terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

De Repente, Pai

De Repente, Pai (Delivery Man) EUA/Canadá, 13. Direção e roteiro  de Ken Scott. 105 min. Com Vince Vaughn, Chris Pratt, Cobie Smulders, Simon Delaney, Bobby Moynihan, Dave Patten, Britt Robertson, Matthew Dadario. Dreamworks, Touchstone.

       Deve ter sido uma decepção para o publico que gosta do estilo de ser cínico e cafajeste de Vince Vaughn descobrir que este seu novo filme é sentimental (coisa que critico detesta, algum dia ainda vou descobrir porque...) e até capaz de provocar lágrimas de emoção!

         Não cheguei a assistir a versão original franco canadense que foi exibida por aqui chamada   Meus 533 Filhos, 2011, que foi feita pelo mesmo diretor (ou seja, não pode ter mudado muito). É baseado em fato real, sobre um certo Starbucks (pseudônimo) que é um bom sujeito mas não dá certo em nada que faz ou trabalha se envolvendo em esquemas furados de pirâmide e que é incapaz de assumir responsabilidade ainda mais agora que a namorada esta gravida!

        Mas toda a situação muda quando aparece um processo num tribunal local onde se descobre que ele é o pai anônimo de 533 filhos,  através da doação de esperma e que ao menos 142 deles querem saber sua identidade real.

        O herói então David (Starbucks) resolve se aproximar de alguns desses filhos (um deles é campeão de basquete, outro sofre de doença degenerativa, uma terceiro é viciada em drogas, outro quer se ator...)Assim aos poucos vai se aproximando do que se torna uma verdadeira família.
  
         Bem feitinho  e previsível o filme não foi bem nos EUA (custou 26 milhões de dólares e não rendeu mais do que 30).  Foi visto porém como um adequado programa natalino.
Ref fim

Jovem aloucada

Jovem aloucada (Joven y Alocada). Chile, 2012. Direção de  Marialy Rivas. Polifilmes/Bitelli Filmes. Drama. Com  Alicia Rodríguez, Aline Küppenheim, María Gracia Omegna.   95 min. Classificação: 18 anos.

      Curioso lançarem dois filmes chilenos na mesma semana, principalmente porque os filmes de lá são raros de aportarem por estas bandas.  E ambos são feministas e premiados (este melhor filme de vanguarda em Buenos Aires, atriz em Huelva, premio em San Sebastian), premio World Cinema em Sundance). 

       Muito fácil de resumir, também é mais ousado e impactante do que muitos. Parece ser baseado em um blog que tem justamente o nome do filme no original e quem narra a historia e seus pensamentos (em geral sobre sexo e relacionamentos) é uma mulher mais velha e que pelo tom de voz parece ser de uma classe mais popular do que a que vemos aqui.

       Assim, a heroína Daniela já começa o filme quando numa cama com um namorado e enquanto ele dorme ela prefere se masturbar. Isso já resume sua insatisfação com os parceiros masculinos, apressados e egoístas, o que a levará a partir para um relacionamento com uma mulher. Mas o ponto mais importante é que ela pertence a uma família classe média alta que é evangélica e a entorpece com noções religiosas superficiais e desgastadas. Como os filmes recentes, não há embates ou conflitos abertos. Apenas a câmera seguindo personagens (meu deus como se anda no cinema atual , Antonioni não imaginava a escola que fez), as brincadeiras com blogs e algumas verdades jogadas na cara do espectador. Nem querendo escandalizar (mas as vezes quase conseguindo).  

Ref fim.

Love Bite


Love Bite  Idem Inglaterra, 2012. Direção de Andy De Emmony. Europa. Comédia de terror com  Jessica Szohr, Timothy Spall,Ed Speelers, Robin Morrisey, Robert Purh , Joy McAvoy, Kierston Wareing,  Luke Pasqualino, Ed Speleers. 91 min. 

        Em algum momento dos anos 80, a época áurea do Home Video alguém deve ter feito uma porno-chanchada com esta mesma historia ou uma pequena variante. Só que esta tem um orçamento muito pequeno (pobres efeitos especiais) e um humor inglês mais contido (assim como a nudez que quase só é reduzida a alguns traseiros masculinos). 

         A fotografia ao menos é decente assim como a locação numa praia chamada de Rainmouth, ja no fim do verão (rodado na Escócia e Essex, Clacton on Sea). A historia é óbvia: um monte de adolescentes (todos com cara de ter dez anos a mais) que estão loucos para transarem mas não conseguem. Só que aparece um lobisomem que devora os virgens (homens ou mulheres) o que provoca um intensa busca para perder a virgindade. Quando todos tentam fazer sexo de alguma maneira, poderia provocar algumas piadinhas boas mas isso não chega a acontecer.  O ator central é feito por Ed Speelers, que em tempos melhores já chegou a fazer o papel titulo da aventura Eragon (e também é atualmente dos empregados de Dowtown Abbey, aquele homófobo). Há um caçador de monstros (feito pelo famoso Timothy Spall) mas nem ele tem maior chance. A única coisa original do filme é justamente seu final, que pelo menos provoca um sorriso. 

Ref Fim.

Gloria

Gloria /Idem .Chile/Espanha, 2013, Direção de  Sebastián Lelio. Imovision Drama  com  Paulina García, Sergio Hernández, Diego Fontecilla.  105 min.

       Mesmo ficando fora dos cinco finalistas do Oscar de filme estrangeiro este filme chileno estreou bem esta semana passada nos EUA –claro que no circuito de arte. Realmente ela tem um potencial grande de agradar mulheres de meia idade para cima. Que irão se identificar com facilidade com a heroína. Apesar de eu ainda reclamar que hoje em dia os filmes são muito “lights” e “diets” sem nunca mergulhar a fundo na psicologia ou nos problemas dos personagens. Como se não quisessem perturbar seus possíveis consumidores. 

     Dá a impressão de que o filme foi feito de casa pensado. O diretor Lelio conta a historia de uma mulher de 58 anos, divorciada, de classe média, que freqüenta bailes para pessoas de sua idade  e naturalmente vai se envolvendo com os homens errados. Que só querem se aproveitar, para essa faixa de idade, qualquer vantagem já é coisa boa. Tem um emprego estável e os problemas de seu cotidiano incluem um vizinho bi polar, um gato choramingas, ela sempre procurando encontrar os filhos: Pedro ( Diego Fontecilla ), que é pai solteiro enquanto a filha (Fabiola Zamzorra), é professora de Ioga e começa um romance com um sueco que gosta de esquiar.Gloria sente-se com a relação com um certo Rodolfo cujo casamento acabou há pouco. Mas ele parece ser fraco demais para assumi-la ou satisfazê-la.

