quarta-feira, 17 de abril de 2013

Thérèse D.

 

Thérèse D. (Thérèse Desqueiroux) França, 12. Direção de Claude Miller. Roteiro de Miller e Natalie Carter baseado em livro de François Mauriac. Com Audrey Tautou, Gilles Lellouche, Anais Demustier, Catherine Arditi, Francis Perrin, Stanley Weber. Imovision.


      Filme de encerramento do Festival de Cannes do ano passado, funcionando também como homenagem ao falecido e bom diretor  Claude Miller 1942- 2012). Era uma pessoa discreta e morreu também assim. Em geral, as pessoas não prestavam muita atenção na pessoa (sempre um sujeito educado, articulado, que veio a Festivais no Brasil) nem na obra do diretor francês Claude Miller apesar de ter ganhado o premio especial do júri em Cannes (O filme não passou comercialmente aqui Classe de Neige). Pelo mesmo motivo poucos deram valor a sua obra prima La Meilleure Façon de Marcher só lançado aqui em DVD e que revelou o depois astro Patrick Dewaere (de curta carreira, logo se suicidaria). Miller nasceu em 20 de fevereiro em Paris, foi  ex-assistente de Godard e Truffaut. Formado pelo Idhec, era presidente de sua sucessora, a mais famosa escola de cinema da França atualmente a Fémis. Por isso viajou também dando aulas e conferencias. Começou dirigindo curtas-metragens quando fez o Serviço Militar até chegar à direção de produção e realizar longas-metragens. Seu primeiro longa A Melhor Maneira de Andar se tornou uma espécie de clássico, graças à interpretação do ator Patrick Dewaere. Especialista em suspense psicológico, sempre manteve uma carreira digna. Filmou um roteiro inédito do amigo Truffaut com Ladra e Sedutora. Fez sucesso em Cannes com La Classe de Neige. Em 1999, co-produziu e aprovou Sob Suspeita (Under Suspicion), de Stephen Hopkins, refilmagem de seu Cidadão Sob Custódia. Seu ultimo filme, já sofrendo do câncer foi uma versão de Thérèse Desqueyroux de  François Mauriac com Audrey Tautou e Gilles Lelouche foi escolhido como filme de encerramento do Festival de Cannes.



Filmografia
 
Dir.: 
      1976 – A Melhor Maneira de Andar ( La Meilleure Façon de Marcher .Patrick Dewaere, Patrick
                  Bouchitey). 
      1977 – Dites lui que Je L´Aime (Gérard Depardieu, Miou-Miou). 
      1981 – Cidadão Sob Custódia (Garde a Vue. Michel Serrault, Lino Ventura). 
      1983 – Ronda Mortal (Mortelle Randonée .Michel Serrault, Isabelle Adjani). 
      1985 – L’Enfrontée (Charlotte Gainsbourg, Bernadette Laffont). 
      1989 – Ladra e Sedutora (La Petit Voleuse. Charlotte Gainsbourg, Didier Bezace). 
      1992 – A Acompanhante (L’Accompagnatrice. Richard Bohringer, Romane Bohringer). 
      1994 – O Sorriso (Le Sourire .Jean-Pierre Marielle, Richard Bohringer). 
      1995 – Lumière e Cie (Lumiére et Compagnie. Epis.). Les Enfants de Lumière (Co-d. Doc).
      1998 – La Classe de Neige (François Roy, Clément van den Bergh ).
      2000 – La Chambre des Magiciennes (Anne Brochet, Mathilde Seigner. TV). 
      2001 – Betty Fischer e Outras Histórias (Betty Fischer et autres histoires. Nicole Garcia, Sandrine 
                  Kiberlain). 
      2003 – A Pequena Lili (La Petite Lili .Ludivine Sagnier, Bernard Giraudeau). 
      2007 – Un Secret (Patrick Bruel, Ludivine Sagnier).
      2009 – Feliz que Minha Mãe Esteja Viva (Je Suis Heureux que ma Mére soit Vivante.Co-d com o filho  
                  Nathan Miller. Vincent Rottiers, Sophie Cattani).
      2009 – Marching Band (Doc).
      2011 – Voyez comme ils dansent (Marina Hands, Maya Sansa). 
      2012 – Thérèse D, (Thérèse Desqueyroux .Audrey Tatou, Gilles Lellouche). 

       Já faz tempo que ninguém adaptava para cinema o famoso escritor François Mauriac  (1885-1970), que ganhou em 1952, o Nobel de Literatura e a anterior foi justamente a mesma Thérèse Desqueyroux de 62, dirigida por Georges Franju, com a grande Emmanuelle Riva (Amor), Philipe Noiret, Samy Frey (não passou aqui comercialmente). Aquela versão começava com o julgamento da heroína que recordava tudo em flash back. Aqui os fatos são contados em ordem cronológica começando com a heroína ainda adolescente (embora a moça que faz o papel não pareça nada Audrey Tautou que a substituirá) e muito amiga de sua futura cunhada (a Anais Demoustier me pareceu muito promissora, ela esteve também em Elles, com A Binoche). A historia do livro original foi inspirada em fato real, de 1906, o caso de Henriette Canaby, que tentou matar o marido.


      Difícil dizer porque gostei tanto do filme, talvez seja sua historia solida, bem narrada, bem produzida, que não é superficial como as adaptações americanas nem dá explicações definitivas, para o fato principal ha varias interpretações, todas convincentes. Os personagens resultam humanos e verossímeis mesmo quando é um obstáculo a presença de Audrey, uma atriz leve para comedias românticas que não tem a densidade para um personagem tão trágico (que vive reclamando dos pensamentos que não param de rodar em sua cabeça) e contraditória, sempre azeda e cínica (enquanto isso Audrey parece uma garotinha amuada, embora o roteiro faça uso do sorriso em momentos chaves).

      A ação se passa no fim dos anos vinte, 1926 na região de Landes,perto de Bordeaux, quando Thérèse Larroque, filha de um fazendeiro provinciano socialista (o que é pouco desenvolvido) aceita se casar com o vizinho que é dono de pinheiros e porque juntos ficariam mais ricos. Ela era muito amiga da irmã do marido que por sua vez irá se apaixonar por um galã português judeu de sobrenome Azevedo (fiquei com a pulga atrás da orelha porque este também é meu sobrenome!), o que é rejeitado pela família (Thèrèse encontrará um jeito de resolver o caso mas perderá a amizade da moça).

      O problema, porém é o marido que é um parvo que só pensa em caçar pombos selvagens, lhe da um filha e tem medo de morrer do coração e usa um remédio a base de  veneno. Por razões que não ficam nem muito claras para ela, a tentação de aumentar a dose é irresistível. O que o leva a beira da morte e a suspeita de um crime, que só o medo de um escândalo pode evitar. A personagem da protagonista é muito interessante (como se confirma ao final) mas a parte feminista, a liberação de seu direito de pensar e agir, poderia ter sido mais acentuada.


      Ainda assim ajudada pela bela fotografia, a historia inteligente, a produção cuidada e a trama intrigante resulta num filme para ser conferido. 

Ref fim.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Cleyde Yáconis


A Grande Cleyde Yáconis



          É com grande tristeza que a gente se despede de uma das maiores atrizes do Brasil, talvez mesmo a maior. Aos 89 anos, faleceu Cleyde agora no cair da noite, depois de uma longa temporada no hospital.  É horrível comparar e com frequência desnecessário mas Cleyde sempre teve que viver com isso , já que é a irmã mais nova do maior ícone do teatro nacional Cacilda Becker; Cleyde eu consegui acompanhar melhor no palco e sempre achei uma atriz esplendida, versátil, carismática, o que continuava a demonstrar ate agora a pouco na sua paixão no teatro e com o presente que Silvio de Abreu lhe deu em Passione.

