos 1960, quando seu amigo Kizuki se matou e isso fez com que se aproxima-se de Naoko, a namoradinha dele. Os dois procuram cada um de seu jeito lidar com sua dor mas Toru forma um laço com outra mulher, Midori. 

     Exibido no Festival de Veneza, teve prêmios no Oriente (Melhor foto no Asian Film Awards), trilha musical em Dubai, critica em Istambul). Rodado no Japão, é baseado em livro do prestigioso Haruki Murakami, de 87,(que é seu livro mais popular e considerado autobiográfico embora o escritor negue isso).  mas é preciso ser paciente. É longo demais, Bonitinho demais, lacrimoso em excesso. Alguns críticos o acharam com “sensibilidade emo” e “languida sensualidade”. O que já acho que resume tudo. A bela Rinko é a mesma que fez Babel, Vigaristas e agora Circulo de Fogo.

Ref

Chamada a Cobrar


Chamada a Cobrar Brasil, 12. Direção de Anna Muylaert. Com Bete Dorgam, Pierre Santos, Cida Almeida.

      Feita originalmente para a TV Cultura com muito pouco dinheiro, talvez tivesse sido melhor ficar oculto por lá este pequeno e modesto thriller, quase um exercício (feito com elenco desconhecido ainda que profissional e sem problemas). Mas como a diretora tem prestigio e respeito sempre se espera algo mais do que uma historia banal que nada mais faz do que ilustra, sem brilho, uma das lendas urbanas paulistanos (porque hoje em dia elas já viraram muito mais sangrentas e assustadoras). A velha historia do golpe do celular (manipulado por alguém de dentro da cadeia) que assustam uma senhora de meia idade, que teme pela segurança de uma de suas três filhas. Mas o roteiro poderia ser mais interessante com mais intriga e emoção.

Ref fim .

O Lugar onde tudo Termina


O Lugar onde tudo Termina / The Place beyond the Pines. EUA, 13. Paris Filmes. Direção de Derek Cianfrance. 140 min. Com Ryan Gosling, Rose Byrne, Eva Mendes, Ray Liotta, Bradley Cooper, Bruce Greenwood, Ben Mendelsohn,  Harris Yulin e Emory Cohen (como AJ) e Dane DeHaan.  

     Esperava-se mais deste reencontro entre o astro Ryan Gosling e o diretor de Namorados Para Sempre (10), um simpático e intenso filme com Michelle Phillips sobre um amor mal sucedido.  O que não se sabia é que se trata de uma historia muito complexa, contada basicamente em três episódios (de tal maneira que Ryan só aparece no primeiro). E que o poético titulo americano (O lugar que fica adiante dos Pinheiros) se refere realmente à cidade onde foi filmado,Schenectady, estado de Nova York (que é o seu significado em 
língua Mohawk).

     Acho que o filme tem um mérito, sua bela fotografia, não apenas ao mostrar paisagens mas o cuidado dos enquadramentos , com a iluminação. O diretor infelizmente não tem mão para dirigir atores. Ryan fala pra dentro e esta todo interiorizado e coberto de tatuagens como um motoqueiro que trabalha num parque de diversões no Globo da Morte. Ainda assim quando ele sai de cena sentimentos sua falta. Eva Mendes, com ar Tristonho, faz sua amante de um dia que engravidou e teve um filho com ele. Agora para Poder sustentar a criança, Ryan passa a cometer assaltos em bancos da redondeza. 

     No segundo episódio, é o irregular Bradley Cooper que assume o papel principal como um  policial que sobe na carreira e tem problemas de consciência quando percebe como funciona o esquema de corrupção dos colegas, preferindo seguir uma carreira na burocracia (como se  fosse diferente!). O problema do roteiro é que este nunca explica nada direito, ou aprofunda sentimentos ou situações. Deixa o dito pelo não dito e o espectador que se vire. Chegamos então a conclusão quando por obra do destino, se  encontram e se tornam amigos o filho do policial (Dane DeHaan, muito canastrão) e o filho do ladrão (Emory). A escolha errada dos garotos e a trama pretensiosa que não faz muito sentido acabam por derrubar um filme que foi muito mal recebido fora (mas não foi  tão mal assim se considerando a critica, custou 15 milhões de dólares e chegou a passar os 20 milhões de renda). 

Ref fim.

Eu,Anna

Eu,Anna (I,Anna) Inglaterra, 12. Direção de Barnaby Southcombe.Com Charlotte Rampling,  Hayley Atwell, Jodhi May, Honor Blackman, Eddie Marsan. Ralph Brown, Max Deacon . 91min 

      Estréia na direção de um longa de um veterano de vários episódios da teve britânica, mais curioso por ser o filho da estrela Charlotte Rampling (durante muito tempo seu padrasto foi Jean Michael Jarre, filho do compositor Maurice Jarre, seu irmão David é mágico). Também escreveu o roteiro (baseando-se em livro de Elsa Lewin) deste thriller com pretensões a noir, que desde o começo se revela estiloso e competente. Inclusive impressionando com uma trilha musical com um blues melódico e melancólico bem interessante de Richard Hawley (teve internacionalmente premio do publico em Vancouver e outro em Viareggio).