      Essa é a historia de alguém que conhecemos ou faz parte de nossa família. Não especialmente inteligente, ou ambiciosa, ou boa ou má. Mas que tem vontade de viver, de ser feliz. Essa é a maior qualidade do filme que é ajudado ao pintar seu retrato com a ajuda de musicas brasileiras na trilha (Banho de espuma da Rita Lee, Águas de Março de Jobim).

         O filme foi grande sucesso em Berlim no ano passado onde ganhou o premio de melhor atriz, premio dos cinemas de arte, premio da critica (que escreveu que é uma celebração da vida para qual estamos todos convidados). É o terceiro longa do diretor Lelio ( o primeiro ao menos tem nome sugestivo La Sagrada Família).

Ref fim.

A menina que roubava livros

A menina que roubava livros (The Book Thief, EUA, 2013), de Brian Percival Fox. Drama. Com Geoffrey Rush, Emily Watson, Sophie Nélisse, Nico Liersch,  Ben Schnetzer, Kirsten Block , Roger Allan (o narrador). 131 min. Roteiro de Michael Petroni baseado em Livro de Markus Zusak.cotação: dois

      Este foi dos poucos filmes que estava previsto para o Oscar e se perdeu num mundaréu de criticas negativas e falta de interesse do publico. Mas ainda assim conseguiu ter indicações para o Globo de Ouro e o Oscar de trilha musical, porque ela foi feita pelo ícone/monumento John Williams (que mesmo assim não está na sua melhor forma). 

       Difícil dizer quem pode ser o responsável pelo fracasso (20 milhões de renda nos EUA) mas a tentação é culpar o diretor Percival que foi chamado por que dirigiu alguns dos episódios do super sucesso Downtown Abbey (erraram os produtores porque na verdade o roteirista de Abbey que é responsável pelo seu êxito). Mas como realização de orçamento médio não faz nada de muito errado. Confesso o que me provocou maior estranheza foi quando no meio, depois de seguir toda narrativa que é conduzida por uma voz masculina descobrir que é a própria morte! E não é filme de terror mas de holocausto , será que por isso que achei que era uma solução de mau gosto? Pode ser mas foi isso que inconscientemente me afastou do filme que já não era muito original. Mas dava para seguir. Ainda assim o livro escrito por australiano foi Best-seller e conseguiu fugir de muitos clichês do gênero. Ainda assim é preciso lembrar que a morte ao se apresentar no começo já vem dizendo uma verdade que poucos querem ouvir: Aqui temos um pequeno fato:Você irá morrer! 

       É engraçado que o filme por si só não explica muito, já age como se o publico fosse informado sobre esse tipo de historia. Assim acompanhamos Liesel uma garota loirinha e bonitinha (a canadense Sophie Nélisse que esteve em Monsieur Lazhar O que Traz boas Novas) que se refugia na casa de um casal que vive na pequena cidade de Mulching, perto de Munich e a caminho de Dachau.Mal Sabemos que o pai dela eram comunistas e o  irmão mais novo morreu a caminho dali.  Obviamente esta fugindo da fúria nazista que mesmo assim esta próxima (e o titulo vem porque eles realizaram uma das daquelas fogueiras de livro e ela não resistiu e roubou um deles). O pai adotivo é Geoffrey Rush, discreto e a mãe, que parece má humorada mas tem bom coração é Emily Watson. Esse livro e outros que consegue na mansão de um oficial nazista ela compartilha com outros que vivem na casa. A principio nem sabia ler mas aprende e passa a ler para os outros e finalmente esta escrevendo sobre si mesma. Aos 14 anos. Consciente de que ler é ter poder. 

       No entanto, algo saiu errado com o filme que não vibra, não chega a emocionar especialmente, nem tem grandes momentos de interpretação. 

Ref fim.

Fruitvale Station – A última parada.

Fruitvale Station – A última parada.(Fruitvale Station, EUA, 2013), de Ryan Coogler (Paris Filmes). Drama. Com  Michael B. Jordan, Octavia Spencer, Melonie Diaz, Chad Michael Murray, Kevin Durand. 85 min. Cotação: quatro.
   
     Este foi o filme independente americano mais premiado e elogiado do ano, de tal forma que foi uma decepção quando ele não foi incluído em nenhuma das três premiações, o Globo de Ouro, SAG, nem Globo de Ouro.  

     Mas ganhou o Gotham, O National Board of Review, premio de revelação (Avenir) em Cannes,  sindicato dos produtores, revelação nos críticos de Nova York, e principalmente júri e publico do Festival de Sundance.  Esta ainda indicado para o Independent Spírit de ator (Michael B.Jordan, nada a ver com o esportista, este já se tornou astro), direção e coadjuvante Melonie Diaz. 

     Foi Forest Whitaker quem co produziu o filme que traz no elenco em papel forte a vencedora de coadjuvante do ano passado Octatia Spencer. Como a maioria dos filmes deste ano, conta uma historia real. A de Oscar Grant II, de 22 anos, um negro que vivia na chamada Bay Area (região da grande San Francisco), que no ultimo dia de 2008, levanta-se sem saber que terá um fim trágico. Encontra a família, os amigos, a namorada, sem saber que será atacado e morto, sem qualquer justificativa por um policial. 

       Mais um filme sobre a banalidade da violência e do crime, das vitimas que nada podem fazer, seja aqui, seja la. Realizado com competência por um diretor roteirista negro Ryan Coogler (que ate agora tinha feito apenas três curtas). Daquela maneira costumeira. Imagens de telejornais, câmera na mãe, interpretação espontânea. Talvez sua diferença seja a presença de um ator muito simpático e espontâneo, que é uma vergonha que eu não o conheça melhor já que estrelou algumas das series mais elogiadas recentes, como The Wire, Friday Night Lights, se iniciando ainda moleque na Familia Soprano. 
Ref fim  

       Sinopse: Baseado numa história real. Oscar, de 22 anos, acorda na manhã de 31 de dezembro de 2008 e tem uma sensação diferente. Sem saber o que isso significa ele resolve começar suas resoluções de ano novo.Duração: 85 min. Classificação: a definir.

A Gaiola Dourada


A Gaiola Dourada (La Cage D´Orée) Portugal/França, 13. Direção de Rubens Alves. Produção de Daniele Delorme. 90 mn. Com Joaquim de Almeioda,Ria Blanco, Roland Giraud, Chantal  Lauby, Barbara Cabrita, Lannick Gautry, Maria Vieira, Jacqueline Corado, Jean Pierre Martins, Alex Alves Pereira.  

      Qualquer um que tenha nascido de uma família de origem portuguesa vai se identificar e se divertir muito, ate mesmo se emocionar, com esta comédia Franco-portuguesa que ganhou o Premio do Publico no Importante European Fillm Awards (o melhor do cinema europeu).