          Lançamos o livro biográfico dela pela Coleção Aplauso e com carinho e tristeza que sinto sua perda. Descanse em paz.  


sábado, 13 de abril de 2013

A Cidade dos Desiludidos


Lançamento de filme inédito no Brasil em DVD


A Cidade dos Desiludidos /Two Weeks in another Town. Versátil (originalmente MGM). 14 anos. Audio:Ingl. Leg: Port. Widescreen.EUA, 1962. 107 min. Direção de Vincente Minelli . Roteiro de Charles Schnee  baseado em romance de Irwin Shaw. Com Kirk Douglas, Edward G.Robinson, Cyd Charisse, Claire Trevor, Rossana Schiaffino, Daliah  Lavi, George Hamilton, James Gregory, estréia de Leslie Uggams.  

Sinopse: O ator Jack Andrus sai de um sanatório depois de 3 anos (onde entrou por alcoolismo e por ser bi polar) para aceitar convite de seu amigo/inimigo diretor de cinema Kruger que esta rodando um filme em Roma. A proposta é cuidar da dublagem do filme mas quando Kruger fica doente, Jack assume a direção. 

     Comentários: Esta foi de certa forma a resposta que Hollywood deu ao La Dolce Vita de Fellini feito dois anos antes (há duas  sequencias influenciadas por Fellini, uma passeada pela avenida Via Veneto e a festa onde Leslie Uggams canta, com figurantes com cara de depressão!). Não é na verdade uma continuação do clássico e excelente Assim Estava Escrito (The Bad and the Beautiful, 52) que foi feito pelo mesmo produtor (John Houseman), diretor (Minnelli 1903-86, pai de Liza), ator (Kirk, ainda vivo). E até mostram aqui algumas sequencias daquele filme (estão numa cabine admirando-o). Mas procuram retratar outro momento na Historia de Hollywood, nos anos 60, quando atores e diretores em decadência foram para Roma trabalhar no cinema italiano (um período chamado de Hollywood no Tibre, ou seja, o rio que corta a cidade de Roma). Embora tivesse sido defendido por críticos franceses (como Godard), o filme não é dos melhores do diretor. Minnelli tem uma grande qualidade, é impecável em construir enquadramentos e compor imagens, em particular com o uso do colorido e sempre que possível movimentos de câmera. Por outro lado, não dirigia atores (dizem que por timidez) e o resultado é altamente irregular. Algumas caem na chanchada (a bela italiana Rossana Schiaffino tem o papel mais ingrato, como a atriz italiana que vira caricatura). Outros no exagero (a premiada com o Oscar Claire Trevor esta super representando como a mulher do diretor), e mesmo a ainda belíssima Cyd Charisse, que nunca foi grande atriz e se compromete aqui. Tem apenas três ou quatro cenas, mas se perde inteiramente numa crise histérica quando Kirk dirige o carro bêbado (emulando algo semelhante com Lana Turner no Assim Estava Escrito). De qualquer forma, Hollywood adora falar mal de si própria (a crueldade do diretor, a vingança do agente, o ator sendo vitima da perseguição do diretor, as dificuldades da dublagem). E Kirk, com sua inegável energia consegue sobreviver as dificuldades. Traz trailer.      

Ref Fim

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Um Americano em Roma


Lançamento em DVD de filme inédito em Home vídeo no Brasil:
Um Americano em Roma  / Un Americano a Roma.Versátil 14 anos. Áudio:Italiano. Leg: Port. Standard.Italia, 1954. 85 min. Direção de Steno. Roteiro de Sordi, Steno, Ettore Scola, Lucio Fulci, Sandro Continenza.  Com Alberto Sordi, Maria Pia Casilio, Leopoldo Trieste, Ursula Andress, Giuli Cali, Rocco D´Assunta, Ilse Peterson, Tecla Scarano.

     Sinopse: Nando Moriconi é um jovem romano completamente louco por tudo que é americano e vem dos Estados Unidos.Tenta falar o “americano!, usar roupa que acha que os americanos usam, andar como John Wayne, comer sucrilhos com ketchup, enfim fazer tudo igual a eles. Seu sonho é se mudar para os EUA e chega a subir no Coliseu e ameaçar se jogar caso não consiga visto para a viagem.

      Comentários: Este  foi o filme que consagrou o comediante Alberto Sordi (1920-2003) em seu próprio país, já que seu  humor tipicamente romano era ate então rejeitado pelo publico (mesmo ele tendo feito dois filmes com Fellini, Os Boas Vidas e O Abismo de um Sonho). Conseguiu encontrar aqui o personagem que de certa forma repetiu o resto da carreira, no que é uma paródia da influencia americana na Itália (provocada porque foram eles que liberaram o país durante a Segunda Guerra) e do “american way of life”. O resultado pode ser muito engraçado (mas é recomendável se acostumar antes com o estilo de  humor de Sordi, bem social, um pouco patético, muito humano). Mais tarde ele se tornaria também um competente diretor. Uma curiosidade: a estréia no cinema da suíça e jovem (18 anos), Ursula Andress numa pontinha (faria mais dois filmes na Europa, depois se casaria com o astro americano John Derek e só viraria estrela com O Satanico Dr. No, o primeiro filme de James Bond em 62). Traz trailer de cinema.  

Terra dos Faraós



Lançamento de filme inédito em Home Video no Brasil em DVD:

Terra dos Faraós / Land of the Pharaohs Versátil. 14 anos. Audio: Ingl. Leg: Port.  Widescreen 2.35.EUA, 1955. 104 min. Direção de Howard Hawks .Roteiro de William Faulkner, Harry Kurnitz, Harold Jack Bloom. Com Jack Hawkins, Joan Collins, Dewey Martin, Alexis Minotis, James Robertson Justice, Sydney Chaplin, Luisella Boni, Kerima.

     Sinopse: No Antigo Egito, um faraó Khufu (ou Keops) ao voltar de batalha resolve construir uma pirâmide onde será enterrado com seu tesouro para esperar a vida futura. Da província de Cipros, veio uma princesa Neliffer que é cruel e traiçoeira. Ele pede a ajuda de um arquiteto  que será enterrado vivo quando o faraó morrer. Mas ele fica cego e precisa da ajuda de um parente.

      Comentários: As opiniões se dividem a respeito deste super- espetáculo histórico dirigido pelo grande Howard Hawks (1896-1977), na verdade o único filme do gênero que fez durante sua longa carreira e também um de seus raros fracassos de bilheteria (a tal ponto que só voltou a filmar dali a quatro anos no faroeste Rio Bravo/Onde Começa o Inferno, 59). Foi muito criticado porque o roteiro diz que para construir as pirâmides no caso a mais famosa delas, teriam sido importados arquitetos hebreus (escravos), o que nunca se soube ser verdade! Para se ter idéia, o filme chegou a sair nos EUA pela própria produtora Warner num boxe de filme “camps” (ou seja, que caem no ridículo involuntário, culpa principalmente de Joan Collins, que exagera na vilania de sua princesa). O próprio Hawks admitiu um erro (o roteiro tornou todos os personagens antipáticos, de forma que é impossível se torcer por algum deles) e o interessante do roteiro é que inventou grande parte das soluções (como aquela da areia usada para fechar a pirâmide). O filme traz com o crédito de roteirista o vencedor do premio Nobel  William Faulkner (1897-1962), mas segundo o diretor sua contribuição foi muito pequena por causa de seu alcoolismo. O experiente Kurnitz escreveu a maior parte da historia e Bloom procurou lhe dar um pouco de ação. Rodado parcialmente no Egito, chega a ter em algumas cenas 10 mil figurantes. Preciso incluir este filme entre meus “guilty pleasures”(prazeres culposos), porque o assisti pela primeira vez quando criança e sempre fui fascinado com a historia, a estrela (Joan), as traições (o amante de Joan é Sidney, filho de Charles Chaplin) e a trilha musical retumbante de Dimitri Tiomkin.  Reza a lenda que a futura famosa cantora Dalida foi dublê de Joan no filme. Não tem extras. 

