quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Mel de Laranjas

Mel de Laranjas (Miel de Naranjas). Espanha Portugal, 2012. Direção de Imanol Uribe.Com Iban Garate, Blanca Suarez, Karra Elejalde, Carlos Santos, Nora Navas, Angela Molina, Eduard Fernandez. 100 min.

      Vencedor do Grande Premio do Júri em Montreal e direção, roteiro e coadj (Molina) em Malaga,  este é o vigésimo sexto trabalho de Uribe como diretor (seus maiores êxitos aqui foram O  Rei Pasmado e a Rainha Nua, Dias contados). Mas embora bem feito e fotogênico, solar (passa-se na Andalucia em 1950), não traz de novo ou desconhecido. Apenas mais uma historia contando as conseqüências da Guerra Civil Espanhola que conduziu ao poder o Ditador Franco, que governava com mão de ferro, com a ajuda dos católicos fervorosos e que não tinha qualquer pudor em matar a tiros de fuzil, diante de uma paredão, qualquer um que tivesse a mesma opinião política. 

     Eu não conhecia os atores (a não ser a veterana Molina, dos filmes de Buñuel e Carlos Saura, que faz mãe do soldado que vive no asilo) que resultam inexpressivos . E a historia de amor é fraquinha. Enrique faz um rapaz de boa família que serve o exercito como auxiliar de um oficial batendo a maquina para ele as condenações a morte de comunistas. Aos poucos, ele vai se revoltando e pensando numa saída para aquela situação. Acaba por se unir aos rebeldes e começa um trabalho de resistência que também pode lhe custar a vida. Nem mesmo o nome poético enriquece especialmente o filme mediano  que por fim cai no banal.

Ref fim.

Mostra Internacional do São Paulo 2013- Filme: Nada de mau pode acontecer

Critica de Francisco Cannalonga.
Nada de mau pode acontecer. Tore Tanzt, Alemanha, 2013. Dirigido por Katrin Gebbe. Com Julius Felddmeier, Sascha Alexander Gersak, Swantje Kohlhof, Annika Kuhl, Daniel Michel.

     Cerca de dez, quinze pessoas abandonaram a projeção no meio da sessão que assisti esse filme. Isso não se deve à falta de qualidade, mas ao seu poder cinemático. Nada de Mau Pode Acontecer é um filme feito para chocar, machucar e incomodar. Se a diretora Katrin Gebbe pudesse ver as pessoas provavelmente abriria um sorriso de canto de boca, o filme alcança as metas desejadas. Vale lembrar, esse é o primeiro longa da diretora, uma cineasta que vale à pena ficar de olho, caso seu estilo “Hanekiano” de tortura emocional seja do seu agrado. Ainda há lacunas a serem preenchidas mas é animador ver alguém talentoso, ainda que com bastante espaço para melhorias.

O enredo gira em torno do protagonista Tore (Julius Feldmeier), um jovem católico extremamente devotado à suas crenças, que integra o grupo “Jesus Freaks”, uma versão “punk” dos cultos evangélicos mais fervorosos. Tore decepciona-se com algumas atitudes de seus “irmãos” e abandona o grupo, muda-se para a casa da família de Benno (Sascha Alexander Gersak), a quem Tore ajudou a consertar o carro. Tore é extremamente passivo e amoroso com a nova família, no entanto, essa sua passividade desperta, pouco a pouco, os sentimentos e reações mais violentas de quase todos os membros da família. Benno é um homem xucro por natureza, mas a violência crescente em relação à Tore é surpreendente, não apenas Benno, mas sua mulher e o filho mais novo dessa também tornam-se mais e mais agressivos, resultando em algumas cenas de tortura física e psicológica das mais intragáveis dos últimos anos. Tore, movido por sua crença, acredita que Benno é a encarnação do mal que Deus colocou na terra para que ele pudesse combater e, seguindo as palavras de Jesus “Se te derem um tapa no rosto, ofereça a outra face”, Tore tenta combater a violência com crescente passividade.

