terça-feira, 23 de abril de 2013

Dois Dias em Nova York



Dois Dias em Nova York / 2 Days in New York. EUA. 12. Direção de Julie Delpy. Roteiro de Delpy e Alexia   Landeau. 96 min.Com Julie Delpy, Chris Rock, Albert Delpy, Alexia Landeau, Kate Burton, Dylan Baker, Daniel Bruhl, Vincent Gallo. 


     Julie Delpy é uma figura querida no ambiente de cinema, em parte porque começou ainda adolescente (num filme de Godard) e depois se alternou entre filmes na França (alguns importantes como A Igualdade é Branca de Kieslowski, Filhos da Guerra de A. Holland), mas também fez muitos filmes americanos porque seu inglês era perfeito (entre eles, Parceiros do Crime, Lobisomen Americano em Paris, Waking Life, Flores Partidas com Bill Murray). Mas talvez seja mais conhecida pela trilogia que fez com o diretor Richard Linklater, e o ator Ethan Hawke que consiste de Antes do Amanhecer (95)  Antes do Por do Sol (04) e o recente Antes da Meia Noite (13). Até indicação ao Oscar de roteiro ela chegou a ter. Também se dedicou a direção já com  7 filmes, inclusive A Condessa de Sangue, 09. Mas tem se dado bem mesmo com essas comedinhas meio românticas, meio turísticas. 


     Esta é uma continuação de Dois Dias em Paris, 07, que era uma comédia improvisada muito simpática mostrando os problemas de Julie quando  volta para sua cidade com o marido americano e  se hospeda com a família (eles mesmo fazendo os papéis). Aproveita também para encontrar os ex-namorados. Sempre influenciada por Woody Allen chegou a hora de retomar a historia de Marion. Tudo abre com um show de bonecos que esta sendo apresentado para sua filha, produto do casamento com Adam Goldberg que estava no filme anterior. Ela é artista e vive agora em Nova York  morando com um locutor de radio chamado Mingus (e interpretado por Chris Rock). Tudo vai bem ate quando a família dela chega da França.O pai é interpretado pelo próprio pai da diretora (Albert Delpy) que já apareceu no filme anterior. Mas desta vez também vieram a irmã mais nova Rose (Alexia) que é ciumenta  porque o atual namorado Manu(Alex Nahon) foi ex da Marion. Assim explora a rivalidade e desfila pela casa semi-nua. Chris Rock, porém não se abala e se contenta em fazer confidencias para  um imagem em cartolina de Barack Obama.

      Mas tem mais. Marion esta fazendo uma grande exposição e uma das piores idéias do roteiro  é apresentar Vincent Gallo, aquela figura horrível, fazendo uma espécie de Mefistófeles que compra a alma de Manon . A critica americana também apreciou o fato dela pintar sua família sem piedade mas vulgares, obsessivos, ate mesmo desonestos. Mesmo o pai é mostrado com uma mistura de Peter Pan e Harpo Marx. Também gostaram da interpretação do comediante negro Chris Rock, que geralmente não representa, grita e faz cara cínica , só que desta vez  aparece contido e discreto (eu não consigo esquecer que ele é O Chris da série de teve querida no Brasil que é Todo mundo Odeia o Chris ). Por outro lado, Julie procura ser autobiográfica relembrando e sofrendo com a morte da mãe que faleceu (ela aparecia no filme anterior).

      Eu não achei grande empatia entre a dupla e esperava mais do confronto de duas culturas e dois estilos de humor. Por algum motivo, falta motivação e inspiração.  Mas Julie tem talento para dirigir comédia e sem duvida é diferente da média do que se costuma assistir. 

    Ref fim 

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