A Família Flynn


Lançamento de filme inédito no Brasil em Blu Ray e DVD

A Família Flynn / Being Flynn.  Universal. 16 anos. Audio:Ingl, Port, Esp, francês. Leg: (os mesmos). Widescreen.EUA, 12. 102 min. Direção de Paul Weitz .Roteiro de Paul baseado em livro autobiográfico de Nick Flynn. Com Robert De Niro, Paul Dano, Julianne Moore, Olivia Thirlby, Eddie Rouse, Steve Cirbus.

     Lili Taylor, Wes Studi. Sinopse: Nick Flynn (Dano) sonha em ser escritor enquanto trabalho num abrigo para os sem teto em Boston. O pai dele Jonathan, que se considerava um grande escritor e não o via há anos se torna residente do lugar. Nick fica confuso e agressivo, atrapalhando sua relação com uma moça que trabalha lá e despertando seus demônios ( o problema do pai é alcoolismo, do filho cocaína).

     Comentários: Não foi com este filme mas o posterior “O Lado Bom da Vida” que De Niro começou a restaurar sua reputação depois de anos de papéis ruins em filmes fracos. Este foi realizado pelo co-diretor de American Pie, filho da atriz Susan Kohner quase como resposta ao trabalho do irmão Chris Weitz anteriormente num filme de cunho social (Uma Vida Melhor, indicado ao Oscar de melhor ator). Ele deve ter se sentido obrigado a fazer um drama mais sério (embora neste momento esteja em cartaz nos EUA com a mal sucedida comédia “Admission” com Tina Fey). Apesar das boas intenções, esta historia inspirada em livro autobiográfico (Another Bullshit Night in Suck City de 2005) é lenta, de pouco impacto e sem novidade. De Niro não convence e o único que se esforça é o talentoso Paul Dano (Ruby  Sparks, Miss Sunshine).Julianne Moore faz a mãe amorosa mas pouco tem a fazer. Lili Taylor, que foi famosa nos anos 80 faz pequena aparição no abrigo porque é na vida real mulher do autor do livro. O filme foge do sentimental e da redenção tradicional mas não o substitui por nada, acabando por decepcionar. Traz como extra “O Coração de  A Família Flynn”.        

A Visitante Francesa

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A Visitante Francesa 2012. Da-Reu na –ra –e –seo/In Another Country .89 min. Coreia do Sul. Direção de Sang-soo Hong. Com Isabelle Huppert, Kwon Hye Hyo, Jung Yu Mi, So-Ri Moon, Moon Sung Keun.Pandora Filmes.

     Quem se conserva muito bem é Isabelle Huppert, que completou 60 anos em março e não aparenta a idade de jeito nenhum. E também não para de fazer filme pelo mundo inteiro o que obriga seus fãs (numerosos no Brasil) a seguirem sua discutível peregrinação por lugares e cinematografias exóticas. Como é o caso desta fitinha quase amadora (e de certa maneira tem o charme do mal feito, usando desajeitadas lentes zoom, um mesmo grupo de atores fazendo diferentes papeis quase uma ação entre amigos  numa única locação do que um filme para ser levado a sério). Quem dirige e escreveu a brincadeira é um veterano de 16 filmes (não consta que nenhum deles tenha passado por aqui antes) que costumam passar em festivais (ou Berlim, este aqui vá entender porque concorreu em Cannes!).

     De qualquer forma ele tem reputação internacional que não comprova aqui .A historia abre com mãe e filha numa praia Mohang-ni esperando alguém que lhes roubou e lhe deve dinheiro. A moça resolve escrever um roteiro para passar o tempo (??) e assim assistimos 3 historietas relativamente engraçadinhas girando em torno do machismo dos homens coreanos que seriam todos encantados com mulheres estrangeiras que adoram paquerar 1) Isabelle é uma francesa de férias diretora de cinema  que é paquerada por um diretor de cinema que tem uma mulher grávida chata que vive brigando (com razão)com ele, já que bebe e canta as mulheres. Tem também um salva vidas paquerador e caminhadas pela cidadezinha. Mas nada de concreto sucede. 2) Isabelle faz agora Anne, que vive com um industrial e por isso vive na Coréia. Mas tem um caso com um diretor de cinema e também encontra o salva vidas que lhe dedica canções.A mais fraca delas. 3)Isabelle agora é casada com um homem muito rico mas que a trai com uma coreana. Em crise esta viajando com sua empregada mais velha e também coreana, a quem pede para lhe apresentar um Monge  (que lhe responde algumas perguntas). O salva-vidas também ataca e desta vez chega as vias de fato).

     Tudo termina sem maiores conclusões, com um passeio (de guarda-chuva) pela chuva. E daí? Duro de acreditar que caímos nessa cilada! Ah, Isabelle fala inglês a maior parte do tempo, com diálogos que parecem improvisados.  Espero que ela tenha se divertido muito porque a gente nem um pouco.
Ref fim

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Oblivion

  

Oblivion (Idem) Universal. EUA, 13.Direção de Joseph Kosinski. Com Tom Cruise, Morgan Freeman, Olga Kurylenko, Andrea Riseborough, Melissa Leo, Nikolaj Coster-Waldau. 

      Não sei se ainda existe um publico que aprecia finais confusos daqueles que a gente sai discutindo:  o que foi que sucedeu mesmo? Será que é tal coisa? Ou alguém tem uma explicação melhor. É um ficção não tão cientifica mas tampouco muito original. É um daqueles filmes post-apocalípticos  que se passam na Terra depois de uma guerra esquisita, quando teríamos sido invadidos por alienígenas. E embora tenhamos ganho a Guerra e eles terem sido expulsos, o planeta foi danificado e transformado em grande deserto. No fundo, é uma daquelas historias de um único sobrevivente e quase o ultimo humano na face da Terra, voando naves ultra modernas e as hoje famosas naves não pilotadas, os drones. O filme é no estilo do clássico “Corrida Silenciosa” ou “Robinson Crusoe em Marte” e numa situação dessas não ha muitas alternativas dramáticas, certamente haverá alguma forma humana solta pelo deserto, algum vilão a culpar e assim por diante. 

     O maior prazer do filme é assisti-lo numa tela Imax (ate porque foi rodado com novo sistema digital câmera CineAlta F65!). Tudo melhora com a nitidez e o excelente sistema de som e projeção. Mas para suportar o filme é preciso ainda gostar de Tom Cruise (Aos 50 anos, esta muito bem conservado só piorou como ator. Tem uma única expressão o filme todo e quando tem que passar medo ou surpresa, raiva ou paixão, é sempre a mesma cara. De uma constrangedora falta de versatilidade!). Não gosto de não batizarem o filme no Brasil (veja a falta de lógica: cada vez mais os filmes são dublados para o português mas ainda assim insistem em por um nome incompreensível para noventa por cento da platéia. Alias este é daqueles que devia vir com  um folheto explicativo inclusive falando que Oblivion seria Esquecimento). 

     Parece que a origem do projeto esta numa sinopse que Kosinski escreveu em 2007  para virar “graphic novel” (que foi guardada só para sair agora junto com o filme que por sinal estréia simultaneamente com os EUA). Jessica Chastain foi escalada para o papel central de Julia mas estava com outros projetos e em seu lugar entrou a Bond Girl Olga Kurylenko (que esta por demais parecida com Catherine Zeta Jones!). Como a companheira do herói chamaram uma inglesa, Andrea Riseborough que estrelou W.E. O Romance do Século, dirigido por Madonna.       

      Enfim, Cruise faz Jack, que é um piloto que faz parte dos últimos humanos ainda na Terra e que trabalha para uma grande companhia mineradora (ah, curioso é o fato de que a Lua terrestre foi destruída, ao que parece por ETs e em conseqüência disso o planeta foi destruído por tsunamis e terremotos. Ele vive numa  modernosa e luxuosa casa suspensa no céu (o filme acaba lembrando bastante o Wall-E e a casa um pouco até um pouco “Up”). E ajudado por drones, monitorado por sua companheira e parceira Victoria (Andrea) ele viaja resolvendo problemas, enfrentando saqueadores e de vez em quando descobrindo livros! Ele também é o narrador da historia e desde o começo tem um sonho com outra mulher em Nova York, no alto do Empire State.Então espere por mudanças, ainda que elas sejam clichês e eu não possa ficar comentando muito sob pena de estragar qualquer possível surpresa. 