       Curiosamente o filme foi produzido por uma ex-estrela de cinema dos anos 50, Danièle Delorme  (que foi casada com Daniel Gélin e o filho deles Hugo Gélin,  que dirigiu Comme de Fréres   aqui co-escreveu o roteiro) e é viúva do diretor Yves Robert.  Nem todo mundo sabe que a França tem uma grande colônia de portugueses que se mudaram para lá como força trabalhadora logo depois da Guerra e foi assim que conseguiram construir suas casinhas e fazer seu pé de meia. Muitos deles porém continuaram na França e foram absorvidos pela cultura  local ( E o filme com discrição mostra porque, são gente boa, obedientes, comportados, as vezes ate demais).

        Aqui se conta uma historia atual, de um casal José e Maria, que vivem como caseiros (um habito muito comum na França, o chamado Concierge, vive numa habitação modesta de um casarão de gente rica, em troca de prestar serviços como caseiro, entregar cartas, cuidar do jardim e assim por diante. Eles já fazem isso há anos e vivem felizes, sendo que José também é chefe de uma firma construtora. Tem um casal :um rapaz adolescente que estuda e uma moça já adulta que depois se descobre namora o filho do chefe da pai dela.

       O filme não tem nada de chanchada que resultaria caso fosse brasileiro e não cai em caricatura nunca. Mostra na verdade todos com bastante carinho (sem aprofundar ou  brincar com defeitos dos portugueses - fala sim do bigode, bacalhau e o tema musical do filme é a celebre canção “Uma casa portuguesa”, aquela que diz “com certeza tem pão e vinho sobre a mesa!).

       Todos são bonzinhos e afáveis e isso nem muda quando chega a noticia que a família herdou uma rica propriedade no Porto, uma velha casa com vinhedos. O único problema é que eles têm que retornar a terra natal e não sair mais de lá sob pena de tudo ir para a Igreja.

       A dificuldade óbvia é que todos já se consideram franceses (os defeitos dos franceses são ainda menos explorados, nem a famosa irritação parisiense) e o boato de serem ricos rapidamente se espalha. Criando problemas. O suficiente para tornar esta comédia de diretor estreante em longa. simpática e agradável.


REf fim.

47 Ronin

47 Ronin (A Grande Batalha Samurai) EUA/Japão, 13. Universal. Dikreção de Carl Rinsch. 118 min.Com Keanu Reeves, Hiroyuki Sanada, Hossein Amini, Ko Shibasaki, Min Tanaka, Tadanobu Asano, Cary-Hirouki Tagawa, e Rinko Kikuchi.

      Ao custou de 150 milhões de dólares, esta aventura que a Universal rodou em Budapeste e nos estúdios de Shepperton, depois de sucessivos adiamentos estreou no fim do ano passado no Japão onde foi um retumbante fracasso (custou 175 milhões de dólares e depois nos EUA mal chegou a 35 milhões de bilheteria apesar de sair em 3D) .A Principio achei que poderia ser porque afinal de contas a historia real em que foi baseada já foi levada diversas vezes ao cinema,  houve pelo  menos outras versões famosas, sendo que a de Inagaki, Os Vingadores, de 62, e de Kon Ichikawa, 94, e ainda mais clássica de Mizoguchi, de 41 a Vingança do 47 Ronin, saíram no Brasil em DVD numa excelente edição da  Versátil.

      Na verdade é outro exemplo da soberba dos americanos em não respeitar a cultura alheia. Achando que podem mudar tudo e ficar por isso mesmo. Assim porque queriam fazer o filme com Keanu Reeves (que é mestiço de havaiano) no papel central- e que não existe na lenda original- mudaram tudo conforme seu prazer. Se tornando algo como um velho  faroeste onde um mestiço sofre por não tem pátria ate se decidir que lado tomar, ainda um pouco mais complicado porque ele convive com os fantasmas ). Como já sabemos que Keanu mesmo chegando aos 50 anos este ano, continua aquela figura impassível de sempre, não se pode esperar grandes interpretações. Mas

      Podem me explicar porque chamaram um diretor que antes fez apenas publicidade e curtas, sem a menor experiência com a cultura oriental (não conseguiu encontrar a informação mas parece que ele é britânico)? É natural que os japoneses tenham se sentido traídos, quando a maior parte da historia é em cima de um estrangeiro (Keanu), que gosta da princesa mas naturalmente não pode ficar com ele (também é recíproco o amor). Quando ela é prometida para outro senhor (era na época dos samurais que trabalhavam para senhores de feudos pequenos ou maiores) a situação vai se complicar. O chefe dos samurais ofendido em sua honra (Oishi) vai procurar vingar o seu clã e convoca o herói Kai que esta escondido entre piratas. Então obviamente você já sabe o final com sucessão de harakiris (mas quem já viu um similar japonês vai achar risível esta copia mais feita deste ritual sagrado dos samurais).

        Não digo que o diretor não tenha feita seu trabalho de casa pesquisando filmes japoneses (tem seus momentos de Kurosawa) mas não tem os momentos eletrizantes das lutas chinesas de kung fu, nem a precisão quase de balé dos japoneses.Francamente não há porque ver de novo e piorado.

        De todo o elenco a única figura que tem certo charme é a feiticeira (raposa)que é interpretada pela encantadora Rinku Kukichi que foi indicada ao Oscar por Babel ( e esteve também em Circulo de Fogo). Minto: a outra mocinha também é charmosa (Ko Shibasaki) e tem jeito de virar estrela.


Ref fim.

Oscar, ao vivo, só na TNT com Rubens Ewald Filho

Oscar, ao vivo, só na TNT com Rubens Ewald Filho

           Veja o trailer da premiação:    http://www.youtube.com/watch?v=DisioPE86AY


Fernanda Lima apresentará Oscar na Globo com um dia de atraso


Folha de S.Paulo
Marcado para o dia 2 de março, domingo de Carnaval, o Oscar, maior premiação do cinema norte-americano, não será transmitido ao vivo pela Globo como acontece tradicionalmente.

A emissora exibirá na segunda-feira (3) um especial chamado "Show do Oscar", dirigido por Luiz Gleiser, responsável pelo programa "Sai do Chão" e pelo "Criança Esperança", entre outros, e comandado por Fernanda Lima. A apresentadora tem ganhado espaço na emissora depois da repercussão internacional que alcançou por realizar os sorteios da Copa.

A Globo não confirma se transmitirá flashes da premiação durante o domingo nem informa o horário do programa na segunda-feira.

O canal de TV paga TNT transmitirá a premiação no ao vivo no dia 2 de março.