Esse estudo do ódio e crueldade humana me lembra uma performance executada por Marina Abramovic, onde ela ficava parada em uma cadeira e o público presente tinha a sua disposição diversos objetos com os quais eles poderiam acariciar ou agredir a artista. As pessoas começaram acariciando-a, mas à medida que eles perceberam que ela estava completamente passiva, foram tornando-se mais e mais violentos, a performance teve de ser interrompida, eventualmente. Provavelmente é essa a afirmação que a diretora quer fazer, que o ser humano é cruel por natureza. Não é  das mais inovadoras, mas a construção em volta dela é notável.

Curiosamente, o filme é dividido em três partes - Fé, Amor e Esperança. O que de imediato remete à trilogia “Paraíso” do diretor, também alemão, Ulrich Seidl (Paraíso: Amor, Paraíso: Fé, Paraíso: Esperança). Não consegui achar nenhuma conexão solida entre os filmes, mas é interessante.

Nada de Mau Pode Acontecer é um filme cruel e doloroso, um filme que deixaria o diretor austríaco Michael Haneke orgulhoso (Talvez não o Haneke de “Amor”, mas o Haneke de “Violência Gratuita” e “Caché. Certamente não é para qualquer um.

Fim

Mostra Internacional do São Paulo 1013 - Fime: Cães Errantes

 Critica de Francisco Cannalonga.
Cães Errantes.  Jiao You, 2013, Taiwan. Dirigido por Tsai Ming Liang. Com Shiang-Chyi Chen, Kang-sheng Lee, Yi Cheng Lee, Yi Chieh Lee.

      O novo cinema taiwanês, movimento que se originou em meados da década de 80-90, é caracterizado por seus diretores transgressores, que procuravam subverter todas as possíveis convenções estéticas e dramatúrgicas do cinema americano. Diretores como o já falecido Edward Yang (Yi Yi, Os Terroristas), Hou Hsiao-Hsien (Cidade das Tristezas, The Puppetmaster) foram longe  nessa intenção.  Mas  nenhum transgrediu tanto quanto Tsai Ming Liang, o caçula do grupo, que se afirmou como uma potente voz no cinema taiwanês em 1994 com seu magnífico Vive L’Amour, filme que venceu o Leão de Ouro no Festival de Veneza daquele ano. Hoje, quase 20 anos depois, Liang segue quebrando regras e entrega, talvez, seu filme mais desafiador, Cães Errantes, premiado com o grande prêmio do Júri no Festival de Veneza desse ano.

      Ao retratar o cotidiano de uma família miserável em Taipei, Liang usa a estética ultra-minimalista que marcou sua carreira - Planos fixos extremamente longos em que cada gesto dos personagens ou do cenário tem importância fundamental, pouquíssimo diálogo, personagens sozinhos sob o pano de fundo de uma cidade decadente, edifícios antigos escuros e abandonados e uma sempre presente aura de extrema melancolia. Cães Errantes é ao mesmo tempo clássico Tsai Ming Liang, mas também é completamente diferente de tudo que ele já fez. Se em filmes como O Buraco (Que mistura sua estética clássica com sequências musicais inusitadas, que marcam os “episódios do filme), Vive L’Amour e Não Quero Dormir Sozinho, Liang ainda se utilizava de uma estrutura narrativa clássica, divida em três atos, começo, meio e fim, em Cães Errantes essa estrutura é completamente ignorada em função da tentativa de construir um filme que não é um filme, mas uma instalação, pura poesia. Podemos entender algumas coisas do enredo - O pai das crianças é um homem problemático, que não consegue se manter em qualquer emprego e gasta o dinheiro que ganha com cigarros e bebidas (tanto que o filho tem que guardar o dinheiro em suas coisas), há uma mulher que aparentemente é a mãe das crianças ou quer ser e ajuda a família ao longo do filme e mora em um prédio abandonado e dá comida aos cachorros que por ali transitam, há o desejo das crianças por ter uma mãe (elas criam uma “mulher repolho” e a colocam para dormir ao lado do pai). Mas o que prevalece, além do enredo, são as sensações, a atmosfera de pura melancolia.

