Esta é outra excelente edição da Distribuidora Versátil, com 6 cards e 6 filmes do genial diretor. Eis um resumo crítico dos seus trabalhos contidos no digistack com 3 DVDs.
Tristana, Uma Paixão Mórbida (Tristana) ****
França, Itália, 1970, 95min. Diretor: Luis Buñuel. Elenco:
Catherine Deneuve, Fernando Rey, Franco Nero, Lola Gaos, Antonio Casas, Jesús
Fernandéz.
Sinopse: Após ficar órfã a jovem Tristana é levada para
morar com seu tutor, um velho livre-pensador e parasita. Aos poucos a paixão
doentia dele vai destruindo a pureza da moça.
Pouco depois da obra-prima A Bela da Tarde (Belle de
Jour, 1967) o mestre espanhol Luis Buñuel (1900-83) se reuniu novamente com
Catherine Deneuve num de seus filmes mais sóbrios e lineares (e, no entanto,
chocante em seus meandros). Buñuel constrói com muito rigor o filme em duas
partes, a primeira esquemática e até didática na crítica impiedosa de Don Lope
(o notável ator espanhol Fernando Rey, 1917-94, de Operação França, Esse
Obscuro Objeto do Desejo, O Discreto
Charme da Burguesia, todos eles de Buñuel!). Mas não destituída, porém, de
uma certa simpatia pelo personagem e sua destruição de Tristana (uma das suas
inesperadas e impiedosas reviravoltas). Repare na sutileza com que Buñuel
insere seu sempre obrigatório ataque ao clero.
Um dos grandes filmes do diretor, cheio de ironia e bom
elenco. Foi indicado ao Oscar de filme estrangeiro. Rey foi premiado como
melhor ator em Cannes, o filme foi premiado em Biarritz, e da revista Fotogramas
de Plata. Buñuel contava que as idiossincrasias de Tristana foram baseadas nos
hábitos da própria irmã dele! Quando foi indicado ao Oscar, Buñuel declarou: ”nada
me deixaria mais aborrecido moralmente do que ganhar um Oscar!”. E o filme que
ganhou acabou sendo o italiano Investigação
sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita também muito bom. Catherine
Deneuve sempre declarou que este era um de seus filmes favoritos. Na época
ainda havia uma forte censura na Espanha do ditador Franco (que proibiu o filme
duas vezes quando ainda estava em roteiro) e o filme só conseguiu ser feito
quando chamou atores internacionais. Buñuel era grande admirador de Perez
Galdós, o autor do romance original e origem do filme. Mas ainda assim achava a
novela “kitsch” , previsível e dos piores trabalhos do escritor. Mudou a
historia de Madrid para Toledo, e a ação do fim do século 19 para 1920, quando
o diretor ainda era muito jovem! Apesar disso lutou durante anos para conseguir
realizar o filme. Mais de vinte anos, desde os anos 50, quando morava no
México. A censura de Franco havia implicado com o filme anterior dele, Viridiana (61) e foram 8 anos para
convencê-los a autorizar o filme. Eles eram contra a sedução e corrupção da
heroína além das criticas à Igreja. Reza a lenda que La Deneuve teve um romance
com o galão italiano Franco Nero, atual marido de Vanessa Redgrave.
O Estranho Caminho de São Tiago ou A Via Láctea (La Voie
Lactée) ****
Espanha/,França, 1969. 102 min. Direção e musica de Luis
Buñuel. Produção de Serge Silberman. Roteiro de Jean-Claude Carrière e Buñuel.
Fotografia de Christian Matras. Com Laurent Terzieff, Paul Frankeur, Delphine
Seyrig, Edith Scob, Alain Cuny, Muni, Bernard Verley, Michel Piccolli, Pierre
Clementi, George Marchal, Claudio Brook, Delphine Seyrig, Jean Claude Carriére,
voz de Buñuel (na cena em que o Papa é assassinado por revolucionários).
Sinopse: Dois peregrinos que estão viajando pelo caminho
para São Tiago de Compostela passam por todas as grandes heresias da Igreja
Católica.
