quinta-feira, 17 de novembro de 2016

As Confissões (Le Confessione)


Itália, 2016. Direção de Roberto Andó.Com Toni Servillo, Daniel Auteil, Pier Francesco Favino, Lambert Wilson, Moritz Bleibtreu, Connie Nielsen, Marie Josée Cruze, Richard Sammel.

O cinema italiano tenta dar sinais de recuperação, ajudado por alguns distribuidores e festivais que tem feito o possível tentando recuperar sua lendária qualidade (vide recentemente retrospectiva de Mastroianni, visita de Marco Bellochio). Mas a verdade é que a própria indústria italiana do cinema, antigamente tão prolífica, hoje tem dificuldade em se afirmar e inovar. Aqui temos o trabalho do diretor Roberto Andó que fez antes com o mesmo ator Servillo Viva La Liberta (13). O ator Toni pelo menos conseguiu ficar conhecido aqui por excelentes trabalhos em Il Divo, A Grande Beleza, As Consequências do Amor, A Bela que Dorme, justamente com Bellochio e Gomorra. Nem é preciso dizer que ele é super premiado (por exemplo levou já 4 Davids de Donatello) embora seu estilo de representar seja sempre discreto e contemplativo, muito distante dos Divos da comédia à la Italiana (que também com frequência faziam teatro).

Ou seja, Toni é um gosto adquirido que está aqui cercado por um grupo de fortes talentos de diversas partes do mundo, como França (Auteil, Lambert Wilson), Alemanha (Moritz), Canadá (Marie Josée) e assim por diante, todos eles estão num grande hotel/mansão onde devem participar de uma grande discussão sobre o futuro econômico do mundo. Embora também estivesse no grupo uma escritora (a bela dinamarquesa Connie Nielsen, de Gladiador). E principalmente um padre discreto Roberto Salus e que tem sempre um sorriso meio zombateiro (no caso Toni).

É preciso registrar que o lugar é belo, a fotografia elegante, mas o conflito só irá crescer quando o líder aparente do grupo, Daniel Auteil, ameaça se matar depois de fazer uma confissão ao padre (e naturalmente querem que este conte o conteúdo da confissão, o que na verdade não é levado muito a sério). Porque o que parecia tão polêmico e também revelador acaba sendo resolvido de uma maneira trivial e decepcionante. Afinal é bem comum se construir um castelo de ideias para deixar o filme desmoronar num anticlímax. Uma pena porque até pouco mais da metade foi bem interessante.

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