terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Como Não Perder Essa Mulher

Como Não Perder Essa Mulher  (Don Jon). EUA, 13. Direção e  roteiro de Joseph Gordon Levitt. Com Joseph Gordon Levitt, Scarlett Johansson, Julianne Moore, Tony Danza, Glenne Headley, Brie Larson, Anne Hathaway,Channing Tatum, Cuba Gooding Jr, Meagan Good.

      Quem quer que tenha sido o  orientador da carreira deste rapaz chamado Gordon Levitt fez um bom trabalho. Ele é neto do diretor Michael Gordon (Confidencias a Meia Noite com Doris Day e Rock Hudson), que foi perseguido pela Caça as Bruxas. Começou como ator infantil, depois conseguiu ser fixo num sitcom de sucesso (3rd Rock from the Sun, 96-2001). Foi estudar em Nova York na Universidade de Columbia e aos poucos começou a fazer papeis pequenos em filmes grandes e estrelar produções independentes, em papeis de assassino ou gay ou qualquer coisa polemica que passaram a  lhe dar reputação de ser cool e transado. Na verdade, não é nada especial. Não é bonito, não é forte, alto ou grande ator. Pouco expressivo, foi uma decepção como o recente e disfarçado Robin do Cavaleiro das Trevas. Mas nem por isso deixou de ser  prestigiado e cultuado como um astro jovem (32 anos) que agora se pode mesmo dar ao luxo de dirigir um filme Classe A (ou B menos).Co-estrelado pela bela e igualmente prestigiada Scarlett Johansson. 

       O titulo nacional não dá uma idéia correta do que se trata o filme, não é uma comédia romântica com tantas outras, não apenas porque lhe falte um “centro”, um ator forte o suficiente para justificar um personagem pouco simpático e que Levitt  deixa apenas enigmático. Rodado por apenas 6 milhões de dólares, rendeu 22 milhões, ou seja foi lucrativo ainda que não tenha tido boa repercussão. Não que já tenham descoberto que ele é uma fraude, simplesmente afastou o publico feminino que não gosta de pornografia (outros sobre o tema como “Lovelace” foram igualmente mal falados) sem agradar tampouco os que são viciados ou especializados nessa indústria. O titulo original parece se referir de forma irônica a figura do Don Juan, o grande conquistador de mulheres. O problema do protagonista é outro. Jon (Levitt) é obcecado por sexo, só pensa isso, só gosta de fazer isso. Mora em New Jersey,é muito católico (e se confessa com freqüência no filme), gosta da família (Tony Danza faz o pai dele em papel totalmente mal desenvolvido, alias com tudo no roteiro)  mas só é feliz mesmo se masturbando diante da pornografia que  consome de forma delirante (chega ao cumulo de depois de concluída a relação sexual com uma mulher partir para o lap top para se masturbar).  Depois de nos apresentar Jon após alguma ligações mal sucedidas com belas mulheres, ele finalmente se esforça para tentar conquistar a mais bela delas, Barbara (Scarlett) mas nem assim é capaz de se conter (e a moça descobre o monstro que ele esconde). E quando isso não dá certo, o script arranja um jeito de colocar no caminho dele uma mulher mais velha, que tem uma sequencia de romances infelizes mas com quem ele se diverte sexualmente (o papel pasmem é de Julianne Moore, que passando os cinquenta e apesar da pele delicada de ruiva, ainda esta um bela mulher e convence inteiramente num papel extremamente mal desenvolvido).

       No final das contas, é impossível gostar de Jon, mesmo quando o diretor não o julga nem o aprofunda (nem o psicanalisa). Nem sua obsessão sexual. Limita-se a ilustrar sua aventura, com muito ritmo, direção ágil, apontando o problema mas nunca resolvendo-o ou sequer discutindo-o. E o pior,  fazendo um drama que não da certo disfarçado de comedia romântica. Shane que de certa maneira abordava o mesmo tema foi melhor e mais interessante.  

Ref fim.  

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