domingo, 12 de maio de 2013

Beije-me Outra Vez


Beije-me Outra Vez. Bacciame Encora. Itália, 2010. Direção de Gabriele Muccino. 139 min. Com Stefano Accorsi, Vittoria Puccini, Pierfrancesco Favino, Claudio Santamaria,Giorgi Pasotti, Marco Cocci, Sabrina Impacciatore, Daniela Piazza, Primo Reggiani, Valeria Bruchi Tedeschi, Adriano Giannini.

     Em 2001, o diretor Muccino fez muito sucesso na Itália com o filme O Ultimo Beijo, que chegou a ser exibido aqui mas sem grande repercussão. Foi mais visto quando foi refeito pelos americanos, como Um Beijo a Mais (06) de Tony Goldwyn, com o Zach Braff. Já fazia algum tempo que a continuação italiana do mesmo diretor Muccino (que nesse meio tempo foi para os EUA onde fez boa carreira ainda que irregular, é dele o muito fraco e recente Um Bom Partido, tendo funcionado melhor os que fez antes com Will Smith, Sete Vidas e A Procura da Felicidade). 

     O problema básico é que o filme original além de não ter sido assim tão memorável, é muito difícil ainda tê-lo na memória. Alias o roteiro e argumento são também do diretor o que faz supor que seja autobiográfico já que é uma variante no gênero criado faz anos por O Reencontro (The Big Chill, 83) de Lawrence Kasdan em que um grupo de amigos de faculdade se reencontram num fim de semana para conferir os estragos que a vida real lhes fez nos sonhos e projetos. Aqui, a historia retoma dez anos depois com o mesmo elenco e personagens,embora curiosamente sem procurar ser muito original (tanto que pelo menos dois casais tem partos simultâneos e onde o marido legal não é o pai da criança!). Fora disso, os italianos continuam a gritar muito,serem passionais (dois casos também de pegar o revolver para fazer justiça ou suicídio) e copiam os americanos em fugirem das responsabilidades e se assumirem como adultos.

     Por outro lado, o diretor Muccino aprendeu sua lição americana, realizando um filme de belíssima fotografia, narrativa ágil e mesmo frenética demais (apesar da longa metragem), locações fotogênicas e trilha musical (ou utilizaram o Eu sei que vou te amar de Jobim, ou é uma cópia descarada! Não consegui ver o crédito e não tem no imdb). Mas o roteiro poderia ter mais variantes alem do recorrente : o homem de trinta e tantos anos,ou quarentão,  que abandonou o filho pequeno e agora procura reencontrá-lo, ou o casamento que desmoronou (e a esposa arranjou o homem errado para substituí-lo, as doenças que começam a atacar (o protagonista e narrador Stefano Accorsi tem um peripaque que os médicos não sabem diagnosticar). Esta faltando também do filme original a bela Vittoria Mezzogiorno que foi substituída pela também bela Vittoria Puccini. Conclusão: indicado para a faixa de idade dos personagens, corre porém o risco de sair de cartaz antes de ser descoberto. 

Ref fim

O que se Move



O que se Move.Brasil, 12. Direção de Caetano Gotardo.  Com Cida Moreira, Fernanda Vianna, Andfrea Marquee, Degoberto Feliz, Christina Corazza, Wandré Gouveia, Ane Rodrigues.


        Este é o longa de estréia de um montador paulistano que faz parte do grupo coletivo Filmes do Caixote (ele editou Trabalhar Cansa de Marco Dutra e Juliana Rojas) que impressiona pela originalidade; é um filme de autor, lento, modesto, inspirado em fatos reais e que vai interessar mais a quem acompanha estes jovens realizadores que vem se firmando fora do chamado “mainstream” (fazem  filmes com humor mas não comédias). Mas o fato é que se deram bem no ultimo festival de Gramado. São 3 episódios inspirados em algum acontecimento traumático: o sofrimento de um pai, a perda de um ente querido, a própria dor da existência. O mais curioso é que ao final de cada episódio, um dos personagens começa a cantar. Não como se fosse um musical, nem mesmo fora de tom como em  Os Miseráveis. Apenas entoam, dizendo as palavras sem rima, tiradas do fundo da alma. É um recurso raro e original, extremamente tocante (em particular na sequencia inicial com um trabalho excepcional e desglamurizado de Cida Moreira). São  três histórias - de quatro mães – sempre sobre fatos do dia a dia, envolvendo perdas e um reencontro. E narradas de maneira leitura poética e melancólica.  A Atriz Fernanda do Grupo mineiro Galpão ganhou premio em Gramado mas pela própria estrutura do trabalho o Kikito deveria ter sido dividido entre as três, seria muito sensato e lógico.  

Fim

Tese sobre um Homicídio



Tese sobre um Homicídio (Tesis sobre um Homicidio) Argentina/Espanha, 13. Direção de Herman Goldfrid. 106 min Com Ricardo Darin, Alberto Ammann, Calu Rivero, Arturo Poig, Fabian Arenillas, Mara Bestelli, Antonio Ugo. 

       Ricardo Darin continua a ser o astro mais popular e famoso da Argentina e todos seus filmes novos tem chegado regularmente ao Brasil mesmo quando não é nada de tão especial. Este é um segundo longa do diretor que foi antes assistente e fez Musica em Espera (09). Goldfrid por sua vez inspirado em um livro de Diego Paskowiski.

      Basicamente uma historia policial de forma tradicional que esta na moda, apresentando a figura de Gonzalo, um psicopata jovem e pretensioso em conflito com um homem mais velho. No caso, Darin faz Roberto, um professor de pos Graduação em Direito, de valor reconhecido, que se envolve quando uma aluna da escola aparece morta no estacionamento da Escola. Parece que a intenção desse aluno feito por Alberto Ammann, que estrelou Lope do brasileiro Andrucha Waddington, esteve também em Cela 2111 (que lhe deu o Goya de revelação) é provar as falhas que existem no Código Penal que permite que criminosos escapem sem punição (alem de frio e calculista, ele  ainda por cima é filho de um respeitado colega e amigo). Não chega a ser um filme noir, nem é totalmente fiel ao livro original (que é narrado pelo criminoso, que faz inúmeras referencias a atriz Juliette Lewis e que tem gente que compara com Psicopata Americano). 

     Darin comparece com sua competência habitual (e o personagem tem vaga semelhança com seu êxito O Segredo de seus Olhos) e o filme interessa quase ate o fim quando cai numa armadilha que prejudica muito. É outro daqueles que tem um final confuso, que complica mais do que explica, irrita mais do emociona. E no final das contas fica bastante distante do outro.  

Ref fim

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Uma Ladra sem Limites


     Uma Ladra sem Limites ( Identity Thief). Direção de Seth Gordon. Com Jason Bateman, Melissa MacCarty, Amanda Peet, T.I., Jon Favreau, Morris Chestnut, Genesis Rodrigues, John Cho, Robert Patrick, Eric Stonestreet.111min.

       É preciso que as comédias americanas sejam sucesso grande nos EUA para que passem em nossos cinemas. Foi o caso  deste filme da Universal, que custou 35 milhões de dólares (cara para sua pretensão) mas rendeu 133 ! Sem duvida por causa da presença de sua obesa e divertida estrela Melissa, famosa nem tanto pela serie Mike and Molly  mas por ter roubado Missão Madrinha de Casamento que lhe deu uma indicação ao Oscar (fez ainda aparição em Bem Vindo aos 40, de Jud Appatow que irá sair em Home Video direto) e em breve The Heat com Sandra Bullock e também em Se Beber não Case III.

      Espero que não se desgaste  o estilo de humor de Melissa, que gosta de fazer barulho (ou ritmo ) com a boca, é debochada e grosseira, mas de um jeito que sempre resulta inocente ou mesmo ingênuo. É um dom que tem e que consegue salvar mesmo esta comédia trôpega e irregular. Que não chega nunca a convencer.