     Quando digo que é um filme desafiador, não é hipérbole, Tsai Ming Liang não é conhecido por realizar filmes de fácil digestão e esse é talvez seu filme mais indigesto. Só os espectadores pacientes serão recompensados. Há momentos em que planos fixos estendem-se por até 10-13 minutos e pouca coisa acontece, aparentemente - O pai, trabalhando segurando uma placa que faz propaganda de imóveis, canta uma canção triste sobre a antiga China, o plano enquadra seu rosto e permanece imóvel por volta de cinco minutos, a intensidade dessa sequencia é quase intolerável, através da música, da sonoplastia (o barulho ensurdecedor do vento e dos carros em movimento) e do belo trabalho do ator, podemos sentir na pele toda a dor que esse homem sente, a perdição e a falta de rumo. Há vários desses momentos, os quais não vou mencionar para não estragar a experiência dos que vão assistir a esse filme único.

      Talvez esse não seja o melhor filme para fazer alguém se interessar pelo trabalho de Tsai Ming Liang. Mas  aqueles que tem interesse de descobrir novas formas e um cinema completamente único e inigualável, dêem uma chance à Tsai Ming Liang.
 Fim

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Amor sem Pecado

Amor sem Pecado (Adore) Australia/EUA, 13. Direção de Anne Fontaine. Roteiro de Christopher Hampton baseado em livro de Doris Lessing. 111 min.Com Xavier Samuel, Robin Wright (ex Penn), Naomi Watts, Ben Mendhelson, Sophie Lowe, James Frecheville, Jessica Tovey, Gary Sweet. 

       O publico Americano ignorou este filme que teve uma bilheteria ridícula (cerca de 317 mil dólares para um orçamento de 16 milhões) apesar da atraente e permissiva historia da romancista australiana nascida na Pérsia e ainda viva Doris Lessing (muito famosa no exterior muitos de seus livros viraram telefilmes mas nunca chegaram aqui).Para adaptar este The Grandmothers , chamaram o brilhante escritor inglês Christopher Hampton (Ligações Perigosas) e a  diretora francesa Anne Fontaine que sempre gostou de temas polêmicos, como O Preço da Traição com Amanda Seyfried, Coco Antes de Chanel, o divertido A Garota de Monaco, Nathalie X, com Emanuelle Beart e Depardieu, Lavagem a Seco (talvez o melhor, onde um homem casado aceita ser passivo com um jovem invasor).

      Feito com fotografia idílica e solar, numa região litorânea da Austrália, começa com a morte do marido de Naomi, num acidente de carro. Logo os dois  meninos (um de cada) se tornam adolescentes e surfistas. Vivem felizes e a historia poderia tomar vários caminhos (como incesto, relação lésbica entre as mulheres, gay entre os jovens) mas prefere uma que não me lembro de ter visto no cinema (ou na vida real).Assim Ian (Xavier),filho de Lil (Naomi) esta apaixonado por Roz (Robin) e lhe da um beijo que evolui para um romance. Tom (Frechville) filho de Roz percebe tudo e quase por reciprocidade resolve atacar também Lil, que adere com alguma relutância. Os quatro vivem bem (o apagado marido de Roz muda-se para Sidney) ate o dia em que Tom vai estudar fora ,faz peça de teatro e se interessa  por uma cantora talentosa. Eventualmente Roz resolve se sacrificar e terminar tudo. O filme da um pulo e vai para dali há alguns anos, quando os rapazes já estão casados (Ian com uma garota que o ajudou quando teve acidente surfando) e com filhos e elas viraram sogras bem comportadas. Nem tanto porque Lil e Roz transam as escondidas. 

      Tudo isso é contado sem muita convicção. As cenas de amor são sem vitalidade ou vibração (há discretas visões dos traseiros masculinos mas nada muito forte) e mesmo quando em conflito o quadrilátero esbarra em problemas. Os dois rapazes são bem apessoados (Ian mais que Tom, que é meio estrábico e desajeitado) mas sem personalidade e mesmo as duas estrelas, de talento comprovado, parecem arrependidas de ter aceitado o projeto. 

