domingo, 27 de abril de 2014

Florbela

Florbela (Idem) Portugal, 12. Direção de Vicente  Alves do Ó. Com Dalila Carmo, Ivo Canelas, Albano Jerônimo, José Neves, Antonio Fonseca. 119 min.

    Adoro o país mas não sou muito admirador dos filmes de Portugal e tenho que me controlar para não fazer piadinha com o nome melhor dizendo o sobrenome deste diretor. Já que no Brasil não durava uma semana sendo apresentado como o Senhor Ó!!! Enfim, eu acho o cinema deles quadrado, pesado, lento, formal mais ou menos alias como quase tudo que os portugueses fazem, tudo muito ao pé da letra. Ate mesmo sua esplendida literatura.  Fiquei muito curioso de ver o filme sobre uma lenda justamente da literatura portuguesa que é a poetisa Florbela Espanca de quem sempre ouvi falar na classe teatral e nunca tive chance de ler. Alias sai do filme também sem conhecê-la direito.

    Toda critica portuguesa que eu li fala da cena de sexo que abre o filme que para nos é básica, sempre de roupa e ate desagradável porque ela aparece toda machucada, depois de Levar uma surra. O filme parece ser bem cuidado, rodado em grandes mansões antigas, com móveis, jardins e figurinos encantadores. Mas tudo é tão falso, tão posado, os atores são tão duros que parecem.. parecem... ah, parecem muitos filmes brasileiros.  Mesmo a moça que faz o papel central não tem nem a garra, nem a presença física que justifique o resultado.

     Florbela Espanca (1894- 1930) batizada como Flor Bela de Alma da conceição Espanca era filha bastarda que se matou com apenas 36 anos. O pai ficou rico com varias profissões inclusive antiquário e dono de cinema. Sua mulher legitima era estéril e teve filhos em caso extraconjugal, Flor e 3 anos depois o irmão Apeles registrados como filhos de pai incógnito.  Ele só reconheceu a filha 18 anos depois de sua morte (e nunca o filho). 

        Flor foi uma das primeiras mulheres em Portugal a frequentar o curso secundário e se casou com colega de escola. Sua produção poética só iria encontrar algum sucesso após sua morte. De qualquer forma casou-se 3 vezes e manteve uma paixão incestuosa por seu irmão que iria morrer num acidente(ou não) de aviação , só que o ator que o interpreta é tão desagradável que provoca total rejeição da platéia.  Logo depois ela tenta a primeira vez suicídio. Eventualmente morreria de overdose  de barbitúricos.Ou seja, essa historia sem duvida da margem a um bom filme. Só que não é este.  Seu único mérito é provocar uma intensa vontade de conhecer a obra de Florbela.

Ref fim.    

Espetacular Homem Aranha 2: a Ameaça de Electro

Espetacular Homem Aranha 2:  a Ameaça de Electro (The Amazing Spider Man 2) EUA, 14. Direção de Mark Webr. 142 min.Com Andrew Garfield, Emma Stone, Sally Field, Jamie Foxx, Dane HeHaan, Colm Feore, Felicity Jones, Paul Giamatti, Embeth Davidtz, Campbell Scott, Marton Csokas, Stan Lee.

      Ainda mal nos recuperamos dos últimos blockbusters, o Capitão America e quem diria, o Noé e já temos que consumir o Segundo filme do Reboot (retomada?) do Homem Aranha, que de qualquer forma eu prefiro ao original. Basicamente porque o ator é melhor, não é bonito, não tem cara de galã mas é sincero, convincente e competente também na  comédia (a primeira parte felizmente curta traz ele fica fazendo piadinhas e fiquei com medo de que tivesse pegado a síndrome de Iron Man! Ainda bem que é passageiro e serve para o espectador se acostumar de novo com o personagem após o hiato de dois anos). Afinal, este Marvel é que foi o pioneiro da onda dos heróis de quadrinhos, antes que a companhia fosse comprada pela Disney e mantivesse o seu alto padrão de qualidade (como nada perfeito, eu bem que tentei assistir a serie de teve mas é mesmo muito fraca!).

      O surpreendente aqui é que eles tentam ser diferentes, nem tanto de muitos quadrinhos mas ao menos no cinema e de certa maneira correm riscos. E não sei bem porque não promovem a presença de outro super vilão muito querido, que é o Goblin.  Enfim, tem uma coisa que eu não gosto que é a mania americana de insistir nessa tecla da falta de pais e a falta que os filhos sentem de seus pais. Isso é coisa do tempo do Spielberg e ET e vive sendo reprisada e refeita. Não tem mais cabimento achar que um adulto vá viver a vida inteira sofrendo porque o pai teve que o deixar, já que não é difícil imaginar uma boa razão. Aqui, o Peter Parker seria a vitima, que derrama lágrimas junto com a tia (a sempre ótima Sally Field e as cenas entre eles estão entre as melhores do filme). O que reclamo é que existem milhões de pessoas que tem uma vida estável e completa porque há muita gente nessa situação, inclusive no Brasil e nas favelas, já que pais com freqüência não gostam de responsabilidades!  No caso deste Dr. Richard Parker  então ainda mais claro que houve problemas já que era cientista, trabalhava numa empresa de gente perigosa e com segredos de estado! Era óbvio que esse segredo serviria alem de tudo para neste exemplar explicar as loucuras que se passam na empresa.

      Fora isso, o filme é muito bem amarrado, com uma historia de amor convincente, já que o casal se formou na High School (Stan Lee tem piadinha na festa de formatura) agora parece que vai se separar porque Gwen Stacy (Emma Stone) esta para ganhar uma bolsa de estudos em Londres e ela quer muito ir para lá, custe o que custar. Mas tudo isso vai sucedendo também junto com o surgimento de outro super vilão, no caso o Electro ,feito em grande parte digitalmente por Jamie Foxx, o curioso é que ele começa com um fã do Homem Aranha, que vai virando a casaca quando sofre um acidente e vira uma espécie de monstro que absorve a eletricidade e pode provocar apagões e ate coisas piores!

      A outra trama central é o antigo amigo de escola de Peter  que é  o complicado Harry Osborn  e que vem a ser o mesmo personagem vivido na trilogia anterior pelo James Franco. Fizeram bem em escolher outro ator mais fraco e sofrido, com uma aparência de vitima (o Dane de Haan que surgiu de repente na terceira temporada da serie Em Terapia/In Treatment, passou por True Blood, Poder sem Limites, Os Infratores, aquele O Lugar onde tudo Termina com Ryan Gosling, uma pontinha em Lincoln,  e faz James Dean agora num novo filme chamado Life). Ele consegue trazer um pouco de neurose que ira resultar num Goblin (Verde) muito mais sinistro do que da serie anterior. 

      Movimentado, cheio de efeitos (não sei como eles podem ir sendo superados, já que estão bons há muito tempo!), com confrontos finais a la Video-game, com tudo isso o novo Homem Aranha corre riscos. E acho isso bom. Diferente e ousado. Acredito que irão aprovar. Mesmo com que inicial relutância. 
Ref fim.                    

Inch'Allah

Inch'Allah (Idem). Produção Canadense/Francês Dirigido e escrito por Anais Barbeau-Lavalette. 101 min. Com Evelyne Brochu, Sabrina Ouazani, Sivan Levy, Yousef Sweid.


    Não fez em São Paulo boa carreira no circuito de arte este drama que foi premiado na mostra paralela Panorama de Berlim (pela critica e ecumênico), também indicado a 5 Genies, o Oscar canadense, levou o Jutra de coadjuvante (para Sabrina), ganhou Festival de Phoenix.

     Naturalmente não é um filme fácil ou digestivo e a diretora de Quebec fez antes o Making of do Premiado Incendios.  Voltando mais uma vez a falar dos conflitos sem solução entre Israel e Palestinos durante a Ocupação.

      A historia é narrada pelo ponto de vista de uma jovem obstetra que trabalha para as Nações Unidos numa clinica no campo de refugiados em Jerusalem. Ela tem uma vida pacata, indo trabalhar passando por inúmeros controles e a noite saem para beber e dançar com uma vizinha Ava . Na clinica fica amiga de um paciente grávida Rand (Sabrina, que rouba o filme) cujo marido esta esperando ser sentenciado numa prisão israelense e seu irmão ativista. Quando Rand perde o bebe, Chloe não pode ir lhe ajudar mas a situação se complica fazendo com que ela viole seu juramento de Hipocrates. Talvez a atriz que faz a protagonista seja inexpressiva demais mas ainda assim dá uma visão convincente de uma situação que parece insolúvel e sem esperança. A fotografia curiosamente foi feita pelo pai da diretora.  O titulo é uma expressão que quer dizer “ Se Deus Quer”. 

Ref fim.

Temporada de Caça

Temporada de Caça (Killing Season) EUA/Belgica, 2013. California. Direção de  Mark Steve Johnson. Com Robert De Niro,John Travolta, Milo Ventimiglia, Elizabeth Olin, Diana Luybenova. Em DVD.

     A estréia próxima de  Profissão de risco, um filme B que nunca mereceria a participação de Robert De Niro me fez procurar este outro filme já do ano passado que eu tinha deixado passar.  Culpa destes tempos complicados onde ha poucos lançamentos nas locadoras que estão conseguindo sobreviver (assim mesmo com problemas, se eu quero comprar um Blu Ray de “Gilda”, por exemplo,  não tem disponível, sou obrigado a fazer pedido e esperar dias!). Antigamente eu tinha o habito de deixar alguns filmes menores, inclusive nacionais, para assistir depois em casa, em DVD, já que eles saiam regularmente. Hoje não mais. Difícil fugir da pirataria e se habituar com Netflix e Now, ambos sucessos retumbantes. Ou seja, não da mais para eu fazia antes trazia uma dúzia de filmes em DVD para assistir em casa em dois dias!