      Basta dizer que eu achei tudo meio óbvio, com alguma (mas podia ter mais) ação e truques do gênero (clones e traições) e um final confuso. Como as pessoas tem medo e preguiça de pensar, acho que o titulo do filme é profético :é muito capaz que caia mesmo no “oblivion”.

Ref fim        
     
Este é segundo filme do diretor Kosinski que havia sido escolhido para dirigir o Segundo Tron, o Legado. Apesar de não ter ido bem, ainda lhe deram esta nova chance que pode ser a ultima (embora como imagem seja bonito, ja que a culpa maior é do roteiro por demais confuso). Ainda assim ele co-escreveu o roteiro (que é baseado em graphic novel de Arvid Nelson).  

Angie



Angie – EUA/Brasil, 12/13. Direção de Marcio Garcia. 108 min. Com Camilla Belle, Andy Garcia, Collin Egglesfield, Juliette Lewis, John Savage, Kristi Clainos, Christiane Torloni, Carol Castro. 

     Vejo com simpatia  a trajetória que Marcio Garcia vem fazendo na tentativa de se tornar diretor de cinema, optando por trabalhar em co-produções (me parece mais por acaso do que proposta). Na verdade, a melhor coisa que eu vi dele foi um curta-metragem que ele me mandou (e depois revi em Gramado) sobre um assalto a banco, que era um primor de realização e eficiência (já ouvi dizer que estaria sendo expandido para um longa). Só fui conhecer recentemente a primeira experiência Bed & Breakfast (Amor por Acaso), que ele também vê com restrições ( além do roteiro ruim o pior é o galã ex- Superman que perdeu completamente o tipo e a graça).

     Mas este seu novo filme naturalmente é melhor que o anterior mas ainda não é tudo aquilo que ele promete e sonha. Começando por um roteiro (de uma brasileira radicada fora Julia Camara) mal ajambrado, cheio de clichês de Road movie, extremamente previsível e com diálogos fracos e sem humor. Desta vez ele caprichou mais no elenco (trazendo apenas do filme anterior o irreconhecível John Savage, de Hair, numa pequena participação) escolhendo a  bilíngue
 Camilla Belle como protagonista (a atriz filha de brasileira é uma veterana porque começou criança inclusive em Jurassic Park, foi filha de Daniel Day Lewis em O Mundo de Jack e Rose, estrelou 10.000 AC e este em A Deriva de Heitor Dhalia). E chamando para galã o imitador de Tom Cruise, Colin Egglesfield (O Noivo da minha Melhor amiga), que pelo menos tem certa energia. Juliette Lewis faz uma ponta que não diz a que veio, enquanto Andy Garcia desperdiça sua figura sempre simpática e carismática num personagem que era velho no século passado.

     Todo o vigor do seu curta, esta ausente neste filme frouxo e largado, que só depois de meia hora faz sua heroína sair pela estrada e depois de hora e seis minutos é que finalmente ela confessa a razão de seus problemas (que não convencem ninguém). Duas brasileiras, a indestrutível Torloni e Carol Castro aparecem numa rápida ceninha rodada numa bela mansão e piscina em Vitória do Espírito Santo, já no apagar das luzes. Mas ainda não deve ser o sucesso que Marcio procura. 

Ref fim

Uma Historia de Amor e Fúria



Historia de Amor e  Fúria Brasil, 13. Animação. Direção e roteiro de Luis Bolognesi. Vozes de Selton Mello (também co-produtor), Camila Pitanga, Rodrigo Santoro. Europa. 98 min. 

      É interessante este filme de animação que tomou certas opções no mínimo curiosas. Por exemplo, em vez de se endereçar ao publico infantil que o teria garantido melhor bilheteria preferiu manter um teor político (que o faz escorregar em algumas banalidades, em cenas de violência desnecessárias a não ser por fazer lembrar similares japoneses), alternando frases “lugar comum” com outras ainda oportunas (como a final, “viver sem conhecer o passado é viver no escuro”). Naturalmente a animação é daquele estilo televisão do He-Man de vinte anos atrás, ou seja, com visual atraente e mesmo bonito mas animação bem desanimada, com poucos recursos. (no cinema que assisti também o som do áudio dos dubladores estava muito baixo, tive dificuldade de entender  o que falavam, embora a presença de Rodrigo Santoro seja apenas de ator convidado, para prestigiar o projeto).

    A proposta é contar de forma mítica (assim o narrador e herói é um homem que vive 6000 anos, aparentemente como um pássaro mágico que de vez em quando reencarna para poder tentar reencontrar sua amada Janaina). Como a idéia é mostrar que a vida é luta e assim mexer com os brios do notoriamente preguiçoso e conformista povo brasileiro, não foi fácil encontrar na historia brasileira exemplos de luta e  coragem. Começa na época da colonização  com um índio tupinambá (Selton)( que se envolve no conflito entre portugueses e os colegas nativos que preferem defender  o invasor francês Villegaignon e por isso são praticamente exterminados. A motivação é sempre o amor da mesma mulher (Camila).Depois dá-se um pulo para 1825, no Maranhão quando um fabricante de balaios ajuda a revolução dos escravos negros que viviam em  quilombos e eventualmente são derrotados pelo futuro Duque de Caxias (que o narrador trata com a vida ironia para depois acentuar que nunca se deu bem com os que viram estatuas). 

     O próximo pulo é o que mais me incomoda, porque mitifica a luta dos guerrilheiros na época da ditadura militar (1968, novamente no Rio que seria o foco do filme). O casal se reencontra (mas o filme esquece que hoje guerrilheiro é semelhante a terrorista, que carrega portanto uma insuportável atitude) mas a historia novamente termina mal e de forma discutível (há uma longa e desagradável seqüência de tortura e o herói denuncia os colegas e por isso é desprezado por eles, coisa também  polemica. Já que os antigos guerrilheiros quando um era preso mudavam de esconderijo rapidamente porque sabiam que ninguém suporta a tortura. No máximo ganhavam tempo para a fuga!). Enfim, querem dizer  forçando a barra que os descendentes dos que fogem dos quilombos geraram  depois os cangaceiros e que os traficantes de drogas nos morros dos rio nos anos 70 seriam os novos rebeldes e portanto heróis)! 

     Felizmente acontece um novo pulo e vamos para 2096 quando o Rio de Janeiro do futuro esta nas mãos de grandes indústrias da água e uma nova copa do Mundo. Mais estilizado  e mais fácil de se identificar é o mesmo herói de sempre agora na pele de um jornalista que resolve se revoltar contra o big business e esta apaixonado por uma prostituta que também é outra guerrilheira. 

     De qualquer forma e acho isso uma pena, o filme não é indicado para crianças nem cabeças ainda não formadas. Poderia render discussões em salas de aula mas vai esbarrar no que denuncia, a suprema ignorância que as pessoas tem de nossa Historia (ainda mais agora quando a matéria deve ser cortada do atual curriculum!!!) . Na verdade, só isso já o credencia e torna importante. 

Ref fim.  

Chamada de Emergência


Chamada de Emergência (The Call) EUA, 13. Sony. Direção de Brad Anderson. Com Hale Berry, Abigail Breslin, Evie Thompson, Morris Chestnut, Michael Imperioli, Michael Eklund, Justina Machado, Rona Maffia, Jose Zuniga. 94 min.

     O trailer dá uma boa ideia do que é o filme: um modesto, mas eficiente drama de suspense, um thriller sobre os problemas de uma operadora de 911, a linha em que nos EUA as pessoas pedem socorro a policia. Que foi bem nos EUA (para orçamento de 13 milhões já passou  os 40 milhões, ou seja já se pagou). O que não é nada mal para a estrela Halle Berry, que estava acumulando fracassos. Um trabalho competente de um diretor Brad Anderson que começou fazendo filmes independentes (como o primeiro Next Stop Wonderland, que tinha uma trilha com musica brasileira de fundo), depois realizou o impressionante O Operário, com Christian Bale virando quase um esqueleto, a comédia  Feliz Coincidência, mas que aprimorou sua técnica em episódios de series como Boardwalk Empire , Fringe, Treme.