      Embora a história comece com Anne, uma mulher madura (Charlotte, no seu esplendor de seus bem vividos 66 anos) que se distrai num bingo enquanto procura companheiros para sua solidão, logo se fixa num prédio de apartamentos onde ela aparentemente mora e onde houve um crime. A vitima era marido de uma moça que ela encontrou no bingo por sinal (a ótima Jodhy May). Só que por volta esta um homem misterioso (Gabriel Byrne) que começa a levantar suspeitas de que ela poderia ser a assassina. Enfim, as coisas se complicam mas não há ponto de nos envolver. Tudo é muito bem fotografado, iluminado, mas não há suspense ou tensão. Só depois de uma hora de filme há um flash-back que compromete a heroína de alguma maneira, que poderia ser a assassina. Mas o fato é que o roteiro é confuso e mal resolvido prejudicado por um final muito fraco. Acho que a melhor coisa são mesmo as canções de K.I.D .Teve locações também por questão de co-produção em Hamburgo na Alemanha e o elenco de apoio é de qualidade, com o bom coadjuvante Marsah (como um detetive)e uma aparição nostálgica de Honor Blackman ( que foi Pussy Galore em 007 contra Goldfinger).

Ref fim.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

James Gandolfini

A morte de James Gandolfini 

      Era um grande ator e seu maior inimigo deve ter sido o excesso de peso. Morreu de enfarto nesta quarta-feira  em Roma ao 51 anos, menos do que aparentava. Ao menos teve tempo de fazer um papel icônico que  marcara  para sempre sua lembrança, o Gangster da Família  Soprano que lhe deu 3 Emmys .Eu o assisti na Broadway fazendo Deus da Carnificina , onde demonstrava seu incrível potencial, poderia ter sido um grande monstro do teatro (no bom sentido). Só precisava de mais tempo.

       Gandolfini tinha o tipo realmente grande (mas não passava de um metro e oitenta e quatro), cara de mau simpático. Era de New Jersey mesmo como o Soprano, e veio mesmo do teatro. Começou a ficar conhecido com Amor à Queima Roupa , roteiro de Tarantino em 93. Estreou antes em 87 em Shock Shock! e em 91 fez O Ultimo boy Scout de Tony Scott. Fez Uma Estranha entre nos com Melanie Griffith, Mr Wonderful, Angie, Velocidade Terminal, Maré Vermelha, O nome do Jogo, a Jurada, Sombras da Lei, Loucos de Amor, Perdita Durango. Mas sempre em papeis pouco marcantes como em Possuidos, Sempre Amigos,O Homem que não estava lá, dos Irmãos Coen, A Ultima Fortaleza. Ficou no Sopranos em 1999 e 2006 mas na verdade não sobre aproveitar a chance. Seus filmes recentes não são memoráveis:o telefilme Cinema Verité, o Homem da Mafia, A Hora mais escura, O Incrivel Burt Wonderstone, e seu ultimo Animal Rescue (com Tom Hardy).   Que descanse em paz.


Ref

terça-feira, 18 de junho de 2013

Tatiana Belinky

Meus ídolos estão partindo.

        De volta no domingo a noite, foi quando eu fiquei sabendo que havia falecido Tatiana Belinky. Que bom que tivemos tempo de publicar sua biografia pela Coleção Aplauso! Ela era além do nome mais importante e querido da literatura infantil, na critica e no teatro, uma pessoa extremamente querida e admirada. Nas varias vezes em que nos encontramos tive a chance de reconhecer a importância ela que teve na minha vida. Acho que minha primeira influencia literária, na arte de contar historias, de pensar numa narrativa em termos de imagem, foi assistindo aos programas de teve que ela e o marido Julio Gouveia faziam: O Teatro da Juventude (domingo as dez da manhã na TV Tupi) e aquela primeira e inesquecível versão do Sitio do Picapau Amarelo, do Monteiro Lobato (que eu adorava) também na Tupi com Lucia Lambertini, David José, Edi Cerri. Julio Gouveia dizia a frase  “Entrou por uma porta, saiu por outra, quem quiser que conte outra..”! E foi o que de certa maneira fizemos.  Certamente Tatiana e Julio foram uma influencia importante na minha vida posterior de escritor, critico e jornalista.   