     O que podia ser um filme muito apaixonante se torna entediante e decepcionante .

Ref fim.            

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Thor: o Mundo Sombrio

Thor: o Mundo Sombrio (Thor:The Dark World).EUA, 13. Marvel Disney. Direção de Alan Taylor. Roteiro de Christopher Yost, e Christopher Markus.Com Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston, Rene Russo, Anthony Hopkins, Chris O´Dowd, Stellan Skasgaard, Christopher Eccleston, Kat Dennings,Chris Evans, Zachary Levi, Jaimie Alexander. 112 min.

      Começa fraco, meio confuso (já que a primeira parte acontece quase toda naquele planeta feio e esquisito que é a Terra Natal de Thor) mas felizmente vai melhorando e fica divertido e com boas piadinhas na parte final, quando eles tem uma grande batalha em Londres. Deixa inclusive na conclusão a sensação de que tem mais ação e é bem mais fácil de assistir que o anterior. O fato é que os fãs podem ate preferir esta segunda parte, se considerando que 1) todo mundo já aceita e gosta de Chris Hemsworth no papel do Deus Thor. Ele tem o tipo, o porte, a voz, a figura do personagem. Não é grande ator mas isso é o que menos importa agora. 2) também nesta continuação já fica óbvio que quem rouba a festa é o ator que faz o irmão perverso, o Loki. Já tinha quase feito isso nos Vingadores, mas se houvesse ainda alguma duvida da qualidade deste ator britânico fica resolvida aqui onde ele tem uma reviravolta surpreendente para ajudar. 

       Não consegui perceber no filme nenhum toque pessoal de criatividade (talvez os letreiros ao final, como pinturas?) do diretor Alan Taylor que assumiu a aventura quando mandaram embora Patti Jenkins (que fez Monster com Charlize Theron)  e tem um dos currículos mais interessantes, não em longa metragens (poucos, como A Nova Roupa do Imperador sobre Napoleão, e outro independente que eu vi faz muitos anos em Veneza, Palookaville). Em compensação fez episódios de praticamente todas as grandes series da década, passando de Sex and the City, A Sete Palmos, Oz, Roma, Lost, Deadwood, Boardwalk Empire, Nurse Jackie, Em Terapia, Mad Men, Familia Soprano, Amor Imenso, Carnivale, West Wing, Homicide Life on the Strets .   

        E mais recentemente Game of Thrones!

      Bom para ele, pro resultado não faz diferença (a gente acaba se lembrando mais da piadinha com a aparição habitual de Stan Lee e outra bem simpática com o Capitão America). Ah, melhor avisar logo: desta vez o filme tem dois finais extras de brinde. Um onde vemos Benicio Del Toro, numa sequencia bem cafona, que lembra coisa de Star Trek antiga. E bem ao final, depois de todos os letreiros uma conclusão ainda derradeira e bem humorada. Romântica também.

       Não gosto muito de fazer resumos, mas acho que basta saber que embora a ação principal aconteça depois de Avengers, começa relembrando que o planeta de Thor, chamado de Asgard onde um elfo maléfico chamado Malekith tentou dominar o lugar usando uma força terrível chamado de “Éter”. O problema é que esse substancia vai parar dentro da Jane, a amada de Thor (a lindinha Natalie Portman) e para salva-la ela é levada ate Asgard onde começa uma batalha muito complicada cheia de traições e vendettas, mas principalmente de cenas de ação (eu ainda prefiro as na Terra onde ao menos tem senso de humor, não conseguem muitas piadinhas com figuras de chifres e falas pastosas).

     Sem entusiasmar mas também sem decepcionar Thor 2 só corre  o risco de passar sem tanta repercussão ao ser lançado numa época difícil comercialmente do ano.

Ref fim

Mostra Internacional de São Paulo 2013 – Filme: Wakolda

Critica de Francisco Cannalonga
Wakolda (idem), 2013, Argentina. Dirigido por Lucía Puenzo. Com Alex Brendemühl, Natalia Oreiro, Florencia Bado, Diego Paretti.

