terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A menina que roubava livros

A menina que roubava livros (The Book Thief, EUA, 2013), de Brian Percival Fox. Drama. Com Geoffrey Rush, Emily Watson, Sophie Nélisse, Nico Liersch,  Ben Schnetzer, Kirsten Block , Roger Allan (o narrador). 131 min. Roteiro de Michael Petroni baseado em Livro de Markus Zusak.cotação: dois

      Este foi dos poucos filmes que estava previsto para o Oscar e se perdeu num mundaréu de criticas negativas e falta de interesse do publico. Mas ainda assim conseguiu ter indicações para o Globo de Ouro e o Oscar de trilha musical, porque ela foi feita pelo ícone/monumento John Williams (que mesmo assim não está na sua melhor forma). 

       Difícil dizer quem pode ser o responsável pelo fracasso (20 milhões de renda nos EUA) mas a tentação é culpar o diretor Percival que foi chamado por que dirigiu alguns dos episódios do super sucesso Downtown Abbey (erraram os produtores porque na verdade o roteirista de Abbey que é responsável pelo seu êxito). Mas como realização de orçamento médio não faz nada de muito errado. Confesso o que me provocou maior estranheza foi quando no meio, depois de seguir toda narrativa que é conduzida por uma voz masculina descobrir que é a própria morte! E não é filme de terror mas de holocausto , será que por isso que achei que era uma solução de mau gosto? Pode ser mas foi isso que inconscientemente me afastou do filme que já não era muito original. Mas dava para seguir. Ainda assim o livro escrito por australiano foi Best-seller e conseguiu fugir de muitos clichês do gênero. Ainda assim é preciso lembrar que a morte ao se apresentar no começo já vem dizendo uma verdade que poucos querem ouvir: Aqui temos um pequeno fato:Você irá morrer! 

       É engraçado que o filme por si só não explica muito, já age como se o publico fosse informado sobre esse tipo de historia. Assim acompanhamos Liesel uma garota loirinha e bonitinha (a canadense Sophie Nélisse que esteve em Monsieur Lazhar O que Traz boas Novas) que se refugia na casa de um casal que vive na pequena cidade de Mulching, perto de Munich e a caminho de Dachau.Mal Sabemos que o pai dela eram comunistas e o  irmão mais novo morreu a caminho dali.  Obviamente esta fugindo da fúria nazista que mesmo assim esta próxima (e o titulo vem porque eles realizaram uma das daquelas fogueiras de livro e ela não resistiu e roubou um deles). O pai adotivo é Geoffrey Rush, discreto e a mãe, que parece má humorada mas tem bom coração é Emily Watson. Esse livro e outros que consegue na mansão de um oficial nazista ela compartilha com outros que vivem na casa. A principio nem sabia ler mas aprende e passa a ler para os outros e finalmente esta escrevendo sobre si mesma. Aos 14 anos. Consciente de que ler é ter poder. 

       No entanto, algo saiu errado com o filme que não vibra, não chega a emocionar especialmente, nem tem grandes momentos de interpretação. 

Ref fim.

6 comentários:

  1. Com grande pesar observo que não entendeste a história retratada neste filme. Primeiramente há equívocos claros de interpretação, sendo o primeiro deles, ainda que não menos importante, entender este filme como um filme sobre Holocausto. Ora, este não é nem mesmo um filme sobre Segunda Guerra, que dirá sobre Holocausto. A confusão é compreensível, porém inaceitável. O filme se passa durante a Segunda Guerra, mas não a tem como trama principal. É tão somente o plano de fundo da trama. Vou além, os elementos do filme funcionariam de forma idêntica em qualquer outro cenário de segregação, perseguição e miséria.

    Longe de ser um filme Histórico com pretensão de mostrar acontecimentos de grande impacto, a trama trata de pessoas ordinárias que vivem em uma circunstância extraordinária. Pessoas essas que, por fim, destacam-se por sua bondade e bravura resiliente. Trata-se, na verdade, da perspectiva da Morte sobre a condição humana. Morte esta que apresenta-se logo de início e, tal como exposto no início do filme, interessou-se pela vida de Liesel quando da morte de seu irmão, acompanhando-a de perto desde então. O filme todo é narrado pela Morte sobre sua perspectiva da vida da protagonista.