Ref fim

Sobre as Manifestações

      Normalmente evito me envolver em política, ou polemicas. Mas nem sempre é possível ficar calado. Voltando de uma viagem ao interior, observando as passeatas de protesto, tudo me fez lembrar uma frase famosa do filme Rede de Intrigas/Network de Sidney Lumet, 76, em que Peter Finch ganhou o Oscar fazendo o jornalista Howard Beale que perde o controle e sai gritando na teve, o que esta pensando. Literalmente "I'M AS MAD AS HELL, AND I'M NOT GOING TO TAKE THIS ANYMORE!" "I'M AS MAD AS HELL, AND I'M NOT GOING TO TAKE THIS ANYMORE!". Algo como estou louco da vida e não vou aceitar isso mais. É um pouco por isso que estamos passando. Finalmente o povo esta acordando e gritando que não é possível aceitar tanto descaso, desrespeito, incompetência administrativa e evidente corrupção. Quem disse que brasileiro é bobo e mole? Não acreditem nisso. Se duvidarem falem com qualquer pessoa comum, e ela lhe contará como ficaram também loucas da vida. E que isso não vai parar por aí. Tome vergonha a quem de direito. Meu coração esta orgulhoso desses jovens que saíram a rua. Salve eles!

Ref fim

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Paz, Amor e muito mais

Paz, Amor e muito mais. Peace, Love and Understanding. EUA, 11.Direção de Bruce Beresford. 96 min. Com Jane Fonda, Catherine Keener, Nat Wolff, Elizabeth Olsen, Jeffrey Dean Morgan, Joyce Van Patten,  Chace Crawford,  Rosanna Arquette, Kyle MacLachan . 96 min.

     Na época em que existia ainda o Mercado de Home Video, este seria um daqueles filmes que passa em poucas salas de cinema apenas para aumentar seu prestigio quando saísse em DVD. Hoje em dia, não muda grande coisa  a não ser pela presença de uma autentica estrela como Jane Fonda, que não se incomoda em fazer papeis relativamente secundários e mesmo banais, desde que se divirta um pouco. E parece ser este o caso, já que teve ao menos a direção de um australiano de prestigio que é o caso de Bruce Beresford (o que não ganhou o Oscar por Conduzindo Miss Daisy).

     Feito antes do filme Francês onde ela era senhora de terceira idade, esta semi-comédia familiar traz Jane como a avó rebelde e maconheira, que vive numa comunidade artística/hippie ainda levando a vida que sempre desejou e pela qual optou e sua família que vem visitá-la, nem sempre concorda com isso.

     O filho é um advogado de Nova York, que leva seus dois filhos, para o que seria um fim de semana no interior mas acaba se tornando um verão de descobertas, revelações, conflitos e romances. Tudo sem surpresas, bastante previsível. Mas que se pode ver sem deixar traumas. O que ajuda bastante é o elenco interessante (o segundo filme que estréia esta semana de Catherine Keener, o outro é The Oranges), que inclui a irmã mais talentosa da família Olsen, Elizabeth, reaparição de Rosanna Arquette, o inexpressivo mas bonitinho Chace Crawford (Gossip Girl), Kyle McLachan (Veludo Azul).e assim  por diante. Não vale a pena entrar em detalhes do roteiro ou comentar o cabelo longo e acinzentado de Jane.

Ref fim.

A Filha do Meu Melhor Amigo

A Filha do Meu Melhor Amigo. The Oranges. EUA, 11.90 min. Direção de Julian  Farino. Com Hugh Laurie, Allison Janney, Catherine Keener, Alia Shawkat, Oliver Platt, Leighton Meester, Adrian Brody. Europa. 

      Não tem porque perder tempo com esta pseudo comédia familiar, mal dirigida,  com péssimo roteiro e um elenco muito discutível. O realizador inglês Farino que fez sua reputação em series de Teve (Roma,  Entourage, Big Love) não demonstra qualquer criatividade ou  talento. E Hugh Laurie, o famoso doutor House, deve ter se arrependido tanto de ter embarcado nesta furada, que recompensa o publico com uma total ausência e passividade. Não apenas a historia é velha e já feita, como o elenco esta apático, caindo em velhas criticas a vida num subúrbio de New Jersey, onde duas famílias vizinhas mantém relações próximas. Até o dia em que a filha de um deles (a bonita Leighton Meester de Gossip Girl) após romper um caso com um marginal que pega em flagrante, retorna para casa e inicia um romance com o vizinho que conhecia a vida inteira (Laurie), que por sinal é o melhor amigo do próprio pai dela. O script é incompetente em não desenvolver personagens que poderiam ser fortes (o pai dela, Oliver Platt, o irmão que some e volta sem deixar vestígios, Brody) e nem as mães chegam a brilhar (embora Allison Janney seja ótima ,Catherine Keener faz tudo igual, displicente). Mesmo o romance nem floresce direito, vitima do moralismo subjacente (por outro lado, se o caso não vai para diante acabou a historia ,as conseqüências e as piadas). Tanto que nem tem muita coragem de chamar o filme de comédia. Portanto, outra perda de tempo.