Os indicados a melhor filme são "Gravidade", de Alfonso Cuarón, "12 Anos de Escravidão", de Steve McQueen, "Trapaça", de David O. Russell, "Capitão Phillips", de Paul Greengrass; "Ela", de Spike Jonze; "Nebraska", de Alexander Payne; "O Lobo de Wall Street", de Martin Scorsese; "Clube de Compras Dallas", de Jean-Marc Vallée; e "Philomena", de Stephen Frears.

Nos EUA, a premiação será transmitida pela rede NBC e a humorista e apresentadora de TV Ellen DeGeneres comanda a premiação.

Grand Central


Grand Central (Idem). França, 12. Direção de Rebecca Zlotowski. 94 min. Com Tahar Rahim, Lea Seydoux, Olivier Gourmet, Denis Menochet, Johan Libereau, Camille Lelouche, Marie Berto. Drama romantico.California.

      O maior interesse é a presença de dois jovens atores /astros franceses do momento, a interessante Lea Seydoux (em cartaz com  ) e o ator árabe mas Frances de nascimento Tahar Rahim (revelado em O Profeta, tem uma figura simpática e esta fazendo carreira internacional em filmes como O Principe do Deserto, a Legião Perdida, o recente O Passado, e algo chamado Samba que esta sendo rodado com Omar Sy). A diretora Rebeca ( havia feito Belle épine, 10 com a própria Lea depois de experiência em roteiros e curtas). Mas o resultado é apenas mediano. Talvez curioso por situar a ação numa usina atômica, onde os operários estão sujeitos a constante perigo e contaminação. É lá que Gary Manda (Rahim) vai procurar emprego e se envolve com a namorada de um colega, com quem tem encontros furtivos. Pouco se sabe dela e menos ainda do amor. Os filmes hoje em dia explicam muito pouco dificultando a tarefa do espectador. Como vamos torcer por alguém que não conhecemos, que nos diz tão pouco e mesmo por este herói  tão perdido e sem destino. É uma exigência exagerada do espectador que fica esperando uma crise na usina ou algo maior do que simplesmente a moça resolver se casar com outro. Fraquinho. A não ser que exista gente ainda que vai ao cinema para ver os atores que curte.

Ref fim.

Trapaça


Trapaça (American Hustle) EUA, 13. Direção de David O. Russell. Com Christian Bale, Jeremy Renner, Jennifer Lawrence, Amy Adams, Bradley Cooper, Louis C.K. , Jack Huston, Michael Peña, Alessandro Nivola. 

     Vencedora do Globo de  Ouro de melhor comédia e atrizes (Amy Adams e Jennifer Lawrence como coadjuvante),  este novo filme de David O. Russell  é um sucesso de bilheteria e critica ( para um orçamento de 40 milhões de dólares, já rendeu ate agora 117 milhões só nos EUA). E uma prova da impressionante reviravolta que Russell deu ano passado com O Lado Bom da Vida (Oscar de atriz  para Jennifer, indicado como diretor e roteiro) e na verdade um pouco antes como O Vencedor (The Fighter) que deu Oscar para Christian Bale (que por sinal esta extraordinário aqui , a cena da peruca no começo é ótimo onde se revela também como engordou para o papel o que lhe valeu problemas como  hérnia de disco!).  

      Em quatro anos, deixou de ser um diretor com fama de chato e criador de caso, para evoluir como um criador de uma comédia social, critica,  que lhe valeu 10 indicações (mas tem pela frente o Alfonso Cuaron de Gravidade e o 12 anos como Escravo).

      Feito rapidamente basicamente com o mesmo elenco do filme anterior, é outro dos filmes sobre fatos reais, mais um vigarista e sua turma, só que em ação nos anos 70 (Bale), Irving Rosenfeld, que ao lado de sua parceira inglesa chamada Sidney (a sempre encantadora Amy Adams)  depois de varias trapalhadas, é forçado a trabalhar para um agente do  FBI Richie (Bradley Cooper, novamente acertando) num plano para gravar  depoimentos e comprometer mafiosos e corruptos de Nova Jersey.

      O mais interessante é que a ação se passa numa época onde parece mentira mas as pessoas se vestiam de maneira muito exótica e o filme no fundo é um thriller policial bem humorado na linha “ladrão que rouba ladrão”. Na verdade, o roteiro se inspira no caso Abscam (ou Arab Scam)  que foi ate meados dos anos 80, uma operação do FBI que começou investigando propriedades roubadas para depois expandir para incluir corrupção policial. Ia ser feito ainda nos anos 80 como Moon Over Miami mas foi cancelado com a morte de seu astro que iria ser John Belushi. 

     O segredo do diretor parece ser deixar seus atores improvisarem e como já há uma empatia entre eles, fica tudo mais fácil. Assim a briga no quarto entre Jennifer e Bale foi totalmente improvisada (e o resultado é impressionante, alias Jennifer eu acho incrível e espetacular na cena. Ainda que ganhar dois Oscars seguidos seria considerado exagerado ainda mais com Lupita também merecendo o premio). Russell justifica que o que importa para a ele não é tanto a historia mas os personagens, que estes sejam interessantes. Além disso, todos os personagens foram escritos especialmente para esse elenco!

Ref fim.

A Grande Noite


A Grande Noite. La Grand Nuit. Belgica, 12. Direção de Gustave de Kervern. 92 min. Com Benoit Poelvoorde, Albert Dupontel, Brigitte Fontaine, Areski Belkacem, Bouli Laners.

     Ganhou um Premio Especial do Júri da Mostra Un Certain Regard de Cannes, este filme difícil de classificar que é estrelado pelo comediante (outra figura esquisita) de Benoit (que ficou famoso já faz tempo por Aconteceu perto de Sua casa) e  o Frances Dupontel (de Eterno Amor e Irreversível). Não espere uma narrativa tradicional, a proposta é quase um cinema do absurdo. Basicamente é sobre dois irmãos, completamente diferentes. Um deles é Punk, com cachorro e garrafa, cabelo cortado a la mohicano,  se chama Benoit como o ator mas tem o apelido de Not. O outro é um vendedor mal sucedido, não se sabe bem porque. Ambos freqüentam a área livre de estacionamento de super mercados e tem uma suposta mãe meio maluca também. Os dois brigam, se xingam, tem comportamento bizarro que supostamente seria engraçado. O que é interrompido por tipos esparsos, que parecem refletir figuras bem típicas ou curiosas. Mas aos poucos fica claro que é daqueles que se amam ou se odeia, se embarca no possível humor ou se foge. 

     Este é o quinto longa de Benoit e o diretor Gustave (Louise-Michel e Mammuth)onde vale tudo (como cenas de vídeo de segurança mostrando o herói abordando clientes ) ate gestos desesperados (tenta se por fogo, se imolar) mas principalmente as disputas e conflitos entre irmãos. Francamente tive dificuldade de rir com o filme mas talvez alguém mais próximo da realidade da França/Belgica atual tenha melhor resultado do que eu. 