Wakolda, selecionado para representar a Argentina no Oscar de 2014 e exibido na sessão Un Certain Regard do Festival de Cannes desse ano, é o terceiro filme da diretora Lucía Puenzo, filha do renomado diretor argentino Luis Puenzo (vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 1986 por seu ótimo “A História Oficial”), e assim como seus outros filmes XXY e O Menino Peixe, Lucía demonstra não ter medo de temas complexos e difíceis, Desta vez, gira em torno da estranha relação psicossexual que envolve uma menina de 13 anos e um dos maiores e mais doentios criminosos do mundo, Josef Mengele. Para aqueles que estão encontrando dificuldades para lembrar quem foi Josef Mengele, uma breve explicação - Mengele foi um condecorado oficial da SS nazista de Hitler e o principal médico do campo de concentração de Auschwitz, ficou conhecido por seus experimentos humanos doentios, realizados em homens, mulheres e crianças do campo, seu apelido era “Anjo da Morte”.

       O filme começa em 1960, vemos com uma grande tempestade que avança ao longo do horizonte, talvez uma alegoria para os eventos que virão, vemos a família de Lilith/Walkoda (Florencia Bado) se preparando para viajar pelo deserto, em direção ao hotel na região da Patagônia que pertencia à família de Eva (Natalia Oreiro), mãe de Lilith. No meio do caminho, encontram o próprio doutor alemão, que pede para viajar com eles em caravana, em direção a um destino comum. Chegando ao hotel, Mengele aluga um quarto por um mês, paga adiantado.  Mengele e sua mórbida curiosidade pela genética humana logo põe seus olhos sobre Lilith, uma menina de 13 anos com problemas de crescimento. Ele a usa como cobaia para testar hormônios de crescimento. “...Em função de melhorar a espécie”, ele argumenta. Lilith o enxerga como um homem bom, santo, salvador, quando é justamente o contrário.

Apesar de emocionante e angustiante, não é um filme perfeito, a relação entre Lilith e Mengele torna-se mais e mais superficial ao longo da jornada, o que começou como algo intenso e assustador vai perdendo sua força à medida que o filme dá mais atenção para curiosidades que Mengele apresenta em relação a outros membros da família que o “acolheu”, interesses esses que são mal  explorados.

      Contra o nosso “maior rival”, no futebol e no cinema, o representante brasileiro do Oscar O Som ao Redor vence de lavada.

Ref fim

Meu Passado me Condena: O filme

 Meu Passado me Condena: O filme.  Brasil, 13. Direção de Julia Rezende. Com Fabio Porchat, Miá Mello, Marcelo Valle, Inez Viana, Stepan Nercessian, Alejando Claveaux, Juliana Didone, Catarina Abadala, Elke Maravilha, Rafael Queiroga.

     Nunca assisti a série de teve cujos cinco capítulos também foram realizados por Julia Rezende, filha do diretor Sergio Rezende e a produtora Mariza Leão (ela estreou com curta que ganhou o I Festival de Paulínia e no ano seguinte retornou com outro, demonstrando o talento que confirma aqui. Também ela dirigiu a serie).Mas a julgar pelo que vi na noite de segunda-feira, com a sala quase cheia num shopping de Cotia, o publico adora o filme e ri para valer. E realmente ele é muito melhor do que a média, inclusive porque não cai na chanchada rasgada de outros. 

      Teme-se que o humorista Fabio Porchat esteja se expondo demais e acabe cansado o publico (vide Jim Carrey no exterior, Marcelo Adnet por aqui) justamente no momento em que esta chegando a papéis centrais e saindo-se bem ao criar uma “persona”, um tipo particular um pouco efeminado, mas que no fundo é apenas um sujeito meio infantil, de bom coração e sentimentos puros, que fala demais, é pão duro e não entende nada de mulheres.