Ref fim.

Um Golpe Perfeito

Um Golpe Perfeito (Gambit). Direção de Michael Hoffman.  Paris Filmes. 89 min. Roteiro de Joel e Ethan Coen inspirado em filme anterior não creditado. Com Colin Firth, Stanley Tucci, Cameron Diaz, Alan Rickman, Cloris Leachman, Tom Courtenay. 

      Só pode ser por causa da Copa das confederações que esta semana parece tão fraca em lançamentos (e adiaram o Superman) quase só com filmes descartáveis (aqui que com elenco atraente). Mas difícil encontrar um menos bem sucedido do que este equívoco que nem sequer se da ao trabalho de admitir que é uma refilmagem (ainda que bem modificada) de um pequeno Cult de que ninguém se lembra no Brasil. Chamava-se Como Possuir Lissu (Gambit, 66 ) de Ronald Neame, um divertido ainda que modesto thriller de suspense e assalto com Michael Caine, Shirley MacLaine e Herbert Lom. Alias quem não tiver a informação não vai entender nada porque o tempo todo o astro desta versão Colin Firth se diverte imitando em tudo o Caine (inclusive na armação do óculos!). Uma besteira que o diretor deveria ter impedido de fazer!

      Enfim, Gambit me parece que quer dizer Truque, jogada, e o filme era bem divertido porque primeiro mostrava como deveria ter sido o assalto para depois  na segunda parte apresentar como de fato aconteceu,  o que naturalmente é desastroso. 

      Esta refilmagem independente (o original era Universal) padece de um diretor fora de órbita (a única explicação para Hoffman que já é veterano e filmes razoáveis como a Ultima Estação, Sonho de uma Noite de Verão, Um Dia especial. Mas devia estar chapado para assinar uma coisa tão errada quanto este roteiro que agora é assinado pelos Irmãos Coen. Não me perguntem porque eles toparam escrever este desastre (claro que as pessoas impressionadas com seu prestigio tentarão defende-los mas o filme foi um inapelável fracasso de critica e publico, não tendo estreado ate hoje nos Estados Unidos!). Alias é o primeiro filme que escrevem e não dirigem há muitos anos desde o fraco e esquecido Crimewave (Dois heróis bem trapalhões, 86, do amigo Sam Raimi)

       Na verdade, Variety diz que este é o tipo de filme que fica melhor visto em avião onde sua tela pequena e som péssimo, desculpa a falta de risadas. Mas ainda assim é difícil tolerar este roteiro idiota que gira em torno de um expert em arte, Harry Deane (Firth) que com a ajuda de um falsificador (Courtenay, fotografo sempre de costas, nos piores ângulos) planeja roubar seu chefe bilionário que tem a mania de andar pelado (o inglês Alan Rickman, um delicioso canastrão quando deseja ser, é a coisa mais bizarra do filme e dependendo do gosto a única que faz rir). Ele é um pretensioso insuportável e não muito inteligente e não percebe o esquema para comprar um Monet falso. Para o plano dar certo, ele recruta Pj (Cameron Diaz, que esta envelhecendo mal) uma estrela texana de rodeio cujo avô tem uma conexão com a pintura (ela não fala por dez minutos numa sequencia de fantasia que é citação da primeira parte do Gambit original). Mas ao menos aquele filme tinha estrutura e reviravoltas (é impressionante a falta de química entre o casal). 

Ref fim.

Segredos de sangue

Segredos de sangue (Stoker) EUA, 13. 99 min. Fox. Direção de Parker Chan-Woo. Com Mia Wasikowska, Nicole Kidman, Matthew Goode, Harmony Korine, Dermot Mulroney, Jackie Weaver, Alden Ehenreich, Judith Godrèche.

      Produzido pela firma Scott Free, na época em que estava vivo ainda o seu produtor Tony Scott, este filme passou em Sundance e não fez grande carreira nos EUA, apesar de ser o primeiro trabalho do coreano Parker , talvez o mais famoso de seu país, por filmes como Old Boy, Lady Vingança, Mr  vingança e Sede de Sangue (todos muito violentos e sanguinários). Apesar de ser mórbido e esquisito, o filme ainda é a melhor estréia da semana (fora naturalmente o Star Trek Além da Escuridão que já esta faz tempo em pre estréias).

      O que achei mais curioso foi que o roteiro  escrito pelo ator inglês Wentworth Miller (mulato, bonitão que vocês conhecem como astro da serie de teve Prison Break mas que foi revelado ao lado de Nicole Kidman, em Revelações,03, onde fazia mulato que se passava por branco. Parece provável que por ser amigo de Nicole que a convenceu a participar do filme embora fosse visivelmente um projeto difícil e para poucos. Alias como ela gosta!). 