     Não tem como não ficar triste em ver De Niro, que já foi o maior ator do mundo, na opinião de todos perdendo seu tempo em filmezinhos de terceira categoria (as vezes com outros em decadência com Stalone no recente Ajuste de Contas). Eu tenho a teoria de que ele esta trabalhando em qualquer coisa para juntar dinheiro para deixar fortuna para seus filhos já que antes trabalhava ganhando menos que a concorrência porque fazia projetos pessoais quase sempre independentes e sem grana. E isso deve ter começado no dia em que se descobriu mortal e com uma ameaça de câncer. Laurence Olivier fez a mesma coisa provando que ser bom pai pode ser uma qualidade deles. Mas o risco é imenso.  Acabar com sua reputação. Tenho certeza que se um cineasta brasileiro quiser bancar a vinda de De Niro para um projeto médio aqui, não teria muitos problemas (não nesta época de Festival do Tribeca que ele dirige,  já que foi um dos salvadores de Nova York depois dos atentados). 

      Acho bem capaz que ao ler o roteiro deste filme europeu ele pensou que poderia ter uma chance melhor dramática e pensando bem esta menos ruim do que em outros recentes, inclusive o já citado Profissão de Risco.  O filme tem certa densidade e ao menos ele não tem que usar aquela infeliz barbichinha que porta o Travolta. Para não falar no sotaque esquisito que tem que fazer. Esse nunca foi muito bom nem na época das discotecas. Mas o roteiro alem de lembrar The Deer Hunter (O Franco Atirador, titulo alias errado, do mesmo De Niro) mexe na ferida da guerra da Servia e a tragédia de uma quase guerra civil cheio de estupros e abusos.

     Assim pelo que se entende, De Niro era um mercenário que participou dos crimes e agora Travolta vem em busca da vingança, caçando ele na região montanhosa onde vive caçando cervos. Consegue se aproximar, ficam meio amigos, mas no fundo é uma caçada humana e os dois ficam se atirando um no outro jogando verdades entre si. O diretor Johnson (O Demolidor, O Motoqueiro Fantasma)  não tem boa reputação mas segura a historia com certo interesse.  Aquela historia de De Niro ter um filho que mesmo brigado quer lhe mostrar sua netinha é outra coisa que também não funciona. Mas só se perde  mesmo no final, que é prolongado, estendido e mal resolvido.  Mas é triste se ver dois astros que lutam para manter sua fama cair nessa (Travolta aqui não repercutiu mas na festa do Oscar chamou a cantora Idina Menzel, por um nome completamente diferente que inventou na hora (Adele Dazeem). E foi um escândalo.

     Enfim, queria também contar para os leitores que não estou vendo menos filmes que costume, só escrevendo menos e por uma boa razão: estou terminando de revistar e estender o Dicionário de cineastas que deve sair no segunda semestre deste ano em edição Digital! É um projeto de vida que esta ficando muito bacana!.

Ref fim            

A Grande Vitória

A Grande Vitória. Brasil, 14.  Paris filmes. Direção  e roteiro de Stefano Capuzzi Lapietra. Com Caio Castro, Sabrina Sato, Tato Gabus Mendes, Suzana Pires, Domingos Montagner, Moacyr Franco, Felipe Folgosi, Tuna Dwek e Felipe Falanga.

     É muito difícil o Brasil realizar filmes que escapam das formulas tradicionais: a comédia (a chanchada), o filme de favela, o drama rural /social, a biografia de artista pop. Este A Grande Vitória (que já se chamou antes Aprendiz de Samurai) é uma experiência nova em outra possibilidade  um  filme sobre campeão esportivo, no caso de um campeão  treinador de judô, Max Trombini, baseado em uma biografia de Wagner Hilário. 

      Não há nenhuma garantia de que o tão arisco publico para cinema brasileiro vá assistir o filme mesmo com o chamariz de jovem astro de televisão que é Caio Castro, meio tosco, baixinho, barbudo, limitado, mas que vem com aquela naturalidade de novela.  É uma velha tradição de nosso cinema que nenhum astro de novela leva qualquer um aos cinemas, nem mesmo Antonio Fagundes no apogeu da juventude. Por outro lado, eu que vivo reclamo dos péssimos roteiros não posso me queixar deste que é alias como tudo no filme extremamente correto e profissional. Talvez as crianças no começo sejam meio fracas, e como sempre não parecem o similar adulto, mas fora isso tudo é bem feito e demonstra que o diretor não faltou demais as aulas da FAAP ou da  faculdade americana que cursou. 

      A historia começa com Sabrina Sato na piscina (o que é sempre fotogênico) comunicando ao rapaz que esta grávida, o que pode atrapalhar seus planos de se mudar para os EUA. Volta-se em flash back para a infância dele em Ubatuba, onde são muito pobres e ele é muito briguento em parte porque ressente a ausência de um pai que sumiu. Quem cuida mais dele, é o velho avô (a primeira experiência realmente dramática de Moacyr Franco, que está humano e convincente). Depois é seguir a carreira do moço, que arranja um bom mestre de judô (Tato Gabus Mendes, outro que convence e ajuda muito o filme) e vai para Bastos.  O pai é feito por  Domingos Montagner, um personagem mal explicado mas que ganha muito com sua figura carismática. Enfim, não chega a ter pretensões a ser um karate kid.É apenas uma interessante e bem contada historia real O protagonista faz um papel no filme e aparece na ceninha final nos letreiros). João Carlos Martins faz a trilha musical (pela primeira vez) embora não tenha visto  sua versão final.                    

Ref
 

Getulio

Getulio. Brasil, 14. Direção de João Jardim. Produção de Carla Camurati. Com Tony Ramos, Drica Moraes, Alexandre Borges, Clarice Abujamra, Leonardo Medeiros, Fernando Luis, Murilo Elbas, Marcelo Medici, Adriano Garib, Silvio Matos, Murilo Grossi, Paulo Giardini,  Thiago Justino, Claudio Tovar, Daniel Dantas. 

     Só mesmo num país como o Brasil é que se deixou para fazer  apenas agora uma biografia sobre o ex-ditador e ex-presidente Getúlio Vargas que morreu em 1954  que ate agora foi mostrado em um par de documentários longas (mas nos anos 60), em algumas series de teve Globo (ate bem feitas) e como coadjuvante em alguns longas (como Osmar Prado que o fez em Olga, Paulo Betti em Chatô, que naturalmente não vimos e provavelmente nunca o veremos), e o meu favorito Leon Cakoff numa aparição em O País dos Tenentes (era de todos o mais parecido).

     Tony Ramos não se parece fisicamente com a polêmica figura e curiosamente nem tenta.  De vez em quando muito de longe tem um leve sotaque gaucho.  Mas fala com o seu tom habitual, não usa o chapéu famoso (será só eu que vejo o Getulio de chapéu!), no máximo fuma charuto e tem uma barriga postiça. Estão ausentes frases características dele assim como a seu respeito (na verdade,  povo esta totalmente fora do filme, só é visto na cena final quando mostram cenas reais de seu enterro. As imagens de jornais de época só surgem do meio para o fim –e os protestos de ruas em fotos na mão de Alzirinha! O que mais eu senti falta: ele virou um bom ainda que impaciente velhinho. Não é em momento algum um ditador destronado. Tão educado, compreensivo, correto, obedecedor das leis (uma hora diz que rasgou duas constituições não iria fazer isso uma terceira vez. Eu contradigo, para quem vez não teria problema mais uma!). Mesmo a corrupção que rola solta pelo palácio e por sua família, o que fica claro quando se desmascara a figura do capanga Gregório Fortunato (e querem me dizer por que não há uma única cena entre Getulio e ele?? Seriam os dois protagonistas e fundamentais na tragédia que vai se desenrolar. Um teria de enfrentar o outro...).  

      A escolha de não procurar nem de longe imitar Getulio é parcialmente compensada porque obviamente ele existiu antes da televisão e não há muita gente viva que se lembre dele. Nem do seu jeito de agir e falar. Podem muito bem consumir Tony, já que graças a Deus ele é muito bom ator, tem a reações certas, pro meu gosto ate humaniza demais uma figura que sempre será um torturador simpatizante de fascistas/nazistas e não a vitima que esta neste roteiro, um desamparado velho (não se diz a idade dele, alias sonega-se informações de todos os tipos. Por exemplo, o que há entre ele e sua mulher  que mal se falam e obviamente estão separados de fato! E por que um filho esta viajando e não volta e não se fala mais nisso (será filho, como não explicam posso estar errando!). E a única figura que realmente deixa um pouco mais claro que esconde muita coisa, é a eminência parda, a filha Alzirinha, que Drica Moraes torna a melhor coisa do filme . Ao menos da para se ver que é ela que manobra tudo por trás, que tem segredos embora não digam quais são eles! (por isso o pai é tão pouco amoroso com ela, que insiste em ficar em cima dele. Porque esta conspirando com os militares, e coisas piores).