      Foi dirigida por Seth Rogen que fez Surpresas do Amor, Quero matar meu chefe, e muita teve. Foi rodado basicamente em Atlanta, Georgia (o resto das locações são meio fajutas)no que pode ser classificado de uma comédia de estrada. Jason Bateman pelo jeito já se conformou em ser escada de comediantes, o Dean Martin ou Dedé Santana do Didi,no caso Melissa. Ou seja, o parceiro faz a graça, ele apenas lhe passa a bola para este rebater e encestar. Como já preveni o filme não é muito engraçado. Jason é um homem de negócios casado que percebe que alguém lhe roubou tudo que tinha, todos os cartões (e esta gastando a beça, sem o menor controle). A única saída é ir até onde essa pessoa mora  e tentar prende-la ou impedi-la. Mal pode imaginar que é uma moça gorda e sem controle, chamada Diana, que rouba descaradamente e há muito tempo. Jason tenta prende-la mas a garota é astuta e sempre consegue um jeito de escapar (o resumo parece coisa para adolescente mas há uma piadinhas fortes e mesmo apelativas).  (ainda assim como filme de estrada é bem melhor do que o horrivel Guilt Trip com La Streisand).

      O roteiro foi escrito por Craig Mazin (Se Beber não Case II e III) e as vezes cai na grosseira (o filme provocou também polemica quando um critico chamou Melissa de trator e ate a ofendeu por causa de seu excesso de peso, Não concordo porque na verdade ela é sempre encantadora. Mesmo quando grosseira).Podia dar mais detalhes, Amanda como a esposa, Morris como o policial que lhe previne que vai custar a prender uma vigarista de tal quilate, o chato do Favreau faz o patrão que trata mal Bateman. E ainda por cima um gangster que também foi roubado por Melissa e mandou três assassinos atrás dela (e no caso ele que a capturou).

Conclusão: Melissa é ótima e merecia melhor script e filme.

Ref fim.  



Uma Ladra sem Limites
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Bryan Forbes


Morre importante diretor britânico

Bryan Forbes 


       (1926- 2013). Ator, diretor, roteirista inglês. Nasceu John Theobald Clarke, em 22 de julho em Londres. Começou no rádio como uma espécie de rapaz-prodígio quando aos 16 anos apresentou um programa chamado Junior Brains. Publicou um romance ainda quando era estudante, estreando no palco em 1942. Fez medíocre carreira como ator cinematográfico (A Chave; Os Canhões de Navarone; Um Tiro no Escuro). Em 1958, fundou com Richard Attenborough uma produtora onde realizou seus filmes mais marcantes, trabalhando também como roteirista (Os Sobreviventes, 1955, para José Ferrer; Casa dos Segredos; Servidão Humana, cuja direção abandonou em favor de Ken Hughes). De 1969-71, foi chefe de produção dos estúdios da EMI. Sua mulher Nanette Newman (1934-    ), trabalhou na maior parte de seus filmes. Foi um diretor talentoso, especialmente em preto e branco. Mas também irregular, prejudicado pela situação insegura da indústria britânica. Nos anos 90 ajudou apenas no roteiro de Chaplin, 1992, para o amigo Richard Attenborough. Faleceu em sua casa em Surrey, aos 86 anos. Não informaram a data ou a casa. Uma sugestão: procurem conhecer seus primeiros filmes que foram brilhantes e mal distribuídos no Brasil. Com O Vento também tem segredos revelou e consagrou Hayley Mills antes de Disney. Demonstrou que Leslie Caron podia ser ótima atriz dramática com A Mulher que Pecou. Fez um brilhante suspense sobre espiritismo com Seance on a Wet Afternoon, inédito aqui, com a celebre atriz teatral Kim Stanley. O Rei de um Inferno foi competente drama de campo de prisioneiros. Mas sua obra prima provavelmente foi The Whisperers, outro inédito com a grande e veterana Edith Evans. Seu primeiro casamento foi com a atriz Constance Smith (1928-2003). Também roteirista publicou romances,  “The Rewrite Man”e “A Spy at Twilight”;  o livro de memorias “Notes for a Life” e “That Despicable Race: A History of the British Acting Tradition.”


Filmografia
 
Dir.: 1961 – O Vento Também Tem Segredos (Whistle Down the Wind. Alan Bates, Hayley Mills).
       1962 – A Mulher que Pecou (The L-Shaped Room. Leslie Caron, Tom Bell).
       1964 – Seance on a Wet Afternoon (Kim Stanley, Richard Attenborough).
       1965 – O Rei de Um Inferno (King Rat. George Segal, Tom Courtenay).
       1966 – A Loteria da Vida (The Wrong Box. Michael Caine, Peter Sellers). The Whisperers (Edith
                   Evans, Eric Porter).
       1967 – Vertigem (Deadfall. Michael Caine, Giovanna Ralli).
       1969 – A Louca de Chaillot (The Madwoman of Chaillot. Katharine Hepburn, Paul Henreid).
       1971 – Muito Tarde Para o Amanhã (The Raging Moon. Malcolm McDowell, Nanette Newman).
       1975 – Esposas em Conflito (The Stepford Wives. Katharine Ross, Paula Prentiss).
       1976 – A História de Cinderela ( The Slipper and the Rose. Richard Chamberlain, Margaret  
                  Lockwood).
        1978 – Duplo Triunfo (International Velvet. Tatum O’Neal, Anthony Hopkins).
        1980 – Amantes Sensuais (Les Séducteurs/ Sunday Lovers. Epis. Roger Moore, Lynn Redgrave).
                    Jessie (Nanette Newman. TV).
         1981 – Antes Tarde do que Nunca (Better Late than Never. David Niven, Maggie Smith).
         1985 – A Outra Face (The Naked Face. Roger Moore, Rod Steiger). 1990 – O Jogo sem Fim (The
                    Endless Game. Albert Finney, George Segal. TV).
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quarta-feira, 8 de maio de 2013

O que Traz Boas Novas


O que Traz Boas Novas (Monsieur Lahzar), Canada,  2011. Direção de Philippe Falardeau. 94 min. Com Mohammed Felag, Sopie Nélisse, Émilie Néron, Vincent Millard, Marie Eve Beauregard. 

      Foi uma grande surpresa esta semana a noticia de a Academia do Oscar mudou as regras e a partir de agora também os filmes estrangeiros (ou seja, de língua não inglesas serão votadas por todos os associados e não mais por uma pequena comissão de voluntários que eram obrigados a ver todos os finalistas). Para evitar falhas como neste ano a ausência do Francês “Intocáveis”. Não sei ainda se será uma boa idéia mas  este filme canadense falado em francês local ficou dentre os cinco finalistas no ano passado. Não chega a ser uma obra prima mas interessa especialmente aos professores e todos abnegados que se dedicam ao magistério em suas diversas formas.

      Também vencedor dos Gênies (O Oscar local) inclusive de filme e direção, este drama mostra um emigrante argelino que é contratado como professor substituto numa escola de Montreal .É uma historia inspirado em peça de Evelyn de la Cheneliére – que alias faz ponta como a mãe de Alice- que agrada em diversos lugares do mundo (ganhou premio do publico em Locarno). O filme começa com um grande impacto quando dois alunos entram numa classe para encontrar o seu professor enforcado. Na falta de melhor alternativa a diretor contrata Bachir Lazar que ofereceu seus serviços ao ler sobre o caso no jornal. Ele é um professor experiente mas vem de outro mundo e outra experiência, num classe onde os alunos estão ainda abalados e o curriculum é diferente do mundo árabe. Assim não é apenas uma variante de Ao Mestre com Carinho mas também aborda os problemas da emigração, integração, responsabilidade, e obviamente educação. E ainda traz as marcas de uma tragédia pessoal. O interessante do roteiro é que ele não é tão obvio e previsível quanto parece, não da respostas fáceis. Cheio de boas intenções, interpretações sinceras, merece ser visto e discutido. 

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Amor Profundo



    Amor Profundo (The Deep Blue Sea). Direção de Terence Davies , adaptando a peça homônima de Terence Rattigan. 98 min. Com Rachel Weisz, Tom Hiddleston, Barbara Jefford, Simon Russell Beale. 

     Custou a chegar este drama britânico que deu a Rachel Weisz (mais lembrada por ter ganho um Oscar de coadjuvante por O Jardineiro Fiel de Fernando Meirelles) o premio de melhor atriz do ano pelos críticos de Nova York, alem de indicação ao Globo de Ouro e Festival de Toronto (onde ganhou).

     Na verdade eu sempre tive curiosidade de assistir a versão anterior que foi de 1955, O Profundo Mar Azul . dirigida por Anatole Litvak (que tinha muito prestigio e fez Anastásia a Princesa Esquecida com Ingrid Bergman) com Vivien Leigh, Kenneth More e Eric Portman (era proibida para menores e nunca o vi ate hoje). Depois houve outras versões para a teve nunca vistas aqui (e também um TV de Vanguarda da Tupi com Laura Cardoso em  63). 