Ref fim,

Todos os Dias


Todos os Dias. Everyday. Ingl, 12.Direção de Michael Winterbottom. Com Shirley Henderson,John Simm, Shaun, Robert, Stephanie e Katrina Kirk. 106 min.

     Faz tempo que não tem maior impacto os filmes experimentais do diretor Michael Winterbottom (sexo explicito em Nove Canções, câmera múltipla durante todo o filme em Código 46) de tal forma que quando retorna a narrativa tradicional tem funcionado melhor (como em A Festa Nunca Termina). Este aqui fica na faixa mediana. Foi feito originalmente para a teve Channel 4 (que depois o distribuiu nos cinemas mas seu único premio foi indicação ao BAFTA Tv como programa de uma única camera). A idéia pode ser curiosa mas a realização é muito fraca. Mostra o relacionamento de um sujeito preso por tráfico de drogas com a esposa e os quatro filhos que sobrevivem sem ele.  A diferença é que as cenas são rodadas durante cinco anos, algumas semanas por vez. Realizado da forma tradicional, com câmera na mão, poucos diálogos audíveis ou importantes, talvez funcionasse melhor se tivesse usado amadores ou pessoas menos fotogênicas. A esposa é uma velha conhecida coadjuvante Shirley Henderson e o prisioneiro é outro ator pouco famoso John Simm. Mas ambos são banais demais para interessar e pouco sucede de interessante nem mesmo na prisão, onde não há um único incidente digno do nome. Nem brigas, nem conflitos, nem cara de bandido! Tudo fica no banal, ate porque as crianças são bonitas e simpáticas. E não se fica sabendo de nada importante que veja modificar a situação (nem mesmo o fato de que a esposa tem um flerte com outro cara). A paisagem de praias desertas, colinas verdes, tudo idílico não ajuda em nada o possível interesse. Teria sido melhor ter escolhido um caso mais grave ou ter aprofundado os relacionamentos. Aqui a busca do poético acabou por anular uma experiência que não funcionou.

Ref fim.

O Lobo de Wall Street

A Corrida para o Oscar 2014- As estréias: O Lobo de Wall Street
Rubens Ewald Filho

     Este ano esta difícil fazer previsões para os vencedores do Oscar, o que é sempre uma coisa boa. Não há um favorito, ate porque os principais lançamentos se dividiram entre os prêmios anteriores assim como os próprios atores. Houve até a surpresa de deixarem Tom Hanks de fora (na verdade, eu tinha ficado espantado com o tamanho da campanha/ lobby para ser indicado por dois filmes, o Capitão Phillips- que ficou desmoralizado nos EUA por aqui o assunto não chegou a ser explorado, quando a tripulação do navio deu entrevista dizendo que o livro é mentiroso e que o Capitão inventou um monte de coisa!). O outro é o ainda inédito aqui Walt nos Bastidores de Mary Poppins (não é titulo isso é legenda e certamente o pior que eu já vi em toda a vida! Quem sabe hoje em dia quem foi Walt? Disney claro que sim mas Walt? Bastidores seria Making of? E Mary Poppins faz pensar que se trata de musical. De qualquer forma, Hanks não convence como Disney. Mas o problema não é esse. O fato é que Hanks envelheceu e perdeu o tipo. Era querido por ser jovial, simpático, ingênuo. Ficou com cara de tio da gente. Sua interpretação em Capitão é bastante boa –embora as cenas finais dele a tortura e o papo com a medica tenham sido por demais esticadas!. Explicado isso vamos adiante.

     Os filmes do Oscar estão tendo pré-estreias oficiais antes de abrirem sexta que vem. O mais polemico é o novo trabalho de Martin Scorsese, que tem um problema óbvio: três horas de duração. E todo mundo que eu conheço reclamou disso. Foi também a razão porque não deu para terminar a montagem a tempo (que foi  feita as pressas e chegou ate a ser adiado) e ainda hoje ela tem imperfeições. Também quando foi apresentada na Academia provocou reações violentas entre os mais velhos, que ficaram chocados com as cenas repetidas de nudez (e uma sequencia gay por sinal muito falsa, posada, provocou  cortes ou proibição no Oriente). Há certa razão ao reclamar porque acho que levado pelo entusiasmo do produtor Leonardo De Caprio (hoje com a fama de sedutora de modelos) em vez de fazer uma fabula sobre a ascensão e queda dos corretores da Bolsa nos anos 80 mostrando o lado bom e mal,  preferiram se fixar no que o americano chamado de  “Debauchery”  (que não é o nosso deboche, mas Devassidão, o comportamento Devasso, sem qualquer escrúpulos no uso de drogas e abuso do sexo).

      Se classificando como comédia, O Lobo é o filme mais atrevido sexualmente do diretor, em que ele se compraz com cenas de sexo e modera a violência habitual, já que não são bem gângsteres (não verdadeiramente ousadas, mas dentro da cartilha americana de não poder mostrar muita coisa, com gente posando- lembra os antigos “tableaux vivants” da revistas de teatro, onde para burlar a censura não deixavam  ninguém se mover!). Em vez de humanizar os personagens faz com que todos eles e praticamente sem exceção sejam crianças-grandes totalmente irresponsáveis.  No consumo desenfreado de drogas (o sexo vem em segundo lugar e como deixam claro muito mal realizado, sem prazer para os envolvidos). 

      É curioso como o Lobo como alias toda a maioria dos indicados do ano são baseados ou ao menos em inspirados em fatos reais. Não magnatas das finanças, como os que provocaram a atual recessão mas exploradores de classe média, que roubaram e enganaram os mais ingênuos (e por isso minha relutância em ver uma celebração do vigarista, do corrupto, ate porque o castigo não vem a cavalo nem na medida certa).

      Di Caprio esta enérgico e carismático no papel de Jordan Belfort, que escreveu o livro original e Terence Winter (criador da Família Soprano e Boardwalk Empire) que o roteirizou como uma grande farsa, um grande apronto. Por isso que me pareceu que Scorsese ficou fascinado pelo pecado (ele é católico ainda) e devassidão, sem que isso o impeça de ter momentos divertidos e criativos (como quando De Caprio bate no seu carro com o filho a bordo) e mantenha sua habitual mão para escolher elenco. Minha favorita é a australiana Margot Robbie, que faz a mulher de Di Caprio e que eu tinha notado antes no recente “Questão de Tempo” (era de parar o transito como se dizia, como a primeira namoradinha do herói). Esta loira esplendida além de tudo é boa atriz e promete virar estrela. Mas não é só, quem aparece no começo do filme numa ponta marcante e que pode criar escola (com o bater no peito) é Matthew McConaughey, demonstrando que este é mesmo seu ano! Jonah Hill acabou se tornando um ator característico criador de tipos fortes ainda que sem qualquer caráter assim como vários diretores aparecem  como atores (Jon Favreau, Rob Reiner) assim como o famigerado Jean Dujardin (como era esperado se repetindo). 