      Ou seja, basicamente é um conto gótico, a moda do sul dos Estados Unidos, sobre segredos de família que vão ficando cada vez mais complexos e delirantes. A figura central do filme se chama India e é interpretada muito bem pela Alice no Pais das maravilhas, Mia Wasikoswa, que faz a filha de uma família rica do interior que vive numa bela casa com os pais. Mas o pai (Dermot) morre misteriosamente justamente no dia em que ela completa 18 anos  (e a policia não parece querer investigar mais o caso) e a mãe é instável e esquisita (na verdade, agora ao resumir o filme que percebo que ele fica melhor visto do que narrado). Enfim, de repente aparece na casa um tio (irmão do pai, feito pelo britânico Matthew Goode, revelado por Woody Allen em Ponto final, esteve em Brideshead e Direito de Amar), que ela mal sabia que existia. É um sujeito bonitão, confiante, que se enrosca com a mãe ao mesmo tempo em que coisas estranhas começam a acontecer como pessoas que somem misteriosamente (a governanta, depois uma tia que tenta avisá-las participação pequena da australiana Jackie Weaver).

      Daí em diante é meio evidente o que acontecerá (a marca aqui do “killer” será o uso de cintos muito fortes, capaz de estrangular as vitimas) mesmo porque já estamos escolados em Dexter e imitações. Tudo é realizado com muito estilo e ate bom gosto pelo diretor, desde  que você tenha paciência e gosto pelo gênero e assunto. Alias qual o gênero? (la fora classificam de drama, horror, mistério!).  Outro detalhe: toca-se muito piano neste filme, inclusive em duplas e com pretensões a erotismo , ajuda a dar clima ao filme.  Nada contra, ate da um toque de classe para compensar a ocasional sangreira e atmosfera dark. 

Ref fim.

As Hiper Mulheres

As Hiper Mulheres Brasil, 12. Direção de Carlos Fausto, Leonardo Sette, Takurmã Kuikuro. 80 min.

      Não tenho tido ocasião de comentar documentários que estréiam toda semana, em parte por falta de tempo ou interesse. Mas este aqui assisti ainda no Festival de Gramado (onde chegou a ser premiado). Faz parte de uma serie de registros que foram feitos com a ajuda de índios mesmo na direção, registrando costumes e fatos interessantes. Mas este me pareceu o mais comercial, simplesmente porque é uma amostra rara de como se comportam as mulheres da região do Alto Xingu. Quando teme pela morte da esposa já idosa, um velho pede a seu sobrinho que realize um grande ritual feminino, para que ela possa cantar uma última vez. As mulheres do grupo começam os ensaios enquanto a única cantora que de fato sabe todas as músicas se encontra gravemente doente. O curioso mesmo é que pela primeira vez ao menos para mim, ouve-se seus comentários zombando quando acham o membro masculino pequeno ou detalhes semelhantes. Demonstrando que o ser humano, ou a mulher,é igual em toda parte, em qualquer raça ou situação. Isso torna ao menos o filme mais acessível que semelhantes.

Ref fim.  

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Esther Williams

Perdemos Esther Williams a rainha das águas

    Nunca houve antes ou depois uma estrela como Esther Williams. Durante aproximadamente dez anos, de meados dos anos 40 até meados dos cinquenta, ela foi campeã absoluta de bilheteria e estrela absoluta nos estúdios da Metro de uma série de filmes que invariavelmente traziam números musicais aquáticos, balés que criaram praticamente o hoje famoso como categoria olímpica,  nado sincronizado. Como sempre diziam dela, seca era como as outras, molhada era uma estrela.

      Tenho especial carinho por Esther porque eu fui nadador e obviamente tentava imitar na piscina os mergulhos e saltos que ela realizava no cinema. Era o nosso ídolo. Nunca imaginei que anos depois quando era jornalista e cobria o Fest Rio para a Rede Globo, entrei numa festa e fui apresentado a ela. Esta quase imediatamente  ordenou, como uma rainha- Você será meu Escort durante o festival. Naturalmente tinha se informado e sabia quem eu era e a importância do canal. E foi assim que durante uma semana eu convivi momentos inesquecíveis que Esther. Uma mulher grande (felizmente eu também era) e bem humorada. Fui o apresentador/coordernador da entrevista coletiva dela, não só para jornalistas mas também fãs como bem me lembro o Fallabella. Fiquei meio irritado até porque ela numa pergunta me deixou meio mal, como se tivesse errado. E na verdade era ela que forçou a situação para se sair bem... Ok, faz parte dos aprendizados de conviver com estrelas. Em  compensação assisti ao lado dela o filme que a revelou, Escola de Sereias, com Esther fazendo um comentário de áudio de DVD, sabe daquele jeito. Só que exclusivo. Também lhe peguei em algumas mentiras (inventou uma historia de que nadava todo dia na Baia de Guanabara, conversa que inventou para a imprensa e eu sabia que era mentira). E no ultimo dia, tive o prazer de lhe ensinar samba e dançar com ela em plena avenida carioca. As fotos se perderam mas para mim foi um momento inesquecível.

