terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O Azul é a Cor mais Quente

O Azul é a Cor mais Quente  (La Vie d´ Adéle )França, 13. 179  min. Direção de Abdellatif Kechiche. Com Léa Seydoux, Adèle Exarchopoulos, Salim Kechiouche, Aurélien Recoing, Catherine Salée, Benjamin Siksou.

      Apesar do júri deste ano do Festival de Cannes ter tido Steven Spielberg como presidente, o filme vencedor da Palma de Ouro do Festival foi esta produção franco-belga-espanhola, que se tornou  famosa por causa de suas cenas de sexo lésbico, quase explicito (o caso esta ainda aberto para discussões, as cenas são longas, duram de 6 a nove minutos e mostram as duas moças em ação, no que me pareceu mais uma encenação  representada do que factual. Não há closes de órgãos sexuais, e embora seja convincente - afinal essa é a função de mostrar aqueles momento-  não lembra nada o equivalente de filmes pornográficos). O fato é que este é outro daqueles filmes franceses duro de assistir, com quase três  horas de projeção, com pouco alivio e a historia praticamente toda narrada em closes e widescreen.

      Estou reclamando não. Só prevenindo que é preciso ter paciência e não entrar por engano. O diretor tunisiano Abdellatif Kechiche tem um estilo particular, que já foi possível antes se perceber no seu premiado O Segredo do Grão (não vi o Venus Negra por descuido mas já estou providenciando). Narrativa longa, cheia de detalhes, dando atenção para personagens secundários que no final das contas não interferem tanto na trama. No caso deste filme ele se baseou numa famosa historia em quadrinhos para adultos homônima que alias já saiu no Brasil em livro (a Livraria Martins Fontes a editou !). Mas ele aproveitou muito pouca coisa do livro (que já começa com a decisão da heroína de se suicidar,coisa que é esquecida na tela) e partiu para outra experiência. Chegou a começar com outra atriz quando parece ter se apaixonado pela quase desconhecida Adèle (com o sobrenome mais impossível de se dizer dos últimos anos) ,que pessoalmente (esteve no Brasil promovendo o filme) não é nada demais mas na tela cresce e vira uma figura apaixonante e uma excelente atriz, que passa no rosto tudo que sente e pensa. O fato é que a câmera perseguiu as duas moças de maneira implacável rodando cerca de 600 horas de copião, inclusive fazendo  cenas em que vomitavam e urinavam! Tanto que a relação entre o diretor e atores é bem estremecida e cheia de queixas. O diretor pessoalmente fala baixo, foge de respostas e parece mais um capataz. 

     Isso porém não tem muito a ver com o resultado que francamente me envolveu e me interessou. Adèle é uma estudante de segunda grau,  que depois de experimentar com um colega, se desaponta e vai tentar uma relação com uma jovem de cabelo azul, assumidamente lésbica (feita pela já estrela Leia Seydoux). Mentindo aqui, fingindo ali, as duas começam um intenso affair sensual onde ambas se declaram apaixonadas. Naturalmente brigam mas Adéle não consegue esquecer assim tão fácil. Ver esse romance florescer e decair pode ser penoso (sabendo disso o filme não foi indicado ao Oscar de filme estrangeiro no lugar entrou o bonito e fácil Renoir). Mas quem se interesse pelos caminhos novos do cinema tem que comparecer.

Ref fim.

Carrie, a Estranha

Carrie, a Estranha (a refilmagem) (Carrie) EUA, 13. Direção de Kimberly Peirce. Com Chloe Grace Moretz, Julianne Moore, Julianne Moore, Gabriella Wilde, Judy Greer, Alex Russell, Ansel Elgort. Sony.

      Tem sido sempre uma má idéia refazer os filmes clássicos de terror dos anos 70-80, que foram todos invariavelmente fracassos .  Mas são teimosos e incrédulos. No caso, de Carrie, a Estranha de Brian De Palma, de 1976, foi não apenas a revelação do cineasta então no auge de sua criatividade e mesmo loucura (uso de telas múltiplas, delírio de imagens) mas também do escritor Stephen King (seu primeiro êxito de uma brilhante e ate hoje espetacular carreira), da estrela Sissy Spacek (que virou estrela com o filme, que lhe deu indicação ao Oscar assim como a veterana que fez sua mãe Piper Laurie. Não espere nada disso por aqui).Ainda lembro bem da reação da platéia espantada com as novidades do filme, numa época apesar dos pesares bem mais liberal que agora, começando com a sequencia quase inicial quando Carrie sente-se menstruada pela primeira vez na vida. Sem saber do que se tratava porque a mãe era fanática religiosa, ela chorava e pedia socorro para ser alvo de zombaria. Tudo isso era mostrado no chuveiro, em câmera lenta, com quase todo o elenco feminino inteiramente desnudo. Ao mesmo tempo chocante, poético e erótico. Para se ver a diferença clara bvasta dizer que o filme nesta sua dispensável refilmagem começa com a mãe numa cama tendo sozinha o bebe e literalmente banhando-se em sangue. Que lhe mancha totalmente o lençol! Grita, sofre e pega uma tesoura com que pensa em matar a criança mas olhando nos olhos dela muda de idéia e corta o cordão umbilical. A diretor Kimberly  Peirce que só da certo com filmes sobre lesbianismo (Meninos não choram) deve ter pensado que era um grande achado. Depois que vem uma cena na piscina, com imagem meio disforme e a crise no chuveiro (todas vestidas!) mas a única coisa moderna é que a vilã da historia, a mau caráter vai tirar uma foto de Carrie e publicar nas mídias sociais (Quando chegar a hora do acerto de contas, a vingança será muito mais elaborada mas também mais banal do que a Carrie original).

      Não sei o que achar de Chloe Grace Moretz que é a única das interpretes de Carrie que ao menos é realmente adolescente (Sissy tinha 26, Angela Bettis que fez o papel na versão de 28 para a teve já com 28 enquanto Chloe chegara apenas aos 15. Mas isso não faz a menor diferença quando tudo o mais é inferior (fico pasmado com a celebre sequencia final da versão De Palma que criou escola e acabou virando mesmo clichê. A da aqui é semelhante mas muito fraca, parece mesmo ter sido feita na pos produção, na falta de coisa melhor). Pode-ser reclamar também do elenco onde a única figura simpática a professora é a competente e já conhecida Judy Greer (mesmo assim também apanha na vingança). A cena do baile da Prom, que era toda barroca, envolvente, parecendo que o mundo realmente enlouqueceu foi substituída por uma orgia inferior de destruição, sem aquele fluir de detalhes que tornaram o primeiro tão memorável. Custou 30 milhões de dólares e rendeu 35 ou seja  nem se pagou!  Apesar de ter sido lançada no Halloween! Outra idéia burra que deu errado.   

Ref fim

Anita e Garibaldi

Anita e Garibaldi  (2012) Direção de Alberto Rondalli. Com Ana Paula Arósio, Gilberto Braga Nunes, Alexandre Rodrigues. Leonardo Medeiros, Paulo Cesar Pereio, Adolfo Pimentel. Helio Cícero.