Bastidores: Um dos filmes mais ousados e anti-católicos de
Buñuel. Depois de Belle de Jour, o
surdo e alcoólatra diretor ameaçou abandonar o cinema, mas retornou com este
trabalho, anterior à Tristana. São
dois peregrinos que fazem uma viagem até São Tiago de Compostela na Espanha (a
palavra vem do latim, Campus Stella, ou seja A Via Láctea ou Caminho das
Estrelas). É por isso que o filme tem dois títulos. Trata-se de um passeio
pelas heresias da História, o filme de um espanhol ateu que nunca conseguiu se
livrar da super estrutura da Igreja, e que sempre se considerou “ateu, graças a
Deus”. Ele e o roteirista Carrière pesquisaram tudo que se referia às Heresias,
e fizeram a história de dois mil anos de Heresias, em dezenove sequências. Os
dois mendigos (Paul e Laurent) - que parecem estar esperando “Godot” !
No seu caminho
encontram os mais estranhos personagens, todos eles discutindo problemas e falando
frases rigorosamente autênticas, retiradas de livros da época. O filme mostra
as seis mais importantes Heresias: Cristo ao mesmo tempo como Homem e Deus, A
Santíssima Trindade, a Transubstanciação, a Imaculada Conceição, a sabedoria e onipresença
de Deus e as origens do Diabo. A ironia de Buñuel contando piadas das Bodas da
Canaã e usando barba somente porque barba inspirada confiança. O efeito é
salutarmente cômico, quase surrealista. Sem mais nem menos, se discutem
heresias da forma mais engraçada possível. É claro que essa velha fobia
anti-clerical, só se poderia aceitar de um homem como ele, que em toda sua vida
combateu os absurdos do catolicismo, sem nunca conseguir libertar-se de suas
marcas. O maior problema é a dificuldade de identificar personagens e símbolos.
O espectador não tem obrigação de saber todas as heresias para identificar
“quem é quem”. O mais facilmente reconhecido é o Marques de Sade (Piccoli) que
parece ter sido levado às suas práticas sexuais diante de uma mulher que
histericamente afirmava a existência de Deus. Responde Sade: “ Se Deus existe, eu o detesto”.
A peregrinação começa
com um encontro com um desconhecido (Cuny), que dá uma esmola ao menos pobre
dos dois. Porque somente quem tem fé tem direito a tudo. Faz também uma
profecia: “terás o filho de uma prostituta”. Mesmas palavras feitas por Deus ao
profeta Oséias. Esta prostituta (Seyrig) surge no final e Buñuel sugere que ela
talvez seja um anjo. Depois a Transubstanciação é defendida por um padre saído
de asilo de loucos que conclui, “Deus está para a hóstia assim como o carneiro
está para o patê de Carneiro”. A dupla natureza de Cristo é debatida entre
garçom e “maitre” de um restaurante. A origem do diabo se revela numa orgia “prisciliana”
em que o Bispo de Ávila põe em prática sua tese de que se deve tirar o mal do
corpo através dos excessos sexuais. O Livre Arbítrio serve de tema para um
duelo entre um Jansenista e um jesuíta, que no fim saem de braços dados.
Enquanto numa capela próxima, uma freira se crucifica. A Santíssima Trindade é
criticada por um bispo que profana um túmulo, a Imaculada Conceição é discutida
numa cena em que um casal se tranca no quarto enquanto um padre começa a falar
sobre sexo e casamento, conseguindo finalmente inibir o casal. Buñuel mostra o
padre dentro do casal mostrando que a Igreja está sempre interferindo nas
relações de alcova.