     Depois disso ainda a vi duas vezes em Nova York, mas ali eu já não era rei e não merecia tanta atenção. Também já estava ficando idosa, pesada e parecia beber bastante, como toda americana. Mas no seu apogeu, Esther era uma das mulheres mais bonitas do cinema. Ah,  sim Esther obviamente mentia a idade e nas conversas sempre fugia dizendo que não se perguntava essas coisas para uma senhora. Assim a data certa seria 1921 e os noventa e um anos. Com estrelas, nunca se tem certeza de nada! Mas como estrela morreu no dia de seu aniversário.

      Insisto Esther era bonita, alta (1 e 74, muito para a época), tinha ombros largos como toda nadadora, mas como atriz era espontânea e natural. Chegava mesmo a cantar com uma voz agradável (ela também me jurou que nunca foi dublada nas canções e chegou mesmo a cantar para mim o “Boneca de pixe” que interpretou com Van Johnson num filme. E que teria sido a própria Carmen Miranda que lhe teria ensinado!  Mas não é isso que dizem as pesquisas e livros). Atualmente estaria enfrentando também uma doença nos olhos degenerativa, que estava deixando-a cega (alguns sugerem que poderia ser consequência do cloro das piscinas, mas é especulação). Descanse em paz, Esther, eu nunca vou esquecê-la.

Ref fim.

Depois da Terra


Depois da Terra / After Earth. EUA, 13. Direção de M. Night Shyamalan. 100 min. Com Will Smith, Jaden Smith, Sophie Okonedo, Zoe Kravitz, Glenn MOrshower, Sacha Dahwan,Chris Geere. Sony. 

     Os Americanos encontraram muitas razões para detestar este filme, começando com a descoberta que no fundo sua historia nada mais é do que a síntese de uma das principais filosofias da religião chamada de Cientologia (aquela mesma famigerada de Tom Cruise e John Travolta da qual o Will Smith era dos menos assumidos afiliados). Ou seja, L. Ron Hubbard, o fundador dessa pseudo religião que se baseia em ideias esdrúxulas daquele que escreveu A Reconquista (Battlefield Earth, 2000). Então no fundo Will esta fazendo propaganda dela e espalhando a ideia de que o pior inimigo do homem é o medo e que tudo que se deve fazer é meditar e usar poder da mente para controlá-lo! Uma filosofia banal que provocou um argumento assinado por Will numa historia confusa, que tem ainda o problema de lembrar bastante o recente Oblivion de Tom Cruise (ainda que com um final menos confuso o filme anterior era ao menos mais bonito plasticamente).

      Não bastasse ter o fardo de trazer a mensagem do odiado Hubbard, o filme ainda por cima é assinado pelo hoje desprezado e vilipendiado M. Night Shyamalan, que desceu muito desde O Sexto Sentido.  Que se confirma como péssimo realizador. O resultado é sem suspense, sem tensão, mal narrado, com péssimos efeitos especiais (alguns constrangedores, na verdade não tem uma direção de arte decente nem mesmo para criar um monstro chamado de Urso, que tenha alguma originalidade, parecendo mais um outro aracnídeo qualquer). Não sei se faltou orçamento ao filme (o anunciado é de 130 milhões) porque tudo é feio, com péssimo design incluindo mesmo uma única nave espacial . Mas aonde sobressai mesmo a incompetência do diretor é quando ele dirige a dupla de pai e filho. Nenhum dos dois esteve pior antes. Will sempre se livrou bem a cara mas nunca esteve tão canastrão quando aqui, costuma-se dizer que o ator ruim faz caras e bocas. Will se especializa em bocas, fazendo bicos desprezíveis. As vezes parecendo quadro de humor. Mas se nos filmes anteriores já havia a suspeita que Jaden era um garoto antipático e pretensioso, mesmo  quando foi o Karate Kid, as expressões de raiva e medo que ele faz é espantosos e inacreditáveis, Insuportável.