      Para dar maior clima e suspense ao filme, o roteiro inventa um par de vezes cenas de sonho para Getulio se imaginar saindo do Palácio do Catete preso e semelhante. Mas se fizeram isso bem que podiam ter mostrado uma situação onde a família que matava Getulio como a saída para eles todos, o que afinal foi o que sucedeu... É uma hipótese possível e interessante que ninguém ousa levantar  porque ainda há envolvidos por perto... Quem sabe no próximo século!

       Enfim, grande parte do filme foi rodado no Palácio do Catete  e em planos próximos, as vezes ate demais. A escalação do elenco é curiosa, porque coloca humoristas em papeis sérios, como Marcelo Medici de filho médico de Getulio. Até ai tudo bem, mas não consegui engolir  como chefe militar da Aeronáutica   conduzindo os inquéritos justamente o namorado do Crô! 

       No mais o confinamento no Catete que de certa forma seria um forte da trama acaba não  ajudando a trama cheia de “disse que me disse” que vão se complicando porque Getulio se recusa a bloquear a investigação ou mesmo dar um golpe (Isso merecia uma discussão maior!).  Mas vamos ser justos, o filme trata o assunto com dignidade, com alguns poucos erros de época (não se dizia nos anos cinquenta, “mau caráter”) e consegue manter o interesse. Senti certa falta de Brasil (podia ser uma conspiração em qualquer lugar do mundo), do mito de Getulio, de seu passado (não há flash- backs!), de canções de época. Louvo porém o respeito com que tudo é tratado (ate mesmo a figura de Carlos Lacerda  que tem um momento também de humanização, quando fica também aturdido!). 

     No final das contas, porém o problema é o de sempre, o roteiro falho.

Ref fim.

Entre Vales

Entre Vales Brasil, 12. Direção de Philippe Barcinski. Com Angelo Antonio, Daniel Hendler. Foografia de Walter Carvalho, Ines Peixoto, Melissa Vettore.80 min.

     O diretor fez alguns curta-metragens premiados e admirados. Não tem tido a mesma sorte ao passar para o longa mesmo trabalhando para a produtora O2 de Fernando Meirelles (realizou alguns dos episódios da serie de teve, A Cidade dos Homens) com Não por Acaso (97).Naquela ocasião eu escrevia: Phillippe  tem uma sensibilidade especial. Parece que ele tem medo de confrontos, de explicações (o filme tem poucos diálogos, ao contrário de personagens de telenovelas aqui todos são misteriosos e calados), de grandes cenas (nem mesmo numa seqüência de morte nos deixa ver ou explica direito como sucedeu).

     Engraçado que posso dizer a mesma coisa deste segundo longa, igualmente sucinto e com uma trama ainda mais discutível. Certamente a melhor coisa é a presença de Ângelo Antonio (Filhos de Francisco)  que faz o protagonista com intensidade, a única pessoa do elenco que parece sincera e empenhada. Mas é o tipo da historia que condena o filme Entre Vales a ter um publico reduzido. Faz Vicente, um economista pai de um menino Caio, que vive com Marina uma dentista. Ocorre um problema grave e toda sua vida se estraga (só vamos saber do que se trata ao final). Ele que já havia sido visto no lixão desde o começo do filme, só bem depois é que vamos ter finalmente a explicação para sua tragédia. O roteiro é incapaz de dar aos coadjuvantes (é co-produção com o Uruguai mas isso não adianta muito já que um ator ótimo com Daniel Hendler não tem absolutamente o que fazer). A questão é você embarcar ou não no conflito e no drama do Vicente. Mas há algo na visão do diretor que afasta a emoção e o resultado mais uma vez é frio e distanciado. Ou quem sabe pode ser apenas questão de gosto. 

Ref fim.  

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Hoje eu Quero Voltar Sozinho

Hoje eu Quero Voltar Sozinho. Brasil, 14. Direção e roteiro de Daniel Ribeiro. 95 min. Com Ghilerme Lobo, Fabio Audi, Tess Amorim, Selma Egrei, Eucir de Souza, Lucia Romano, Isabela Guasco. 

      Vencedor do premio da critica (na Mostra Panorama) e o Premio Teddy (para o melhor filme gay) do recente Festival de Berlim , este primeiro longa de Daniel  Ribeiro já chega com a reputação de seu diretor que fez dois curtas temáticos muito bem sucedidos e que estão disponíveis no You Tube. Café com Leite (07) premiado como melhor curta também em Berlim, premio Cinema Brasil, Miami e Paulinia entre outros sobre a relação de casal gay, onde um deles tem que cuidar do irmão pequeno. Logo depois ele acertou novamente com outro filme que é uma pequena jóia, chamado Eu não quero Voltar Sozinho (2010), mais premiado ainda (Mix, Paulinia novamente, Torino, Seattle etc). 

      Reparem no detalhe importante: no curta o protagonista cego e adolescente não quer voltar para casa sozinho. No segundo e longa, já mudou de idéia. De qualquer forma, é uma extensão do original com o mesmo elenco, o que é certíssimo, já que estão todos naturais, simpáticos e eficientes. Tanto num quanto noutro. Trabalhando com grande parte de amadores o resultado é totalmente convincente.

      Admito que possa ser ate impressão errada, mas a gente fica com a sensação de que prolongado o filme perde parte de seu encanto. Talvez seja ausência de surpresa, o inusitado que não esta mais lá. Ainda assim será difícil não embarcar nesta situação, graças me parece a naturalidade e simplicidade com que o elenco é conduzido mesmo quatro anos depois. O diretor tem mão para cinema e sensibilidade que fica mais do que evidente ao descrever a personalidade do protagonista Leonardo (Lobo) que é um adolescente cego, que vive com os pais restritos que tentam não serem controladores demais. Com raras visitas a avó (um prazer ver Selma Egrei sempre linda e serena). Tem uma melhor amiga  ciumenta, Giovanna que freqüenta a mesma escola e Leonardo sofre bullying  por parte de colegas por ser deficiente (uma coisa que acho difícil acontecer naquele tipo  de escola, o rapaz perseguido por esse problema mas não por ser gay!).

      Enfim, a situação toda é criada aos poucos, quando surge Gabriel um novo aluno do interior que se junta a dupla e com relutância também se sente atraído por Leonardo. No desenvolvimento da relação, o personagem de Gabriel se explica pouco (acho que falta um pouco mais de conflito para dar mais força ao entrecho). 

       Tudo isso, porém não abala  o fato do filme ser tão ”gostável”, tão bem realizado e sucedido. Chamá-lo do melhor filme gay já feito no Brasil seria reduzi-lo injustamente. Prefiro apostar no talento do diretor que tenho certeza fará uma bela carreira. 

Ref fim.

Noé

Noé (Noah)EUA. 14. Direção de Darren Aronofsky. Roteiro de Darren e Ari Handel. 138 min. Com Russell Crowe, Jennifer Connelly, Anthony Hopkins, Emma Watson, Ray Winstone, Logan Lerman, Douglas Booth, Nick Nolte, Madison Davenport. Paramount. 

      Este é um filme bíblico diferente dos que estamos  acostumados a assistir, quase de autor. Nada a ver com a tradição do gênero praticamente inventado por Cecil B.De Mille (Sansão e Dalila) que misturava sexo e religião. Também é completamente oposto ao filme Bíblia (1966) de John Huston, que também utilizava o Genesis, deixando a parte final para o próprio diretor Huston fazer o Noé, ouvindo a voz de Deus (aqui chamado de Criador!)  e de forma relativamente tranqüila chamar os bichos (a novidade: para não ter problemas com eles, todos eles entram na arca aos pares, meio rapidamente, de tal forma que mal da para identificá-los. E caem dormindo! Talvez tenham feito isso para evitar comparações com outro filme de Arca de Noé, aquela comédia de Steve Carell, A Volta do Todo Poderoso (07),de Tom Shadyac que era caótico mas tinha momentos divertidos. 

      Este é o primeiro filme do diretor Aronofsky   desde Cisne Negro (sempre trabalhando com o mesmo roteirista de todos seus trabalhos) que tem um orçamento generoso (ao que parece 125 milhões tendo rendido 43 milhões de dólares no primeiro fim de semana  e foi rodado  na Islândia, no México (Durango). Houve uma controvérsia muito grande antes do lançamento porque o estúdio sofreu criticas de lideres religiosos cristãos  que o criticavam porque  o filme estaria fugindo da historia. A desculpa oficial era que o trecho que aborda Noé e o dilúvio na Bíblia era muito pequeno e sucinto, não entrando em detalhes. Portanto tomaram liberdades. Darren ficou muito aborrecido porque começaram a fazer diferentes versões do filme e exibi-las , sem consultar  o diretor. O mais curioso é que não perceberam que o trabalho de Darren é muito religioso,ainda que influenciado pelo visão judaica do Velho Testamento. Mas o final foi feliz porque isso serviu de publicidade para o filme que acabou tendo boas criticas e boa bilheteria (ate na Rússia estreou bem!).