      É sempre trágico quando um filme é deixado inacabado, qualquer que tenha sido a razão. Aqui fizeram o possível de lhe dar algum sentindo e juntar os pedaços que foram rodados, mas esta historia sobre o lendário romance entre o guerreiro italiano Garibaldi e a brasileira Anita acaba por ficar a deriva, sem qualquer possibilidade de  lógica . Mas para não perder totalmente o dinheiro investido, foi feita uma montagem com o material existente. De forma que não tem razão para se criticá-lo. Fica apenas o registro. Não é bem um filme, é um copião, uma montagem sofrível do que foi possível salvar. O que não foi muito. Ana Paula Arósio mesmo naquela época já demonstrava sinais de desequilíbrio emocional Gabriel Nunes nem sequer tem chance de criar um tipo (fiquei pensando, Garibaldi não era ruivo? Porque não esta aqui assim ?). O diretor italiano tem vários trabalhos no exterior.  Rodado em 2005, em Santa Catarina, foi interrompido por falta de dinheiro e as cenas não rodadas fazem falta. 

Ref fim.

Como Não Perder Essa Mulher

Como Não Perder Essa Mulher  (Don Jon). EUA, 13. Direção e  roteiro de Joseph Gordon Levitt. Com Joseph Gordon Levitt, Scarlett Johansson, Julianne Moore, Tony Danza, Glenne Headley, Brie Larson, Anne Hathaway,Channing Tatum, Cuba Gooding Jr, Meagan Good.

      Quem quer que tenha sido o  orientador da carreira deste rapaz chamado Gordon Levitt fez um bom trabalho. Ele é neto do diretor Michael Gordon (Confidencias a Meia Noite com Doris Day e Rock Hudson), que foi perseguido pela Caça as Bruxas. Começou como ator infantil, depois conseguiu ser fixo num sitcom de sucesso (3rd Rock from the Sun, 96-2001). Foi estudar em Nova York na Universidade de Columbia e aos poucos começou a fazer papeis pequenos em filmes grandes e estrelar produções independentes, em papeis de assassino ou gay ou qualquer coisa polemica que passaram a  lhe dar reputação de ser cool e transado. Na verdade, não é nada especial. Não é bonito, não é forte, alto ou grande ator. Pouco expressivo, foi uma decepção como o recente e disfarçado Robin do Cavaleiro das Trevas. Mas nem por isso deixou de ser  prestigiado e cultuado como um astro jovem (32 anos) que agora se pode mesmo dar ao luxo de dirigir um filme Classe A (ou B menos).Co-estrelado pela bela e igualmente prestigiada Scarlett Johansson. 

       O titulo nacional não dá uma idéia correta do que se trata o filme, não é uma comédia romântica com tantas outras, não apenas porque lhe falte um “centro”, um ator forte o suficiente para justificar um personagem pouco simpático e que Levitt  deixa apenas enigmático. Rodado por apenas 6 milhões de dólares, rendeu 22 milhões, ou seja foi lucrativo ainda que não tenha tido boa repercussão. Não que já tenham descoberto que ele é uma fraude, simplesmente afastou o publico feminino que não gosta de pornografia (outros sobre o tema como “Lovelace” foram igualmente mal falados) sem agradar tampouco os que são viciados ou especializados nessa indústria. O titulo original parece se referir de forma irônica a figura do Don Juan, o grande conquistador de mulheres. O problema do protagonista é outro. Jon (Levitt) é obcecado por sexo, só pensa isso, só gosta de fazer isso. Mora em New Jersey,é muito católico (e se confessa com freqüência no filme), gosta da família (Tony Danza faz o pai dele em papel totalmente mal desenvolvido, alias com tudo no roteiro)  mas só é feliz mesmo se masturbando diante da pornografia que  consome de forma delirante (chega ao cumulo de depois de concluída a relação sexual com uma mulher partir para o lap top para se masturbar).  Depois de nos apresentar Jon após alguma ligações mal sucedidas com belas mulheres, ele finalmente se esforça para tentar conquistar a mais bela delas, Barbara (Scarlett) mas nem assim é capaz de se conter (e a moça descobre o monstro que ele esconde). E quando isso não dá certo, o script arranja um jeito de colocar no caminho dele uma mulher mais velha, que tem uma sequencia de romances infelizes mas com quem ele se diverte sexualmente (o papel pasmem é de Julianne Moore, que passando os cinquenta e apesar da pele delicada de ruiva, ainda esta um bela mulher e convence inteiramente num papel extremamente mal desenvolvido).

       No final das contas, é impossível gostar de Jon, mesmo quando o diretor não o julga nem o aprofunda (nem o psicanalisa). Nem sua obsessão sexual. Limita-se a ilustrar sua aventura, com muito ritmo, direção ágil, apontando o problema mas nunca resolvendo-o ou sequer discutindo-o. E o pior,  fazendo um drama que não da certo disfarçado de comedia romântica. Shane que de certa maneira abordava o mesmo tema foi melhor e mais interessante.  

Ref fim.  

Crô, o filme


Crô, o filme. Direção de Bruno Barreto. Roteiro de Aguinaldo Silva. Com Marcelo Serrado, Carolina Ferraz, Ana Maria Braga,Gaby Amarantos, David Alvarez, Milhem Cortaz, Carlos Machado, Ivete Sangalo, Alexandre Tigano.


    O Brasil é um país muito esquisito. No ano em que se derrotou ainda que parcialmente a Homofobia e foi liberado o casamento para pessoas do mesmo sexo, o máximo que a televisão conseguiu  fazer a respeito foi inventar o personagem de Crodoaldo Valério, uma triste caricatura e a mais recente presença de Felix, que não é exemplo para ninguém. Mais estranho ainda é que alguém tenha inventado transpor Crô para o cinema e entregá-lo nas mãos de Bruno Barreto, sem duvida um cineasta competente mas cujo ponto fraco sempre foi o senso de humor. Vide sua experiência americano no gênero, como Voando Alto (03). Depois ele fez O Casamento de Romeu e Julieta, 05, que era bem sucedido porque teve o bom senso de chamar para ajudá-lo os mestres da comédia Jandira Martini e Marcos Caruso. Alias prova da qualidade de Bruno temos no recente e delicado Flores Raras.

      Tivemos também faz pouco, a experiência de Giovanni Improta, uma comédia (melhor que esta por sinal) que tentou ressuscitar um personagem que veio de uma novela de 2004 e estava completamente esquecido. Crô é mais recente o problema é que fizeram um drama sobre trafico de escravas brancas bolivianas que são contrabandeadas para virem trabalhar no Brasil em fabricas de roupas, numa espécie de trabalho escravo. Então esta denuncia que poderia ser oportuna noutro tipo de filme acaba sendo a narrativa mais importante (porque acompanhamos a pobre sofredora da mãe e sua filha pequena, que tenta fugir de maneira absurda. E uma morte importante acontece fora de cena! Talvez porque não se mate ninguém em comédia, perceberam eles tarde demais!). Enquanto seguimos o drama dessa gente e temos que engolir dois vilões fora de ordem (Milhelm Cortaz ainda esta de acordo com os personagens que faz mas Carolina Ferraz dando uma de Cruela de Vil é outro equivoco). 

