Além da Fronteira (Out in the Dark) Israel, 12. Direção de Michael Mayer .96 min. Roteiro de Michael Mayer, Yael Shafir. Com Nicholas Jacob, Michael Aloni, Jamil Khoury, Alon Pdut, Loai Noh.
Tem sido surpreendente a posição liberal de Israel em relação aos direitos dos homossexuais, demonstrado em alguns filmes recentes e principalmente neste dramático e contundente filme de diretor estreante em longa Michael Mayer. Ganhou os Festivais de Haifa, Guadalajara, Miami, Nashville, Filadélfia,Rochester, San Francisco, Torino, Toronto.
Uma variante do eterno Romeu e Julieta, conta-se a historia de um rapaz palestino, Nimir (o estreante Jacob) que tem problemas com sua família que nem pode saber de sua orientação sexual. De vez em quando ele consegue cruzar a fronteira e vai a alguma boate gay correndo risco de vida. Numa dessas vezes conhece um simpático e atraente advogado Roy (Michael Aloni, que lembra o jovem Michael Douglas e parece ser famoso lá, porque desde criança era apresentador de shows de teve).Aos poucos os dois se apaixonam;
Se há vilões nessa historia toda são a família de Nimir (o irmão dele faz parte de grupo terrorista e nenhum deles pode aceitar a homossexualidade, razão suficiente ate mesmo para matá-lo). Os israelenses são mostrados com maior compreensão, a família de Roy questiona e levanta os problemas que surgirão mas aceitam a vida do filho e temem pelo romance tão arriscado. O problema é que há um policia secreta que leva a ferro e fogo sua tarefa de impedir atentados e não tem paciência para ser compreensiva, encaminhando tudo para a inevitável tragédia. Felizmente os autores do filme tinham a consciência de que num filme assim é recomendável se dar uma esperança, uma possibilidade. Como pediam sempre os produtores de Fellini.
Não há duvida que o filme (que lembra outro anterior, com a mesma mensagem, Bubble/Idem, tem uma postura positiva e pode chegar a emocionar. Eu levanto uma questão apenas. O casal de rapazes é apresentado como apaixonado mas não será por causa do sexo (as cenas são extremamente discretas e não demonstram o fervor sexual como uma das razões para a paixão) nem senti essa tão grande emoção com a dupla (acho particularmente limitado o rapaz que faz Nimir, ele tem olhos mortos, e a verdade que tem olhos brilhantes e vivos é um fator definitivo para o sucesso no cinema. De qualquer forma, ele é árabe mas a mãe é italiana, não quer ser ator mas piloto da Lufhthansa, quem foi fazer o teste era sua namorada que o indicou na ultima hora!). Mas a gente sempre torce para que a versão militante de Romeu e Julieta, que os heróis vivam felizes e superem os preconceitos e barreiras políticas e familiares. Como deveria ser sempre.
Ref fim.


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