     Mas é modesto mesmo. Halle faz bem uma filha de policial que trabalha nesse serviço de emergência e sente-se culpada quando age instintivamente e comete um erro. Da um redial na linha, que toca e chama a atenção que um tarado assassino que entrou numa casa e esta querendo atacar uma moça. Ela fica arrasada e entra em crise. 6 meses depois de volta ao serviço o bandido volta a atacar. Desta vez acompanhamos ele espionando num shopping a garota que ira atacar e colocar no porta mola de seu carro (a garota é a agora já adulta Abigail  Breslin de Pequena Miss Sunshine).Alias o roteiro é de um certo especialista no assunto   Richard D´Ovidio (13 Fantasmas, Rede de Corrupção com Steven Seagal) que trata tudo de forma concisa e direta, sem perder tempo (eu ia escrever encher lingüiça mas achei vulgar demais!).

     Enfim, Abigail tenta escapar mas o maluco consegue perceber e Halle não tem outro jeito se não  ir atrás da moça e enfrentar o bandido. Não chega a ser tão violento quanto o equivalente masculino do gênero. Quem iria fazer o filme inicialmente era Joel Schumacher mas teve que largar e Halle também  saiu mas acabou retornando. No começo são usadas chamadas de 911 reais. Os críticos americanos disseram uma coisa divertida: que o filme funcionou porque ele consegue assustar as mulheres e as garotas apertam o braço de seu companheiro assustadas. Que só por isso já vale!!!

Ref fim

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Alvo Duplo



     Alvo Duplo Bullet to the Head. EUA, 13. 92 min. Direção de Walter Hill. Com Sylvester Stallone, Sung Kang, Jason Momoa, Christian Slater, Adewale Akinnuye- Agbaje, Sarah Shahi, Jon Seda, Brian Van Holt.


      Apesar de ter sido um grande fracasso de bilheteria nos EUA (teve um orçamento caro de 55 milhões de dólares e não chegou nem aos 12 milhões de dólares de renda!), este policial violento e antiquado (parece ter sido feito em meados dos anos 80) não é melhor nem pior do que outros que Stallone estrelou nos seus bons tempos. Foi feito apenas numa época em que ele já beira os setenta anos e não se chama Clint Eastwood (a bem da verdade, esta em melhor forma, todo bombado, com duas enormes tatuagens techinecoloridas nos ombros). O fracasso parece ter sido porque o publico jovem não quer vê-lo e os antigos fãs podem esperar o filme em casa (e só acham que vale a pena quando ele esta reunido com outros de sua geração!). Mas também porque ha uma reação forte contra o excesso de violência no cinema atual e suas possíveis e prováveis conseqüências na sociedade atual. 

      O competente Alessandro Canon (Psicopata Americano, Obrigado por fumar) foi quem adaptou para o cinema uma “graphic novel” francesa, Du Plomb dans la Tetê (Chumbo na cabeça) de Alexis Nolent agora ambientada na sempre fotogênica New Orleans. Basicamente é aquilo que os americanos chamam de “bromance”, uma historia de amor masculina entre dois sujeitos de ambientes diferentes que passam a se respeitar e gostar, entre socos, pontapés, tiros e piadinhas. Embora o problema como bem salientou o critico recém falecido em um de seus últimos trabalhos, Roger Ebert é que não ha menor química entre os dois protagonistas, na verdade nenhuma. 

     O filme tem uma historia mais complicada para acontecer. Começou a ser feita a pré produção pelo diretor sul africano Wayne Kramer (The Coooler, Território Restrito), que chamou para o papel do policial Thomas Jane. Mas Kramer e Stallone discutiram a respeito do tom do filme e entrou o produtor Joel Silver (embora produção independente, saiu nos EUA pela Warner) que despediu Jane porque preferia um parceiro étnico (possivelmente para aumentar a bilheteria no Oriente) e chamaram o inexpressivo  Sung Kang que em nada me marcou quando participou dos Velozes e Furiosos  3, 4 e 5 (agora também no 6) , nem Ninja Assassino ou Duro de Matar 4. O charme do projeto é justamente em trazer de volta ao cinema depois de uma ausência de 10 anos, desde o esquecido O Imbatível, o veterano  Walter Hill (que nos bons tempos fez os dois 48 horas, que tem certa semelhança com este e The Warriors). 

      Stallone com sua péssima dicção é quem narra a historia. Quando um matador profissional perde seu parceiro (Jon Seda) morto por um outro bandidão , Stallone- que tem o nome ridículo de Jimmy Bobo- se aproxima de um policial oriental (que também sofreu injustiça) com quem forma uma relutante dupla (o filme começa com uma espécie de teaser apresentando cena que voltara depois que eles viraram “partners”). Em meio a lutas e explosões de praxe, eles descobrem um daqueles planos mirabolantes sobre especulação de terrenos tirando dos pobres para construir condomínios para os muito ricos. Se as cenas de ação são curtas e diretas, o filme ganha bastante com algumas opções de escalação de elenco. Primeiro o maior vilão é um negro, Robert Knomo , que anda com bengalas e interpretado com forte sotaque, pelo britânico descendentes de nigerianos, o ótimo Adewale Akinnuye- Agbaje. Também o interesse romântico aqui é com uma tatuadora que é vivida pela interessante  Sarah Shahi, que é neta de um Xá da Pérsia! Como o vilão maior eles resgatam a figura exótica de Jason Momoa, o novo Conan que tem a sorte de salvar sua carreira com uma participação forte e bem humorada. E por fim, o retorno ao cinema depois de 8 anos (tem feito series de teve e teatro)Christian Slater que te um quase monologo confessional bastante eficiente.

    Com trilha de Hard rock, alguns truques emprestados do diretor Tony Scott, menos de hora e meia de duração, Alvo Duplo (êta título infeliz! Outro que não quer dizer nada) não foi apresentado para a critica nem aqui, nem nos EUA. Besteira porque ele é perfeitamente assistível, ao menos para todos aqueles que ainda tem afeição pelo Dinossauro Stallone. 

Ref fim.

Sara (Sarita) Montiel


Morre uma das mais belas do cinema: Sara (Sarita) Montiel

A principio não pretendia publicar matérias aqui neste espaço. Mas de repente sinto a necessidade de comentar o falecimento de gente que eu conheci e gostava. E que hoje perigam de estar esquecidos. É o caso da grande estrela do cinema espanhol, Sara (Sarita) Montiel, que faleceu aos 85 anos (completados agora em 10 de março), que foi extremamente popular no Brasil, durante as décadas de 50-60, chegando nos visitar varias vezes (e ao que parece adotou uma menina brasileira). Seu filme mais famoso La Violetera (Idem, 58) ficou mais de um ano em cartaz num cinema de São Paulo (e seus discos também venderam  muito).  50/60  Foi nela que Almodovar se inspirou para fazer seu Má Educação, 04 e alem de assistir show seu (em Santos,no Internacional de Regatas), tive a oportunidade de jantar com ela no Hotel Maksoud (onde ela fumava charuto!) e depois gravar uma entrevista incrivel, onde ela pediu que colocasse a luz para as câmeras, ha alguns centímetros de seu rosto (sabendo que a luz tirava as rugas).

     Na verdade, Sara não era muito simpática  parecia como boa espanhola, sempre mau humorada (mala leche dizem). Mas era um fenômeno de fotogenia (durante seus anos de ouro não havia rivais na Espanha, nem mesmo Carmen Sevilla ainda viva) e sua voz rouca e quente, sensual faz com que os filmes (românticos) resistam ate hoje. Nesta fase inicial todos foram sucessos: El Ultimo Cuplé, Meu Ultimo Tango (meu favorito), Carmen de Ronda, A Bela Lolla, a Bella do Chanthecler, Samba (rodado aqui de 65), Noites de Casablanca, A Dama de Beirut (os últimos já não passaram aqui, tendo feito aparição recente em 2011, em Abrazame). 