     Não posso negar, porém que o publico em especial o masculino se diverte com o filme,  rindo muito e o tornando um êxito de bilheteria (91 milhões de dólares apenas nos EUA para um orçamento de 100). Não acredito porém que a Academia embarque nesta. 

Ref fim.              

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A Fita Azul

A Fita Azul (Electrick Children) EUA,12. 93 min. Direção e roteiro de Rebecca  Thomas.mCom Julia Garner,  Liam Aiken, Rory Culkin, Bill Sage, Billy Zane.

     Não entendo muito o critério de importação de filmes independentes americanos com este, que chegou a ficar como indicado a revelação de diretora no Independente Spirit, foi melhor atriz em Bombaim,  e outros lugares pequenos . Essa atriz Julia Garner (loira e adorável) fez antes As Vantagens de ser Invisível e Martha Mary Marcy Marlene. E a diretora é a estreante em longa.

     Escolheu para contar uma historia misteriosa, sobre o Divino Espírito Santo, que deixa num meio termo, nem explica, nem critica, nem explora direito. É sobre uma garota que vive com a família  numa comunidade muito religiosa, Mormons fanáticos liderada pelo pai (Zane coitado que desde Titanic nada mais que prestasse) . Quando se vê grávida também houve rock pela primeira vez e se apaixona pela canção, fugindo de casa com um irmão  (acusado injustamente de incesto) e vão parar logo em Las  Vegas cidadezinha onde se envolvem com músicos de rock e skateboard. A cidade é mostrada sem cair em clichês e a tal canção é Hanging on the Telephone de Jack Lee e Blondie. Termina sem acusar ninguém, num meio termo irritante. 

Ref

O Globo de Ouro de cinema e seus favoritos.

O Globo de Ouro de cinema e seus favoritos. 

     Escrevo sem ter assistido ainda todos os filmes indicados ao premio Globo de Ouro, que vai acontecer neste domingo dia 11 de janeiro, quando serão apresentados os vencedores desse premio, que depois do venerável Oscar é o mais popular e prestigiado. As mestres de cerimônia  serão novamente as ótimas Tina Fey e Amy Poehler. Este ano novamente estarei transmitindo pela TNT, diretamente de Atlanta, a festa do Golden Globe (na semana seguinte teremos o premio do SAG, que também comentarei pela mesma TNT). 

     Na verdade, estou neste momento em Los Angeles e logo mais no estudio em Atlanta, onde justamente minha missão será comentar esses filmes, divididos em comédia e drama (já completei a visão dos produzidos para a teve). 

       Ate agora tudo indica que o grande favorito é o filme “12 anos como Escravo”, que tem sido saudado como maior evento do ano. Na verdade, ele faz parte de um ciclo de filmes sobre negros sem duvida provocado pelo governo Obama e suas conseqüências (ainda assim o presidente não teve um bom ano e sua popularidade anda comprometida). Esse projeto foi produzido por Brad Pitt (que faz papel pequeno) e dirigido pelo negro Steve McQueen (já se sabe que não é o astro falecido mas homônimo que dirigiu antes Shame com seu ator preferido Michael Fassbender que também concorre como coadjuvante). Não é um filme fácil pela própria temática real: um negro liberto é sequestrado e levado como escravo. Ninguém acredita nele e por isso sofre o diabo em torturas e sofrimento, ate finalmente se reabilitar. É uma chance muito grande para o ator britânico de pais nigerianos Chiwetel Ejiofor (muito competente, foi indicado antes antes para o Globo de Ouro de televisão com Tsunami,Kinky Boots, Endgame, Dancing on the Edge (este ano) e este filme. Parece o favorito mas não está só. Concorre com outro grande britânico, Idris Elba que tem historia parecida é britânico de Sierra Leone, foi indicado pela ótima serie de teve Luther e ganhou por ela em 2012). Idris Elba embora não se pareça fisicamente com Mandela, esta convincente na biografia essa sim convencional chamada “Mandela: Long Walk to Freedom” muito ajudada porque o biografado faleceu recentemente.

      Houve dois outros atores que pareciam ter chance de premiação mas ficaram fora da lista, o vencedor do Oscar Forest Whitaker por “O Mordomo da Casa Branca” (já visto e fracassado no Brasil) e um rapaz talentoso chamado Michael B. Jordan (não o jogador de basquete) que estrela “Fruitvale Station: A Ultima Parada”, que é um drama de denuncia sobre a policia matando rapaz negro de 22 anos sem qualquer motivo (na  Bay Area). O novo Jordan é veterano desde criança e tem a simpatia e presença agradável para segurar o filme. Ganhou premio em Cannes, Sundance, Gotham e indicado ao Independent Spirit.  

      Enfim, os dois britânicos enfrentam Tom Hanks (em nome de quem foi feita a maior campanha promocional que vi em anos, seu trabalho é apenas bom), Robert Redford (pelo filme que ninguém quer ver, um solo dele chamado All is Lost, e Matthew McConaughey como portador de Aids em Dallas Buyers Club. Ou seja todos são fortes candidatos.

      Ao contrario do Globo feminino como drama tudo indica que a favorita  era e continua a ser Cate Blanchett, magnífica como sempre em Blue Jasmine de Woody Allen. Ela enfrenta Judi Dench por Philomena (muito querida, em papel também muito simpático), Sandra Bullock (Gravidade), Emma Thompson por Walt nos Bastidores de Mary Poppins, ela sempre legal mas o personagem é de megera que se rende ao final, não acredito que embarquem nela. E pouca gente fala bem da comédia “Labor Day” de Jason Reitman que qualificou Kate Winslet  (como mãe solteira que da carona a fugitivo ferido, o chato do Josh Brolin).  

       A categoria comédia é sempre mais fraca.  Como atriz, temos a queridinha Amy Adams, que esta perseguindo prêmios faz tempo, esta é sua quinta indicação (agora por American Hustle/Trapaça), a francesa Julie Delpy  por Antes da Meia Noite (não tem chance teoricamente mas é simpático lembrarem dela e indicarem), Greta Gerwig por Frances He (mesmo aqui ela enganou muita gente, mas ainda resisto a seus possíveis encantos), Julia Louis Dreyfuss (por à Procura do Amor/Enough Said, mas por que deixaram de fora James Gandolfini???Injusto) e a inevitável Meryl Streep por Álbum de Família (será que é comédia mesmo?). Duvidoso. O resultado fica em aberto.