A mais importante de todas as conclusões é de Cristo que
anuncia que veio a Terra não para trazer a paz, mas a Espada. Mais tarde ele
faz um milagre, para que dois cegos voltem a ver. Quando Jesus e os discípulos
pulam uma vala, a câmera mostra os dois cegos examinando as valas com suas
bengalas, apesar de terem recobrado a visão, eles conservam o velho hábito da
bengala. O homem é moralmente cego, quer dizer Buñuel, e sua única saída é sua
liberdade espiritual. Os episódios surrealistas se sucedem, num deles, um carro
se espatifa porque recusou carona, dentre dele, está o diabo (Clementi) que dá
um conselho muito prático “Roubar os sapatos do morto” . Mais tarde, quando são
interrogados pela polícia por suspeita de roubo, desta vez de comida, os
policiais acabam aceitando uma resposta estereotipada “de acordo com a visão
que eles próprios têm da coisa”. Outros episódios são também muito engraçados.
Numa festa de colégios de garotas, estas recitam “anátemas”, enquanto há
flashes de um grupo de revolucionários, preparando para fuzilar o Papa. Ouve-se
barulho de tiros e um dos espectadores pergunta o que foi. O vagabundo explica
que era ele imaginando a execução do Papa, o outro responde: “Isso só vai
acontecer em sua imaginação”.
Buñuel não chega a concluir. Quando os peregrinos chegam à
Santiago descobrem que há suspeitas de que não ele que está enterrado lá, mas
um Prisciliano. Então, todas as peregrinações e milagres nunca tiveram sentido.
Então, “meu ódio pela ciência e a tecnologia, talvez me faça cair no absurdo de
cair de acreditar em Deus”, diz ele. A Via Láctra é o filme de um jovem velho contestador
que faz brincadeiras à maneira de Godard e que defende suas idéias, as mesmas
desde A Idade do Ouro (L´Age D´Or), no início de sua carreira
até o fim. Ainda que um pouco “quadrado” em matéria de linguagem, é um grande
show-man. Mesmo que não se entenda os detalhes de sua fita, é uma brilhante e
instigante diversão, provando que idade é uma coisa muito relativa (foi
realizado depois de Bela da Tarde e
antes de Tristana). Em sua
autobiografia o diretor afirma que resolveu fazer o filme ao ler Historia de
los Hetereoxos españoles de Marcelino Menendez Y Pelayo.
O Fantasma da Liberdade (Le Fantôme de la Liberté ) ****
França, Itália, 1974. 104 min. Diretor: Luis Buñuel. Elenco:
Adriana Asti, Adolfo Celi, Jean Rochefort, Michel Lonsdale, François Maistre,
Michel Piccoli, Monica Vitti, Pierre Lary, Marie-France Pisier, Jean-Claude
Brialy.
Sinopse: Uma série de episódios cotidianos interligados,
vistos de forma surrealista e inesperada.
O grande mestre espanhol Luis Buñuel (1900-83), então recém
agraciado com a Palma de Ouro em Cannes por O Discreto Charme da Burguesia (Le
Charme Discret de la Bourgeoisie, 1972) tencionava encerrar sua carreira
como diretor com este filme, o mais radicalmente surrealista desde seu começo
de carreira nos anos 20 e 30 com Um Cão
Andaluz e A Era do Ouro (ele
acabaria voltando a dirigir mais outro, Esse
Obscuro Objeto do Desejo, convencido pelo produtor e amigo Serge
Silberman). É uma sucessão de episódios todos casualmente entrelaçados por
algum personagem, sempre intrigantes e desconcertantes e que, bem no espírito
surrealista, desafiam e ao mesmo tempo impossibilitam explicações racionais.
Ajudado no roteiro por seu colaborador habitual Jean-Claude Carrière, o diretor
tem algumas sacadas como quando nos mostra um jantar onde as pessoas sentam-se
à mesa em privadas e se trancam em um pequeno cômodo para comer; monges que
após rezarem para um doente jogam cartas e bebem; uma menina dada como
desaparecida que está o tempo todo à vista dos pais; fotografias obscenas
presenteadas a duas meninas em um parque que se revelam surpreendentes e
principalmente um franco atirador que mata pessoas à esmo do alto de um prédio
de Paris.