      Sara começou muito cedo a carreira em 44 e teve certo destaque mas acertou mesmo quando foi para o México e virou estrela. No começo dos anos 50 veio ao Brasil para rodar um filme com Glenn Ford chamado O Americano (que foi feito não aqui e sem ela, mas isso lhe serviu para fazer amigos para o resto do vida). Foi chamada pelo cinema americano, mesmo dublada (porque o inglês nunca foi bom).  Sempre linda esteve em Vera Cruz (54) de Robert Aldrich como par de Gary Cooper(e disputada por Burtg Lancaster). Casou-se com o famoso diretor Anthony Mann (que a dirigiu em Seranata, 56, onde era mulher do cantor Mario Lanza e inimiga de Joan Fontaine).  Em 57, fez com o diretor Samuel Fuller Renegando  o meu Sangue (Run of the Arrow), com Rod Steiger, em papel de índia  Foi quando voltou para a Espanha e começou seu período de apogeu absoluto.

     Num caso desses não ha o que discutir se era o não atriz. Era uma deusa, uma estrela daquele jeito que não se fabricam  ou nascem mais. Quem a viu em seu apogeu jamais a esquecerá. 
Rubens Ewald Filho e Sara Montiel, 
Maksoud Plaza 10 abril 1999 -_Sara aos 70 anos

PS- hoje também se registra o falecimento aos 70 anos de Annette Funicello, que ha anos sofria de esclerose múltipla. Começou no Clube de Disney, fez muitos filmes para o estúdio mas seu apogeu foram os filmes de praia que estrelou com Frankie Avalon nos anos 50 como A Praia dos Amores, Quanto mais Músculo Melhor, A Praia dos Biquínis  Eu, Ela e o Pijama (com Tommy Kirk em vez de Avalon), Folias na Praia, Festa na Gelo, Como Rechear um Biquíni, e o ultimo De Volta a Praia em 67. 


Ref fim;. 

Roger Ebert - Biografia



Não sei se Roger Ebert era  o melhor critico americano. Mas era sem duvida o mais popular, o mais querido. E sem fazer concessões .Escrevia bem, tinha bom senso, gostava do que fazia,  era inteligente, bem informado... o que mais se pode querer. A pedidos eu volto a publicar um artigo que escrevi  sobre sua recente autobiografia, sem mudar nada.

Livros EUA:Life Itself, Roger Ebert, a Memoir.Grand Central Publishing. 438 páginas.

       Não sei se vocês já ouviram falar em Roger Ebert. Ele é basicamente o mais importante e famoso critico norte-americano, principalmente porque fez durante muitos anos um programa de televisão sobre estréias de cinema Siskel & Ebert at the Movies (de 86 a 2006, o parceiro era Gene Siskel, já falecido de câncer ). Eu tentei algumas vezes emplacar esse programa, ou uma versão dele por aqui. São dois críticos falando das estréias de cinema ou lançamentos ou livros sempre sobre o assunto. A idéia é que um seja a favor, outro contra e eles discutam (amigavelmente) e ao final dêem uma cotação , a deles era basicamente o thumbs up, ou down (como em Gladiador, aprovando ou condenado o filme). Há pouco José Wilker e eu ate tentamos levar adiante este projeto (porque ao contrário do que as pessoas imaginam somos amigos e eu gosto muito dele) mas ate agora não tivemos sucesso.

       Enfim, Ebert se tornou graças a ele uma figura nacional embora sua base seja Chicago (por isso é amigo de Oprah,que também vem de lá), uma cidade bela e gelada, sempre um pouco por fora do ápice do show business que é centrada em LA e NY. Mas ele conseguiu não apenas esse feito como também o de ser respeitado e ganhar mesmo um premio Pulitzer dentre outros. Também publicou livros, tem site e tudo atesta que ele antes de tudo escreve muito bem, tem esse talento. E diante da média baixa dos colegas americanos ele é certamente dos melhores (perde segundo meu ponto de vista para Martin Scorsese, que eu admiro mais) menos superficial e festivo que o Leonard Maltin (daqueles famosos guias).

      Conheço Ebert dos Festivais, principalmente Cannes e Veneza, onde ele é celebrado e onde sempre aparece ao lado de sua mulher (é casado com uma advogada afro americana e segundo conta deve muito a ela, que tem sido excelente companheira). Tentei entrevista Roger para a teve mas recusou. A grande tragédia de sua vida é que há alguns ele teve há muitos anos atrás câncer nas glândulas salivares. Da primeira vez deu certo mas o câncer voltou a aparecer e foram forçados a fazer outra operação, onde ele perdeu as cordas vocais e depois o próprio queixo. Vocês imaginam a tragédia : um critico que não pode falar! E nem  engolir, nem comer nada que não seja liquido, até porque perdeu o sentido do gosto, sabor. Uma tristeza que foi se agravando porque as operações (acho que três) para solucionar o problema falharam. E ele teve que colocar uma espécie de prótese que o deixou deformado e esquisito (ele mesmo admite isso).

      Felizmente ainda continua em ação já que tem o dom de escrever bem (coisa menos comum do que se pensa!). E sempre de forma inteligente o que se comprova neste seu livro de memórias.

       Onde eu tive a surpresa de descobrir que ele nunca foi apaixonado por cinema mas só foi se aprofundar quando meio acidentalmente ganhou esse emprego (outra coisa muito comum, critico por acidente de redação!) e dali em diante é que foi pesquisar e ajudado pelo fato de ter acesso mais fácil as pessoas famosas  (afinal mora nos EUA e não em um pais qualquer emergente) se tornou muito amigo de alguns importantes, sendo o primeiro a apoiar Martin Scorsese (se encantou com o primeiro filme dele), Werner Herzog (alias nos livros temos as entrevistas com estes e mais encontros memoráveis com Lee Marvin, John Wayne,seu ídolo Robert Mitchum, Ingmar Bergman,Woody Allen mas não Ingrid Bergman a quem ele considera sua atriz preferida). Nascido em 18 de junho de 1942 em Urbana, Illinois, filho único, teve um infância normal, fez faculdade no Colorado e teve um inicio sexual tardio (ele conta tudo isso mas não envolve tanto famosos quanto Piper Laurie).Teve problemas graves com o alcoolismo (que conseguiu vencer) e não tem filhos (mas um casal de enteados). Chegou a ir estudar na África do Sul em Capetown e escreveu para o cinema o roteiro de De Volta ao Vale das Bonecas de Russ Meyer, uma espécie de sátira ao filme anterior, nem sempre compreendido. Aí me identifico também porque ambos temos um pezinho na porno chanchada!

       Sempre com excesso de peso (olha outra coisa semelhante a mim!) neste livro Roger se conta e se explica sem qualquer auto piedade. A verdade é que é muito bom ler um bonito texto, fluente, culto, inteligente, sem excesso de sentimentalismo e com aparente sinceridade (embora raramente ou nunca fale mal de alguém). Mais sobre um ser humano do que um cinéfilo.

Ref fim.

Mama - (Atualizado)


Mama (Idem). Espanha/Canadá, 2013. Direção de Andres Muschietti. Produção de Guillermo Del Toro.Com Jessica Chastain, Nikolaj Coster- Waldau, Megan Charpentier, Isabelle Nélisse, Daniel Kash, Javier Botet,  Jane Boffat. 100 mi.


     O atual prestigio da atriz Jessica Chastain pode ajudar este filme de terror europeu (embora rodado no Canadá, traz as digitais de um espanhol e do gênero que vem se desenvolvendo por lá. O diretor é estreante em longa, já que se trata aqui de uma expansão de um curta homônimo (na verdade com acento, Mamá) que ele realizou em 2008 e que durava apenas 3 minutos. Certamente De Toro gostou e resolveu bancar o projeto.  E o resultado foi bem de bilheteria nos EUA: para um orçamento de 15 milhões já rendeu mais de 70 milhões. 