      A esta altura ele já desenvolveu um tipo de diálogo, minto, seus textos são longos, quase monólogos, que ele diz rapidamente, despejando besteiras e perolas filosóficas. O engraçado é que por causa dos filmes anteriores a gente já se acostumou com ele e passou a gostar do personagem. 

       É evidente que este longa nasceu de um acordo com uma companhia italiana de viagem marítimas e portando feito para louvar os prazeres da excursão (nem se menciona por exemplo o vento inclemente e se pula simplesmente a sequencia do enjôo obrigatório e do mar jogando os passageiros de um lado para outro, todos esses constantes do gênero “filme de navio”. Mas tudo bem o país é pobre, não teria outra maneira de se bancar um filme assim internacional, com paradas em Casablanca e Italia  e foi com certa nostalgia que revisitei o genero (que me fez lembrar os filmes de férias que os italianos justamente faziam nos anos 50-60 com Alberto Sordi e  belas mulheres!).

       Enfim, já começa com o casal se casando no civil (mas ela com roupa de noiva)e partindo para a lua de mel no navio (só pelo release que soube que eles se conheciam há pouco tempo), Fábio  trabalha com festas de crianças no  bufet do pai e ela Miá é uma jornalista bem colocada. À Bordo encontram um ex-namorado dela e a mulher deste, que é médica alternativa e que por coincidência foi a paixão do herói quando criança (alias mais uma vez o garotinho nada tem a ver com o Fabio grande!). Na viagem a bordo, se envolvem com um casal de atendentes vigaristas mas de bom coração (não sei como a Costa não reclamou deles mas os dois ajudam muito em sustentar o ritmo da historia) e tem ate uma aparição super simpática de Elke Maravilha (por sinal, ela foi o tema do curta original da diretora). 

        O filme ameaça se perder no final do primeiro ato, mas dá uma reviravolta e consegue terminar muito bem (a moça Julia tem jeito para a comédia e também o romance). Auxiliado e muito pela presença muito divertida de Rafael Queiroga – o Elmiro Miranda da teve- como o amigo Cabeça (que tem algumas das melhores sacadas). 

        Não gosto de ver este tipo de comédia nacional com a imprensa e posso me atrasar um pouco ao esperar assistir com o publico, que é sempre o melhor juiz. Comecei a ler uma mas dizia o óbvio, chamando o filme de apressado etc e tal. O Importante é que conseguiram lhe dar estrutura e dosar o humor de forma inteligente, sem apelar demais. 

Ref fim.                    

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Uma noite de Crime

Uma noite de Crime /The Purge (EUA, 13). Direção de James DeMonaco.Com Ethan Hawke, Lena Headey, Max Burkholder, Adelaide Kane, Edwin Hodge, Rhys Wakefield, Tony Oller, Chris Mulkey, Tony Yi. Tisha French, Dana Bunch.  85 min. Universal.

       Fez bastante sucesso nos Estados Unidos este filme B pretensioso a ser ficção - cientifica e terror , mas que custou apenas 3 milhões de dólares e ate agora rendeu 85 milhões (no mundo todo) e já tem ate continuação planejada. É apenas o segundo longa como diretor de James DeMonaco que fez antes Cidade do Crime/Staten Island (com Ethan, Vincent D´Onofrio, 09) e escreveu roteiros de A Negociação, 98 de Gary Gray, com Samuel L. Jackson, Assalto a 13ª Delegacia, 05, de Richet, com Ethan, além de series de teve.

       Acho difícil alguém de cara lavada aceitar o ponto de partida. Segundo o roteiro, num futuro próximo acabaram-se as guerras e conflitos de violência e por isso o governo instituiu o que chama de Purgação, Durante 12 horas da noite ficam cancelados os serviços de policia, de emergência ou assistência hospitalar. Todos devem se fecham em casa, na maior segurança possível, porque nessas horas tudo será permitido, qualquer abuso ou assassinato. Claro que o mundo só piorou de violência em toda parte, guerras assumidas ou não, guerras civis, manifestações de rua ate no antigamente adormecido Brasil, roubos, estupros e assim por diante. Basta ligar qualquer insuportável noticiário de teve.  A idéia portanto é no momento ao menos risível , improvável e chega mesmo a ser ofensiva essa idéia de uma noite onde todo crime é legal e sem punição. Já não é assim mesmo por aqui? 

