EUA,
17. 2h1m. Direção e roteiro de Darren Aronofsky. Com Jennifer Laurence,
Javier Bardem, Ed Harris, Michelle Pfeiffer, Brian Gleeson, Domhall
Gleeson, Jovan Adepo, Amanda Chiu, Stephen McHattie, Kristen Wiig.
Pelo
que eu percebi na sessão de Imprensa, os jornalistas brasileiros
merecem a total admiração ainda mais comparados com outros mesmo sendo
britânicos ou até americanos. Não vaiaram, não xingaram, nem jogaram
nada na tela. Podem ter tido vontade disso, mas foram verdadeiros
cavalheiros. Aqui todo mundo fez um esforço muito grande para entender e
até respeitar um diretor que nos parecia ao menos digno de certo
talento. Os britânicos perderam a vergonha. Nem sempre quanto o famoso
Rex Reed, que simplesmente escreveu “Mãe! é o pior
filme do ano, talvez do século!”. E foram por aí a fora. Basta dizer que
de tempos em tempos, certos diretores americanos acham que estão acima
de qualquer poder e decidem fazer projetos pessoais. Pensando que todo
mundo vai achar uma maravilha. Infelizmente não é bem assim. O ego é
tanto que esquecem de explicar que diabos é aquela história, qual é a
sua lógica ou seu sentido! E que o público paga seu ingresso para se
divertir, sim também se informar e se emocionar, mas ao menos precisa de
algum critério ou lógica para seguir um filme, ou o que passa por ele.
É incrível que a crítica norte-americana em sua maioria nem tentou entender nada. Simplesmente estava abaixo de sua compreensão.
Aqui
na pré-estréia ao menos se respeitou o trabalho do elenco, em
particular de Jennifer Lawrence, só agora que eu bobo que fiquei sabendo
que ela seria a atual namorada do diretor. O que explica porque ela se
submeteu a essa sucessão de humilhações numa interpretação muito honesta
e sincera. Embora fique visível que ela é a primeira a não entender o
que diabos está sucedendo (o diretor tem algumas manias estilísticas
como filmar é o que dizem em 16 milímetros o que tira qualquer brilho de
luminosidade, depois utiliza trilhas sonoras irritantes e vai
mergulhando mais e mais na confusão). Enfim, já que a moça é geniosa,
não duvide de que este romance já chegou ao fim (o filme custou por
volta de 30 milhões e até que rendeu bem no primeiro fim de semana
chegando aos 7 milhões e quinhentos!). O estúdio Paramount embora
enfrente fase comercial difícil muito bravamente também fingiu que está
feliz com o resultado. Mas é falso. Ninguém gosta de perder dinheiro nem
ser zombado quando chamam o resultado de “um exercício de tortura e
histeria”.
Nossos humildes e honrados jornalistas, dentre eles me
incluo, ficamos conversando com um executivo que realmente parecia
entender do assunto. E foi assim que chegamos a certo senso. Darren,
como judeu de origem e imagino que de crença, fez uma grande alegoria da
vida de um casal que vai morar sozinho numa velha casa. Ele é feito
pelo espanhol e geralmente ilustre Javier Bardem que seria um poeta
admirado por muitos (há essa espécime ainda hoje?). Sua jovem mulher é
gentil, apaixonada e tentando aprender a cuidar da casa e dele. Mas o
ego do cavalheiro é grande demais, e a tragédia começa quando ele deixa
entrar na casa e ficar morando lá um casal esquisito que interferem em
tudo (papeis do sempre bom Ed Harris e roubando o filme a ainda bela e
sensual Michelle Pfeiffer, que merecia levar o Oscar de coadjuvante. O
que pena fica difícil diante da rejeição do filme).
Enfim, tudo
vai se complicando aparecem os filhos do casal (feito por dois ingleses
realmente irmãos) que começam a brigar e um mata o outro (seria então
uma referência da Bíblia que seria constante, ao que parece como os
irmãos Caim e Abel). Mas de qualquer forma resolvem engravidar e isso só
virar piorar ainda mais a situação quando dezenas de admiradores e fãs
irão invadir a casa para não apenas celebrar o herói (Bardem aparece no
letreiro apenas como Him/Ele) que depois de conseguir voltar a produzir
fica até feliz em ser endeusado e elogiado de todas as formas. Daí em
então, tudo vai piorar, a multidão fica descontrolada de vez, saqueiam a
casa, celebram da forma mais grotesca, mas também inventam ritos
religiosos e místicos. Não se conta final de filme, mas se você ficar
até esse pedaço merece algumas das lembranças que circulam por lá
(algumas admito que não saquei). É uma ego trip que vai ficando feia e
triste, chegando ao que parece a comer criancinha!
Será que foi
pesadelo meu?! Não estou disposto a assistir tudo de novo. Melhor
aceitar que tudo foi um equívoco de péssimo gosto e insuportável
conclusão.
Nenhum comentário:
Postar um comentário