       É verdade que eu não assisti a telenovela e por isso alguns detalhes me escapavam (mas pessoas gentis me informaram depois porque a foto de Christiane Torloni, aquela historia de Deusa- outra vitima, Ivete Sangalo, mal maquiada e fotografada fazendo  a mãe de Crô, a ligação com seu motorista, que não consigo entender vive o insultando e todo mundo acha normal!). Conheço o Marcelo Serrado principalmente daquele bom trabalho em Malu de Bicicleta, 2010, com que foi premiado em Paulínia. Só que no filme que deveria ter sido dele, o coitado passa o tempo todo fazendo caras e bocas, ou seja, tenta fazer comédia quando nada o ajuda. A historia é absurda, o roteiro mal desenvolvido, o personagem se torna patético diante da besteira de querer arranjar uma noiva (seu homossexualismo é tratado de passagem, um grandão divide a cama com ele, mas é pura caricatura como se fosse feito para o publico não se ofender ou pensar nisso). Este ano tivemos uma safra irregular de comédias, e sintomaticamente as que deram maior bilheteria foram quase todas as  melhores. Não acredito que este seja perdoado. Não porque é ofensivo, apenas porque não tem nenhuma graça.

Ref fim.

Ensaio

Ensaio . Brasil, 13. Direção Tania Lamarca. Com Lavinia Bizzotto, Antonio Cunha, Ingra Liberato, Bruno Cesarop. Renato Turnes. Chico Caprario.

     Embora já estivesse pronto há algum tempo, só no ultimo Festival do Rio que teve sua estréia este novo trabalho da diretora catarinense Tania Lamarca (mais conhecida por ter feito o primeiro Tainá, e Buena Sorte. Mas este é sem duvida sem melhor trabalho. Um filme mais interessante do que você pode imaginar pelo nome (ele tinha originalmente um sub-titulo Segredos de uma Companhia de Danças) e muito mais bem realizado do que a média geral de nossas produções. 

      Não me lembro de outro filme nacional sobre esse tema e mesmo no exterior há poucos que se aventuram a contar (não como documentário) uma aventura artística de um grupo de dança (no caso regional, parece que de Florianópolis, capturado durante o inverno) que esta imersa na produção de um espetáculo sobre a vida de Anita Garibaldi. Assim há uma tentativa de capturar quem foi Anita, a rebelde lutadora (ate com depoimentos do povo) enquanto uma bailarina (a talentosa e estreante Lavinia Bizzotto) esta em pleno processo de acessar ao personagem, enfrentando um conflito entre seu companheiro e diretor do espetáculo (Chico) e o seu companheiro de palco, Bruno Cesareo (que fala com sotaque carregado e traz as marcas de sua infância difícil (só sugerida) e principalmente da ditadura argentina. Eventualmente Lavinia fica grávida  e sofre para tomar uma decisão. O roteiro não faz questão de explicar muita coisa mas também não foge de frases feitas pseudo profundas ou poéticas. Que são dispensáveis porque a fotografia é muito bonita, a câmera muito eficiente e os momentos de dança envolventes (mas porque não vemos afinal de contas o espetáculo pronto?). Embora não convença totalmente, tem bons momentos este Ensaio.

Ref fim.

A Floresta de Jonathas

A Floresta de Jonathas . Brasil, 2012. Direção de Sergio Andrade. Com Begê Muniz, Francisco Mendes, Viktoryia Vinyarska, Ítalo Castro e Socorro Papoula. Fotografia: Yure César.

      Foi uma boa idéia da distribuidora disponibilizar na Internet para os jornalistas este filme que já parecia intrigante, não tanto por ter sido feito inteiramente no Amazonas por gente de lá (o único que eu reconheci que era de fora era o Chico Diaz, numa participação pequena) mas pela qualidade de sua fotografia digital que ajudou o longa a ter uma reação positiva no Festival de Rotterdam, Holanda, ate porque qualquer estrangeiro morrerá de curiosidade em observar um ângulo novo e nada folclórico da região. O filme não revela que é inspirado num fato real e que existiu realmente um rapaz chamado Jonathas que se perdeu na floresta durante mais de 40 dias, onde tentou sobreviver sozinho. Apenas o pai insistiu em continuar procurando mas a conclusão me pareceu um pouco confusa. Simplesmente porque o diretor tem nas mãos uma historia interessante e curiosa mas que é narrada como se tivesse sido feita por um alemão mal humorado, que adora planos gerais e demoradíssimos. De vez em quando ela se move mas também de forma lenta. Que se dane o espectador que pode se cansar ou não se interessar, que ele continua nada dele (e de vez em quando sem mais nem menos a câmera vai caminhando com se tivesse vida ou ponto de vista de alguém, para buscar o jovem protagonista que toca /aprende violão). 

       É basicamente a historia de dois irmãos, que trabalham ajudando o pai e a família a catar frutas da floresta que depois vendem numa barraca a beira da estrada. Um deles mais rebelde e mais velho, outro mais novo mais obediente. O mais velho briga com o pai e é expulso de casa, passando a fazer excursões com turistas, como é o caso de uma garota que veio da Russia, e que se interessa por Jonathas. Tudo poderia ter virado uma aventura erótica na selva (não há nudez) cheia de banhos no rio mas toma outro rumo quando o rapaz entra na floresta em busca de uma fruta que pretende presentear a garota e acaba se perdendo. Temos imagens interessantes e fora do comum dali em diante mas novamente não era preciso ser tão cerebral na direção, já que o final é coisa para satisfazer critico que gosta de filme chato. Uma pena porque o filme revela sinais de talento e originalidade. 

Ref fim.

Além da Fronteira

Além da Fronteira (Out in the Dark) Israel, 12. Direção de Michael Mayer .96 min. Roteiro de Michael Mayer, Yael Shafir. Com Nicholas Jacob, Michael Aloni, Jamil Khoury, Alon Pdut, Loai Noh.

      Tem sido surpreendente a posição liberal de Israel em relação aos direitos dos homossexuais, demonstrado em alguns filmes recentes e principalmente neste dramático e contundente filme de diretor estreante em longa Michael Mayer. Ganhou os Festivais de Haifa, Guadalajara, Miami, Nashville, Filadélfia,Rochester, San Francisco, Torino, Toronto.

       Uma variante do eterno Romeu e Julieta, conta-se a historia de um rapaz palestino, Nimir (o estreante Jacob) que tem problemas com sua família que nem pode saber de sua orientação sexual. De vez em quando ele consegue cruzar a fronteira e vai a alguma boate gay correndo risco de vida. Numa dessas vezes conhece um simpático e atraente advogado Roy (Michael Aloni, que lembra o jovem Michael Douglas e parece ser famoso lá, porque desde criança era apresentador de shows de teve).Aos poucos os dois se apaixonam;   

      Se há vilões nessa historia toda são a família de Nimir (o irmão dele faz parte de grupo terrorista e nenhum deles pode aceitar a homossexualidade, razão suficiente ate mesmo para matá-lo). Os israelenses são mostrados com maior compreensão, a família de Roy questiona e levanta os problemas que surgirão mas aceitam  a vida do filho e temem pelo romance tão arriscado.  O problema é que há um policia secreta que leva a ferro e fogo sua tarefa de impedir atentados e não tem paciência para ser compreensiva, encaminhando tudo para a inevitável tragédia. Felizmente os autores do filme tinham a consciência de que num filme assim é recomendável se dar uma esperança, uma possibilidade. Como pediam sempre os produtores de Fellini.

