Quem quer que tenha sido o orientador da carreira deste rapaz chamado Gordon Levitt fez um bom trabalho. Ele é neto do diretor Michael Gordon (Confidencias a Meia Noite com Doris Day e Rock Hudson), que foi perseguido pela Caça as Bruxas. Começou como ator infantil, depois conseguiu ser fixo num sitcom de sucesso (3rd Rock from the Sun, 96-2001). Foi estudar em Nova York na Universidade de Columbia e aos poucos começou a fazer papeis pequenos em filmes grandes e estrelar produções independentes, em papeis de assassino ou gay ou qualquer coisa polemica que passaram a lhe dar reputação de ser cool e transado. Na verdade, não é nada especial. Não é bonito, não é forte, alto ou grande ator. Pouco expressivo, foi uma decepção como o recente e disfarçado Robin do Cavaleiro das Trevas. Mas nem por isso deixou de ser prestigiado e cultuado como um astro jovem (32 anos) que agora se pode mesmo dar ao luxo de dirigir um filme Classe A (ou B menos).Co-estrelado pela bela e igualmente prestigiada Scarlett Johansson.
O titulo nacional não dá uma idéia correta do que se trata o filme, não é uma comédia romântica com tantas outras, não apenas porque lhe falte um “centro”, um ator forte o suficiente para justificar um personagem pouco simpático e que Levitt deixa apenas enigmático. Rodado por apenas 6 milhões de dólares, rendeu 22 milhões, ou seja foi lucrativo ainda que não tenha tido boa repercussão. Não que já tenham descoberto que ele é uma fraude, simplesmente afastou o publico feminino que não gosta de pornografia (outros sobre o tema como “Lovelace” foram igualmente mal falados) sem agradar tampouco os que são viciados ou especializados nessa indústria. O titulo original parece se referir de forma irônica a figura do Don Juan, o grande conquistador de mulheres. O problema do protagonista é outro. Jon (Levitt) é obcecado por sexo, só pensa isso, só gosta de fazer isso. Mora em New Jersey,é muito católico (e se confessa com freqüência no filme), gosta da família (Tony Danza faz o pai dele em papel totalmente mal desenvolvido, alias com tudo no roteiro) mas só é feliz mesmo se masturbando diante da pornografia que consome de forma delirante (chega ao cumulo de depois de concluída a relação sexual com uma mulher partir para o lap top para se masturbar). Depois de nos apresentar Jon após alguma ligações mal sucedidas com belas mulheres, ele finalmente se esforça para tentar conquistar a mais bela delas, Barbara (Scarlett) mas nem assim é capaz de se conter (e a moça descobre o monstro que ele esconde). E quando isso não dá certo, o script arranja um jeito de colocar no caminho dele uma mulher mais velha, que tem uma sequencia de romances infelizes mas com quem ele se diverte sexualmente (o papel pasmem é de Julianne Moore, que passando os cinquenta e apesar da pele delicada de ruiva, ainda esta um bela mulher e convence inteiramente num papel extremamente mal desenvolvido).
No final das contas, é impossível gostar de Jon, mesmo quando o diretor não o julga nem o aprofunda (nem o psicanalisa). Nem sua obsessão sexual. Limita-se a ilustrar sua aventura, com muito ritmo, direção ágil, apontando o problema mas nunca resolvendo-o ou sequer discutindo-o. E o pior, fazendo um drama que não da certo disfarçado de comedia romântica. Shane que de certa maneira abordava o mesmo tema foi melhor e mais interessante.
Ref fim.


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