    Logo de início, ainda que por dispositivos distintos, a protagonista perde tanto sua mãe como seu irmão, indo parar em um lar adotivo. Uma vez adaptada à nova realidade, começa a apegar-se à nova família. Uma das cenas mais emblemáticas do filme ocorre neste ponto. Hans, um semi-analfabeto, ensina a filha adotiva a ler e escrever. Por não ter como comprar-lhe material adequado, cria um dicionário na parede do porão onde Liesel poderia acrescentar novas palvavras conforme as aprendesse. A protagonista, de imediato, apega-se à leitura como válvula de escape tanto para si quanto àqueles a sua volta. Esta acaba por ser sua grande motivação ao roubar livros na casa do prefeito.

    Note que, em um ambiente de extrema miséria, seria muito mais sensato roubar comida. No entanto, mais que fome por comida, as pessoas tinham fome por esperança. Esperança essa que a protagonista nunca perdeu, ainda que, sucessivamente, perdesse tudo e todos que amava. Ao invés de amargurar-se pelas tragédias de sua vida e conformar-se com o status quo luta com mais intensidade por seus ideais. A Morte, por fim, conta-nos que a protagonista tornara-se escritora, formara uma família e encontrara a felicidade. Aos 90 anos morre de forma pacífica tendo vivido a vida de forma plena e sábia.

    A vida é curta e não faz qualquer promessa. A qualquer momento podemos perder as coisas e pessoas que amamos. Devemos, por este motivo, usar o pouco tempo que temos para viver sem arrependimentos da melhor maneira que pudermos. Esta é a mensagem final! E, apesar de parecer clichê, foi exibida de forma magistral.

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  2. Daniel, parabéns pela brilhante crítica da crítica. O autor da crítica realmente atrapalhou-se bastante. Assisti e me emocionei. E vi muitas outras pessoas emocionadas também. O filme não é sobre a 2a Guerra nem sobre nazismo e nem sobre holocausto. É sobre uma menina atirada pelo destino naquelas condições infames. Sobre pessoas comuns que, não obstante a pressão da guerra e dos nazistas, não obstante a presença acintosa da morte, lutaram como podiam. Pessoas que nem mesmo entendiam direito o momento histórico, mas ainda assim tiveram coragem de não se renderem a ideologia nazista sanguinária, desumana e preconceituosa.

    Eu não tive problema algum com o fato de a Morte ser narradora da história. Não necessariamente isto se aplicaria apenas a filmes de terror. Até mesmo uma comédia poderia lançar mão deste recurso e sair-se bem. Tudo é questão de fazer bem feito. No caso do filme ficou ótimo. Finalizando, só uma curiosidade: O crítico afirma que a solução é de mau gosto e isto o levou a, inconscientemente, afastar-se do filme. Como ele percebeu? Não importa, o fato é que realmente ele afastou-se bastante. Tanto que, por vezes, conscientemente até me perguntei se assistimos o mesmo filme.

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    1. Jorge Braga, também emocionei-me bastante ao ver esse filme. Efeito este, diga-se de passagem, que poucos filmes proporcionaram. Foi, portanto, com enorme perplexidade que li esta e tantas outras críticas negativas a respeito do filme. Críticas essas sem embasamento algum; feitas por críticos com uma visão enviesada sobre o filme. Na tentativa excessiva de compartimentar o filme dentro de um rótulo, esquecem-se de prestar atenção ao filme. E, ironicamente, acabam por criticar de forma clichê.

      É bom ver que ainda há pessoas inteligentes e sensíveis o suficiente para enxergar além do lugar comum... ainda que haja tantas outras incapazes. Sinceramente, espero que o crítico sensibilize-se por nossos comentários e dê uma segunda chance ao filme. Afinal, por padrão, somos todos ignorantes. A burrice reside na intenção em permanecer ignorante.

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    2. Já li e me emocionei muito com o livro, estou ansiosa para assitir ao filme.

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  3. Muito bons os comentários. Ele realmente não soube entender o que o filme mostra.

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  4. Sou leitora ávida de grandes romances, embarquei no livro por indicação e me arrependi. Li a duras penas, foi árdua a jornada por uma narrativa tão cheia de cortes e muito óbvia, não consegui em momento nenhum me emocionar com a história da Liesel. Por este mesmo motivo não tive qualquer interesse no filme, mas mesmo assim o verei quem sabe o vendo sem expectativas alguma possa ser surpreendente.

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