        Não há duvida que o filme (que lembra outro anterior, com a mesma mensagem, Bubble/Idem,  tem uma postura positiva e pode chegar a emocionar. Eu levanto uma questão apenas. O casal de rapazes é apresentado como apaixonado mas não será por causa do sexo (as cenas são extremamente discretas e não demonstram o fervor sexual como uma das razões para a paixão) nem senti essa tão grande emoção com a dupla (acho particularmente limitado o rapaz que faz Nimir, ele tem olhos mortos, e a verdade que tem olhos brilhantes e vivos é um fator definitivo para o sucesso no cinema. De qualquer forma, ele é árabe mas a mãe é italiana, não quer ser ator mas piloto da Lufhthansa, quem foi fazer o teste era sua namorada que o indicou na ultima hora!). Mas a gente sempre torce para que a versão militante de  Romeu e Julieta, que os heróis vivam felizes e superem os preconceitos e barreiras políticas e familiares. Como deveria ser sempre.

Ref fim.

Um Fim de Semana em Hyde Park

Um Fim de Semana em Hyde Park (Hyde Park on Hudson). EUA, 12. Direção de Roger Michell, Roteiro de Richard Nelson. 94 min. Com Bill Murray, Laura Linney, Olivia Williams, Samuel West, Olivia Colman, Elizabeth Marvel, Eleanor Bron, Elizabeth Wilson. Playarte.

      Deve ter sido por causa do sucesso de filmes sobre os bastidores da vida dos governantes e da família real britânica, que incentivou os norte-americanos a realizar esta contrapartida, que conta um caso quase desconhecido que teria sucedido com um presidente americano o famoso Franklin D. Roosevelt  que salvou os americanos da depressão econômica  e depois da Segunda Guerra Mundial. Lançado tão discretamente em nossos cinemas, poucos tomaram conhecimento da existência deste filme bobinho, ate mesmo chato. Mas delicado e bem feitinho, que poderia agradar talvez a alguns damas mais idosas e sensíveis. Mas é provável que seja rapidamente esquecido aqui como sucedeu lá fora, onde não conseguiu alcançar nenhuma de suas vagas pretensões a conquistar prêmios.  Mesmo a historia que poderia ser escandalosa é mostrada de forma discreta demais mesmo. Não impressiona ou assusta ninguém.

      Assim  nos anos 1930 em  Hudson Valley, Margaret "Daisy" Suckley reencontra seu primo distante o Presidente Franklin D. Roosevelt e vem ajudá-lo a relaxar um pouco na bela mansão que pertence a família. A relação logo se desenvolve quando eles se tornam amantes. Mas não espere nada de muito escandaloso ou chocante, ou especialmente divertido. O clímax é quando a prima Daisy (interpretada pela sempre encantadora e jovial Laura Linney)  tem que participar de receber o Rei e a Rainha da Inglaterra que em 1939 vieram para uma visita oficial . Era uma Época em que não iria demorar para o mundo explodir numa Guerra mundial terrível  e no entanto eles estão preocupados com regras e mesquinharias. O que poderia ter resultado num  filme muito mais divertido do que este.

       A culpa não é dos atores, nem da produção que é muito bem cuidada mas do roteiro que revela pouco, parece ter medo de mexer  em tabus ou vacas sagradas! Não é nem um pouco ajudado pela presença de Bill Murray no papel do Presidente, que ate tenta fazer uma caracterização aproximada dele. Mas  não consegue. Quando se sabe que o Presidente também era amante de sua secretaria e que a Sra Roosevelt mantinha uma ligação lésbica é que se começa a avaliar quão tímido é esta decepcionante sessão da tarde. Uma pena. Um desperdício de talento. 

Ref fim.

Tango Libre

Tango Libre (Idem) .Bélgica, França, Luxemburgo, 2012. Direção de Fréderique Fontayne. Com Sergi Lopez, François Damiens,  Jan Hammenecker, Anne Paulicevich, Zacharie Chasseriaud, Christian Kmiotek, David Murgia.

      Preste atenção no nome do diretor Fontayne e procure se lembrar do sucesso que ele fez com um filme anterior chamado  Uma relação pornográfica, 1999, com o mesmo ator Lopez.  Pois com este levou o Grande Premio em Varsóvia e Menção especial no Horizons de Veneza. Só isso já recomendaria o filme. Que ainda me surpreendeu com uma belíssima fotografia e uma narrativa intrigante e inusitada.

       Mais uma vez o cinema revela que o tango é a dança mais cinemática de todas , extremamente fotogênica, sensual e eloquente.  Se o filme anterior tinha boa historia e boa direção de atores, aqui ele expande isso para uma narrativa inspirada, com câmera moderna e imagens bonitas (confesso que ainda gosto de cinema que traz bonitas imagens,não deixei de ser esteta). E aqui isso já começa com uma sequencia de abertura meio enigmática mostrando um assalto a carro forte. Logo após isso os envolvidos estando servindo pena na cadeia enquanto a mulher de um deles (na verdade, parece se dividir entre os dois, já que o roteiro foi escrito pela atriz que faz esse papel, que não é nada boba.  Anne Paulicevich, por que ainda por cima se envolverá com uma guarda da prisão com quem ira dançar numa aula de tango). 

       Então é um quadrilátero (ao qual se pode acrescentar o filho pré adolescente e naturalmente revoltado) que será sempre embalado pelo tango. Porque um dos assaltantes ( o bom Sergi) vai procurar na cadeia os argentinos com o pedido de aprender a dançar o tango e eles o atenderão no que irá se tornar um tango macho, dançando com virilidade  por prisioneiros(inclusive numa longa mas bela sequencia que funciona de background para os letreiros finais). Engraçado que a dança –uma manifestação libertária- faz toda diferença, do que poderia ser um policial de prisão.  Vale a pena descobrir.

Ref fim.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Bons de Bico

Bons de Bico (Free Birds). EUA,13. Direção e roteiro de Jimmy Hayward. Com as vozes de Leando Rassum. Marcus Melhem. No original, Woody Harrelson, Owen Wilson, Amy Poehler, George Takei. 

      Não houve pré-estréias para a Imprensa deste filme de animação que merecia melhor sorte. Não é nenhuma maravilha, ate porque o diretor autor Jimmy Hayward, se perdeu no script  fazendo escolhas erradas que tornam o resultado discutível. Ainda mais sendo para criança. Talvez tenha sido uma questão de expectativa, quando soube que o filme era sobre perus fugitivos que tentavam escapar do inevitável destino de serem comidos, fiquei imaginando algo na linha de A Fuga das Galinhas que é um filme que lembro ainda com saudade e de vez em quando gosto de rever (é verdade que ele era baseado num filme solido e famoso que era Fugindo do Inferno, só que com galinhas). Aqui o roteiro ate que começa promissor mostrando Reggie, um peru inteligente que sofre com a burrice de sua tribo que vai pateticamente para seu destino sem discutir ou sequer perceber. Só ele tem a sorte de escapar e vai parar nos braços da filha do presidente norte-americano! A menina consegue ficar com ele, que levará uma vida boa, descobrindo o prazer da televisão e da boa pizza! Mas fora Reggie ainda tem um outro peru metido a herói, Jake, que acaba envolvendo os dois num plano mirabolante para salvar sua espécie e os dois acabam viajando numa maquina do tempo na esperança de mudas as coisas, desde quando os colonos do Mayflower descobriram os perus, ave nativa da America e que será usada no primeiro banquete entre índios e brancos fazendo nascer assim a tradição do Ação de Graças. 

