terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Elsa & Fred



EUA, 14. 97 min. Direção de Michael Radford. Com Shirley MacLaine, Christopher Plummer, Marcia Gay Harden, James Brolin, Scott  Bakula, Chris Noth, Erika Alexander, Wendell Pierce.

Por uma série de razões só agora consegui assistir esta refilmagem de um sucesso argentino de alguns anos atrás que foi alias dos primeiros filmes dedicados à Terceira Idade e trazia uma bela interpretação de uma atriz uruguaia China Zorrilla (1922-2014). Esta nova versão transposta agora para New Orleans, bem mais fotogênica do que o resto da América (ao menos tem bondes e casas) foi feita pelo inglês Radford de O Carteiro e o Poeta. Mas não fez o sucesso esperado. Sua bilheteria nos EUA foi insignificante, certamente porque não souberam vende-lo como deviam e para o público certo. Até porque o filme comete o erro de criar personagens secundários em excesso (a ponto de que os protagonistas não tem  nem grande chance de mais e melhores momentos).  Mas a dupla central está em forma, Christopher Plummer irascível e mal humorado como de hábito (mas velho virou grande ator) e Shirley MacLaine muito mais discreta e eficiente do que se podia esperar (como disse talvez faltem aos dois as cenas necessárias, ao menos Plummer tem um bonito plano final).

Tudo é uma variante da Velha Dama Indigna de Brecht, quando uma senhora de idade incógnita, ainda disposta a aproveitar a vida, se comporta de forma inusitada (embora aqui a única coisa mais condenável seria fugir de restaurante sem pagar a conta). Mas é possível se acreditar fácil no romance do casal porque tudo é lindamente emoldurado pela paixão que a heroína tem por Anita Ekberg e La Dolce Vita. Assim o filme é uma homenagem, para mim justamente quando ela faleceu, recriando as cenas na Fontana de Trevi (hoje é proibido então tiveram que falsear) com ela e Mastroianni. Ajudado por outros veteranos, como o que pouco aparece, George Segal, o filme poderia ser mais engraçado, mais romântico, menos tímido. Ainda assim qualquer coisa que use La Dolce Vita como moldura de love story está com o coração no lugar certo.

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