      Mas fique preparado porque é um filme sombrio, nada technicolorido, mas não muito violento. Ao contrário é bastante místico, dando uma visão literal do dilema de Noé que acaba sendo um servo de Deus que tem que entender o que ele deseja, embora este nunca se manifeste tão abertamente quanto em filmes anteriores. Ele tem sonhos e precisa decifrá-los e às vezes o faz de maneira errônea. O titulo é correto porque o filme é todo em cima da figura de Noé,  desde jovem  quando relembra a expulsão do paraíso (Adão e Eva são  vistos  como figuras distantes e estilizadas, não dá para ter nudez ) e logo depois Caim matando Abel e dando origem a uma linhagem de homens maus e sem lei, que serão os vilões da História. O fato é que o roteiro fez tudo para tornar a historia mais intensa e conflitada. Assim temos o avô da família  o Matusalém (feito por Anthony Hopkins)  que chega a ter poderes mágicos e o chefão vilão da  tribo que descende de Caim, Tubal Cain (o bom ator Ray Winstone) que até mesmo se infiltrar na arca esperando o melhor momento para  atacar Noé. Além disso, Noé tem três filhos, o mais velho Shem (Douglas Booth, inglês bonitinho e dentuço que antes fez a mais recente versão de Romeu e Julieta, ainda inédita no Brasil) – será este Shem que pela Bíblia Dara  origem aos semitas, ou seja aos que chamamos de judeus. É o bom rapaz que namora uma jovem que convenientemente foi adotada pela família (o problema dela ser estéril será miraculosamente resolvido, alias o único milagre do filme! Por isso parece meio fora de lugar...).  Tem ainda o jovem Jafeth (Leo Hugh Carroll, que parece feminino demais) e o rebelde Ham (interpretado pelo já famoso Logan Lerman, o Percy Jackson) que  faz a linha adolescente rebelde, pensando com os órgãos sexuais e não a razão. Também quer uma mulher para si e entra em conflito com o pai quando não consegue, pensando então em traição.

       Talvez a melhor surpresa do filme seja ver que Russell Crowe  tem seu melhor momento nos últimos anos (na verdade, já o tinha dado como perdido  e canastrão ) mas olha outro milagre, sai-se muito bem num papel muito difícil, que por vezes se torna antipático e tem que tomar decisões muito difíceis, fazendo o filme pesar demasiado. Não é surpresa nenhuma, porém ter o prazer de ver Jennifer Connelly (novamente com em Russell de Mente Brilhante) fazendo a mulher de Noé, Naameh com toda discrição e delicadeza ate o momento em que tem seu grande desabafo. Outra boa figura é a de Emma Watson, que quem diria, amplia sua carreira como Ila, a filha adotada em cima da qual acontece o maior conflito do filme. 

      Outra coisa: gnão espere muitos efeitos de ação ou de 3D com a Arca ou a água da chuva ou da enchente sendo jogada no espectador.  Esta tudo ali a serviço de um drama inusitado, levado e discutido a sério. 

Ref fim.

domingo, 30 de março de 2014

Rio 2

“Rio 2” (Idem) EUA, 14. Direção de Carlos Saldanha. Fox/Blue Sky. Vozes originais de Rodrigo Santoro, Anne Hathaway, Leslie Mann, Jesse Eisenberg, Jamie Fox, Kristin Chenoweth, John Leguizano, Andy Garcia, Rita Moreno, Bruno Mars, Bebel Gilberto, George Lopez.


      Estreando no Brasil semanas antes dos Estados Unidos (abre lá 11 de abril) e em super circuito, o novo filme de Carlos Saldanha chega com o crédito e boa vontade de quem gostou do primeiro filme, uma declaração de amor feérica e simpática da cidade do Rio de Janeiro que teve orçamento de 90 milhões, rendeu 143 milhões de dólares nos EUA mas 341 no resto do mundo, um numero bastante expressivo!  Indicado ao Oscar de canção, alias devia ter ganhado o premio, ate porque eram apenas 3 os indicados e a canção dos Muppets que foi vencedora era muito fraca e já foi esquecida. 

     Enfim, o valor promocional do filme para o Brasil não tem preço assim como a decisão de fazer uma continuação.  E aí que começam os problemas. O titulo é obviamente errado, começa no Rio numa noite de réveillon quando parece que a população inteira da cidade e imediações esta preocupada em sambar ou coisa que o valha. Mas o visual continua tropical e belíssimo,que nos enche de euforia. Mas começam os problemas, o maior deles é que Bye, Bye Rio, dali a poucos vamos para a Amazônia onde supostamente foram encontradas mais ararinhas. Os heróis Blu e Jewell, que já tem três filhos ficam sabendo disso resolvem viajar para la! E começam as besteiras: eles voam então 3.500 kilometros, ou coisa que o valha. Em vez de inventar uma historia de colocar eles de clandestinos em algum vôo, temos que acreditar que voaram por conta própria ate lá! 

      E quando chegam imediatamente temos uma sequencia de cachoeira e corredeiras, quando todo mundo sabe que elas não existem ao menos na Amazônia Brasileira. Que alias é muito mal mostrada,  o rio majestoso virou um riacho (Não tem pororoca, rio cinzento, não há vestígio do tempo quente, da chuva constante. Em compensação tem tamanduá, os golfinhos cor de rosa passam rapidamente, tem tanto jacará quanto no Pantanal e assim por diante). Atrapalhado por um roteiro ruim, sem graça, e fica dando voltas atrás do próprio rabo, se perde com vilões fracos (Nigel, velho o cacatua não tem qualquer graça ainda mais quando canta sem mais nem menos, o hino gay I Will Survive!).

      Alias falando da musica, o que já era problema no primeiro filme  se agrava neste aqui  chegando ao ponto de nos fazer lembrar dos antigos filmes de Carmen Miranda, que não tinham qualquer respeito pelos costumes e verdades brasileiras. Tudo fica diluído, não tem o samba de verdade, fica misturado com Rap e nem funk consegue fazer. 

      A decepção não seria tão forte caso o script fosse mais interessante e divertido. Mas tudo vira clichê de animação de selva. Meio Tarzan. O que não consigo entender  é porque mostrar uma Amazônia quando se falta a verdade?  Fica genérica, ate mesmo numa sequencia de jogo de futebol com as araras que na verdade fica parecendo mais aquele jogo aéreo do Harry Potter , o quadribol.  
Francamente podia ter feito uma pesquisa melhor, mais responsável.
Ref fim. g


quarta-feira, 26 de março de 2014

S.O.S. Mulheres ao Mar

S.O.S. Mulheres ao Mar. Brasil, 14. Direção de Chris Amato. Com Giovanna Antonelli, Reynaldo Gianecchini, Fabíola Nascimento, Thalita Carauta, Emmanuele Araujo, Flavio Galvão, Marcello Airoldi, Thereza Amayo, Rodrigo Ferrarini, Sergio Muniz .

     O recente Meu Passado me Condena (o filme) tinha uma situação bastante semelhante situando-se quase todo em um transatlântico internacional (com direito a um final na Europa, aqui neste caso com rápidas passagens por Roma, Veneza  e Tunísia). Isso tira muito da novidade ou surpresa, ou mesmo curiosidade de uma comédia mais romântica do que pornô chanchada, ou seja, teoricamente mais indicada para o publico feminino que o masculino. A presença de Chris Amato na direção (ela é a assistente e  pessoa de confiança de Daniel Filho) não consegue resolver vários problemas de roteiro ou andamento ou mesmo ritmo narrativo (custa a engrenar, se repete, se estende novamente ao final, tem um elenco de apoio muito discutível).

     Giovanna Antonelli chegou a fazer cinema (Caixa Dois, Budapeste, um filme americano que ao que parece não passou aqui ainda chamado O Arrasa Corações) mas ainda é mais identificada como estrela dramática de telenovela, não especialmente a vontade com o humor. Ainda mais porque seu personagem é um samba de uma nota só.  Não parece muito inteligente embarcar num navio em que o marido que acabou de deixá-la esta viajando com sua namorada nova, ainda por cima uma estrela de televisão e que teria feito filme pornográfico (ou não, fica tudo meio vago ate porque o filme de vez em quando demonstra alguns preconceitos duvidosos!). Se a heroína fica se repetindo aplicando golpes que não dão certo ou tomando bebedeiras, ainda por cima se aproxima de um estilista na certeza de que ele é gay (o filme tenta fazer humor com essa situação digamos superada pelos fatos históricos atuais). E não tem o menor cabimento  dela viajar com sua irmã (apesar de Fabiula Nascimento ser fácil a melhor do elenco) e ainda por cima a empregada (que entra de clandestina). São duas  também não tem o chamado arco de evolução  de personagem dando a impressão que mulher só é tarada para pegar homem  (a empregada feita por Thalita Carauta, tem a melhor piada quando coloca “esses” em todas as palavras!). Teve uma coisa porém que me comoveu que foi a presença de Theresa Amayo, veterana estrela de cinema e de televisão, que faz uma senhora viúva com muita delicadeza e sensibilidade.       
Ref fim


As Aventuras de Peabody & Sherman

As Aventuras de Peabody & Sherman (Mr.Peabody & Sherman). EUA, 14. Direção de Rob Minkoff. 

     Embora já tenha estreado há algum tempo, vale a pena registrar que esse novo filme de animação tem excelente qualidade de imagem e ate mesmo um conteúdo cultural, de informação que nenhum outro do momento sequer procurou imitar. Além disso é o único dos recentes que foi dirigido por um realizador já conhecido, já que Minkoff fez O Rei Leão, os dois Pequenos Stuart Little, e o fantasioso O Reino Proibido.

    Não conheço os personagens originais que eram de desenho animado de televisão do mesmo autor, Jay Ward (1920-89), que criou mais personagens famosos como George of the Jungle (O Rei da Floresta), Alceu e Dentinho,  A Policia Desmontada (Dudley-Do Right), muitos deles da serie Rocky Bullwinkle e Amigos. Mas a atualização do que era chamado de "Peabody's Improbable History" é rica em imaginário e informações, porque tiveram a idéia de deixar para a segunda parte uma viagem no tempo que vai mostrar para as crianças como era Leonardo da Vinci e a Mona Lisa, o velho Egito de Tutamenkon,   o presidente americano George Washington (tem aparições também de Lincoln e até do recente Clinton), e até mesmo Kirk Douglas gritando Eu sou Spartacus! passando pela Guerra de Tróia, com Cavalo e tudo, a Corte Francesa e até um Buraco Negro!  . E os fãs perceberão que há varias citações dos desenhos originais, desde a aparição do cachorro fazendo ioga e assim por diante...