Buñuel (que aparece rapidamente no episódio inicial espanhol
sob os créditos como um dos condenados à morte) novamente despeja ironia feroz
e sarcasmo sobre seus alvos prediletos: a burguesia, a autoridade constituída,
o clero, a hipocrisia, as convenções sexuais. A falta de trama não torna o
filme vazio. Pelo contrário, a sucessão de surpresas cativa o espectador e a
trivialidade dos acontecimentos tornam os desenlaces surreais ainda mais
desconcertantes. Fazendo-nos, como em grande parte objetivava o movimento surrealista,
enxergar a realidade com outros olhos. Um filme especial que envelheceu um
pouco, se tornando por momentos lentos e irritantes (e não é para todos os
públicos) de um dos mais autorais diretores da história do cinema. O título,
uma citação do início do Manifesto Comunista de Marx e Engels, pode tanto ser
uma crítica ao comodismo burguês quando ao radicalismo esquerdista. Ambiguidade
bem típica de Buñuel. Só há registro de prêmios de direção pelos críticos
italianos e O National Board of Review. O titulo é uma referencia ao Manifesto
Comunista e o título original, traduziu em vez de Especreto com Fantasma. O que
o torna uma sátira a mentalidade burguesa que tem medo da liberdade, mas também
uma critica aos partidos comunistas rígidos da época.
A Morte neste Jardim (La Mort en ce Jardin) ***
México,França , 1956. 100min. Direção: Luis Buñuel. Elenco:
Simone Signoret, Georges Marchal, Michel Piccoli, Tito Junco, Charles Vanel,
Michele Girardon. Adaptação: Luiz Alcoriza. Baseado em livro de José-André Lacour.
Sinopse: Na Guiana Francesa, em 1945, fronteira do Brasil,
um golpe militar obriga garimpeiros a fugirem, um velho com sua neta, uma
prostituta, um padre e um aventureiro que se embrenham pela selva tropical.
Esteve inédito durante anos no Brasil, este pouco conhecido
trabalho do espanhol Buñuel na época ainda exilado no México. Ele ainda não era
tão famoso, mas mesmo assim conseguiu reunir um ótimo mas heterogêneo elenco.
Para compensar o canastrão central Marchal (1020-97), tem o veterano Vanel, a
estrela Signoret e o ainda coadjuvante Piccoli, todos como vítimas de uma
violência militar que os obriga a fugir para a fronteira através da selva, que
seria o jardim. Buñuel volta a trabalhar a cores (tinha feito antes Robison Crusoe) com o sistema Eastmancolor
com resultado bem interessante. Mas o roteiro é fraco e mal desenvolvido, com
alguns toques estranhos (como a cobra que é devorada pelas formigas gigantes),
alguma filosofada, tudo narrado da forma clássica que o diretor gostava.
Insatisfeito com o script, ele o reescrevia todos os dias de madrugada e tudo
durou apenas 3 semanas. Parece ter tido pretensões comerciais em meio a certos
temas subversivos (a igreja colonialista, a exploração de diamantes, a policia
atirando nos manifestantes, depois o fuzilamento, personagens ambíguos e
complexos, certo toque de Tesouro de
Sierra Madre). A estreante francesinha Michele Girardon que também fez Hatari de Howard Hawks e interpretou
uma jovem muda, se suicidou em 75, quando tinha apenas 37 anos. Segundo o
diretor Simone Signoret estava tão apaixonada por seu marido Yves Montand que,
a caminho do México, colocou documentos comunistas no passaporte na esperança
de ser impedida da imigração americana!
O Diário de Uma Camareira (Le Journal d’une Femme de Chambre)
***
França, Itália, 1964. 95min. Diretor: Luis Buñuel. Elenco:
Jeanne Moreau (1928-2017), Georges Géret, Michel Piccoli, Daniel Ivernel,
Fançoise Lugaigne, Jean Ozenne, Muni, Jean Claude Carrière. Baseado em livro de
Octave Mirbeau (1850-1917). Houve versões da mesma história como Segredos de Alcova com Paulette
Goddard, 46, de Jean Renoir, uma versão homônima de 2015, de Benoit Jacquot,
com Lea Seydoux, Vincent Lindon. Uma outra desconhecida de 2011 de Bruno
François Boucher.