      Grande parte da historia se passará, portanto na época colonial, onde surgirá ate um interesse romântico para Reggie. Mas entre idas e vindas, tem muita fuga, mas nunca um vilão digno do nome. A trama é fraca, falta mais humor e se não chega a ser exatamente ruim também esta longe de ser algo de especial ou notável. Sou mesmo tangido a comparar o resultado ao gosto da carne de peru, falta o molho, que a poderia tornar menos seca e sem graça .Só uma palavrinha sobre o diretor, de quem havia gostado do primeiro filme, o Horton e o Mundo dos  Quem! Que era original e criativo. Depois ele fez um western meio terror chamado Jonas Hex que é de morrer de ruim. Dentro da tradição de esconder os filmes ruins da imprensa, quem sabe a distribuidora ate acertou. Nos EUA, o filme custou 55 milhões de dólares e rendeu ate agora por volta de 44. Ah, não custa lembrar que em inglês “turkey/peru”é o adjetivo dado para um filme ruim que seria para nos o antigo”abacaxi” ou “bomba” ou “droga”.

Ref fim.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Vazio Coração

Vazio Coração. Brasil, 13. California. 90 min. Direção de Alberto Araujo. Com Murilo Rosa, Othon Bastos, Larissa Maciel, Bete Mendes, Lima Duarte, Oscar Magrini, Patricia Dornelles. 

     Permitam-me ser mais pessoal que costume. Conheci o Alberto Araujo numa das primeiras idas a Goiânia, onde ele mora e trabalha. O Reconheci como apresentador e produtor de um programa de turismo da Rede Teve na época em que andei por lá e acabamos ficando amigos e sabendo que planejava um filme. Eu o incentivei e fiquei admirado que com pouca experiência de cinema propriamente dito (tem uma produtora de vídeo e programas) ele sabia exatamente o que queria. Como bom mineiro, apaixonado pela poesia, se dispôs a fazer um filme que nem sabia que era contra a Maré. Embora seja de baixo orçamento ninguém imagina isso. A fotografia é muito bonita e não tem medo de mostrar paisagens de Uberlândia, Brasília e principalmente de Araxá, todos os ambientes são muito bem cuidados e o elenco é de primeira linha trazendo a melhor interpretação de toda a carreira de Murilo Rosa que esta cercado por alguns dos grandes atores nacionais, Lima Duarte (maravilhoso como sempre), Bete Mendes (aparece pouco mas a cena em que diz trecho de poema é um primor), mesmo a novata Larissa Maciel, que é só doçura. 

     Ou seja, ter orçamento baixo não obriga o filme a ser pobre. Desde o começo Alberto queria contar essa historia do cantor popular (as letras das canções também são dele) que esta em conflito com seu pai que é um embaixador veterano provocado ainda mais pela morte da mãe, num acidente de aviação (ele tinha enviado o minijet para busca-la para assistir um show dele). Uma tragédia que ajudou a provocar a separação entre pai e filho por muitos anos. Agora o rapaz procura a reconciliação no embalo das canções (já que prepara show). É quando entra a grande figura de um dos maiores atores brasileiros que é Othon Bastos, fazendo o pai com uma incrível humanidade. Não que não tenha possíveis falhas pontuais mas acho que acerta no principal. Faz tempo que não vemos um filme brasileiro falando de coração para coração. 

Ref fim.          

Uma Estranha Amizade

Uma Estranha Amizade (Starlet) EUA, 12. Direção de Sean Baker. 103 min.  Com Dree Hemingway, Besedka Johnson,Stella Maeve, Boone, Sheri Vecchio,Robert  Malmuth, James Ramsone.

     São tantas as estréias que a tendência é não prestar atenção em certos filmes pequenos que podem ter qualidades. É o caso desta produção independente de um certo Sean Baker, que tem alguma reputação por fazer filmes realistas, quase semidocumentários, que me parece não foram exibidos comercialmente aqui (como Taken Out, 04, Prince of Broadway, 08). Este aqui teve muita repercussão ganhando o Independent Spirit de elenco (indicado também como direção), a atriz como revelação em Hampton, premio dos jovens em Locarno, critica de Reykjavik.

     O estilo do diretor é aquele que esta começando a me irritar, deixa a câmera perseguir os atores, captando as conversas e os momentos mortos, sem qualquer dialogo preparado ou maior profundidade. Por isso mesmo dependente muito da escolha dos atores, começando pelo próprio cachorro de estimação da heroína (que é o cachorro do próprio diretor do filme, Boone, e que é apelidada de Starlet). Quem faz a protagonista é Dree Hemingway, bisneta sim do escritor e filha da famosa Mariel Hemingway e do diretor Stephen Crisman. Fiquei surpreso no meio do filme quando aos cinquenta e poucos minutos se revela que a moça é atriz de filmes pornográficos e fica-se na duvida se ela participou mesmo das cenas explicitas de sexo que aparecem ou foi usado uma dublê. 

      De qualquer Dree é uma loirinha aguada, de nariz comprido e com total falta de expressão. Começa o filme mostrando-a morando com um casal de amigos que vivem se drogando e tentando montar o apartamento comprando coisas em yard Sales (vendas em quintais caseiros) até quando encontra dentro de um garrafa de água quente um montão de dinheiro que uma velha escondeu e não lembra mais. Intrigada se aproxima dessa mal humorada e relutante senhora, de quem eventualmente irá ficar amiga. Há esta o ponto mais comovente do filme, já que essa velha é feita por uma certa  Besedka Johnson que sempre sonhou em ser atriz e logo depois morreu aos 87 anos! Era astróloga antes disso e saber do fato torna o filme mais interessante e comovente. Há para quem gosta pontinhas de porn star verdadeiras. 
Ref fim

Os Filhos da Meia Noite

Os Filhos da Meia Noite (Midnight Children) India, 12. Direção de Deepah Mehta Com Satya Bhabha, Shahana Goswami, Rajat Kapoor, Seema Biswas, Shriya Saran, Ronit Roy, Rahul Bose, Charles Dance.

      Famoso como a primeira grande adaptação de um romance do famoso escritor Salman Rushdie, adaptada por ele mesmo, pelo conhecida diretora indiana Deepah Mehta ,que foi indicado ao Oscar de filme estrangeiro por As Margens do Rio Sagrado, 05, e tem ousado quebrar tabus do cinema local como em Fogo e Desejo,96). A ponto de ser chamada de A voz da Nova Índia. Rushdie nasceu na Índia de família islâmica mas é ateu. 

       Mas desta vez ela não deu sorte, em parte porque o livro é longo e confuso, misturando fatos reais e históricos como o realismo fantástico. De tal forma que se torna praticamente impossível de se entender, caso seja apenas um  espectador casual que nunca ouviu antes falar direito das questões políticas da Índia e Paquistão ,que ate hoje estão em Guerra, provocadas sem duvida por uma divisão religiosa, porque no Paquistão estão os islamistas (que na verdade foram obrigados a se mudar para lá, forçados pelos ingleses quando deixaram a região!). Não custa lembrar também que Rushdie teve que fugir porque foi condenado a morte pelos fanáticos religiosos que se sentiram ofendidos com  livro anterior dele e durante anos ele teve que se esconder e ainda anda junto com proteção policial. Mesmo para fazer este filme houve dificuldades enormes e acabaram rodando no Siri Lanka, assim mesmo com problemas. Alias é o próprio Rushdie que faz a narração da historia. 