     O herói é um  super inteligente mesmo genial, que por ser tão fora do comum, conseguiu o direito de adotar uma criança abandonada (seu lema é divertido: Toda criança deve ter um pai cachorro. Ou será o oposto: todo cachorro deve ser pai de uma criança? Tanto faz porque  é a ausência de preconceitos e a necessidade de amor e cuidados, que o filme defende e apresenta de forma encantadora. E por vezes engraçada!

     Mr Peabody é muito formal, gosta de ser chamado de Senhor e dá duro no filho que é inseguro ainda mais quando vai para uma escola e sofre bullying por parte de uma garota riquinha, que acaba provocando todo o conflito. Segundo dizem o filme teria custado 145 milhões de dólares (esta indo bem de bilheteria por lá mas não passou ainda dos 82 milhões, periga de não se pagar!). É verdade que poderia ser mais satírico e  mesmo engraçado mas dificilmente podia se superar no design e animação. 

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The Invisible Woman

The Invisible Woman. Inglaterra, 13. Direção de Ralph Fiennes. 111min. Roteiro de Abi Morgan baseado em Livro de Claire Tornalin. Com Ralph Fiennes, Kristin Scott Thomas, Felicity Jones, Joanna Scarlan, Tom Hollander,John Kavanagh, Tom Burke, Perdita Weeks, Jonathan Harden.

     Só recentemente estreou nos EUA e na Inglaterra (e fracassou) este drama que tinha palidas esperanças de ser lembrado para o Oscar e no final das contas foi realmente indicado para o de figurino (para Michael O´Connor, de A Duquesa, Harry Potter e a Camara secreta). Um trabalho competente que não chama a atenção para si mesmo mas esta discrição pode atrapalhar (que não tem como comparar-se com exercícios delirantes como O Grande Gatsby, críticos como a Trapaça , sóbrios como 12 anos de Escravidão e espetaculares como o chinês O Grande Mestre). 

     Este já é o segundo trabalho como diretor do excelente ator Fiennes (o primeiro foi uma competente atualização de Coriolanus de Shakespeare) na realização (sendo que duas irmãs deles estão no mesmo metier, Martha e Sophie.  Alias ele é primo em  oitavo grau do príncipe Charles!).

     Os ingleses adoram historias de infidelidades dos famosos mesmo que seja reveladas muito tarde. Como é o caso de um  romance que sucedeu com um dos mais romancistas do Mundo, o genial Charles Dickens (11812-70), criador de clássicos como David Copperfield, Oliver Twist, Grandes Esperanças e inúmeros peças de teatro que ele adorava dirigir em casa com a família.

     Aqui se revela que Charles que apesar de casado e com um monte de filhos (9), foi infiel durante anos com uma admiradora muito mais jovem chamada Nelly Terman (que escreveu o livro em que se baseia o roteiro). Esta queria ser atriz mas seu talento era duvidoso mas não seu charme juvenil. Conheceu-o aos 18 anos e apesar da diferença de 27 anos de idade, a época em que viviam era o auge da hipocrisia (era Vitoriana) e havia regras diferentes para homens e mulheres.  A única saída para ela continua a ser aceita era continuar a ser invisível para proteger a reputação não apenas dela mas também dele! Li vários críticos que reclamam que a historia parece incompleta, com uma narrativa frouxa e sem emoção. Ele mesmo não brilha especialmente com Dickens (ou será medo de mostrar um lado negativo de uma Lenda?).Resulta enigmático e não apaixonante. Outros disseram Vago e esotérico. O mesmo se pode dizer de Felicity no papel da amante (fez muita coisa como Histeria, Loucamente Apaixonados, Tempestade mas ainda não conseguiu deixar maior impressão). Por outro lado, charmosa e cativante como sempre a parceira de Ralphe em O Paciente Inglês, esta a adorável Kristin Scott Thomas.   

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Tudo por Justiça

Tudo por Justiça (Out of the Furnace) EUA, 13. Direção de Scott Cooper. Com Christian Bale, Casey Affleck, Zoe Saldana, Woody Harrelson, Sam Shepard, Willem Dafoe, Tom Bower.Forrest Whitaker. 

     Estamos numa fase intermediária em que estão sendo lançados os filmes que não entraram na lista das premiações, mesmo que tenham algumas qualidades (como A Mulher Invisível) ou este drama que apesar de seu elenco importante não deu certo. Foi rejeitado pelo publico e desprezado pela critica (para orçamento de 22 milhões de dólares rendeu apenas11.300 milhões, sem nada ainda do exterior). O diretor Scott Cooper era ator e dirigiu em 2009 Jeff Bridges no papel que lhe deu um Oscar (vendo agora em retrospectiva meio duvidoso) como um cantor country em Coração Louco/Crazy Heart, 09. Outro filme de pouca repercussão aqui pela temática country (ganhou também como canção!).

     Trabalhando a partir de roteiro dele e de Brad Ingelsby(este é o primeiro script dele filmado) é daqueles filmes que procuram mostrar a vida e o comportamento da classe trabalhadora americana, quase caipira. A principio me lembrei da serie de teve Justified, que em alguma semelhança mas é mais emocionante, com mais ação e menos pretensão. Já ouvi pessoas que começaram a reclamar de Christian Bale, sempre com seu tom intenso, sempre se levando a sério demais. O diretor inclusive o conquistou quando cancelou o filme dizendo que sem Bale não o realizaria (Leonardo Di Caprio iria fazer o personagem dirigido por Ridley Scott, no final das contas ambos ficaram apenas como produtores). O Ego de Bale foi maior e aqui ele interpreta Russell, que vai fazer justiça com as próprias mãos quando seu irmão mais novo mais fraco e mais briguento desaparece. O papel do irmão foi uma escolha óbvia já que é feito por Casey Affleck, que construiu uma carreira justamente fazendo papeis de irmão mais fraco e briguento em geral de seu próprio irmão na vida real, Ben Affleck. Zoe Saldana de Avatar faz o interesse romântico. Todo o filme foi rodado em locações autenticas (e pobres) da Pensilvânia, nos Apalaches. 

     O que incomoda no filme é a sensação de já visto, de ser previsível, onde os atores tentam nos convencer que são trabalhadores comuns que trabalham em caldeiras (daí o titulo Fora da Caldeira, alguns críticos acharam que o diretor deveria colocá-lo de novo nem que fosse para chegar ao ponto certo!). E o tema na verdade são lutas não regulamentadas que podem lhe dar dinheiro extra. Casey fica sabendo de uma em Nova Jersey, vai atrás (engraçado que o ator é fraquinho de músculos), Bale vai atrás e Woody Harrelson (isso antes de dar tão certo na série de teve True Detectives) faz o vilão.

      Tem mais histórias paralelas (Bale a certa altura é mandado para a prisão, depois  Willem Dafoe  que é dono de bar também organiza outras lutas. E tem ainda o pai dos rapazes que esta morrendo (feito pelo dramaturgo Shepard). Nada parece fora de lugar, a ambientação, a fotografia, os figurinos, mesmo a interpretação faz um esforço para ser autentica e convincente (ainda que abuse de closes e planos fechados). Uma pena porém que no todo o filme não motive nem interesse. Poucos vão querer vê-lo.

Ref fim .  

Toque de mestre

Toque de mestre [Grand Piano, EUA/Espanha, 2013], de Eugenio Mira (PlayArte). Suspense com  Elijah Wood, John Cusack, Allen Leech, Kerry Bishé,Tamsin Egerton, Allen Leech, Don McManus, Alex Winter e Dee Wallace (ET) .  90 min.  12 anos.

     Esta é uma curiosa produção espanhola que investe mesmo em dramas de suspense e terror. Feita por um diretor de Valencia, que tem a curiosidade de ser também compositor (assinava como Chucky Namanera) aqui em seu terceiro longa (o roteiro não é dele). Foi indicado ao Goya de maquiagem e ao Gaudi, premio catalão, sete vezes (mas não ganhou nada). Num primeiro momento a critica americana no Festival de Austin, chegou a compara-la com Hitchcock e De Palma. Acho um pouco exagerado, digo muito! Mas não deixa de ser curioso surgir alguém nessa linha. Imaginem que teve gente que  criticou o filme por ele ser demasiado calculado, planejado. Outros acham que ele imitava demais outros suspense Phone booth/Por um fio com o Colin Farrel. 

      O Elijah Wood e seu tipo particular servem para interpretar um pianista de concerto, Tom Selznick que seria o melhor pianista de sua geração. Mas cinco anos numa apresentação teve síndrome do pânico, ou o equivalente. Passou mal e desde então não conseguiu ser levado a sério. Agora planeja seu retorno. Com o apoio da esposa e tocando num super piano apenas por uma noite. Quando começa a tocar ele percebe que sua partitura esta toda marcada e que existe um franco atirador no teatro .O segredo é se ele tocar alguma noite errada alguém morrerá! Ele provavelmente.