        Mas o importante é que esta sendo redescoberto o autor do texto que foi famoso em sua época, Terence Rattigan (1911-77) que escreveu O Príncipe Encantado com Marilyn Monroe e Olivier,    Vidas Separadas que deu Oscar para David Niven, VIPs Gente muito Importante, com Elizabeth Taylor e Richard Burton, Nunca te Amei com Michael Redgrave, Cadete Winslow de David Mamet, O Rolls Royce Amarelo, dentre muitos outros. 

     Além disso, na direção esta um realizador Cult britânico chamado Terence Davies que ficou conhecido por seus trabalhos autobiográficos como Vozes Distantes e o Fim de um Longo dia. Na ficção dirigiu Memórias com Gena Rowlands e The HOuse of Mirth /A Essência da Paixão. 

      Sensível e poético, Davies conta uma velha historia com delicadeza, preocupado em recriar a Inglaterra dos anos 1950 e acrescentando mesmo um tom de David Lean (em Desencanto), inclusive usando de amor de musica erudita (Concerto de violino de Samuel Barber ). Era um tempo em que o cinema britânico não se incomodava com as pessoas comuns, a classe trabalhadora preferindo se fixa nos ricos e nobres. Margaret Sullavan fez o papel na Broadway, Peggy Ashcroft em Londres, o de uma mulher já perto dos 40 anos que sente que é sua ultima paixão de ter uma paixão. Na verdade, já começa com sua tentativa de suicídio com Rachel (como Hester) afirmando, desta vez eu realmente quero morrer). Em flash back, começamos a recordar com ela, sua vida monótona ao lado de um juiz de corte alta, Sir Collyer (Simon), e sobre seu amante, um piloto da RAF (Hiddleston, que tem ficado famoso como o vilão de Avengers). Há grande cuidado na reconstrução de um tipo de vida ainda marcado pelas feridas e estragos da Segunda Guerra, mas o filme erra em colocar um ator frio e sem jeito para galã como é Hiddleston, ainda mais num personagem que não se expõe como devia. Eu gosto de Rachel mas não é caso para prêmios. Vá entender o que deu na cabeça desses críticos malucos que resolveram louvar um papel que ela  faz com a competência habitual e bastante charme.

     Mas por vezes sinto que o diretor esta mais preocupado com a direção de arte, a trilha musical, figurinos e fotografia do que a química entre o casal.

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Amor profundo
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Somos Tão Jovens



Somos Tão Jovens Brasil, 13.Direção de Antonio Carlos Fontoura.Roteiro de Marcos Bernstein. Com Thiago Mendonça, Laila Zaid, Bruno Torres, Sandra Coverloni, Daniel Passi, Marcos Breda, Bianca Comparato, Conrado Godoy, Nicolau Villa-Lobos (como Dado),Sergio Dalcin.


     Esta estreando finalmente a tão aguardada biografia de Renato Russo, da Legião Urbana mas também da explosão de grupos de rock que sucederam em Brasília nos anos 1970 Não sou capaz de prever a reação dos fãs do grupo mas achei o filme digno, bem realizado, interessante. Traz de volta o diretor já veterano Antonio Carlos Fontoura (que teve dois momentos importantes em sua carreira com Copacabana me Engana (68)e A Rainha Diaba (74) (inspirado em Madame Satã) para depois se dedicar ao trabalho na Rede Globo e um escandaloso Espelho de Carne (84). Embora nos créditos, afirme que a historia é romanceada e tomam-se  muitas liberdades, nas entrevistas ele deixou claro que o projeto era autorizado pela família de Renato (que estava sempre presente) que não queria um novo Cazuza, ou seja, a historia de um roqueiro drogado e homossexual que morreu de Aids. 

     Assim a gente conhece um Renato ainda jovem, na escola e de gay tem certos trejeitos que Tiago Mendonça lhe deu (não conheci o biografado e, portanto não sou capaz de avaliar a que ponto era ele amaneirado). Fala-se que ele gosta de meninos e meninas mas sua paixão ainda que atormentada aqui é sua melhor amiga, chamada de  Ana Claudia e interpretada por uma competente e sensível Laila Zaid (que não vi em suas aventuras por Malhação, Bela, a Feia, Tainá 3, e As Brasileiras). Ele tem um rápido e superficial romancezinho com um fã mas ate isso é mostrado de passagem  e  dando a entender que era mais espiritual que físico. Mas não perturba muito porque o filme mostra apenas o começo da sua carreira até os primeiros êxitos, não vai muito mais adiante. Porém não deixa de pintar o retrato de um garoto talentoso mas complexado, que adora usar frases em inglês (não se explica o porque disso!) cheio de verdades, de difícil convívio que a principio se interessa pelo movimento punk ate encontrar sua própria voz.

     O ator Tiago (que foi o irmão mais novo de  Dois Filhos de Francisco) convence como o protagonista embora eu tenha tido um choque ao final quando o filme tem um corte meio abrupto e entra uma cena autentica do verdadeiro Renato,  que é muito mais alto, corpulento, e não tão parecido assim com Tiago. Ou seja, o tipo físico é bem diferente. Vão aceitar isso? Não sei. Mas me pareceu bem contada a historia dele com a família, com os colegas sempre em discussões e polemicas  (eu gostei particularmente da naturalidade de todos em particular do Bruno Torres (que faz Fê Lemos ) que é filho do diretor Geraldo Moraes. Mas também me deixa a triste sensação de que deixaram de fora a melhor parte. São os excessos e os extremos que as pessoas gostam de ver e discutir. Reclamo também de letreiros mais completos ao final comentando o destino de cada um deles. 

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Ray Harryhausen


Morre mago dos efeitos

     Retornando do Festival de Anápolis, recebo a noticia da morte aos 94 anos, de um dos gênios da fantasia cinematográfica: o especialista em efeitos de animação, Ray Harryhausen. Morreu em Londres, dia 7 de maio. Mas quem foi criança nos anos 50-60, jamais vai esquecer as criaturas a que ele deu vida nos filmes de ficção cientifica ou mitológicos (foi ele quem fez os monstros do original Fúria de Titãs, não suas fracas imitações).Trabalhando com bonecos que ele movimentava como se fosse desenho animado, quadro a quadro,  trabalhou em filmes queridos como os de Simbad (e o Olho do Tigre, A Nova Viagem de Simbad, Simbad e a Princesa), Jasão e o Velo de Ouro (possivelmente o melhor dele ),  As Viagens de Gulliver, pré históricos ( Mil Séculos antes de Cristo, A Ilha Misteriosa).E Tenho uma especial afeição pelos primeiros e mais ingênuos (como o polvo que ataca San Francisco em O Monstro do Mar Revolto) e o inspirado em King Kong, O Monstro de um Mundo Perdido (Mighty Joe Young).Ganhou o premio da Academia para técnicos o Gordon E. Sawyer em 1992. Descanse em paz. 

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terça-feira, 7 de maio de 2013

Suprema Conquista


Lançamento em DVD no Brasil de comédia clássica e pouco conhecida, inédita em Home Video:


Suprema Conquista  Twentieth  Century. Audio: Ing. Leg: Port. EUA.1934. Standard. 91 min.Comédia. PB. Colecionando Clássicos/Originalmente Columbia Sony. 14 anos. Diretor: Howard Hawks. Elenco: John Barrymore, Carole Lombard, Walter Connoly, Roscoe Karns, Ralph Forbes, Charles Lane, Edgar Kennedy,Ettienne Girardot.  


Sinopse: O titulo original se refere não ao estúdio mas ao famoso trem que fazia a ligação entre Hollywood e Chicago. É nele que se transcorre a segunda parte desta comédia em que um famoso e decadente diretor de teatro, Oscar Jaffe depois de uma sucessão de fracassos faz tudo que pode para tentar reconquistar sua descoberta Lily Garland que virou estrela de Hollywood quando o deixou.   