     Dentre os atores : Christian Bale por Trapaça, Bruce Dern por Nebraska (pela justiça seria ele que já esta velho e no papel de sua vida!), Leonardo Di Caprio por O Lobo de Wall Street (que tem causado polemica porque o filme parece comprazer mais do que criticar os biografados), Joaquin Phoenix em Ela (um chato mas é bom ator e num grande roteiro) e  o ótimo Oscar Isaac por Inside Lllewellyn Davis. Outra boa disputa.

       A Animação deve ser mesmo Frozen (em cartaz) mas filme estrangeiro é concorrido. Eu gosto de Azul é a Cor mais Quente, adoro A Grande Beleza da Itália respeito “A Caça”,  da Dinamarca, não curto “O Passado” do Irã (mas feito na França) e não conheço a animação japonesa “The Wind Rises” do mestre Miyazaki.  

      Coadjuvantes Feminino : Não seria divertido se Jennifer Lawrence ganhasse de novo, agora como coadjuvante e por Trapaça? Como fã da moça eu acharia o máximo. Tem chance porque muitas estão lá para constar Julia Roberts (Album de Familia) , Sally Hawkins (Blue Jasmine), não vi June Squibb (Nebraska) então sua oposição seria a jovem negra Lupita Nyongó (Por 12 anos). 

      Dentre os homens, o favorito parece ser Jared Leto por Dallas Buyers Club (ele faz um transexual)  ao lado do alemão e simpático Daniel Bruhl (Rush), o estreante e convincente bandido Barkhad Abdi (Capitão Phillips). Bradley Cooper (Trapaça) e Michael Fassbender (12 anos, que achei que passou do limite mas vi o filme é más condições e vou revê-lo).

     Dos grandes falta diretor e filme, que estão entrelaçados. Não sou capaz ainda de dizer qual o favorito. Todos são bons, O Lobo de Wall Street do mestre Scorsese, “Inside” dos Irmãos Coen, outros mestres, Nebraska (em preto e branco) do grande  Alexander Payne, Her /Ela de Spike Jonze (Quero ser John Malkovich, Adaptação) e ainda o vencedor do ano passado Russell agora com Trapaça! Não se pode dar um premio coletivo?

     No mínimo, este ano não parece previsível. Não é isso que se pede de uma premiação?

Fim.

Ninfomaníaca Volume I

Ninfomaníaca  Volume I (Mymphomaniac). Dinamarca, 14. Direção de Lars Von Trier. 122m in. Com Charlotte  Gainsbourg, Stellan Skasgaard, Shia LeBoeuf, Stacy Martin, Christian Slater, Jamie Bell, Uma Thurman, Willem Dafoe, Connie Nielsen, Jean-Marc Barr, Udo Kier. 

      É muito frustrante se ver logo no letreiro inicial que esta não é a versão autorizada por Von Trier (que será apresentada em Berlim, no Festival, com sua metragem de 5 horas e meia) mas uma outra que ele não aprova mas não renega (!!!)  e que em breve terá a parte II desta versão (alias o break tem um gancho bem interessante,embora a perspectiva de ter que assistir o filme outras vezes já por si apavora. Diz a distribuidora que a versão longa também passara aqui ). Seria a parte final da Trilogia da Depressão da  qual fazem partes incluindo Anticristo (09) e Melancolia (11), ambos cm Charlotte. 

      Desta vez não há desculpas existenciais ou metafísicas ou políticas. É um filme sobre sexo, ou seja, o que no fundo ele sempre quis fazer (já teve um que tinha ceninhas, que eu achava horrível que foi o   Os Idiotas (98). E pelo numero de jornalistas que correram para a pré estréia, o velho e bom sexo ainda é uma fonte de atração de bilheteria. Mesmo quando a estrela do filme é a mulher mais feia do cinema e que parece ter orgulho disso. Alias também é tão boa atriz que por vezes faz a gente esquecer isso, Charlotte, filha de Jane Birkin e do compositor Serge Gainsbourg (saiu ao pai e não a bela mãe).

      Em geral, Trier gosta de ficar interrompendo seus filmes com teorias filosóficas ou científicas (aqui fala um pouco de Bach)  mas desta vez estamos focados demais no que poderia ser sensual.  Porque ele joga pistas falsas (Christian Slater que faz o pai da heroína, provavelmente substituído por um duble de corpo aparece nos domínios da escatologia, doente, com os enfermeiros limpando as fezes da cama). Será mesmo de Shia o órgão sexual mostrado em detalhe numa cena de sexo?

       Não espere respostas também sobre o tema. Charlotte seria a Ninfomaníaca, Joe, já com 50 anos, que ao aparecer cansada e machucada, caindo no chão, afirma: sou apenas um ser humano mal. Ela é atendida por um homem mais velho (Stellan). Recusando ajuda ele relata sua vida onde a importrancia é sempre o sexo. Cada filme tem quarto capitulos e o Primeiro se chamado The Compleat Angler,  tirado do livro de Izaak Walton (sobre pescaria como analogia as conquistas).  A muito magra Stacy Martin em flash backs faz o personagem jovem que perde a virgindade aos 15 anos para um ingles (Shia) mais interessado em motocicletas. Uma amiga (Sophia Kennedy Clark) a provoca para uma espécie de desafio, ao tentarem conquistar homens em trens. Ainda assim Joe diz que doeu tanto que não quer mais fazer sexo.Amor para ela seria apenas “desejo com acréscimo de ciúme”), recusa dormir com um homem mais de uma vez (e a passagem deles é ilustrada por fotos de penises). Acontece então uma cena curta onde brilha Uma Thurman como uma mulher casada e enganada, que Nicole Kidman Iria fazer). Ate Seligman que  escuta as confissões comenta que ela conta tudo de forma negativa (vergonha, solitário) sem indicação de que o sexo a faz feliz. Não há também o mito do Don Juan feminino, o prazer da conquista, da manipulação, do jogo. Ou alegria de viver. 

     Não chega a ser cansativo mas tampouco revelador. Não foi mostrada a segunda parte mas o que lemos a respeito também não revela muito. O que eu senti mais falta era que principalmente Melancolia era um filme muito bonito, com imagens inesquecíveis. Aqui é um filme triste e feio.

Ref fim.

Virginia

Virginia (Twixt )EUA, 12. Direção de Francis Ford Coppola. 88 min. Com  Val Kilmer, Bruce Dern, Elle Fanning, B em Chaplin, Joanne Whalley,  David Paymer, Anthony Fusco, Aiden Ehrenreich.

      Difícil entender a cabeça de Coppola, que insiste em fazer filmes pequenos e independentes, financiados por ele mesmo, que tem sido horríveis fracassos de tudo. Depois de Velha Juventude (07), e Tetro (09), dois enormes vexames ele insiste desta vez fazendo um filme de terror banal, que chega ao cumulo de ressuscitar a figura do poeta Edgtar Allen Poe (vivido pelo inglês Chaplin, que nada tem a ver com o lendário Carlitos).