     Não deixa de ser uma idéia curiosa e outra critica que o filme teve foi por se levar tão a serio (mas admitem que ao menos o protagonista é menos burro que costume). John Cusack fica a maior parte do tempo fora de cena mas é possível se ouvir sua voz e reconhecê-la   (ultimamente ele parece ter desistido da carreira e faz qualquer coisa, pior ainda que Nicolas Cage).Enfim, eu vi o filme num avião  que não é o melhor lugar para avaliá-lo. Mas o thriller me pareceu interessante mesmo se no final das contas não gostar do resultado. Mesmo se sair falando mal, já é lucro.
Ref fim   

Instinto materno

Instinto materno . Pozitia Copilului. /Child´s Pose.  Romênia, 2013], de Calin Peter Netzer (Imovision) Com Luminita Gheorghiu, Bogdan Dumitrache, Natasa Raab, Ilinca Goia, Florin Zamfirescu. 

     Acho que chegou o momento de eu encarar uma realidade. Eu não tenho maior afinidade com o cinema da Romênia e não consegui me envolver com nenhum deles que em determinado momento teve repercussão em Cannes e passaram por aqui. Chegaram a prever uma Retoma de produção, com novos cineastas mas isso não sucedeu.  Este aqui ganhou o Leão de Ouro em Berlim assim como premio da Critica. Mas não ficou nos finalistas dos Oscar de língua estrangeira (mas erram tanto que não isso não significa muito). Não conheço o diretor que fez dois filmes antes (Maria e Medalha de Honra, inéditos aqui). Não gosto também da interpretação nem da figura da atriz principal Luminita Gheorghiu que tem 34 créditos em sua carreira incluindo o pioneiro 4 meses, 3 semanas, 2 Dias (07)e outro que passou meio em branco mas os americanos admiram, A Morte do Sr. Lazarescu. (05).Foi por este que ganhou o premio dos críticos de Los Angeles. 

    Quem teve uma mãe dominadora vai reconhecer a figura desta megera mas como esta na moda atualmente nenhuma explicação psicológica é dada. O diretor limita-se a seguir os personagens, ou persegui-los melhor dizendo,deixando as conclusões para o espectador. Como o que não falta no cinema são super mães (Joan Crawford é uma que me vem a cabeça uma monstra na vida e na ela, Mamãezinha  Querida que o diga!)esta Cornelia é uma senhora cinquenta e tantos anos bem sucedida na sociedade de Bucarest, que briga muito porque esta afastada de seu filhoBarbu, pelo que ela culpa a namorada dele.Arquiteta bem de vida, ela vem socorre-lo quando é preso ao atropelar e matar uma criança pobre e camponesa, acusado de dirigir embriagado. Envolta em peles ela tenta intervir. Fica claro o contraste entre os ricos e bem de vida e a família da criança pobre e humilde, que precisa ser subornada.Como se não falassem a mesma lingua.

    Não é uma historia nova (não me lembro porém de algo parecido no cinema). Ao contrario já aconteceu com pessoas próximas ou distantes. É um retrato miserável do que o poderio econômico manipula qualquer igualdade mesmo em pais dito socialista. Cornelia esta convencida que o filho é inocente e tudo demonstre o contrario, ela vive elogiando ele, seus feitos esportivos .Sempre fumando, sempre querendo passar por elegante (na verdade patética) é um grande personagem feminino que Fernanda Montenegro faria magnificamente lhe acrescentando uma humanidade, uma fragilidade detrás da pose que eu não consegui perceber aqui, Ela é o tempo todo desagradável e mesmo repulsiva. Talvez se tivesse lampejos de humanidade resultasse melhor. O mais próximo disso é a cena em que ela ouve calada os detalhes da vida sexual da namorada e o filho.

    Escrito pelo mesmo que fez a Morte do Lazarescu, percebo agora que o filme ao me irritar, conseguiu o seu propósito. E essa mãe me deixou aterrorizado. Sim, elas existem. Continuam a existir.

Ref fim.

Ninfomaníaca: Volume 2

Ninfomaníaca: Volume 2 Dinamarca/França, 14. Direção de Lars Von Trier. 123 min. Com Charlotte Gainsbourg, Stellan Skasgaard, Shia LeBoeuf, Stacy Martin, Christian Slater, Jamie Bell, Uma Thurman, Willem Dafoe,  Jean-Marc Barr, Udo Kier. California 

     Tem sido muito mal recebido em especial pelo publico este novo filme de  Von Trier, dividido em dois volumes (ele ainda irá oferecer uma outra versão com quatro horas e meia. Espero que eu possa dispensá-la !). Estão decepcionados com a promessa de sexo explícito que na verdade não se cumpre. Nesta segunda parte ainda menos, há uma rápida ceninha de Charlotte fazendo sexo oral em Jean Marc Barr, nada erótica. A foto dos anúncios onde ela aparece com dois negros é para ser humorística , a cena na verdade não existe. É pretexto para uma anedota onde os dois são irmãos e ficam discutindo, ainda que com ereções e nada se revolve na tela. É lógico que o filme aqui resvala para o masoquismo com Jamie Bell (de todos os mais casto , não tira nem a camisa!) que faz um técnico de não sei do que, que flagela e tortura as mulheres (sem penetração) . Para não dizer que o filme não é cultural, ele começa com uma longa conversa com o intelectual (Skasgaard) que vai dando informações eruditas conforme os fatos são sucedendo. Quando menina ela levita tendo orgasmo e aparecem duas figuras, que são Messalina e outra que não guardei, que são assim ícones do delírio sexual. Também ficamos sabendo que os antigos romanos apenas toleravam 40 chicotadas mas tinham que ser em três vezes, por isso que Cristo teria tido apenas 39!  E também uma nova explicação para o que seria um bico de pato!!!Então toda essa primeira parte dá o tom do filme, mais filosófico, mais armado dramaticamente (a ponto de ter um final inesperado e irônico! Que é enfatizado apenas pelos ruídos, uma das poucas invenções do diretor).

    Por vezes se cai no banal (o nascer do dia e do Sol como símbolo de esperança), ou então o pai (Christian Slater) dizendo que as arvores são como as pessoas , cada um tem que encontrar uma que é sua cara! Shia LeBoeuf aparece pouco porque logo ela sai de casa e acaba fazendo uma bem sucedida carreira (mas o casal irá se encontrar de novo numa cena bem dramática, onde citam aqueles grandes filósofos Ian Fleming e James Bond!). Aparece também Willem Dafoe que da o pior conselho da historia do cinema. Ela estaria precisando de ajuda na sua tarefa de sado masoquismo e este sugere uma menina órfã mas de família de bandidos, que ela não apenas adota mas também leva para a cama. Depois fica surpresa quando a moça se revela uma piranha! Esta é uma das tantas reviravoltas obvias deste que é o filme mais rasteiro do diretor. Os outros ainda havia pretensões metafísicas. Aqui, não temos direito nem sexo, nem  meditações transcendentais.Menos mal feito que a primeira parte, ainda esta longe das imagens bonitas do passado. Francamente quando alguém esta pensando em fazer um filme sensual em seu juízo perfeito jamais colocaria a Gainsbourg como estrela.  

Ref fim.           

Os Pássaros

Revisitando Os Pássaros agora nos cinemas! 
Oportunidade rara e única. Eis um pouco a história deste clássico.

120 min. Cor. EUA, 1963. Universal. 14 anos. Diretor Alfred Hitchcock Elenco: “Tippi” Hedren, Rod Taylor, Jessica Tandy, Suzanne Pleshette, Veronica Cartwright, Charles McGraw, Richard Deacon, Elizabeth Wilson,Ethel Griffiths.

Sinopse: Melanie, uma rica mulher da Sociedade de San Francisco vai até a cidadezinha  de Bodego Bay, na Costa Norte da Califórnia, entregar um casal de periquitos para um possível admirador como fosse uma piada. Mas  é atacada por uma gaivota, no que parece ser o primeiro de uma série de ataques sucessivos e inexplicados contra os humanos.

     Na sua estréia original, este filme do mestre do suspense Alfred Hitchcock (1899-80) não provocou grande reação no Brasil, nem nos EUA . Foi indicado a apenas um Oscar (de efeitos visuais que perdeu para Cleopatra!). Foi o primeiro que ele fez depois do grande êxito de Psicose (60) mas nesse meio tempo se dedicou mais a produzir, apresentar e ocasionalmente dirigir episódio da serie de teve de grande sucesso Suspense (Alfred Hitchcock Presents). Mas depois teve sua consagração quando foi apresentado pela TV Tupi no final dos anos 70, em horário nobre e teve enorme audiência. No dia seguinte só se falava nisso e na cena final que todo mundo achava que havia sido cortada pelo canal (que tinha essa ma fama). Foi depois reprisado igualmente com êxito e assim sem tornou um dos filmes favoritos do brasileiro. Esta nova edição em Blu Ray (já tinha saído como parte de um boxe de sua obra no estúdio) comemora os 50 anos do filme. E que hoje continua a aparecer extremamente ousado, particularmente em fazer um final aberto, intrigante, que deixa as pessoas discutindo. O filme, como todo mundo deve saber ,é inspirado em conto de Daphne Du Maurier (autora de” Rebecca, a mulher Inesquecível”, que em 1939 escreveu seu ultimo filme britânico (Estalagem Maldita) e depois em 1940 seu primeiro sucesso nos EUA, justamente Rebecca. Hitch comprou os direitos pensando em adaptar para a teve.  Daphne (1907-89) escreveu outros livros que viraram filmes famosos como Inverno de Sangue em Veneza (73), Gaivota Negra (44), O Estranho Caso do Conde (59 ), Eu te Matarei Querida (52). Curiosamente o filme e a historia tem pouco a ver. Somente o fato de se passarem a beira mar, numa cidadezinha a beira de uma baia, que é vitima de bizarros ataques de pássaros sem maiores explicações. Na obra de Du Maurier's o protagonista descobre que esse comportamento dos pássaros esta ligado diretamente com a subida e descida das mares e usa isso para derrotá-las. No filme não é feita essa conexão.  Além disso o original ser passa na Inglaterra, onde um homem tenta proteger sua esposa e dois filhos na sua casa isolada.