Comentário: Não é todo mundo que vai curtir esta comédia clássica que é especialmente recomendada para atores, diretores e gente do teatro em geral. Só eles saberão curtir as referencias e o estilo de humor, inspirado em fatos reais (o diretor canastrão feito por Barrymore é inspirado num real, David Belasco), sempre “larger than life”(maior que a vida”). O filme sempre me inspirou pessoalmente e quando começo a dirigir uma peça de teatro, sempre cito o personagem de Jaffe que abre os ensaios dizendo:”apesar do que eu disser e fazer, não me entendam mal, eu amo vocês”. Realmente é uma homenagem ao Teatro mas por isso mesmo vai parecer teatro filmado para os incautos. Por outro lado, é uma rara oportunidade de se ver no auge de seu talento, duas lendas do cinema:John Barrymore (1881-1942) e Carole Lombard (1908-42).O primeiro pertence a lendária família de atores, como seus irmãos Lionel e Ethel, e sua neta Drew Barrymore. Famoso por seu perfil, desde jovem era ídolo das matinés e estreou no cinema mudo em 1912, fazendo em 1926 o sonoro (mas não falado) Don Juan. Era alcoólatra e temperamental mas é perfeito para o personagem. Carole é considerada a melhor comediante sofisticada que o cinema já teve, foi indicada ao Oscar por Irene, a Teimosa, 37, foi o grande amor da vida de Clark Gable e morreu tragicamente num desastre de aviação ao retornar de uma viagem onde foi vender bônus de guerra. Muito bem orquestrados pelo diretor Hawks, a dupla é cercada por ótimos coadjuvantes em grande personagens (um dos melhores é o  velho maluco que assina cheques sem fundo) num tom de total farsa. Traz um folheto com informações sobre a dupla.  

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Ferrugem e Osso


Ferrugem e Osso (De Rouille et D´Os) França, 12. Direção de Jacques Audiard. Roteiro de Audiard e Thomas Bidegain baseado em argumento de Craig Davidson. 122min. Com Marion Cotillard,  Matthias Schoenaerts, Armand Verdure, Celine Salette, Corinne Masiero, Jean Michel Correa.

     
Sou admirador do roteirista e diretor Jacques Audiard (que vem de ilustre família, seu pai Michel Audiard foi o mais famoso dialoguista do cinema Frances e também diretor). Mas se o pai preferia comédias sofisticadas e brilhantes, Jacques estreou com uma visão bem humorada de um vigarista (Um Herói Muito Discreto, 96, premiado em Cannes) mas com o tempo optou por dramas policiais (o meu favorito De Tanto Bater meu Coração Parou, 05 mas fez ainda mais sucesso com O Profeta, 09). Aqui ele tem a sorte de contar com a melhor atriz jovem do cinema Frances atual que é sem duvida, a premiada com o Oscar Marion Cotillard.  Que alias vem fazendo uma bela carreira nos dois lados do Atlântico, na França com o marido em Ate a Eternidade e principalmente nos EUA, com Meia Noite em Paris, A Origem, Batman Ressurge, Nine. Na verdade ela bem que merecia ter sido indicada ao Oscar novamente este ano (mesmo assim foi lembrada com indicações ao BAFTA, Instituto Australiano, Globo de Ouro, SAG,  Cesar, prêmios especiais no Gotham Award e No Hollywood Festival, Críticos de Londres, Premio Lumiére e mais outros).

      Este não é um filme bonitinho, engraçadinho e digestivo. Audiard faz questão de ser realista, mostrar gente comum sofrendo problemas do dia a dia, um desafio tanto para a atriz, quanto para o protagonista masculino. Ele procurou um ator novo em ginásios de boxe mas acabou optando por  um ator holandês que o impressionou muito Matthias que conhecíamos de um filme indicado ao Oscar onde realmente tinha uma figura impressionante (o indicado ao Oscar de filme estrangeiro Bullhead, 11). Alias ele ganhou o premio Cesar por este trabalho como a revelação masculina do ano. E realmente é difícil se achar um tipo como ele, grandão, forte, abrutalhado mas também sensível. É um duelo duro entre o casal que naturalmente tem os apelidos que aparecem no titulo. E Ademais dois grandes atores. 

     O roteiro é baseado em dois contos (o Ferrugem e Osso e mais um Rocket Ride, de um livro de contos do canadense Craig Davidson). No livro é o homem que perde as pernas depois de um ataque da Orca Baleia assassina mas na adaptação Audiard preferiu que fosse uma mulher (em parte porque no filme anterior O profeta havia excesso de personagens masculinos).  O herói leva  o nome  de Alain e deixa a Bélgica com o filho pequeno indo procurar trabalhar a beira, na Cote D´Azur, na cidade de Antibes junto com a irmão mais velha e o cunhado. Acaba conhecendo e se envolvendo com Stephanie que trabalha num parque aquático, tipo Marineland, onde justamente trabalha com a baleia. Mas por  um infeliz acidente ela é atingida pelo bicho e fica sem as duas pernas. Sua recuperação é difícil e atormentada. Embora tivesse um seguro médico, é difícil aceitar a nova realidade e ainda mais aceitar o amor (meio bruto)do parceiro.

     Marion que fez o filme simultaneamente como o ultimo Batman tem um papel difícil, com momentos pesados (como quando se arrasta sem pernas) mas é ela quem define melhor o que é a obra: um filme sobre o amor,  a carne, ferrugem e osso, coração e sexo.

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Em Transe (Trance) Inglaterra, 13. Direção de Danny Boyle. Roteiro : Joe Aherne, John Hodge. Com James McAvoy, Vincent Cassel, Matt Cross, Rosario Dawson, Danny Sapani, Mark Poltimore. Fox. 101 min.


     Fiquei impressionado com as criticas negativas que este filme teve nos Estados Unidos, agora na sua recente estréia limitada (ate agora não foi além dos  2 milhões e cem mil dólares de renda) se considerando que é o novo trabalho do vencedor do Oscar Danny Boyle (de Quem Quer ser um Milionário ) e que foi rodado durante um intervalo dos preparativos que duraram dois anos quando ele planejou e depois dirigiu as brilhantes cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos de Londres ( inclusive o ponto alto que foi a participação de James Bond e a Rainha). 


     Estava todo animadinho para ver o que seria este thriller de suspense, conduzido por Boyle que é provavelmente o grande mestre dos filmes visualmente brilhantes e espetaculares , sempre criando novas soluções de imagem, edição  e momentos de violência. Boyle desde Trainspotting criou um novo estilo em que embarcaram outros (como o ex-marido de Madonna, Guy Ritchie). Todo filme seu é um exercício de estilo e este não fica atrás. Ele convocou James McAvoy de volta a Inglaterra (que na America esteve no X Men, no O Procurado, mas antes disso estrelou também o cult Desejo e Reparação) para fazer o protagonista um certo Simon,  que é o narrador, um  empregado de loja de leilões de quadro famosos que esta para vender um famoso trabalho do espanhol Goya. Para prevenir roubos, e a perda de vidas humanas, Simon é treinado para fugir com a pintura e esconde-la num largo determinado. Dito e feito, uma quadrilha assalta o lugar, provoca pânico e incêndio, enquanto Simon age como o previsto. Ou não? (A Quadrilha é liderada pelo francês e brasileiro Vincent Cassel, já que vive parte do ano no Rio de Janeiro).

    Num filme deste tipo nada é o que parece. O roteiro é muito bem armado, mas ao mesmo que não se da conta de detalhes importantes (por exemplo, um cadáver em decomposição é deixado em  um carro num estacionamento durante algum tempo e ninguém percebe ou sente ou denuncia). Também é muito arriscado usar como base da trama o hipnotismo  que era uma arma muito explorada no cinema de mistério dos anos 20,30 e 40. Ou seja, além de super explorado, caiu em desuso porque ficou desacreditado. Mas o script aqui quer nos fazer crer que quando Simon quer lembrar o que fez com o quadro pressionado pelos ladrões, não consegue recordar e vai pedir ajuda a uma médica que pratica hipnose (o melhor trabalho que já vi da exótica Rosario Dawson). Naturalmente os dois se envolvem mas isso não é da missa a metade, como se dizia antigamente. A historia vai se complicando, com reviravoltas (sempre com ação e violência ) das mais mirabolantes possíveis. Não que não de para entender, é que tanta coisa, tanto absurdo a gente acaba se desinteressando. A única polemica que resta é resolver se este é o pior filme ao menos desde daquele horrível Por uma Vida Menos Ordinária (97).  

