Em Transe (Trance) Inglaterra, 13. Direção de Danny Boyle. Roteiro : Joe Aherne, John Hodge. Com James McAvoy, Vincent Cassel, Matt Cross, Rosario Dawson, Danny Sapani, Mark Poltimore. Fox. 101 min.

Fiquei impressionado com as criticas negativas que este filme teve nos Estados Unidos, agora na sua recente estréia limitada (ate agora não foi além dos 2 milhões e cem mil dólares de renda) se considerando que é o novo trabalho do vencedor do Oscar Danny Boyle (de Quem Quer ser um Milionário ) e que foi rodado durante um intervalo dos preparativos que duraram dois anos quando ele planejou e depois dirigiu as brilhantes cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos de Londres ( inclusive o ponto alto que foi a participação de James Bond e a Rainha).
Estava todo animadinho para ver o que seria este thriller de suspense, conduzido por Boyle que é provavelmente o grande mestre dos filmes visualmente brilhantes e espetaculares , sempre criando novas soluções de imagem, edição e momentos de violência. Boyle desde Trainspotting criou um novo estilo em que embarcaram outros (como o ex-marido de Madonna, Guy Ritchie). Todo filme seu é um exercício de estilo e este não fica atrás. Ele convocou James McAvoy de volta a Inglaterra (que na America esteve no X Men, no O Procurado, mas antes disso estrelou também o cult Desejo e Reparação) para fazer o protagonista um certo Simon, que é o narrador, um empregado de loja de leilões de quadro famosos que esta para vender um famoso trabalho do espanhol Goya. Para prevenir roubos, e a perda de vidas humanas, Simon é treinado para fugir com a pintura e esconde-la num largo determinado. Dito e feito, uma quadrilha assalta o lugar, provoca pânico e incêndio, enquanto Simon age como o previsto. Ou não? (A Quadrilha é liderada pelo francês e brasileiro Vincent Cassel, já que vive parte do ano no Rio de Janeiro).
Num filme deste tipo nada é o que parece. O roteiro é muito bem armado, mas ao mesmo que não se da conta de detalhes importantes (por exemplo, um cadáver em decomposição é deixado em um carro num estacionamento durante algum tempo e ninguém percebe ou sente ou denuncia). Também é muito arriscado usar como base da trama o hipnotismo que era uma arma muito explorada no cinema de mistério dos anos 20,30 e 40. Ou seja, além de super explorado, caiu em desuso porque ficou desacreditado. Mas o script aqui quer nos fazer crer que quando Simon quer lembrar o que fez com o quadro pressionado pelos ladrões, não consegue recordar e vai pedir ajuda a uma médica que pratica hipnose (o melhor trabalho que já vi da exótica Rosario Dawson). Naturalmente os dois se envolvem mas isso não é da missa a metade, como se dizia antigamente. A historia vai se complicando, com reviravoltas (sempre com ação e violência ) das mais mirabolantes possíveis. Não que não de para entender, é que tanta coisa, tanto absurdo a gente acaba se desinteressando. A única polemica que resta é resolver se este é o pior filme ao menos desde daquele horrível Por uma Vida Menos Ordinária (97).
Ref fim

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