      The Birds voltou a ser comentado recentemente porque fatos novos foram revelados, nem todos convincentes sobre a relação entre Hitch e sua descoberta para este filme que foi a modelo Tippi Hendren (haviam aspas no Tippi antes) e mais lembrada hoje como a mãe de Melanie Griffith, mulher de Antonio Banderas. Foram em alguns livros e em dois filmes, mais precisamente em The Girl, 12, co-produzido pela HBO e a  BBC . Esta afirmou que ela foi vitima de sedução, ameaçada e sofreu maus tratos na mão de Hitch (como era chamado e fazia questão disso). Fato desconhecido da gente ate agora e negado nas entrevistas feitas para o Making of que vem aqui, que é de 99, mas que foi explorado num roteiro totalmente trash de uma certa Gwyneth Hughes (que tem feito telefilmes). Tudo fica comprometido pela fraca interpretação de Toby Jones,também  prejudicado pela maquiagem esquisita e por uma postura antipática, deixa virar caricatura e cai mesmo no ridículo, com o lábio inferior  pronunciado, a voz   pausada e pomposa, o que lhe dá  um jeito repulsivo demais.O roteiro não dá elementos para entendermos o seu comportamento descontrolado e maldoso (segundo o filme durante as filmagens de Os Pássaros porque ela não quis dormir com ele permitiu que ela se ferisse com os pássaros de verdade ou de mentira que a atacavam). Por outro lado, não fica muito claro embora tenha lido em resenhas que ele seria impotente (há uma cena onde há um fade out, escurecimento, onde deixa a entender que ela teria finalmente consentido! Ao menos fica dúbio). 

      Mas tudo se estraga de vez com um letreiro final que afirma que Marnie (o segundo e ultimo filme da dupla. Não dá para engolir Tippi ingênua e vitima, quase santa!).Enfim, o letreiro diz que Marnie seria um sucesso e hoje é visto como a ultima obra prima do diretor. Só na cabeça dessa gente maluca, já que Marnie já foi sempre mal visto pela critica (que o achou antiquado) e ainda hoje é considerado um dos piores de Hitch (a ultima obra prima foi Frenesi, três filmes depois dele. Enganar tudo bem mas mentir é feio.
Grande parte do mérito do filme deve ir para o roteirista que é o famoso Evan Hunter (1925-2005), autor de muita obra famosa e também conhecido com o pseudônimo de Ed McBain : Sementes da Violência, 55, com Glenn Ford,  O Nono Mandamento com Kim Novak, 60, Juventude Selvagem, 61,  com Burt Lancaster, A Mulher sem Rosto, 63, com James Garner, Céu e Inferno, 63 de Kurosawa, O Ultimo Verão, com Barbara Hershey, 69, Sem Motivo Aparente, 69 com Jean-Louis Trintignant, Confusões por Todos os Lados, 72 com Lynn Redgrave, Aliados contra o Crime, 72 com Burt Reynolds, Laços de Sangue, 78, de Chabrol, com Donald Sutherland. Evan escreveu inclusive um Me and Hitchcock, sobre a colaboração entre os dois aqui e também depois em Marnie. 

     Há vários aspectos a se comentar do filme 
1) não há trilha musical tradicional. Ao contrário o compositor habitual de Hitchcock Bernard Hermann assina como consultor e aprovou a idéia de irem ate a Alemanha conhecer uma experiência que se faziam com sons eletrônicos. Num aparelho chamado mixtrautonium, por Oskar Sala. Embora tenha musica incidental (Tippi tocando piano "Deux Arabesques" de Claude Debussy (1888), as crianças cantando na escola uma musica que tem letra de Evan Hunter) todos os efeitos são guardados para as cenas de ataque, com barulho simulando a voz dos diferentes pássaros.  O resultado é excepcional e favorece também os silêncios que provocam suspense, já que o publico fica esperando os ataques como na sequencia em que Tippi /Melanie vai fumar cigarro (coisas da época tanto ela quanto a professora fumam muito!) e de repente num momento ate longo no parque das crianças o trepa-trepa fica repleto de corvos! Que se preparam para atacar. E depois da morte do fazendeiro que já sabemos que são mortais! (o cadáver dele é mostrado em três planos cada um deles mais próximo que o seguinte, também novidade na época). 

2)Os figurinos do filme são da maior figurinista de Hollywood, a mais premiada (8 Oscars), a genial Edith Head que fez vários filmes com Hitch (como Um Corpo que Cai, Janela Indiscreta) .Foi quem desenhou os discretos tailleurs para Tippi (mas também suas roupas para apresentações pessoais). Assim a roupa verdade combina com os olhos verdes da atriz. Edith assinou 437 projetos. 

3)Hitchcock não gostava de rodar em locações. Aqui ele começa na praça mais famosa de San Francisco mas assim que Tippi/Melanie atravessa a rua e passa por um cartaz já se muda para o estúdio. Um garoto assovia com admiração para ela (mas era uma citação do comercial de teve que Fez com que Hitch prestasse atenção nela e a contratasse!). Entra então na loja de animais.

4) É já ai bem no comecinho do filme que Hitch faz sua tradicional aparição em cameo (pontinha), saindo da loja levando justamente seus dois cães de estimação que ficavam o tempo todo com ele, mesmo no estúdio!

5) O que mais me espantou revendo o filme é o fato de que ele desobedece as normas dos livros que ensinam como escrever roteiros. Nada acontece de suspense ou emoção até o primeiro ataque da gaivota em Tippi, isso já aos 25 minutos! Até ali temos apenas momentos de romance. O autor Hunter confirma que ele usou o velho truque das comédias screwballs dos anos quarenta fazendo que o casal se encontrar de forma bonitinha e engraçada, sendo que imediatamente ficam implicando um com o outro. Quase brigando, quase flertando. É o que sucede ate o primeiro ataque quando se muda de tom. Como Hitch gostava muito do gênero e de Carole Lombard fica-se com a impressão de que estava pensando nela ao aprovar esse estilo! 

6) A edição em Home vídeo tem um erro grosseiro de tradução ao chamar Hood de Pretos, quando o certo seriam marginais, delinqüentes, bandidos (como em Robin Hood). Ao usar esse nome demonstra um inaceitável preconceito! (isso sucede duas vezes num dialogo que a menina diz sobre o irmão que é advogado! Ou seja que o marginal tem que ser preto!). Um absurdo.

7)O clima é construído muito devagar começando com as galinhas que não querem comer e já na primeira sequencia Tippi presta atenção no céu da praça onde se percebe pássaros circulando como se fossem migrar.Foi cortada uma cena que foi rodada mas só aparece aqui em trechos do script e poucas fotos. Nela o casal tomando ar no alto da colina e vendo o mar, discute como teria tudo acontecido e brincam que os pássaros se reuniram e resolveram atacar os humanos. 

8) Reparem como Hitch procurou usar pássaros bonitos e amigáveis, como a gaivota, os pardais e o mais feioso seria apenas o corvo! E não agressivos como águias e gaviões.

9)Como se sabe Hitch tinha preferência por loiras, de Grace Kelly a Kim Novak e em geral colocava morenas de coadjuvante  como rivais. Aqui, ele dá esse papel a uma atriz subestimada e que merecia muito mais,a linda e boa atriz Suzanne Pleshette (1937- 2008) que ficou famosa no Brasil por causa de O Candelabro Italiano (depois se casou por uns tempos com o galão do filme Troy Donahue) e nos EUA na serie de teve The Bob Newhart Show. Muito divertida, famosa pela boca suja, ela faz a quase rival de Melanie/Tippi, a professora local. Tem poucas cenas e nem sequer uma boa saída de cena . Mas com pouco texto, consegue passar a verdade e a simpatia de Annie Hayworth, que amava e sofria em silencio. Sem nunca trair.

10) Hitch pensou em Farley Granger para o papel de Mitch mas ele tinha compromissos no teatro e o escolhido foi o australiano que esteve contratado pela MGM Rod Taylor (1930-). Este chegou a fazer papeis importantes (Zabrieskie Point para Antonioni, foi galã duas vezes de Doris Day e retornou em Bastardos Inglórios, irreconhecível por causa do alcoolismo).

11) Quem tem participação importante no filme é Jessica Tandy (1909-94), que só realmente ficaria famosa quando idosa (seria a mais velha atriz a ganhar um Oscar, no caso por Conduzindo miss Daisy em em 89). Hitch era velho amigo do marido dela que fez vários filmes com ele, Hume Cronyn. Aqui faz a mãe de Mitch/Rod, um personagem difícil porque inseguro, que promete mas não cumpre ser rival e inimiga de Melanie/Tippi. Jessica porém demonstra sua competência e uma beleza que é raramente comentada.