Ref fim

Uma Garrafa no Mar de Gaza


Uma Garrafa no Mar de Gaza / Une Bouteille a la Mer. França, Israel, Canadá. 2011.
Direção de Thierry Binisti. Com Agathe Bonitzer, Mahamud Shalaby, Hiam Abbass, Riff Cohen, Abraham Belaga, Jean Philippe Écoffey.

     Indicado apenas para publico de salas de arte, este é daqueles filmes bem intencionados  mas ingênuos, repleto de coincidências e boa vontade. Tudo muito previsível e impossível de acontecer na vida real. Mas enfim, sempre se pode sonhar que os rapazes sem futuro possam encontrar uma motivação para mudarem de rumo e conseguirem fazer algo de sua vida. No fundo é um bom exemplo difícil de ser seguido, ainda mais nos tempos que correm. É a historia de uma jovem de 17 anos, israelense, Tai que vive em Tel Aviv, com os pais, estuda e tem medo dos ataques com bomba que sucedem quase diariamente. Tem a idéia de lançar uma garrafa ao mar, como nos antigos romances, na esperança de que alguém a pegue e responda a carta, abrindo uma amizade via internet. Só que pede para o irmão que serve o exercito joga a garrafa no mar da faixa de Gaza, aquela terrível região em que são forçados a conviver os palestinos sem pátria e os judeus que se instalaram lá como colonos. E quem a recebe é o palestino Naim, de 20 anos, que a principio ressabiado, esconde dos amigos (mas ao menos tem uma mãe compreensiva feita pela atriz palestina mais famosa do mundo, Hiam Abbass). E eventualmente começa a se corresponder com a jovem, que é só inimiga por circunstancias de que eles não tem culpa. 

     Assim vamos acompanhando a relação a distancia entre eles, que incentiva o rapaz a ir estudar numa Aliança Francesa e ate mesmo lutar por uma Bolsa de Estudos em Paris. Na vida real, um caso desses teria ainda mais obstáculos que o filme mostra, que é um daqueles “pode mentir que a gente gosta”. Um Romeu e Julieta moderno que é baseado num livro para os chamados “Young adults” e que foi sucesso (a autora se chama Valerie Zenatti). 

Ref fim.  

terça-feira, 30 de abril de 2013

El Cid


El Cid/Idem em Blu Ray. Título Original: El Cid. Áudio  Inglês, Port. Legendas: Português.Aventura/ Drama histórico/ Épico. Widescreen 1.85:1. 189 min. Cor .Espanha. 1961. Classicline. 14 anos.  
Diretor: Anthony Mann. Elenco:  Charlton Heston, Sophia Loren, Raf Vallone, John Fraser, Geneviève Page, Hurd Hatfield, Gary Raymond, Massimo Serato, Herbert Lom, Michael Hordern. 


Sinopse: No Século XI, no que seria depois a Espanha, durante a luta contra o invasor mouro (arábe), se destaca o herói Don Rodrigo, El Cid el Campeador. Depois de ter sido acusado de traição e forçado a matar o pai de sua amada Chiméne, consegue se reabilitar e se casar com ela (que agora o odeia). Mas acaba envolvido na luta de príncipes pelo poder.

Comentários: Era muito difícil encontrar uma boa cópia desta super produção (que passava na Tevê toda cortada e com péssima imagem). Mas o diretor e critico Martin Scorsese fez uma campanha para restaurá-la, até porque a firma produtora havia falido. É uma historia complicada, o filme foi vendido a antiga Monogran, que havia se tornado Allied Artists e foi apresentado em Road show (numa única sala em cidades grandes a preços mais caros com exclusividade por meses ou até um ano). Mas foi produzida pelo notório Samuel Bronston (1908-94), sobrinho do lendário Leon Trotsky, nasceu  na Rússia e se especializou em superproduções rodadas na Espanha (EI Cid, Rei dos Reis, A Queda do Império Romano), com dinheiro de impostos congelados pelo governo local (que só poderiam ser usados na própria Espanha). O esquema a principio deu certo mas houve exagero nas despesas e luxos que acabaram por levá-lo à falência. O curioso é que tinha tradição cinematográfica. Em 1943, fez Jack London, mas só em 1959 descobriu a fórmula do sucesso até quando  seu principal financiador, Pierre Dupont, abandonou-o, causando a queda do Império Bronston em 64. Este aqui é sua obra-prima, o melhor trabalho de sua carreira. Esta cópia restaura o widescreen (e a tela larga nunca foi tão bem usada antes do que aqui, pelo diretor Anthony Mann, um  trabalho primoroso em enquadramentos e delicados movimentos de câmera e uma ousadia inédita, o uso de closes  que na época era proibido nesse formato gigante!). Na verdade, a fita é tecnicamente esplêndida, toda rodada em locações na Espanha, com grande trilha musical de Miklos Rosza e um roteiro muito adequado, que consegue lhe dar uma dimensão épica e romântica, ou seja, funciona como ação com muitas batalhas (e a clássica seqüência final) e também como love-story. É verdade que o colorido perdeu um pouco de sua riqueza (deteriorado pelo tempo) mas dá para desculpar, já que temos uma esplendida fotografia de Robert Krasker alternando entre belos exteriores na Espanha (Sierra de Guadarrama em Avila, Castelo Trrelabon, Valladolid, Calahorra, em La Rioja, Madrid, Peniscola, na Comunidade Valenciana,Toledo, Zamora, e ainda Roma). E a excelente direção de arte em estúdios (de Veniero Colasanti e John Moore). Foi indicado ao Oscar justamente por essa direção de arte, por trilha musical (embora Miklos Rosza tenha brigado com os produtores porque grande parte do que escreveu para o filme não foi utilizado. Ainda assim esta edição traz a musica da Intermission e da saída da sala). Também foi indicado como canção (embora ela não seja importante no filme, que foi The Falcon and the Dove, tema de amor de El Cid, de Rosza e Paul Francis Webster). 

      Mas certamente foi injustiçado e merecia muito mais, já que foi um sucesso internacional de publico e critica. O maior injustiçado foi sem duvida o diretor Anthony Mann (1906-67), que alias na época era casado com a estrela espanhola Sarita Montiel, e era mais famoso pelos faroestes que dirigiu para James Stewart (Winchester 73, E o Sangue Semeou a Terra, o musical Musica e Lágrimas).Só recentemente sua obra passou a ser reavaliada e confirmou-se o grande talento para filmes de ação e épicos. 

     Difícil encontrar alguém mais adequado para fazer o lendário Cid do que Charlton Heston,  que vinha de fazer personagens épicos como Moisés (Os dez Mandamentos)e Ben-Hur (embora sua imagem esteja manchada porque no fim da vida se tornou de Direita e defensor do uso de armas de fogo, se esquecem que nessa época já sofria de Alzenheimer!). É muito curioso que ele tivesse brigado com a estrela do filme a italiana Sophia Loren porque ela teve um salário maior do que ele (foi a primeira a ganhar um milhão de dólares por um filme!). Ela faz Chiméne, que é o grande amor do herói, mas houve dificuldade de realizar as cenas de amor porque se detestavam e se recusam a beijar com mais intimidade (reparem que isso é visível e com freqüência eles ficam só de rostos colados. Ainda assim ela esta no auge da beleza e resistiu ao tempo enquanto Charlton parece contrariado e nem sempre dá a dimensão esperada ao personagem). 

     O roteiro original é assinado pelos experientes Phillip Yordan (que também fez para Bronston, 55 dias em Pequim, O Rei dos Reis, Queda do Império romano e O Mundo do circo), Ben Barzman (foi perseguido pelo McCarthismo por ser comunista, escreveu O Menino dos Cabelos Verdes e reescreveu Z de Costa-Gavras) e ainda Frederic M.Frank (que escrevia para Cecil B. De Mille). E a historia inspirada em personagens reais, que foram muito utilizados no teatro e por lendas (por exemplo, apresenta o encontro com Lazarus, disfarçado de mendigo). Mas o roteiro é eficiente porque cria logo a trama e conflito central, El Cid, ou seja, Rodrigo Dias de Bivar, poupa a vida de dois emires mouros, o que provoca a fúria do Rei (na época, a Espanha não era unificada e formada por vários reinos). Ele é forçado a matá-lo mas isso provoca a fúria da filha deste e sua noiva Chimène, que passa a detestá-lo e querer vingança. Para complicar, tem que se intrometer no conflito entre a Família Real, a irmã ambiciosa e apaixonada por Rodrigo Urraca (feita pela atriz francesa Geneviéve Page, que na época era das poucas que sabia falar inglês e fez muitos filmes americanos.  Ainda viva, fez sucesso depois nos palcos parisienses) e os dois filhos ambiciosos (John Fraser e Gary Raymond). Provavelmente por questões de co-produção o filme traz ainda vários atores italianos (Vallone, Serato, Tulio Carminati). A edição traz como extras  trailer de cinema, biografia e o que chamam de clip remix.              