       O romance ganhou o premio Man Booker Prize em 1981, que é dado por cidadões da Commonwealth .O filme é co-produção entre Canadá e Inglaterra. A recomendação histórica continua valendo. É bom pesquisar antes para conseguir seguir os fatos históricos que vão rolando. É sobre um velho que relembra sua vida, começando por seu avô , um médico educado na Europa Aadam Aziz (Rajat Kapoor) que conhece a futura avo em 1917 e que se revela como uma pessoa de força de vontade dando-lhe 3 filhas.Uma delas Muntaz se envolve com refugiado político (eles se casam mas divorciam e ela se casa com outro, que lhe mudao nome para Amina e a leva para Bombaim. Esta comprando uma casa vitoriana de um cidadão inglês que esta deixando o pais (o único ator para nos conhecido que é Charles Dance), que vai se tornar independente em 15 de agosto de 1947 (ele seria descendente do cara que planejou a cidade mas isso não vem muito ao caso).  

       Paralelamente conhecemos dois atores de rua e Vanita esta grávida sendo que ela e Amina irão dar a luz justamente naquela noite onde todos celebram a independencia.Só que a enfermeira de ambas mães resolve aprontar uma brincadeira   troca os dois bebes do sexo masculina, assim o pobre irá crescer rico e vice versa. Esta com cara de telenovela, pois é, isso já aconteceu por lá mesmo. Assim crescem mal o rico agora criado na rua é desajeitado e o outro revoltado e lutador. Ambos não saberão conduzir direito sua vida e seu destino. 

      Acho que não é o caso de descrever mais a historia. Basta dizer que o filme é feito com bastante produção mas não sabem  o que fazer dos poderes especiais que os dois adquirem. Não se tornam Avengers ou coisa que o valha, na verdade o recurso é mal explicado e mal resolvido. De tal maneira que por mais boa vontade que se tenha consegue cansar e ate irritar (com duas horas e meia de projeção). A Índia é um país difícil de  se compreender e aceitar com seu sistema de castas.  Este filme não ajuda nada.

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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Juan e Evita, uma Historia de Amor

Juan e Evita, uma Historia de Amor (Juan & Eva) Direção de Paula de Luque. 110 min. Com Julieta Diaz, Osmar Nunez, Lorena Vega, Fernan Miras, Sergio Boris, Alfredo Casera, Alberto Alana, Maria Ucedo. 

     Não sou nada admirador do mito Juan Perón, um atraso na vida dos argentinos e muito menos da lenda Evita. Fica difícil ver mais uma biografia (sempre autorizadas e chanceladas pelos diversos partidos peronistas que ainda mandam no pais vizinho) e perceber que a revelação de fatos notórios são controlados e escondidos. Substituídos por uma historia com cara de telenovela, inclusive com a presença de uma atriz do gênero fazendo o papel de Evita. Bonitinha mas sem a chama e carisma que ficamos esperando de tão notória figura.

       Este filme escrito e realizado por uma mulher (o filme seguinte dela é um documentário sobre ninguem menos do Nestor Kirchner, o que já dá uma idéia de quem é essa figura) começa ate com certa fluência (ate quando percebemos que não é bem obra da diretora mas da edição final, que funciona até quando tem o terremoto de 1944, na cidade argentina de San Juan, que serve para aproximar o Coronel Peron, tambémGuerra e Vice-Presidente Ministro de Trabalho, (feito por Osmar Nunez, ainda mais envelhecido e inexpressivo do que outros que o precederam) da ambicioso radio atriz de 23 anos, Eva Duarte. Começa o amor e logo depois vem o ódio, quando Eva se casa com Juan e se torna disposta a tudo para lhe garantir o poder. O filme termina porém quando ele tem a primeira vitória populista e na verdade não registra a época mais louca e triunfalista do ditador e sua pretensiosa mulher.

       Tem uma ou outra que poderia ser curiosa (como a garota que ele fazia passar por filha, que Evita afasta) mas em geral mas um filme chapa branca, ainda mais discutível que o de Lula. 

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Belos Dias

Belos Dias (Beaux Jours) França,13. Direção de Marion Vernoux. 94 min. Com Fanny Ardant, Patrick Chesnais, Laurent Lafitte, Fanny Cottençon, Marie Rivière, Jean-François Stévenin.

      Esta se criando um novo gênero de filme endereçado ao publico “senior”, em particular as mulheres que apreciam consumir romances sobre gente da sua idade que ainda redescobrem o amor e ao  contrario da maioria delas, ainda vivem alguns momentos, ainda que fugazes de paixão. Mas raramente o cinema francês, sempre tão sensível e perspicaz ofereceu um filme tão bobinho, tão sem graça, absolutamente superficial. Não há um momento de verdade, de discussão de problemas (que mal são colocados), limitando-se tudo ao possível prazer de ver Fanny Ardant, já sessentona (nasceu em 49), mas ainda uma mulher atraente e interessante .Não entendi porque esta com os cabelos aloirados, o que não lhe cai especialmente bem depois de uma carreira inteira morena. Mas é um grande elogio as mulheres atuais o fato de que é perfeitamente aceitável e convincente ver ela ter um romance com um homem mais de 20 anos mais novo e acreditar. Ate que seja ele que passa a cantada! Um elogio também ao rapaz Laurent (que se assina como membro da lendária Comédie Française) que depois de uma longa carreira de mais de 40 filmes, onde eu nunca o notei. Agora tem uma presença simpática e natural.

       A historia é baseada num livro chamada a Jovem Mulher com os cabelos brancos de uma certa  Fanny Chesnel, adaptado com a diretora Vernoux (que escreveu o sucesso Instituto de Beleza Venus e dirigiu antes Um dia de Rainha, 01, à Boire, 04 com La Béart). É sobre uma dentista que esta se aposentando e continua casada há muitos anos com um homem da mesma profissão. Ela ingressa num grupo de aposentados que procuram se ocupar nos horários vagos e ela mesma se interessa por informática e fica toda faceira quando é seduzida pelo jovem professor. Os dois tem um romance, o marido desconfia mas nada de importante chega a rolar, nem mesmo um confronto. O filme é tão covarde que se exemplifica claramente pela cena final, quanto todo o grupo de casais de muita idade, iria a praia para nadar sem roupa, se expondo em todos os sentidos. Só que no final das contas praticamente todos estão de maiô, inclusive Fanny e Chesnais, que não mostram suas “vergonhas”. É bem a cara do filme que não expõe nada, limita-se a passear pelas areais de costa de Pas de Calais. 

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Um Castelo na Itália

Um Castelo na Itália (Um Château in Italie) França, 13. Direção de Valeria Bruno Tedeschi. Roteiro de Valeria, Noemie Lvovsky(de Adeus,  Berthe e Camille, outra vez). Agnès de Sacy. Com Valeria Bruno Tedeschi, Louis Garrel, Filippo Timi,  Marisa Bruno Tedeschi (como a mãe, usando o nome de Marisa Borini), Xavier Beauvois, Céline Salette, André Wilms, Silvio Orlando, Marie Riviére. 