12) Há alguns atores coadjuvantes importantes no filme. Curioso como Hitch usou numa ponta um ator de comédia na época muito querido, Richard Deacon (1921-84), abertamente homossexual e que faz o vizinho que da instruções quando Melanie vai deixar o presente na porta. Toda a sequencia no restaurante chamado Tides também tem figuras características como Charles McGraw (aquele que prevê fim do mundo), Ethel Griffies como a ortonologista (Fez de A Ponte de Waterloo, a Como Era verde o meu Vale). Elizabeth Wilson (como a garçonete) mas sem duvida a mais lembrada de Veronica Cartwright, irmã de Angela, e que fez Infâmia, Alien, A Bruxa de Eastwick, Os Nove Irmãos. Mitch Zanich, dono do Tides fez acordo com a produção de emprestar o lugar em troca de ter uma fala e um personagem levar o seu nome.(Pode ser ouvido O que aconteceu Mitch? Depois do ataque da gaivota. E Mitch é o nome de Rod).

13) Os efeitos especiais foram inovadores, na medida em que a projeção de fundo colorido no chamado Blue Screen não dava bons resultados, principalmente nas bordas que ficavam azuladas. Resolveram então recorrer a técnica dos estúdios Disney, que  basicamente era gravar as imagens separadas (o ator que vai em primeiro plano e o fundo), utilizando bases em cores diferentes (amarelo a do background e a outra em branco). Por isso a união das duas imagens feitas em pos produção deram resultado muito melhores e convincentes,  mesmo ate hoje. 

14) Havia um outro final no roteiro mas não mudava muita coisa. Basicamente o carro com os sobreviventes ia atravessando a cidade que estava toda arrasada, com muitos mortos e vitimas. Quando estão saindo encontram novo bando de pássaros que atacam o carro (que é um conversível com cobertura de lona), os bichos estão vão furando essa lona ate romperem.Quando vão atacar e seriam mostrados num plano de baixo para cima, contra o céu, Mitch pisaria no carro e conseguiria escapar. 

      A sequencia porém não foi rodada segundo o roteirista porque sairia muito cara. De qualquer forma, Hitch fez o elenco e equipe jurar que não contaria o final. No extra chamado o filme de Monstro de Hitchcok (onde vários famosos comparam o filme á Tubarão de Spielberg que teria se inspirado muito nele!) se defende a teoria apocalíptica. Embora tenham realmente ocasionais ataques de pássaros a humanos (um inclusive com o filho da autora Daphne) o enredo faz imaginar algo maior, uma revolta mesmo e chegaram a pensar em ter pássaros em toda parte, ate mesmo na Golden Gate de San Francisco. Mostrando que não teria saída. Alguns dizem que foi uma critica a complacência humana diante da natureza, que um dia pode se revoltar. Por isso fizeram a cena da discussão do povo no restaurante (com a virada clássica do povo contra a heroína, já que tudo começou a acontecer quando ela surgiu na cidade. Alias Tipi conta que o tapa que deu na atriz que a ataca foi para valer a pedido da própria).Então o fim não é um clímax mas uma grande interrogação que o espectador tem que responder. 

      Houve  uma continuação muito fraca feita para a teve, chamada Os Pássaros 2 (94, The Birds II: Land´s End, de Rick Rosenthal, com Brad Johnson e Chelsea Field (e participação pequena de Tippi em outro personagem). Importante: Hitchcock não quis colocar a palavra The End no fim do filme porque achava que nada se concluia. Tudo termina apenas com o Logo novo da Universal (que por sinal durou pouco). Não se pode esquecer das inúmeras imitações, durante anos os produtores imitaram Hitch e fizeram diversas revoluções dos animais contra os homens (Coelhos, Cobras, Aranhas, Jacarés, e assim por diante). 
Ref fim.  

Alemão.

Alemão. Brasil, 14. Direção de Jose Eduardo Belmonte. Roteiro de Gabriel Martins e Leonardo Levis. Com Antonio Fagundes, Caio Blat, Cauã Raymond, Gabriel Braga Nunes, Milhem Cortaz, Otavio Muller, Mariana Nunes, Marcelo Mello  Jr. 

     Não consigo entender como dão títulos tão pouco atraentes a filmes nacionais. Como foi o caso daquele bom filme “Hoje” (“Hoje esta passando Hoje”, imagina o anuncio! Não dá certo né). A mesma coisa aqui. O carioca tem a tendência de achar que é o centro do mundo porque o Rio é a capital do Império mas nem todo mundo sabe o que é o Alemão, não a pessoa, nem a nacionalidade, mas o complexo da região da favela carioca que foi “dita” pacificada há algum tempo atrás.

      Não é baseado em fato real mas uma historia imaginada naqueles momentos vésperas da provável invasão da policia  no que poderia vir a ser a queda do traficante que domina o local (chamado de Playboy, papel feito por Cauã Reymond, que deve ter aceitado a participação por causa da fala final, que é poética digna de filmes de faroeste de John Ford!). Mas tudo sucede por obra do acaso. Um mensageiro de moto foge para não cair nas mãos do trafico e deixa caída uma pasta onde estão as fichas dos policiais que se infiltraram no morro para descobrir a geografia do lugar. De repente todos eles são vulneráveis e estão sendo caçados e devem ser mortos (um deles para complicar é apaixonado por uma jovem, irmã do tenente do Playboy). E todos os policiais vão se encontrar numa pizzaria que ate então não provocava suspeitas  (o dono é Otavio Muller). Tem  o bom moço Caio Blat, o bonitão Gabriel Nunes ( que tem o personagem menos desenvolvido), o violento e pouco  inteligente Milhem Cortaz . Enquanto na cidade Antonio Fagundes faz o chefe da policia, entre duas cruzes, tenta salvar os colegas (há uma surpresa também  que só será revelada quase ao final) enquanto o governador  (apoiado ate pelo Lula que se ouve em off) esta se encaminhando a tomada da região .

     Toda a historia é contada com muito suspense, humanizando os policiais (o que costume incomodar nossos críticos), sem, porém fazer a denuncia dos políticos  com a mesma franqueza usada em Tropa de Elite (o que acaba sendo o ponto fraco do filme já que o publico esta mal acostumado). Também não sei a imprensa ira embarcar na historia dramática e triste mas  me envolvi com a historia, com os atores (o elenco esta muito bem mas eu gostei particularmente de Caio Blat, que esta na medida certa) e na situação “beco sem saída”. Claro que é mais um filme de favela mas desta vez usando um artifício que é uma situação de filme de guerra ou de suspense só que fazendo isso suceder num outro momento, que é real. É surpreendente o trabalho do diretor Belmonte (ainda mais vindo de outro filme que é melhor esquecer,  Billi Pig). Demonstra sua constante e crescente evolução. 

Ref fim.       
   

Filmes inéditos em Home Video

Filmes inéditos em Home Video  

     A decadência das locadoras tem provocado um efeito ruim comigo: cada vez tenho visto menos filmes e agora corra de varias produções interessantes que não saíram nas salas e não são tão famosas que mereçam ser compradas em VOD (Now). Mas acho importante ir registrando, eis duas delas:

Ligados pelo Amor (Stuck in Love) EUA, 13. Direção e roteiro de Josh Boone. California Filmes. 97 min. Drama/comédia/Romance. Com Jennifer Connelly, Greg Kinnear, Lily Collins, Kristen Bell, Nat Wolff, Logan Lerman, Liana Liberato, Patrick Schwarzenegger (filho de Arnold como um amigo do heroi adolescente).

     Uma pena que não tenham descoberto este filme sensível e autobiográfico de Boone ( A Culpa é das Estrelas), que relembra sua família de escritores para contar uma encantadora e romântica historia sobre os desencontros entre o filho adolescente (Wolff, de A Seleção) e seu pai (Kinnear), que não se conforma que a mãe (a sempre linda Jennifer Connelly) o tenha largado por outro. Mas a filha deles (Lily Collins, filha de Phil e que lembra muito Jennifer quando jovem) caiu nas drogas e sexo livre. Wolff também se apaixona por uma colega charmosa (Liana Liberato) que também tem o mesmo problema só que piorado. E ainda aparece Logan Lerman, o Percy Jackson e de As Vantagens de ser Invisível). O resumo engana mas o filme é bem resolvido, positivo e tem um grande achado com uma aparição especial do escritor Stephen King. Fique atento aos filmes da California, uma das distribuidoras nacionais que mais trazem novidades.   

     O Estranho Thomas (Odd Thomas, 14). Imagem. O diretor Stephen Sommers (A serie A Mumia) já teve melhores dias do que ultimamente com G I Joe a Origem da Cobra. Neste caso, o filme só saiu em fevereiro deste ano nos EUA, depois de ter problemas (ficou interrompido por falta de dinheiro). O interessante é que é baseado em livro do famoso Dean R. Koontz  sobre um cara muito estranho chamado Thomas (que é interpretado por Anton Yelchin, de Star Trek) lembrando um pouco Ghost Whisperer só que mais delirante. Ele vê fantasmas e procura ajudar os mais necessitados. Mas não é só isso,  também vê outras figuras monstruosas sempre tentando ser fiel a sua querida e amada namorada (a encantadora Addison Timlin, de Namoro ou liberdade ). A situação se complica muito na sua cidadezinha do Novo México, quando há uma ameaça de uma grande tragédia com muitos mortos, que ela não consegue decifrar. O roteiro se perde bastante no meio e numa narrativa off do herói que irrita bastante. Mas é movimentado, com efeitos curiosos  e poderia ser melhor não fosse um lamentável final que vai decepcionar os possíveis fãs. 

Ref fim.