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Homem de Ferro 3

Homem de Ferro 3 / Iron Man 3. Direção de Shane Black. EUA,13. 130 min. Fantasia / Ficção cientifica / Quadrinhos. Roteiro de Drew Pearson, Shane Black, baseado em quadrinhos de Stan Lee, Don Heck, Larry Liebler, Jack Kirby. Com Robert Downey Jr, Gwyneth Paltrow, Rebecca Hall, Guy Pearce, Ben Kingsley, Don Cheadle, voz de Paul Bettany (como Jarvis),Jon Favreau, William Sadler, James Badge Dale, Ashley Hamilton, Miguel Ferrer. Produção Marvel/Disney/Paramount.   

     Uma boa noticia: este terceiro filme é o melhor da série e possivelmente um dos melhores  filmes já feitos adaptando quadrinhos. Ao menos, fazia tempo que não tinha semelhante sensação de euforia, rindo muito, torcendo com a ação, apreciando os efeitos especiais. Antes de tudo porque preferiu adotar um tom de comédia. Certamente foi influencia do astro Downey Jr (a tal ponto que se confundem sua “persona”, ou seja seu tipo cinematográfico cínico e auto critico com a do personagem, Tony Stark. Depois deste filme termina seu contrato com a série e seria impensável substituí-lo.A identificação é total e funciona).

     Acontece que Downey resolveu convocar para o projeto Shane Black, que é famoso como roteirista do Primeiro Maquina Mortífera, depois O Ultimo Boy Scout, o cult Deu a Louca nos Monstros. Também dirigiu e escreveu outro Cult com Downey que foi Beijos e Tiros (Kiss Kiss Bang Bang, 05 ) que era um policial satírico bem inteligente. Foi um pouco esse espírito que eles tentaram trazer para o fim desta trilogia, inclusive usando um truque. Reparem como nos primeiros vinte e tantos minutos não há ação (contrariando a regra do gênero) simplesmente porque eles querem que o publico embarque no tem jocoso e cheio de piadinhas (aquelas que os americanos chamam de “One liners”. Por exemplo, ao encontrar um loirinho menino de óculos Downey diz: Você estava ótimo Uma Historia de Natal!. Poucos vão entender aqui mas o garoto é a cara do herói daquele filme Cult nos EUA).

      O importante é não se levar a sério demais. Vamos brincar e rir e nos surpreender juntos. E foi o que o filme fez comigo. Os fanáticos por quadrinhos (que são uma legião) ate gostaram da resolução com o que acontece com Pepper e aceitaram uma mudança na figura do vilão maior o famigerado Mandarim interpretado de maneira brilhante e surpreendente por Ben Kingsley (que bem merecia uma indicação ao Oscar de coadjuvante). Com frases melhores para contrabalançar a ação, todos os atores estão em grandes momentos. Guy Pearce esta sempre competente mas se supera aqui como outro vilão Aldrich Killian, assim como finalmente Don Cheadle finalmente tem alguma chance de aparecer como o amigo que usa a roupa chamada “Maquina de Guerra”. Aparece ainda a inglesa e charmosa Rebecca Hall (Vicky Christina Barcelona) como um amor de uma noite do passado.  Grande parte de ação também é em cima da tentativa de Tony Stark em aperfeiçoar sua “armadura”. Embora o filme tenha sua dose de traições e intrigas, grande parte da trama é apresentar grandes cenas de efeitos especiais (como a destruição total de sua casa na colina em Malibu, a explosão do avião presidencial, o questionamento do cientista em Stark quando luta para aperfeiçoar sua roupa). 

      Estou sendo discreto ao contar detalhes do filme, sua trama e mesmo surpresas para não estragar o prazer de ninguém. Não saia antes dos letreiros finais (como já sabem os fãs dos Avengers) ainda que demorados porque tem ainda uma ceninha reveladora. Vou assistir novamente Homem de Ferro 3 logo e com todo prazer.

Ref      


Após ter assistido o filme Homem de Ferro 3, qual seria sua avaliação?
0 Estrela
0,5 Estrela
1 Estrelas
1,5 Estrelas
2 Estrelas
2,5 Estrelas
3 Estrelas
3,5 Estrelas
4 Estrelas
4,5 Estrelas
5 Estrelas




quarta-feira, 24 de abril de 2013

Laranja Mecânica



Laranja Mecânica / A  Clockwork Orange. Drama.  Widescreen. 136 min. Cor. 1971. EUA. Warner. 18 anos. R. Diretor e roteirista: Stanley Kubrick. Baseado em Livro de Anthony Burgess. Elenco: Malcolm McDowell, Michael Bates, Patrick Magee, Adrienne Corri, Warren Clark, Anthony Sharp.

       Sinopse: Num futuro próximo, na Inglaterra, num mundo desolado e violento, gangs de jovens gangsters atacam, estupram e matam . Um deles é treinado pelo governo para   ficar condicionado num tratamento de lavagem cerebral que lhe traz repulsa à violência. 

      Comentários: É uma boa Idea relançar nos cinemas brasileiros este clássico do mestre Stanley Kubrick (1929-99). Até porque , embora nunca tenha sido oficialmente proibido pela censura brasileira (que aconselhava a produtora Warner apenas a não apresentar oficialmente o filme para sua avaliação), só estreou no Brasil em setembro de 1978, assim mesmo com uma cópia que havia sido feita para o Japão, com bolinhas negras para cobrir os pêlos pubianos e outros lugares estratégicos. Mas representantes pessoais de Kubrick checaram a cópia e aprovaram as legendas. O jovem Malcolm McDowell havia sido revelado pouco antes em If de Lindsay Anderson  e foi idéia dele usar “Cantando na Chuva” numa cena–chave da fita. Quem prestar atenção verá uma citação de outro filme de Kubrick, “2001”(a capa do disco numa loja). Foi indicado ao Oscar de melhor filme, roteiro e direção. Não ganhou nenhum (ate porque a Academia não gostava do diretor). A dificuldade começa pelo título que nunca é explicado. Parece que o autor Burgess (que escreveu o roteiro de Jesus de Nazaré de Zeffirelli e criou a linguagem para o filme A Guerra do Fogo) se  inspirou numa velha expressão “cockney” (inglês popular de Londres), que dizia “ fulano é doido como uma laranja de corda”. Mais tarde, numa viagem pela Malásia, onde “orang” quer dizer “humano”, lhe deu a idéia de fazer anagramas (“orang”- “organ”-“organizar”) chegando à uma conclusão linguística: ou seja, o ser humano, quando organizado pelo poder dominante vira uma laranja mecânica. Por isso, também o livro e o filme utilizam vocabulário próprio. Segundo Kubrick, o filme poderia ser interpretado de três maneiras:

                a)     como uma sátira social sobre o emprego de condicionamento psicológico; 
                b)     como um conto de fadas sobre a Justiça e o Castigo; 
                c)     como um mito psicológico, “uma história construída em torno da verdade fundamental da 
                        natureza humana”.

      A sátira sobre o condicionamento parece clara no filme, mostrando que a sociedade se baseia no poder e nas mentiras. Tanto da Direita, quanto da Esquerda e em conseqüência, um homem  condicionado a ser bom em todas as circunstancias seria completamente vulnerável. Diz Kubrick: “Temos   uma civilização altamente complexa, que requer uma autoridade política e uma estrutura social igualmente complexa. A idéia de destruir a autoridade para surgir a bondade natural do homem é um critério utópico e “falacioso”. Todos os nossos esforços vão parar em mãos de desonestos, já que a culpa reside na natureza imperfeita do Homem mesmo”.