Sinopse: Jovem camareira
vai trabalhar no interior da França, em casa de família rica repleta de taras e
esquisitices, e acaba se envolvendo também na investigação do estupro e morte
de garotinha da região.
Após uma sucessão de filmes realizados no México, Luis
Buñuel (1900-83) realizou na França essa adaptação livre do livro de Mirbeau. É
uma história muito erótica, cheia de ambiguidades e subentendidos, bem ao gosto
do diretor, e cujas ironias cruéis sobre as relações entre patrões e empregados
lembram justamente o cinema de Jean Renoir. Não faltam aspectos tipicamente
buñuelianos: a crítica mordaz às elites, o anticlericalismo, o fetiche por pés,
o final irônico e inesperado. E há ainda a beleza e o talento de Jeanne Moreau
(em sua autobiografia, aliás, Buñuel diz que a escolheu para o papel justamente
pelo modo como ela caminhava usando saltos altos!). Uma pequena obra-prima do
genial diretor. O Chiappe que é visto sendo saudado aos gritos pelos fascistas,
numa sarcástica homenagem de Buñuel, era o chefe da polícia parisiense que,
entre muitos outros gestos autoritários, proibiu a exibição do filme do diretor
A Era do Ouro (L’Âge d’Or, 1930) e fascistas destruíram a sala de cinema que o
exibia.
Simão do Deserto (Simón del Desierto ) ***
México, 1965. 43 min. Diretor: Luis Buñuel. Elenco: Claudio
Brook, Silvia Pinal, Enrique Álvarez Félix, Hortensia Santoveña.
Sinopse: No século IV, o santo Simão vive sobre uma
altíssima coluna no meio do deserto, penitenciando-se porque deseja estar mais
perto de Deus e fica por lá durante 37 anos consecutivos. Mas é tentado pela
falta de fé das pessoas e pelo próprio Satanás.
Comentários: Buñuel realizou no México, com dinheiro do
produtor Gustavo Alatriste, marido da estrela Silvia (que havia sido
Viridiana), este filme muito pessoal, que lança um olhar novo sobre os seus
proverbiais ateísmo e anticlericalismo. Era um projeto tão próximo ao diretor
que, quando o dinheiro acabou, ele abandonou a idéia inicial (que teria
metragem normal) e finalizou o que tinha com seus próprios recursos, adicionando
um epílogo inesperado e mesmo assim deixando o filme com menos de uma hora de
duração. Baseado na vida de São Simão Estilita, que teria vivido no século VI e
passado sessenta e quatro anos no alto de uma coluna, Buñuel relê a sua moda o
santo, feito pelo mexicano Claudio Brook. Com muita ironia, mas simpatia e até
respeito, ele mostra as dificuldades do santo para levar a cabo sua penitência.
Não pelo desconforto físico ou pelo sofrimento, mas pelo que ocorre embaixo, ao
pé de sua coluna. Seus milagres são recebidos com indiferença pelo povo, os
monges têm dúvidas sobre ele e o próprio Satanás (sugestivamente feito por
Silvia) o tenta de diversas maneiras e procura fazê-lo descer para o chão e
abandonar seu suplício.
O filme tem um clima de comédia, mas é
basicamente uma reflexão filosófica séria sobre o contraste entre a fé pura e
desinteressada e a religião estabelecida, que traz a reboque a indiferença, o
fanatismo, a idolatria. Buñuel ganhou o prêmio especial do júri e o da crítica
em Veneza. Curiosamente o então já consagrado Glauber Rocha faz breve figuração
no filme. A fotografia é do mestre mexicano Gabriel Figueroa. Ganhou premio do
Júri e da Crítica no importante Festival de Veneza. O santo que inspirou o
filme era chamado de Simeon Stylites o Sírio. Este foi o último filme do
diretor no México onde fez 20 filmes em seu período de exílio da ditadura na
Espanha. Foi inspirado no livro The Golden Legend, uma biografia de santos do
século 13.

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