EUA,
15. 118 min. Direção de Todd Haynes. Roteiro de Phyllis Nagy baseado em
livro de Patricia Highsmith. Com Cate Blanchett, Rooney Mara, Sarah
Paulson, Kyle Chandler.
Esta é uma adaptação do livro chamado
Price of Salt, que foi escrito com pseudônimo pela famosa escritora
Patricia Highsmith, inspirado em fatos reais acontecidos com ela mesma.
Mas ela não queria assumir sua opção sexual. Patricia (1921-65) é uma
excelente autora de livros policiais, famosa por varias adaptações para o
cinema como O Talentoso Mr. Ripley - que antes foi feito na França com Alain Delon, como O Sol Por testemunha, As Duas Faces de Janeiro (14), O Amigo Americano de Wim Wenders e Pacto Sinistro (51) de Hitchcock. Foi realizado pelo assumidamente gay Todd Haynes (que retoma outros que fez com a mesma temática, como Veneno/Poison, Velvet Goldmine e principalmente Longe do Paraíso, em que Juliane Moore descobria que o marido era gay). Este Carol
segue uma linha semelhante, tudo feito em cores contidas, mas quentes
de acordo com os anos 1950. E um detalhe interessante, o montador do
filme é um brasileiro radicado nos EUA, Affonso Gonçalves (que entre
outros filmes editou Inverno D´ Alma com Jennifer Lawrence, Indomável Sonhadora, o recente O Amor é Estranho, Amantes Eternos de Jarmush e as séries de TV Mildred Pierce e True Detective (2015).
Carol
concorreu ao Festival de Cannes onde deram o prêmio de melhor atriz
para Rooney Mara (quando o certo seria dividi-lo com Cate Blanchett,
grande injustiça!).Carol tem sido muito prestigiada
pela critica, indicado para 5 Globos de Ouro, 2 SAGS (Rooney como
coadjuvante, embora esse critério tenha variado conforme os prêmios), 6
Independent Spirit, Críticos de Nova York (filme, diretor, roteiro e
fotografia), Critic´s Choice (Cate, Rooney e filme). A primeira vista
achei o filme muito feminino e por isso pedi a opinião de minha amiga
Paty Pahl que o tinha visto em Cannes. Eis sua opinião com que concordo
em quase tudo: ”Achei o filme no estilo clássico ”Old school”. Não só
conta uma história nos anos 50, mas ele recria um filme dos anos 50. O
ritmo, a música, os diálogos e os enquadramentos! De verdade, ele
mergulha na década. Eu achei - na minha viagem - que a Cate Blanchet
lembrava muito a Katherine Hepburn, no jeito, na voz mais grave, na
atitude mais masculina... já a Rooney Mara me lembrou as atrizes mais
frágeis e mocinhas. Por exemplo, toda vez que eu lembro dos filmes da
Sandra Dee que eu assistia, eu lembro dela com uma cara meio de
passarinho assustado. E a Rooney Mara está com o mesmo olhar!“ (outros
críticos notaram uma semelhança real com Jean Simmons. Mas a verdade é
que não gosto dela, ainda mais depois de ter sido a desastrosa
indiazinha do recente Peter Pan. Também filmou aqui no
Brasil com a mesma falta de emoção. Conclui Paty: “Acho legal que hoje
em dia, na época de CGI, tenha este filme todo norteado para roteiro e
atuação, que mergulha num estilo antigo. De verdade”.
Em
compensação gosto de Cate, que sempre se transforma e faz uma
caracterização de mulher rica, mimada, vaidosa e auto centrada, que
parece aceitar ou provocar um romance com uma vendedora jovem de loja
(aliás toda a Corte a ela é feita com muita delicadeza, embora o filme
tenha depois umas poucas cenas de sexo, coisa rara de se ver no cinema
americano de estúdio). Um pouco fria com filho e principalmente com o
marido (o antigo astro de série Kyle Chandler).
É interessante
saber que os produtores lutaram 11 anos para finalmente conseguir dar
vida ao projeto. Esse fato, segundo Patrícia, foi inspirado com um
encontro que ela teve com uma loira de casaco de pele numa loja de
departamentos (como se dizia na época) em Nova York, o Natal de 1948.
Por coincidência a autora pegou catapora no dia seguinte e escreveu o
livro em 51. Mas também é inspirado num caso da autora com Virginia Kent
Catherwood, uma mulher socialite mais velha da Filadélfia, que
tinha sofrido o mesmo que descreve o filme (sem estragar o que a
história revela só na parte final).
Embora reconheça qualidades na
narrativa do filme, me aborrece o roteiro que não faz os personagens
discutirem ou se explicarem ou se exporem com suas razões e problemas.
As coisas acontecem e “desenacontecem” e pronto. Apesar disso, Carol tem seu público e sua torcida. Dá para entender o porquê.
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