      Assim Laranja é basicamente uma parábola sobre a manipulação do Homem pelo Estado. Conta a história de Alex (Malcolm McDowell), um jovem revoltado, precursor da moda punk, interessado na chamada “ultraviolência”, sexo e Beethoven, que é escolhido para uma experiência de condicionamento, uma verdadeira lavagem cerebral que o torna refratário à violência, fazendo-o vomitar cada vez que se defronta com um ato violento. O tratamento é sucesso embora por engano Alex tenha ficado também condicionado contra Beethoven cuja música servia de fundo para um dos documentários usados em sua cura. E logo o herói se torna vítima da manipulação política dos Partidos, completamente indefeso é levado ao suicídio pela Oposição e depois utilizado pela Situação novamente. O que o filme está querendo mostrar é que no fundo todos nós somos laranjas mecânicas, estamos sendo submetidos à lavagens cerebrais continuas que nos condicionam e governam, às vezes, de forma subliminar a ponto de não tomarmos conhecimento delas. Às vezes de maneiras mais óbvias, através da solicitações da sociedade de consumo. O filme é um brado de alerta e conscientização contra isso mas talvez tenha errado numa questão de dose. Ao pedir que nos identifiquemos com um herói como Alex, desordeiro e irresponsável. A tendência do espectador é ficar a favor do governo, achando que eles fazem muito bem em transformá-lo num “bom cidadão”. Sem perceber a terrível violação dos Direitos Humanos, a violência cometida contra a individualidade que acontece todos os dias sem que nos demos conta. Assim todo comportamento anti-social,  os artistas, os gênios, todos aqueles que fogem da chamada “normalidade” seriam também condicionados  da mesma maneira. Esse perigo existe porque Alex é um vilão simpático e não é fácil concordar com um diretor frio como Kubrick, que o apresenta como “o homem natural, no estado que veio ao mundo, sem freios ou repressões. Quando recebe o tratamento de Ludovico, pode se afirmar que este simboliza a neurose, criada pelos conflitos entre as restrições impostas por nossa sociedade e nossa natureza primitiva. Por essa razão, ficamos felizes quando Alex se cura”. Será mesmo que todos se alegram? Alguns nem chegam a entender direito a dimensão da cura de Alex. Essa ambigüidade é um dos problemas do filme que provocou as opiniões mais desencontradas em toda a parte. Certas pessoas se horrorizam com sua violência mas na verdade ela é estilizada, mostrada quase como uma balé, ou “Pop-Art”. Nunca de forma literal, aliás a trilha musical é extraordinária, com obras de Elgar, Purcell, Puccini e naturalmente Beethoven que dá ao filme muito de sua atmosfera.Tecnicamente o filme abusa um pouco de grandes angulares, lentes deformantes. Mas tem um extraordinário poder hipnótico. Na enigmática cena vitoriana final, há a busca de uma qualidade ideal, procurada por Kubrick. Diz ele “A Laranja se comunica num nível subconsciente e o público reage diante da configuração básica da história, como se fosse um sonho. E discutem o sentido da cena final. Como os outros sonhos mostravam assassinato, dor e morte, a erótica cena final sugere que de alguma maneira, a mente de Alex se transformou e se apaziguou”.  Enquanto o livro de Burgess é uma amarga sátira aos paradoxos do livre arbítrio, o filme continua  a provocar discussões. Afinal, temos que defender os que não gostam dele. Se não corremos o risco de todos nós acabarmos virando “laranjas mecânicas”.

Ref fim

Nasce uma Estrela


Lançamento em Blu Ray no Brasil

Nasce uma Estrela versão de 1976 / A Star is Born, EUA. Warner. Direção de Frank Pierson. Com Barbra Streisand, Kris Kristofferson, Gary Busey, Oliver Clark, Paul Mazursky,Venetta Fields e Clydie King (como as Oreos), Martha Heflin, Sally Kirkland, Joanne Linville, Rita Coolidge, Tony Orlando. Roteiro de John Gregory Dunne e Joan Didion e Pierson baseado em argumento de William Wellman e Robert Carson (da versão de 37). 139 min.

Sinopse: O astro do rock John Norman Howard tem problemas com drogas e para se apresentar em shows quando conhece uma jovem talentosa Esther Hoffman que faz parte de um trio vocal as Oreos. Apaixona-se por ela e r
esolve lançá-la como cantora.
      Seu sucesso, porém atrapalha  a relação do casal porque John entra em declínio. 

Comentários: É um absurdo que nunca tivesse sido lançado em Home Video no Brasil este drama musical que foi um imenso sucesso no Brasil, onde ficou meses em cartaz porque o publico feminino se apaixonou pela mistura de musica e romance (naturalmente se esquecendo que a historia já havia sido aproveitada duas vezes antes pelo cinema em 37 e 54, em dois filmes de qualidade). A proposta da refilmagem foi do então namorado de Barbra , o cabeleireiro Jon Peters (que inspirou o filme Shampoo) que achou que daria um bom veiculo para ela. A dificuldade foi encontrar um ator que quisesse compartilhar o estrelato com alguém tão vaidoso e difícil quanto Barbra .É fundamental você ouvir o comentário em áudio que ela fez para o filme todo, em que ela explica algumas de sua idiossincrasias. Por exemplo, no filme ela usa roupas tirada de seu próprio armário porque ela coleciona roupas antigas (antiques) e  alem disso não tinha tempo para correr atrás de roupas! O filme tem ate certo empenho visual porque a diretora de arte foi Polly Platt, famosa por sua parceria nos primeiros filmes de Peter Bognadovich, seu ex-marido. Entre outras manias:não gosta da verde ou cor de rosa estourado, acha que jardins tem que ser extensão dos interiores, ela não gosta de dublar as canções, assim sempre que a musica é gravada de perto esta sendo filmada ao vivo (mais ou menos com em Os Miseráveis, que dizia isso ser novidade!) , só dubla quando é tomada ao longe e isso desde sua estréia em Funny Girl. Como ela diz que veio do teatro, gosta de tomadas longas e completas e sem corte como é habitual em outros filmes. Tem que ter continuidade dramática. Essas são algumas apenas das exigências da estrela e a razão porque a tornaram tão odiada como diretora (ela já dirigia mesmo aqui, de tal forma que o diretor que assina Pierson, futuro presidente da Academia rompeu com ela para o resto da vida chegando a escrever artigos descrevendo sua horrível experiência ). 

     Também para este filme ela- que por sinal não Le musica!-  resolveu aprender a tocar violão (e teve que cortar as unhas da mão esquerda, o que a deixou abalada!)e assim compor musicas. Uma delas justamente foi Evergreen (por sinal uma bela melodia) que acabou lhe dando um segundo Oscar, como compositora (foi a primeira mulher a ganhar como autora de melodia, todas as outras eram letristas!). O filme por sinal foi indicado também como melhor fotografia (Robert Surtees), som e trilha adaptado (arranjos). ]

      A proposta original era chamar Elvis Presley para o papel principal e a principio ele gostou da idéia mas o seu empresário não deixou , achando que o personagem podia ser confundido com o próprio Elvis (que na época  já tinha problemas com drogas e iria morrer por causa delas). Falaram  com Neil Diamond, Marlon Brando e Mick Jagger mas acabaram ficando com o cantor country Kris Kristofferson, que tinha já certa experiência como interprete (como em Alice não Mora mais Aqui de Scorsese, Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia e Pat Garrett e Billy the Kid, ambos de Peckinpah). Ele é bonitão, discreto, simpático e nada pretensioso (fatos que comprovei quando o entrevistei, tipo boa gente e se mostra muito doce na tela junto com Barbra. Embora não haja a menor química entre eles! Talvez porque como ele mesmo admite estava bêbado a maior parte do tempo e não tenha se dado também com o diretor).

      Barbra confessa que o romance do casal se inspira no próprio relacionamento dela com Peters. Que foi idéia dela gravar o show de rock ao vivo cobrando ingressos da platéia, o que reuniu mais de 70 mil pessoas em Phoenix, Arizona. O projeto foi feito para a produtora independente chamada First Artists que reunia além de Barbra, Sidney Poitier, Paul Newman e depois Dustin Hoffman. O Acordo era que a Warner cobria o orçamento ate 6 milhões mas dali em diante ficava por conta de Barbra, que tinha ainda o direito ao corte final. A First era inspirada na United Artists mas só produziu fracassos e logo faliu (este foi a  exceção). 