     A historia também é bem ruim. Mil anos depois de uma Guerra apocalíptica forçou a humanidade a fugir da Terra e se refugiar num lugar chamado Nova Prime. Will faz um lendário General Cypher Raige que tenta ser melhor pai para o filho de 13 anos, Kitai, que esta treinando para ser oficial. Mas não passou no teste final para subir de grau. A mãe (a melhor coisa do filme Sophie Okoneko) tenta conciliar os dois que vão juntos numa missão pensando em se aproximarem mas a nave tem problemas com uma tempestade de asteroides e eles caem na Terra, um planeta ainda habitado por monstros chamados Ursos (nada a ver com os homônimos) que identificam os humanos pelo cheiro do medo que eles exalam). O general é o único que conseguem controlar isso e assim foi que se tornou um grande guerreiro. Agora seu filho parte numa missão de vida ou morte, ajudado por ele para tentar pedir Socorro. No caminho é perseguido por águias gigantescas e tigres ferozes isso para não esquecer a teimosia e  os ataques de nervinhos. Tudo caminhando para um final óbvio, sentimental  e inevitável. 

     Deixa eu comentar uma coisa. Já repararam que as criticas americanas ou de grandes revistas estrangeiras nunca podem criticar os atores da maneira que a gente faz. Ou seja, dizendo a verdade.   É simples: se fizerem isso perdem o emprego, nunca mais conseguem acesso aos filmes daquele estúdio ou produtor. E viram persona non grata. E para ser sincero por vezes usamos dois pesos duas medidas, com os atores nacionais sou muito mais gentil e menos direto.  Mas nem quando eles estão em seus piores dias, tem interpretações tão amadoras quanto as daqui.

Ref fim.    

O Grande Gatsby


O Grande Gatsby / The Great Gatsby. EUA, 13. Direção de Baz Luhrmann. Baseado no Livro de F. Scott Fitzgerald.  142 min. Com Leonardo Di Caprio, Joel Edgerton, Jason Clarke, Isla Fisher. Carey Mulligan, Tobey Maguire, Elizabeth Debicki.

      Quem viu o trailer e ficou pensando que se trata de um novo Moulin Rouge vai ficar frustrado que o filme não é nada disso. A chamada faz pensar em algo delirante, fervente, tão louco quanto os anos vinte. Mas é apenas exagero do trailer que engana descaradamente o espectador. Ninguém joga nada na tela. O filme e seu uso da Terceira Dimensão esta muito mais próximo do que fez Martin Scorsese em seu filme Invenção de Hugo Cabret, simplesmente de lhe dar volume, destaque, profundidade, forma. E sem duvida vesti-lo de um certo charme e encanto. Torna o filme de certa forma bonito, exagerado, fica mesmo pertinho do over, do quase cafona, do caricato,  trata a delicada historia de amor como se fosse um numero do Cirque Du Soleil! 

       Foi uma excelente ideia da Paramount em lançar justamente agora em Blu Ray, a versão anterior de O Grande Gatsby de 74 (ainda que em cópia sem nenhum absolutamente nenhum extra!). Tive a oportunidade de revê-lo e me parece interessante comentar varias coisas. Na verdade, é preciso remeter ao fato de que Gatsby é considerado a obra-prima do escritor F. Scott Fitzgerald (1896-1940.   que não esta nem creditado na versão atual), muito autobiográfico já que realmente frequentou as festas de alta sociedade numa ilha perto de Nova York. Foi editada em 1924, quando ainda estava no auge (depois para sobreviver tentou escrever para Hollywood mas acabou derrotado pelo alcoolismo e a demência de sua mulher Zelda). 

      Leitura obrigatória nas escolas americanas Gatsby pinta o retrato de um misterioso milionário que esconde a origem de sua fortuna (mas dá para saber por suas ligações com gangsters que tem a ver com contrabando e atividades escusas). Na verdade, ele alugou uma mansão espetacular e dá festas sensacionais e abertas a todos, na esperança de chamar a atenção de Daisy, por quem ele se apaixonou quando era muito jovem. E foi rejeitado porque como ela explica: “moça rica não se casa com homem pobre”. Agora ele vida no lado pobre da Baia observando o farol que ilumina a casa de Daisy do lado oposto e chique. 


     Houve versões do livro ainda no cinema mudo, em 26, com Warner Baxter e Lois Wilson, dirigido por Herbert Brenon e depois outro esquecida mas interessante de Elliot Nugent, estrelado por Alan Ladd (a figura ideal para Gatsby), Shelley Winters (outra Mirtle perfeita), e a inadequada Betty Field como Daisy. O titulo era mais esquisito, Até o Céu tem limites! 

     Além desta versão de 74, houve um telefilme de 2000 com Mira Sorvino e Toby Stephens (filho de Maggie Smith) e uma versão black disfarçada chamada G (G - Triangulo Amoroso, 2002) com Blair Underwood, Richard T. Jones. 

