quarta-feira, 26 de março de 2014

Alemão.

Alemão. Brasil, 14. Direção de Jose Eduardo Belmonte. Roteiro de Gabriel Martins e Leonardo Levis. Com Antonio Fagundes, Caio Blat, Cauã Raymond, Gabriel Braga Nunes, Milhem Cortaz, Otavio Muller, Mariana Nunes, Marcelo Mello  Jr. 

     Não consigo entender como dão títulos tão pouco atraentes a filmes nacionais. Como foi o caso daquele bom filme “Hoje” (“Hoje esta passando Hoje”, imagina o anuncio! Não dá certo né). A mesma coisa aqui. O carioca tem a tendência de achar que é o centro do mundo porque o Rio é a capital do Império mas nem todo mundo sabe o que é o Alemão, não a pessoa, nem a nacionalidade, mas o complexo da região da favela carioca que foi “dita” pacificada há algum tempo atrás.

      Não é baseado em fato real mas uma historia imaginada naqueles momentos vésperas da provável invasão da policia  no que poderia vir a ser a queda do traficante que domina o local (chamado de Playboy, papel feito por Cauã Reymond, que deve ter aceitado a participação por causa da fala final, que é poética digna de filmes de faroeste de John Ford!). Mas tudo sucede por obra do acaso. Um mensageiro de moto foge para não cair nas mãos do trafico e deixa caída uma pasta onde estão as fichas dos policiais que se infiltraram no morro para descobrir a geografia do lugar. De repente todos eles são vulneráveis e estão sendo caçados e devem ser mortos (um deles para complicar é apaixonado por uma jovem, irmã do tenente do Playboy). E todos os policiais vão se encontrar numa pizzaria que ate então não provocava suspeitas  (o dono é Otavio Muller). Tem  o bom moço Caio Blat, o bonitão Gabriel Nunes ( que tem o personagem menos desenvolvido), o violento e pouco  inteligente Milhem Cortaz . Enquanto na cidade Antonio Fagundes faz o chefe da policia, entre duas cruzes, tenta salvar os colegas (há uma surpresa também  que só será revelada quase ao final) enquanto o governador  (apoiado ate pelo Lula que se ouve em off) esta se encaminhando a tomada da região .

     Toda a historia é contada com muito suspense, humanizando os policiais (o que costume incomodar nossos críticos), sem, porém fazer a denuncia dos políticos  com a mesma franqueza usada em Tropa de Elite (o que acaba sendo o ponto fraco do filme já que o publico esta mal acostumado). Também não sei a imprensa ira embarcar na historia dramática e triste mas  me envolvi com a historia, com os atores (o elenco esta muito bem mas eu gostei particularmente de Caio Blat, que esta na medida certa) e na situação “beco sem saída”. Claro que é mais um filme de favela mas desta vez usando um artifício que é uma situação de filme de guerra ou de suspense só que fazendo isso suceder num outro momento, que é real. É surpreendente o trabalho do diretor Belmonte (ainda mais vindo de outro filme que é melhor esquecer,  Billi Pig). Demonstra sua constante e crescente evolução. 

Ref fim.       
   

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