        Nunca escondi que não gosto de Jessica, que apesar de ser candidata a Oscars nos 2 últimos anos ainda não me convenceu. Ate prova ao contrario me parece uma daquelas invenções sazonais que Hollywood nos faz passar. Aqui, com uma ridícula peruca curta e mal arranjada, esconde seu cabelo  ruivo mas não que é careteira e não sabe dosar ainda a intensidade de uma performance.

      Mas a seu favor fora o prestigio de Del Toro que o levou a festivais (ganhou o Fantasporto de Portugal, Gérardmer e levou premio de diretor revelação em Palm Springs) tem um trailer muito sugestivo e uma idéia bem interessante. É verdade que acaba enveredando por uma fantasia duvidosa, com efeitos especiais digitais banais (que parecem saído de João e Maria!). Mas ainda assim, só o fato que estou escrevendo sobre ela já demonstra que é acima da média do gênero.

     Começa com um prólogo quando um pai devastado por dividas e problemas leva suas duas filhas pequenas para uma região nevada onde elas são salvas por uma espécie de espírito maligno (que vemos mal porque assistimos tudo pelo ponto de vista da menina menor que só consegue enxergar direito quanto esta de óculos!). Jessica é a tia dessas crianças- enquanto o marido é escritor que tem o direito exclusivo de estudá-las-  que são descobertas vivendo no meio da floresta, tendo regredido ao estado de selvageria como se fossem “meninas lobo”, procurando lhes dar uma vida normal. O que é muito difícil de acontecer porque o espectador começa a perceber a presença misteriosa de um vulto que parece ser um tipo de fantasma, perturbador e vingativo. O filme foi bem louvado pela critica porque não ser excessivamente explicito, por sugerir mais do que mostrar (como os antigos de Val Lewton mas lembrando também os filmes de terror japoneses) mesmo tendo sua dose de insetos gigantescos , aranhas e mariposas. Um detalhe quem faz o marido e o irmão dele que vai matar as crianças é o ator dinamarquês que estrelou o talentoso Headhunters e Game of Thrones. 

      Talvez a trilha musical seja um pouco óbvia demais e já disse que me desagradou a conclusão fantasiosa. Ainda assim este terror merece ser conferido pelos fãs do gênero.

Ref fim.

Agradeço a colaboração de “Mondomoda”

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Roger Ebert (1942-2013)


Minha homenagem ao critico norte-americano

Roger Ebert (1942-2013)

Falecido ontem 4 de abril de câncer.


Era o mais popular, o que tinha melhor texto, o mais
respeitado.

Descanse em paz. 

Dentro da Casa



Dentro da Casa - Dans la Maison. França, 2012. Direção de François Ozon. Baseado em peça de Juan Mayorga. Com Fabrice Luchini, Ernst Umhauer, Kristin Scott Thomas, Emmanuelle Seigner, Denis Menochet, Bastien Ughetto,Jean-François Balmer, Yolande Moreau. 105 min.

     Vencedor de dois grandes prêmios em San Sebastian (roteiro e o grande premio), indicado para 6 Césars (inclusive filme, ator e diretor), premio da critica em Toronto, este novo filme do diretor François Ozon (8 mulheres, Angel, Ricky, e o primeiro desde Potiche com Catherine Deneuve) é provavelmente seu melhor trabalho (prolífico ele já tem novo filme em finalização Jeune et Jolie com Charlotte Rampling). Uma inteligente e deliciosa comédia inspirada em peça teatral espanhola (El Chico de la ultima fila) que vai agradar mais ainda a quem gosta de literatura que irá se divertir com suas citações de grandes autores, para não dizer da interpretação expert da dupla central, o grande Fabrice Luchini (ninguém faz um chato tão bem como ele não cinema atual) e a sempre adorável Kristin Scott Thomas, que acrescenta charme e beleza a um personagem ingrato da esposa que esta prestes a perder seu emprego como diretora de uma galeria de arte de objetos sexuais!

     Construído todo em contraponto, ação e palavras, o filme começa com o chato do professor Germain (Luchini), desiludido com a escola e com o desinteresse de seus alunos em relação a literatura francesa que se anima quando descobre um aluno de 16 anos sentado na ultima fileira, Claude Garcia (o loirinho e franzino, com cara mau, o jovem alemão Ernest, que esteve naquele bizarro O Monge e que não aparenta seus 22 anos). O rapaz esta escrevendo uma espécie de romance autobiográfico relatando seu relacionamento com um colega de classe, que esta precisando de sua ajuda na matemática, e de quem começa a freqüentar sua casa. O adolescente escreve bem e Germain vai dando palpites, as vezes levianos, as vezes atrevidos e vai se envolvendo com a historia, principalmente quando Claude se apaixona pela mãe do amigo (feita por Emmanuelle, musa e esposa de Polanski,que não melhora como atriz). A intriga vai se complicando quando se mistura a fronteira entre ficção e realidade, coisa que Ozon já havia feito antes em Swimming Pool.

     Também comédia de costumes (por exemplo, na escola todos os alunos voltam a vestir uniforme, coisa que não sucede na França mas que é pleiteado pela Direita), o filme se enrique quando se sabe que os pais de Ozon eram também professores e que ele era mau aluno, ate o momento em que se interessou por cinema e passou a ser influenciado por outros professores. Por isso mexeu bastante na estrutura da peça (o Claude era bom em filosofia o que dava margem a excesso de filosofadas e não matemática), organizou a historia em termos de espaço/locação. O resultado  é um dos filmes mais divertidos e interessantes da temporada. 

Ref fim

terça-feira, 2 de abril de 2013

Invasão a Casa Branca



Invasão a Casa Branca, Paris Filmes. Olympus Has Fallen. EUA, 13. Direção de Antoine Fuqua. Com Gerard Butler, Aaron Eckhart, Morgan Freeman, Dylan McDermott, Angela Bassett,  Melissa Leo, Rahda Mitchell, Cole Hauser, Rick Yune, Robert Forster, Ashley Judd. 120 min.

     Se fosse sincero poderia se chamar Duro de Matar na Casa Branca, com Gerard Butler no lugar de Bruce Willis. Porque o roteiro parece uma ideia descartada daquela série (mas sem duvida do que o exemplar mais recente dela) se inscrevendo na recente mania masoquista americana de imaginar tragédias com seus monumentos nacionais, ainda por cima provocados por terroristas orientais, aparentemente Norte coreanos (no dia em que vi o filme em cabine foi justamente quando saiu a noticia de que o Norte estava se preparando para fazer guerra e invadir o Sul, o que provocou um frio na Espinha. E se outra vez a vida imitar a arte?  E se algum imbecil tiver idéia de virar copycat e imitar tudo que vemos na tela? Porque o filme no fundo é um manual de assalto bem sucedido a mansão presidencial mais famosa do mundo!).

     Esse péssimo exemplo é a base para este eficiente filme de ação  luxuoso (custou 70 milhões de dólares e rendeu ate agora 54 milhões , estando ainda em quinto lugar nas bilheterias) e ate eficaz, que finalmente traz um  sucesso para a carreira estagnada de  Gerard Butler, que ficou com o papel central (um agente secreto que protege o presidente americano, um momento muito ruim de Aaron Eckhart. Mas cai em desgraça quando não consegue salvar a primeira dama – a ainda bela Ashley Judd num mero cameo- que morre depois de acidente de carro na estrada nevada). Isso também da boa ideia do filme que conseguiu um elenco muito bom para atores competentes mesmo quando não tem muito o que fazer (como a ótima Angela Bassett, fazendo algo como secretaria da defesa, Morgan Freeman como o presidente em exercício e o coreano nascido em Washington, Corey Yune de Velozes e Furiosos (I) e 007 Um Novo dia para morrer).  O titulo original curioso,” O Olimpo caiu” se refere ao nome de guerra dada a Casa Branca).