     A ideia de fazer a versão de 74 na Paramount foi do então chefe de produção Robert Evans (o mesmo que  fez O Poderoso Chefão e Chinatown) que comprou os direitos em 1971,  porque achava que o papel de Daisy era ideal para sua então mulher Ali McGraw (que ele tinha revelado em Love Story). Infelizmente ela se apaixonou por Steve McQueen largou o marido e destruiu a carreira.  O roteiro estava sendo feito por Truman Capote mas na versão dele Nick era homossexual e Jordan uma vingativa lésbica. Coppola reescreveu tudo em três semanas e foi bastante fiel ao original. A escolhida acabou sendo Mia Farrow  que estava grávida (o que é não tão discretamente escondido). O curioso porém é que ela com todo seu ar de sonsa e sonada é  melhor do que a atriz da versão atual, a chata e sem  brilho Carey Mulligan. Mia consegue passar a frivolidade e o vazio do personagem, assim como ao menos refletir suas duvidas e anseios. A artificialidade ela construiu para ar consistência a um papel difícil porque é contraditório. Ainda que mais ingrato ainda seja o de Gatsby, que é passivo e tem menos chance ainda de se explicar (e quando o faz resulta tolo). Mia dizia com razão que Redford não tinha a menor química com ela . O ator costumeiramente bonitão, aqui parece realmente ausente. Mas os dois filmes tem em comum ainda o fato de terem um elenco muito discutível, ou seja, errado. Jordan em 2013 mal abre a boca, na de 74, Lois Chiles ao menos tem charme  Sam Waterston com cara de presidente Lincoln ao menos tem seriedade. O amigo na vida real de Leonardo Di Caprio, o ex menino aranha Tobey McGuire não consegue sustentar o personagem tão importante do narrador (e primo de Daisy). Na verdade, não gosto de ninguém no filme. Nem dos coadjuvantes nem  de DiCaprio que parece constrangido com tudo aquilo, nada a vontade .O roteiro não ajuda porque eles nunca se explicam. Mesmo o contato sexual é mostrado de passagem e sem grandes conseqüências. A única cena que tem certa força é que Gatsby perde a paciência na festa no apartamento na cidade mas não tem o devido impacto porque dali em diante tudo se precipita para o final. A versão de 74 era mais fria mas também mais bonita, delicada. Mas em nenhuma delas o romance impossível consegue nos convencer. Será porque todo o filme foi rodado na Austrália, em locações em estúdio ou seja tudo ficou estilizado? Nada é aprofundado (ainda assim em sua defesa é preciso dizer que o estilo do livro e do autor também é assim, nada escancarado, conservando sempre certo mistério). Apesar de feérico, este Gatsby resulta frio e longo, e também se diferencia da versão anterior  porque aquela ainda  mostrava a chegada do pai do herói, um homem humilde (o que ajuda a entender melhor sua identidade , tentando decifrar o mistério de quem foi realmente Gatsby).

      Tenho dificuldade de entender porque o êxito do filme nos EUA, Agora com 130 milhões de dólares de renda  não acho que funciona nem mesmo como historia de amor. Mas pode ser que seja essa a solução, aqui perto do dias dos namorados e na falta de alternativa romântica melhor, seu impressionante visual pode funcionar. 

Ref fim.

Planeta Solitário


Planeta Solitário / The Loneliest Planet. 113. Direção e roteiro de Julia Loktev. Com Gael Garcia Bernal, Hani Furstenberg, Bidizina Gujabidze. EUA/Georgia/Alem, 2011.

      Não tenho especial paciência para filmes como este ainda mais com Gael Bernal cuja maior atração é o fato de ter sido rodado na Geórgia Rússia (Ex-Soviética) nas montanhas do Cáucaso e a equipe deve ter sofrido muito ao enfrentar difíceis condições de sobrevivência. Mas o resultado parece mais um  home movie sobre o casal andando, caminhando , dormindo e rolando no mato, e novamente caminhando, caminhando...

      Este é o segundo longa de um diretora nascida na Rússia mas criada nos EUA (Colorado), depois de ter feito em 2006 Day Night Day Night. É vagamente inspirado num conto de Hemingway, alias famoso, A Curta e feliz vida de Francis  Macomber, que por sua vez é baseado num incidente real que sucedeu antes da Segunda Guerra e que ate virou filme com Gregory Peck  em 1947 (Covardia, com Joan Bennett). E também noutra historia, Exprensive Trips Nowhere, de Tim Bissell. Ambos são sobre casais de americanos que se aventuram numa excursão por um lugar de difícil acesso. Eventualmente a guia se vê diante de uma crise que envolve o casal e o destino do grupo. Mas antes todo mundo anda muito, por um terreno alias não tão espetacular quando poderíamos esperar. Quando sucede a crise ela é talvez banal (quase não há gente, ou bichos) mas surge uma arma automática que terá importância na trama, se é que ela existe. Mas já que é único melhor não entrar em detalhes. É de qualquer forma uma situação que faz balançar a relação do casal e praticamente o fulcro mais importante do que resta de trama. Enfim, gostar ou não, parece ser antes de tudo uma questão de gosto e empatia.

Ref fim.