      O roteiro faz sua critica aos fãs e repórteres. O futuro Freddy Kruger, Robert Englund faz o fã inconveniente (que são realmente freqüentes e costumam puxar briga) e noutra hora ela xinga os câmeras (vocês já não gravaram o suficiente?). Acha que o publico em grupo como platéia é inteligente e perceptivo mas não individualmente. Que tem medo de publico porque uma vez levou um susto porque estava num carro que foi atacado por fãs que balançavam o carro e o ameaçavam virar. Barbra também admite que era ignorada quando criança e jovem e por isso sempre fez tudo para chamar a atenção ( isso fica claro em seus filmes, onde sempre alguém a elogia, aqui é seu traseiro que leva os cumprimentos!). Por outro lado, traz uma semi nudez na cena na banheira (ela gosta da transição que saiu do negro para o rosa). 

      É engraçado como foi sucesso o filme mesmo quando suas canções (fora Evergreen) não são memoráveis e parecem envelhecidas. E comparando com as versões anteriores é sempre inferior nos momentos famosos (aqui o marido faz uma confusão quando ela ganha um premio tipo Grammy) e nem mostram a conclusão (o carro some na curva e por sorte uma nuvem encobre um pouco a paisagem).  Este foi o segundo filme de maior bilheteria naquele ano e o primeiro filme rodado com o sistema Dolby Surround. 

Nasce uma Estrela esta disponível por enquanto apenas nas lojas da Livraria Cultura. 

Ref fim.  

Homem de Ferro dos Quadrinhos - Parte Final.

Matéria feita por: Adilson de Carvalho Santos

     No filme de 2008, dirigido por Jon Favreau, Robert Downey jr ficou com o papel de Tony Stark, para o qual foram cogitados nomes como Tom Cruise e Nicolas Cage.O principal papel feminino, a secretária Pepper Potts, ficou com Gwyneth Paltrow depois da recusa de Rachel McAddams. Já o papel de antagonista foi muito bem  defendido por Jeff Bridges como o empresário Obadiah Stane. Nos quadrinhos publicados entre 1983 e 1985, Stane surge como o maior concorrente de Stark e um grande estrategista que, através de manipulações e fraudes, arrasa com a Stark Enterprises e arrasta Stark para o fundo do poço, destituindo-o de sua fortuna e amor próprio e provocando uma segunda crise de alcoolismo que quase o leva ao fim. É nesse período que James Rhodes, um dos grandes amigos de Stark, veste pela primeira vez sua armadura assumindo a identidade do Homem de Ferro, e posteriormente, se tornando o “Máquina de Combate”. Após um longo arco de histórias, Stark recupera a sobriedade e o orgulho próprio enfrentando Stane que usa a armadura que chama de Monge de Ferro. No fim, Stane é derrotado e se suicida assim como no filme.

       Para o segundo filme, lançado em 2010, os roteiristas fundiram características de dois vilões das HQ: O Dínamo Escarlate (o russo Anton Vanko) e o Chicote Negro. Mickey Rourke (de O Lutador) interpretou Ivan Danko, filho do cientista que se envolveu em projetos passados da Stark Enterprises, e que é aliciado pelo corrupto Justin Hammer (Sam Rockwell). No filme, Don Cheadle substitui Terrence Howard como James Rhodes, o amigo de Stark que vem a vestir o protótipo de uma nova armadura e se torna o Máquina de Combate. O reforço no elenco é a presença de Scarlatt Johanson no papel da Viuva Negra, uma espiã russa que passa para o lado dos americanos, surgida em “Tales of Suspense” #52 de 1964. No filme, a bela Natasha Romanova espiona as industrias Stark para a Shield, mas nos quadrinhos a personagem pertencia  à KGB e. indiretamente, foi a responsável pela morte do Professor Vanko. É quando ela se arrepende e pede asilo político para os Estados Unidos, passando a atuar ao lado de vários heróis . 

        Ao longo dos anos, o Homem de ferro fez incontáveis modernizações em sua armadura e ganhou título próprio nos Estados Unidos em 1968. Sua popularidade aumentou ainda mais com a série de desenhos animados produzido pela Grantray-Lawrence Animation exibido no Brasil pela extinta Tv Tupi no programa do saudoso Capitão Aza. Depois do sucesso dos dois filmes dirigidos por Jon Farveau e de sua participação crucial no filme dos “Vingadores’, o personagem – que foi considerado por muitos um herói secundário – voltou ao topo no panteão dos grandes heróis dos quadrinhos provando que , conforme dizia a letra da marchinha tema do antigo desenho, o homem de ferro é lenha pura, atômico e genial.

 Fim.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Hannibal e Bates Motel - Séries


Duas series  novas de TV de terror: Hannibal e Bates Motel

     É evidente porque as series de TV  andam tão boas e fazendo tanto sucesso. Deixaram de fazer televisão, são puro cinema. Ainda mais agora que enveredaram pelo thriller, o suspense, o terror, libertos da censura da teve aberta e como neste caso de series que estão ainda começando, se inspirando abertamente em filmes clássicos do gênero. Vou deixar de lado as considerações morais (mas não deixa de ser curioso, brincarem com a platéia e o conhecimento que a gente tem do personagens. Por exemplo, cada vez que o Dr. Hannibal esta cozinhando alguma e ate mesmo servindo a iguaria para um convidado,sempre temos a impressão de que esta oferecendo carne humana!). O fato é que as duas são coisa de gente grande e não ficam muito a dever a sua origem, ao contrário bebem na fonte e ainda a ampliam.

       Já houve antes um Bates Motel (87) que saiu aqui em DVD, mas era vulgar, grosso e feio. O novo é uma prequel (Prólogo) criado por Michael Cipriano (não conheço os outros trabalhos dele, como Twelve and Holding, SK8) naturalmente inspirado no filme de Hitchcock. Poucos se dão conta que a chave para qualquer projeto desse é a escolha do elenco, o casting.E aqui acertaram na mosca chamando o longilíneo e com cara de anjo inglês Freddie Highmore  (A Fantástica Fabrica de Chocolate) que é parecido com Anthony Perkins mas tem luz própria. Nos dois capítulos que vi, ele tem todos os elementos para funcionar ainda mais com a ajuda de uma excelente atriz fazendo a mãe, naturalmente ainda viva e discretamente louca, a ótima Vera Farmiga (Amor sem Escalas, Os Infiltrados) que já começa matando o marido e com o dinheiro do seguro comprando e se mudando para o Motel e a casa que fica logo atrás. O rapaz ate tenta ter uma vida normal, arranja mesmo uma namoradinha mas a vida vai se complicando, com vizinho agressivo (que tem que ser eliminado), com um irmão mais velho que surge do nada (Max Thieriot) enquanto a mãe ensaia um flerte com um policial (Mike Vogel). Gostei do resultado, me prendeu a atenção, interessou e deixou com vontade de assistir mais. O que é essencial. Parece que também esta funcionando bem lá fora.

     Já Hannibal é produzido pela Dino de Laurentiis (melhor dizendo sua família) se apresentando como adaptação de Red Dragon/Red Dragão que foi o primeiro adaptado para o cinema como Caçador de Assassinos/Manhunter, 86, recriada por Bryan Fuller (a figura desse criador é fundamental numa serie e este é o jovem que inventou os criativos Pushing Daysies e Dead Like Me). Era quase impossível substituir  Anthony Hopkins mas conseguiram realizar o feito chamando o ator dinamarquês Mads Mikkelsen   ( A Caça, Cassino Royale), que com seu olhos pequenos e ar enigmático (e mesmo o sotaque fora do comum) cria um duelo com o verdadeiro protagonista, que seria um agente especial do FBI Will Graham (o inglês Hugh Dancy, na vida real marido de Claire Danes, de Homeland). Ele tem a capacidade de entrar literalmente no que o assassino (ou no plural, os serial killers )estão pensando. Só que o doutor já ficou provado entrou ali para atrapalhar não ajudar (já fica claro isso no primeiro capitulo, embora no segundo surja um caso apavorante, as vitimas que viram canteiro para criar cogumelos!). Os dois capítulos iniciais que assisti foram brilhantemente dirigidos por David Slade e levam sempre nomes de comida em francês (Apéritif, Amuse Bouche, Potage, Coquilles etc).Slade se revelou com Menina Má. Ponto Com, e depois salvou a serie Crepúsculo, com  Eclipse, mas parece ter encontrado aqui seu melhor momento.
(Hannibal passa hoje no canal AXN).
Ref fim