     Quem dirige é o afro americano Antoine Fuqua (Dia de Treinamento, Lagrimas do Sol) em cima de um roteiro de Creigton Rothenberg  e a islandesa Katryn Benedikt (só confirmei que era mulher pelo Facebook!), ambos ex-executivos, casados e estreantes no cinema.  De qualquer forma, mesmo com ma vontade  o filme é bem conduzido. O herói Mike Benning esta encostado num lugar de rotina, quando descobre que a Casa Branca, perto de seu escritório esta sendo atacada num bem planejado e realizado ataque de tal forma que em alguns minutos estão todos mortos, ou prisioneiros. Os terroristas conseguem capturar o presidente e alguns secretários de estado, escondendo-se no bunker que ficaria no subsolo. Não vou dizer que eles pretendem e nem como o conseguem, basta contar que Mike Benning se infiltra na Casa em meio a mortandade e tenta liberar algumas das vitimas. 

     Sinceramente não sei imaginar como irá reagir o nosso espectador diante de uma derrota americana, nem também nos momentos obviamente patrióticos (lembrando um Independence Day  mas há uma diferença entre coreanos e Ets!). Só garanto que as cenas de ação são bem feitas, bem encenadas (a Casa Branca foi construída em Bossier City, na Louisiana, e são convincentes!) .

     O roteiro também tem algumas coisas que o tornam mais realista e mesmo curioso. Por exemplo, a critica aos militares representado aqui pelo chefe deles, feito por Robert Forster. Apesar da rejeição do plano por Mike que esta dentro da Casa, este insiste em atacar pelo telhado o que resulta num desastre (e Forster leva a maior bronca quando tenta tomar o poder!) Também o presidente americano esta longe de ser heróico, sua resistência a ver os colegas torturados (será que tem algo a ver com a atual moda de torturar prisioneiros? Só que aqui invertido...).Enfim, por essa fraqueza ele quase leva tudo a perder...Ou seja, o filme não apenas louva mas também critica. O que me pareceu nas circunstancias ate um atrevimento!

Ref fim. 

sexta-feira, 29 de março de 2013

A Hospedeira


A Hospedeira (The Host) EUA, 13. Direção de Andrew Niccol.Roteiro de Niccol baseado em livro de Stephanie Meyer. 129 min. Imagem. Com Saiorse Ronan, Max Irons, Jake Abel, Diane Kruger, William Hurt, Frances Fisher,Phil Austin, Marcus Lyle Brown, Evan Cleaver.


     Antes de tudo é bom avisar: É bem melhor que qualquer um dos filmes da Saga Crepúsculo, o elenco inclusive é bem superior. Ainda assim não é nenhuma maravilha. Até porque tem o mesmo defeito: um orçamento limitado, reduzido que o obrigado a filmar em locações já existentes que passam por prédios e lugares do futuro a moda de Alphaville, de Godard. 


     Será que não é superestimar a fidelidade dos fãs da série Crepúsculo, estreando simultaneamente com os Estados Unidos, este filme independente que traz uma adaptação de outro livro da mesma autora Stephenie Meyer? É o que vai se descobrir agora com um filme de ficção cientifica que  não são vampiros nem tão românticos (favor não confundir com o filme coreano de 2006, que nada tem a ver embora seja bem divertido). Lançado nos EUA em 2008 e no Brasil no ano seguinte, pela editora Intrínseca, com 560 páginas, com bastante sucesso aqui e lá fora. Segundo confirma a Wikipedia, a ideia de A Hospedeira (A Nomade em Portugal) surgiu em uma viagem de Phoenix para Salt Lake City, quando a autora entediada “começou a inventar histórias para se distrair”  e assim bolou metade da história antes de se dar conta. Originalmente planejado para ser apenas um projeto alternativo, eventualmente tornou-se uma prioridade. Ian O'Shea seria inicialmente um personagem pequeno. A autora afirmou que não tinha qualquer intenção de criar um romance entre ele e Peregrina, mas Ian "se recusou a ser ignorado". O título  foi escolhido pelo ponto de vista da protagonista que  passou por diversas mudanças na forma como via o universo por causa de sua “hospedeira” Melanie. Meyer declarou que a  ideia de dois espiritos conviverem no mesmo corpo é um subtexto da história, já que ela é "muito crítica" com seu corpo, mas não com os outros. No livro, ela tentou mostrar "que presente é ter um corpo".

     Talvez seja melhor explicar melhor a historia porque ela é mais facilmente entendida na tela do que resumida aqui. Basicamente o filme se passa num futuro proximo quando (á moda de filmes com Vampiros de Almas ou Invasores de Corpos) uma raça alienigena tomou conta de quase todo planeta Terra. Eles se dizem pacificos, bondosos e compreensivos mas ainda assim mantém uma especie de policia para caçar e apaziguar os rebeldes humanos que fugiram e vivem em pequenas comunidades no deserto americano. Ou seja, os alienigenas ocupam os corpos dos humanos que passam a ser seus hospedeiros, como uma especie de casca, enquanto seu interior, sentimentos e ações é totalmente alienigena. So que no caso da heroina, chamada de Wanda, houve alguma coisa errada por que dentro continua a co-existir a antiga Melanie e as duas personalidades ficam brigando pelo dominio do corpo! Essa é a dificil tarefa que cabe a atriz principal que é a inglesa Saiorse Ronan, que foi uma revelação em Desejo e Reparação e chegou a ter uma indicação ao Oscar de coadjuvante em 2008. Depois disso ela teve outras chances (ainda não fez 20 anos) em filmes como o desastroso  Um Olhar do Paraiso de Peter Jackson (09), o interessante Hanna de Joe Wright (11).Demonstrando porém, que é uma atriz fria, contida e portanto não exatamente adequada a um personagem tão complexo. 

     Por outro lado é uma boa ideia ter uma dupla personalidade (as duas discutem em off )como heroina , o que vem tornar mais interessante um filme que como ja disse padece de um orçamento pobre (eles falam em 44 milhões de dolares mas parece menos!). Nem sempre os cenarios são convincentes, nem os escritorios ou mesmo as personagens modestas (centradas em New Mexico, Louisina/New Orleans). Por isso mesmo que a prejudicada é a chefe dos caçadores de humanos, feita pela atriz europeia Diane Kruger (a Helena de “Troia”), que não consegue escapar do clichê. O escolhido como diretor é Andrew Niccol, que ficou famoso como o roteirista de O Show de Truman e depois se especializou no genero com Gattaca, Simone, O preço do Amanhã /In Time, e também a denuncia politica O Senhor das Armas. Por alguma razão, ele não brilha especialmente neste projeto. 

     Naturalmente a autora não conseguiu escapar de criar outro triangulo amoroso, no caso entre a heroina de dupla personalidade e dois humanos que vivem escondidos, o que é bem curioso, ja que cada um deles se apaixona por uma das mulheres que compartilham o mesmo corpo. Os rapazes porém deixam a desejar, nem boas pintas são, no caso Max Irons (que é sim o filho de Jeremy Irons e Sinead  Cusak, neto do Cyril Cusack)- o problema neste caso são os olhos pequenos e que parecem sempre sonolentos e um certo Jake Abel ainda menos memoravel (apesar de ja ter estado em Percy Jacson, Eu sou o Numero Quatro, e até um Olhar no Paraiso com Saiorse). William Hurt faz o chefe dos humanos e Frances Fisher (a mãe de Titanic, que quando criança viveu no Rio, muito maquiada para envelhecer ) faz uma matriarca com pouca ação. Foi porém outro jovem ator Boyd Halbrook que faz Kyle quem foi votado como revelação no Festival dos The Hamptons. 

     Não ha ainda uma continuação prevista para A Peregrina, embora e 2009, Stephenie Meyer tenha afirmado que poderia escrever duas continuações , a primeira chamada The Soul e a segunda The Seeker. Porém, que poderia ser algo "completamente diferente". Revelou que escreveu um esboço para a primeira continuação , e que  tinha seus dois primeiros capítulos prontos, mas que estava trabalhando em outro livro no momento, apesar de planejar retomar o projeto. Naturalmente o elenco ja esta contratado para esses possiveis novos capitulos que podem ou não acontecer. Tudo depende naturalmente do sucesso. 

Ref fim.