       Chega a ser risível a escolha de Val Kilmer (e ainda mais sua ex-mulher e parceira Joanne como coadjuvante, depois de ter virado matrona) para o papel de protagonista. Ele engordou demais ficou com cara de lua cheia e faz um alcoólatra, um escritor de filmes de terror que viaja pelo interior assinando seus trabalhos o que o leva a uma cidadezinha onde lhe falam da morte de uma pré adolescente. O filme ate que consegue alguma coisa no visual com o efeito fazendo os fantasmas aparecerem embranquecidos contra o fundo negro da noite. Até que não é mal ainda que vai ficando cada vez mais obvio, quando surge Poe pedindo justiça e reparações.   

      Dizem que Coppola fez o filme como pesquisa, já que sua proposta era que fosse um exercício de edição ao vivo. Utilizando inovadora tecnologia de montagem. Ele seria uma especie de condutor /maestro a cada exibição do filme aumentando ou encurtando a duração das cenas,  ate mudando elementos da trama dependendo da reação da platéia.  A experiência causou atraso no lançamento do filme ate quando Coppola teve que fazer uma única e definitiva finalização do filme. Era claro porém que era loucura do maestro e isso nunca funcionaria!!!

      Sem a “mágica”, a experiência deixa de existir e o filme não se distingue muito de dezenas de outros.

Ref fim.

Confissões de Adolescente

Confissões de Adolescente. Brasil, 14. Direção de Daniel Filho e Chris D´Amato. Com Sophia Abraão, Nina Albuquerque, Ana Vitoria Bastos, Hugo Bonemer, Dida Camero, Tammy De Calafiori, Cassio Gabus Mendes, Thiago Lacerda, Maria Mariana, Deborah Secco, Caio Castro.

      Daniel Filho sempre teve uma relação apaixonada pela obra homônima de Maria Mariana que em sua época foi ate ousada e pioneira, mostrando os problemas das meninas adolescentes pelo ponto de vista delas mesmas (é filha do ótimo Domingos de Oliveira). Entre 1994 e 96, chegou ao extremo de sair da TV Globo para produzir e dirigir a serie de teve Confissões de Adolescente ( com Mariana, Georgiana Goes, Daniele Valente e Deborah Secco,  alias todas elas fazendo pontas agora como mães).

     Inclusive com a ousadia de rodar tudo em película, já que o video-tape da época (com que eram feitas as series estragam fácil e não tinham resistência ao tempo). Embora continue simpático, oportuno e divertido, o filme parece querer ficar num meio termo, sem cair em porno-chanchada mas prejudicado pela passagem do tempo, já que sem duvida as coisas mudaram em duas décadas. Nem sempre para melhor. Sem querer perder seu publico teen, as discussões fogem do melodrama com pais compreensivos (a única figura central adulta é a do sempre bom Cássio Gabus Mendes, pai das quatro meninas, lutando com a falta de dinheiro para sustentá-las direito . Mas falta o contraste da incompreensão, da maior pobreza, dos problemas do aborto, enfim, resulta tudo muito superficial. As adolescentes de hoje são menos espertas e mais tontas do que o filme insiste em mostrá-las.

Ref fim.

Frozen, uma Aventura Congelante

Frozen, uma Aventura Congelante (Frozen) EUA, 13. Direção de Chris Buck, Jennifer Lee. 102 min. Com vozes de Josh Gad, Idina Menzel, Kristen Bell, Jonathan Groff, Santino Fontana, Alan Tudyk. 

      Este não foi um ano bom para  a animação com o visível desgaste da Pixar (que vem  perdendo o brilho com fracas continuações), coisa que tem sucedido também com as outras produtoras (os outros indicados com Frozen, para o Globo de Ouro foram Croods e Meu Malvado Favorito 2, do qual naturalmente este é o melhor. Foi ainda indicado como melhor canção, Let it Go de Kristen Anderson-Lopez, Robert Lopes). 

      Esta nova produção Disney esteve muitos anos em desenvolvimento- desde 2002-  já que é inspirada na historieta clássica do grande escritor infantil Hans Christian Andersen Snow Queen (o mesmo de Pequena Sereia, Sapatinhos Vermelhos e muitos outros). Ele se inscreve bem na tradição das princesas com quem o estúdio tem se dado muito bem ultimamente .Também é a primeira animação dirigida por uma mulher Jennifer Lee (que se formou como roteirista do estúdio e acertou com Detona Ralph) enquanto o parceiro Buck depois de se formar na Disney, com Tarzan, dirigiu sozinho o divertido Tá Dando Onda (07). Mas é certamente o melhor dos filmes recentes da Disney, já que os realizadores trouxeram uma nova maneira de narrar, envolvendo mais os personagens, nos aproximando das canções (embora se pareça mais Broadway a movimentação ajuda a dramatizar a historia. 

      Tem muito detalhe para comentar: a pontinha de Rapunzel e Eugene de Enrolados (quando abrem os portões, a esquerda, durante For the First time in Forever), originalmente Elsa iria ser a vilã da historia mas depois de ouvirem a canção Let it Go acharam ela muito positiva demais para bandida!Assim virou uma inocente isolada alarmada por seus poderes.   

      O nome mais famoso do elenco é Idina Menzel, que ficou famosa na Broadway com Rent, depois Wicked e como uma vilã em Encantada. Testou para Enrolados e o mesmo teste foi usado para usá-la aqui. Ela afirma que o filme é feminista e tem o mérito de mostrar a amizade entre as irmãs . 

      Os cuidados da produção incluíram trazer uma rena ao estúdio para servir de modelo para Sven. Passar uma temporada na neve, estudando todos os efeitos e principalmente na Noruega, cujos fjords serviram de modelo para a ambientação.A dança com gaivotas é para lembrar a dos quatro pingüins em Mary Poppins.  O desenho de produção de Michael Giaimo é inspirado em outros desenhos da Disney, como Cinderela, Peter Pan e A Bela Adormecida. E segundo ele mesmo afirma nos filmes de Jack Cardiff (Narciso Negro) e até Noviça Rebelde  . Outro detalhe importante: este é o primeiro filme da Disney de animação feito em Cinemascope (ou seja Widescreen), desde A Dama e o Vagabundo (fora Disney, o mais recente foi Titan,2000).  Não foi realizado pelo velho sistema de quadro a quadro mas pelo formato digital de computadores.

     Esses detalhes acho que ajudam a explicar o cuidado com que foi realizado o filme que na verdade só se justificam porque eles deram certo. Fazer um filme é sempre um tiro no escuro ainda mais animação que leva anos em produção e custa uma fortuna (150 milhões de dólares a renda ate o momento em que escrevo esta 248 milhões!). Frozen é o melhor Disney em alguns anos. 

Ref fim.