      Durante as viagens a Festivais no exterior, tive a chance de entrevistas algumas vezes a atriz Valeria Bruna Tedeschi (que já na época lutava para ser a anti-Carla Bruni, porque era irmã da famosa e bonita modelo, que depois se tornaria primeira dama da França). Valeria não é especialmente bonita mas é boa atriz  e talentosa como vem demonstrando como diretora agora com este filme que chegou a concorrer a Cannes 2013 (não levou premio mas isso é compreensível já que se trata de uma comédia).

      Escrito por três mulheres, o filme tem um humor especial, meio negro, totalmente original, muito criativo. Ao menos foge do lugar comum, com romance inusitados, situações de constrangimento e resoluções inesperadas. E achei uma idéia especial Valeria escalar como a sua mãe na historia, sua mãe verdadeira (ainda que escondida por outro sobrenome, extremamente convincente, com jeito de gente de verdade, não atriz).

      Seu personagem chamado Louise Rossi Levi poderia ser classificada como “ciclo tímica” e como a própria Valeria era uma atriz que se afastou da carreira (ela deixou de fazer filmes para se concentrar na direção). Sua família já foi muito rica, esconde segredos não muito louváveis e ainda mantém um decadente palácio na Itália (na região de Torino, ou seja Piementose), porque o falecido pai era dono de uma grande fabrica que aos poucos foi entrando em decadência. Eles não tem como pagar as contas mas esbarram na teimosia do irmã dela, Ludobvic (que fez Mussolini em Vincere e que acabo de descobrir que tem um problema de visão que o deixa quase Cego, apesar dos olhos penetrantes). Tem a seu lado uma namorada fiel (que conhecemos de Além da Vida, Ferrugem e Osso, Maria Antonieta e L´Appolonide). Só que esta morrendo lentamente de Aids. Há ainda um amigo alcoólatra que parece entrar na historia para jogar verdades na cara da família (feita pelo agora gordo diretor Xavier Beauvois), alguns empregados fieis) e principalmente um interesse romântico muito divertido, já que se apaixona por uma ela um rapaz vinte anos mais novo, que também é ator mas vive em conflito semelhante ao dela em relação a profissão e que resulta na melhor interpretação do sempre interessante Louis Garrel ( Os Sonhadores, Canções de Amor). As brigas do casal são divertidas e fogem do lugar comum dos romances. Os especialistas notam a mão no roteiro de Noemie Lvovsky(de Adeus,  Berthe e Camille, outra vez).

     O que foi me envolvendo é justamente o humor original, o drama familiar convincente, a competência de Valeria e também a bela sequencia da arvore familiar que tomba.  Só depois que fiquei sabendo que o filme tem muito de autobiográfico, que a mãe é realmente pianista de concerto, que Garrel foi realmente namorado dela (até o ano passado), que Valeria perdeu um irmão Virginio em 2006 com Aids e que também pensa em ter filhos (adotou bebe senegalês com Garrel). Em seu terceiro trabalho como diretora (È più facile per um Cammello, 03 e Attrici, 07), ela já se encontrou.
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Blue Jasmine

Blue Jasmine (Idem) EUA, 13. Direção e roteiro de Woody Allen. Com Cate Blanchett, Alec Baldwin, Peter Sasgaard, Sally Hawkins, Andrew Dice Clay, Tammy Blanchard, Bobby Cannavale, Michael Stuhlbarg, Louis C. K.

       Os boatos se confirmam, este é o melhor filme dramático de Woody Allen até o momento (embora nem por isso deixe de provocar alguns sorrisos) e  provável indicado aos Oscars (ao menos) de roteiro original e sem duvida de atriz (já que Cate Blanchett, sem a menor surpresa, esta magnífica). E também é sucesso de bilheteria nos Estados Unidos (32 milhões nos EUA o que é muito bom para um filme de Allen). Trabalha novamente com o fotografo de Vicky Christina Barcelona, o espanhol Javier Aguirresarobe agora  captando outra cidade marítima  que tem bastante a ver com Barcelona, San Francisco. 

     A primeira coisa que achei incrível é que nem todo critico tenha percebido o óbvio, que com o filme Woody fez um homenagem a peça Um Bonde Chamado Desejo ou uma Rua chamada Pecado (nome da versão de cinema com Marlon Brando memorável e Vivien Leigh) de Tennessee Williams. Homenagem mesmo, ele não copia nada, apenas aproveita alguns traços genéricos da peça (até porque Cate estrelou a remontagem mais recente, dirigida por Liv Ullman, que foi um imenso sucesso pessoal para a atriz!). Assim, esta Jasmine (Jasmin) na verdade é um nome de guerra que ela adotou para ficar chique. O filme começa com ela voltando de avião para vir passar uma temporada com a meia irmã (o fato é que ambas foram adotadas de origens diferentes) com quem nunca se deu bem, Ginger (a inglesa Sally Hawkins, que vimos em Revolução em Dageham, Simplesmente Feliz e que às vezes consegue se tornar aborrecida ao insistir nos mesmos tiques e trejeitos. Desnecessário dizer que aqui esta contida e na medida certa).As duas nunca foram próximas mas se trata de uma emergência. Jasmine acabou de ficar viúva e esta a beira de um colapso, pode ser mesmo que já esteja dominada pela loucura. Essa é a única saída a que pode recorrer e o obstáculo maior é o atual namorado dela um sujeito meio grosso e  machão feito pelo ótimo Bobby Cannavale (ganhou :Emmy este ano por  Boardwalk Empire) que justamente faz lembrar o Stanley Kowalski de Brando. Alias ela tem um passado que confirma que gosta do gênero brutamontes porque foi antes casada com outro semelhante   Augie que não gosta de Jasmine porque por causa dela perdeu uma fortuna que iria fazê-los mudar de vida. Esse papel é feito pelo comediante stand up  Andrew Dice Clay, que tentaram lançar como astro nos anos 1990 mas não era politicamente correto e foi rejeitado pela Mídia. Também não era especialmente bom mas aqui Allen achou um papel que lhe cabe como uma luva. Cafajestão. 

       Jasmine como vão revelando os flash-backs tem um problema. O marido dela (o indefectível  Alec Baldwin) a tratava como princesa e lhe dava uma vida de luxo e sofisticação, grandes mansões, jóias, festas, gente chique. Mas também era um financista esperto e corrupto que eventualmente iria perder tudo e deixá-la na mais absoluta miséria. Por isso que ela é tão incompetente em viver sozinha e ainda mais em conseguir emprego, já que não sabe fazer nada. Não foi treinada para a vida real. E ainda lhe resta a magoa recorrente de que o marido a traia constantemente com varias e belas mulheres. O problema é como reconstruir essa vida. De repente, do nada numa festa surge para as irmãs duas alternativas, Ginger conhece um sujeito despachado e de meia idade, com quem simpatiza (feito por Louis  C.K. o stand up do momento nos EUA com uma serie de teve que já lhe rendeu varias indicações a prêmios). E Jasmine encontra um rapaz ambicioso, que deseja fazer carreira em política, aparentemente é muito rico (desta vez a direção de arte caprichou nos ambientes e casas) e começa a gostar dela. 

       Mais não se pode contar. Revelei ate bastante coisa porque com Allen, não é tanto a trama mas como ela é mostrada, interpretada (logicamente a trilha musical é com as velhas canções e gravações de sempre que ele adora e usa e abusa). Cate está esplendida, sem nunca cair em exagero, ou overacting, super elegante e carismática. E tudo resulta numa historia bem contada, com algumas reviravoltas e surpresas, bastante lógica e humana. Para a gente que acompanha a sua obra desde sempre e se espantava com os dramas copiados de Bergman, tronchos e desajustados, é impressionante ver como ficou a vontade.É quase um filme como suas comédias só que com menos risadas. E como sempre curto (por volta de 90 minutos apenas). Assisti com muito prazer e outras vezes o farei. É um prazer ver um senhor diretor de 78 anos em plena forma.

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Tatuagem

Tatuagem Brasil, 13. Direção e roteiro de Hilton Lacerda.110 min.  Com Irandhir Santos, Jesuita Barbosa, Ariclenes Barroso, Rodrigo Garcia, Johnny Hooker, Sylvia Prado, Sylvio Restiffe. 

     Não há duvida que o que há de mais novo e interessante no cinema brasileiro recente tem vindo do Nordeste, mais especificamente do nascente e crescente cinema de Recife. Não conhecia pessoalmente todo os lideres do movimento mas tive ótima impressão quando os entrevistei para um novo programa da HBO. São inteligentes, bem humorados, criativos, de idéias e propostas variadas ainda que quase sempre convergentes. Bem sintetizada pela figura deste Hilton Lacerda, que é aqui diretor estreante de ficção (fez antes documentário sobre Cartola) mas foi co-roteirista de quase todos os filmes marcantes do movimento (desde o pioneiro Baile Perfumado, passando por Árido Movie, Amarelo Manga, A Festa da Menina Morta, claro que não é deles mas vale como referencia, A Febre do Rato). E também pela figura do astro do filme que é o Irandhir Santos, um ator brilhante que tem sido consagrado por suas participações marcantes em O Som ao Redor, Febre do Rato, Tropa de Elite 2, Olhos Azuis.

     Seu desafio desta vez é interpretar um homossexual assumido Clécio (melhor dizendo bissexual já que vive com mulher e tem filho, melhor mesmo seria não classificá-lo). A historia se passa durante os anos da repressão política da ditadura, quando alguns atores dedicados se apresentam num grupo de vanguarda que provoca polemicas, com suas encenações ousadas em todos os sentidos. O filme na verdade tem algo libertário que tem conquistado a critica e o publico (gosto particularmente do jovem ator Jesuita Barbosa, que faz o recruta do exercito, que tem que enfrentar seu despertar sexual e o ataque de um colega).

       Parece também que uma nova geração de talentos começa a surgir por lá e o filme é sua primeira explosão. Vamos ver como vai reagir o publico no momento mal acostumado apenas com comédias digestivas.

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Jogos Vorazes: Em Chamas

Jogos Vorazes : Em Chamas (The Hunger Games:Catching Fire) EUA, 13. 146 min. Direção de Francis Lawrence. Com Liam Hemsworth, Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Woody Harrelson, Elizabeth Banks, Philip Seymour Hoffman, Donald Sutherland, Lenny Kravitz, Stanley Tucci, Amanda Plummer, Jeffrey Wright, Jena Malone.

       Estreando no Brasil, uma semana antes dos Estados Unidos, só foi mostrado para a imprensa na manhã de quinta-feira, ou véspera do lançamento em mais de mil cinemas em todo o país. Então forçosamente o que eu escrever será uma primeira impressão. O filme, segundo parte de uma trilogia (que começou  com Jogos Vorazes, do ano passado e prosseguirá com mais outro livro, chamado de A Esperança, será dividido em dois capítulos, um para ano que vem, outro para o próxima , seguindo  a moda criada por Crepúsculo. Por outro lado, de todos os imitadores que surgiram depois do romance vampiresco, este foi o único que ate agora deu certo  conquistando fãs fieis (confesso que não li o livro mas todo mundo afirma que é ainda bem mais violento do que a versão do cinema). Em parte pelo acerto da estrela narradora da historia que é a bela e talentosa Jennifer Lawrence, não por acaso vencedora do ultimo Oscar (não por Jogos mas por O Lado Bom da Vida). Mas também por ser uma reciclagem de um velho tema da Caçada Humana (ou Mortal), agora transportado para uma distopia (a utopia que não deu certo). 

      O primeiro filme era melhor dirigido por que foi feito por Gary Ross, que é bem mais competente do que seu sucessor  Francis Lawrence (que não é parente de Jennifer) que realizou Constantine, Eu sou a Lenda, o fraco Água para Elefantes e já esta acertado para os dois filmes seguintes . Seu erro maior aqui é ter realizado um filme longo demais, podia ter sido editado com mais ritmo e perder uns 15 minutos que só ganharia com isso. Apesar de ter custado muito mais, resultado do seu êxito, seu orçamento foi de 140 milhões! O do anterior era de 78 e rendeu mais de 400 só na America. Ainda assim é diferente do predecessor que era basicamente uma historia onde o amor triunfava E saia-se com esperança. Mas sendo este o capitulo do meio,  é bem mais pesado e termina de maneira mais aberta e não resolvida (também não se desenvolve muito bem o romance do casal, na verdade o triangulo. No começo do filme, Katniss quer a todo custo voltar com Gale, que bobamente não topa fugir, para de repente mudar de idéia, sem que o coitado do Peeta tenha no filme todo,  uma grande cena, ou momento, ele mal se explica, fica de coadjuvante o tempo todo, com cara de coió, sofrendo por amor.  Fazendo escada para as estripulias da heroína que agora se da ao luxo de ter varias crises de choro, grito, ataques etc e tal. Coisas de quem ganhou o Oscar. 

     Quando na verdade o que incomoda mais é que Peeta seja tão baixinho (mesmo usando salto) perto daquela mulherona vistosa (ainda que mal humorada!). O que mais reclamo é que as cenas de ação, a perseguição e fuga mortal, acontecem apenas na parte final, ainda que com bastante eficiência. Na primeira parte ficam ameaçando e atacando os Distritos quando ainda insistem em prosseguir com os jogos como distração, quando pelo jeito de tudo a revolta esta patente em todo mundo (depois da reação no show de teve, não haveria outra solução!). Ou seja, provocando medo (parece aquelas cenas rurais de perseguição a prisioneiros na Segunda Guerra) e realizando os novos jogos com os vencedores dos anos anteriores (destaque para a sempre interessante Jena Malone, que faz a rebelde Johanna, uma atriz que já deveria ter dado certo antes! Cercada pela esquisita Amanda Plummer (filha de Christopher), Jeffrey Wright, o inglês Sam Claflin (Piratas do Caribe, Branca de Neve e o Caçador, que faz Finnick).

     Será que vai fazer sucesso igual ao primeiro? É possível já que foi muito bem de ingressos antecipados. Prende a atenção, envolve e ate onde eu sei pareceu fiel ao livro.

Ref fim.