       Felizmente o filme é muito curto e nas mãos de um diretor mais competente poderia ter sido um exercicio terrível em pavor. Não sei se foi boa idéia adotar um estilo satírico. Terá sido uma idéia do seu produtor Michael Bay ou da turma também presente que fez Atividade  Paranormal ? O fato é que fica difícil encontrar algo de novo no gênero “família em perigo é dominada por  bandidos que invadem sua casa”( e eu me lembro bem de ter ficado impressionadíssimo como primeiro que assisti no Genero, Horas de Desespero de William Wyler, com Bogart, Fredric March ainda nos anos 50. Hoje há invasores de todos os tipos inclusive os do Espaço Sideral, o que torna mais difícil a originalidade (aqui eles usam mascara o que faz logicamente lembrar V de Vendetta e o recente The Strangers/Os Estranhos de Bryan Bertino) que acertava em manter os detalhes externos ao mínimo enquanto aqui massacra a gente com noticias da televisão. 

        A ação se passa em 2022 e o crime e pobreza diminuíram muito desde que subiu ao poder  dos “Novos Pais Fundadores”(parece que em 2014) logicamente uma referencia bem clara ao grupo de republicanos chamados de “Tea Party” que tiveram a idéia da Purgação em 21 de março. Onde matar pode ser visto até como dever patriótico.  O herói do filme é Ethan que faz um especialista em segurança particular e que por isso colocou na sua mansão o que havia de mais moderno no gênero. A confusão começa quando a família dá abrigo a um homem sem teto (Edwin Hodge) que foge de um linchamento liderado por um tal de “Estranho bem educado, dizem os créditos), na verdade um bando teen. Ao menos o diretor não tem problemas em creditar suas influencias obvias que são Sob o Domínio do Medo de Sam Peckinpah (recém refeito) e Assault on Precint 13 de John Carpenter (que o próprio Monaco refez há algum tempo). Outros críticos lembraram historias parecidas em O Quarto do Pânico de David Fincher, Obsessão Fatal, Unlawful Entry, de Jonathan Kaplan e o mais recente Lakeview Terrace /O Vizinho de Neil Labute. Também essas concessões ao crime já eram velhas quando fizeram o primeiro Rollerball (podia-se matar no esporte) ou em Jogos Vorazes e remontam  aos gladiadores romanos. 

        O fato é que se mostra muito pouca coisa fora da mansão e não chega a ser tão violento quanto se temia (ainda bem!). É sempre alegoria e a figura no negro enfatiza isso. Tem robozinhos de proteção  e menino adolescente esquisito. A principio achei que era menina mas a ação dele ajudar o fugitivo é de uma estupidez insuportável, só comparável com a filha da família que resolve transar com o namorado justamente naquele dia e hora!  Se for para satirizar a tradicional hipocrisia da classe média não funciona. Porque felizmente isso vai ficar muito mais engraçado ainda que sempre  improvável quando outros entram na dança (não posso dizer quem mas considerando minha visão negativa do ser humano achei até bem colocado!). De qualquer forma personagens importantes são eliminados cedo e uma reação contra uma pessoa loira servirá de alivio para a ausência de um final muito feliz.  Mas ainda acho que é uma fitinha B sem vergonha. 
Ref fim.

Pedalando com Moliére

Pedalando com Moliére (Alceste à Byciclette). França, 13. Direção e roteiro de Philippe LeGuay. 104 min. Com Lambert Wilson, Fabrice Luchini, Maya Sansa, Camille Japy, Ged Marlon, Stéphan Woitowicz, Annie Mercier, Christine Murillo.

       Certamente como quase todo filme francês, este não é para todo o publico. Espero que você tenha um gosto parecido com o meu, que admiro a cultura francesa, adoro Molière, sou encantado com historias sobre grandes atores e suas idiossincrasias, curto historias passadas em lugares tranqüilos e exóticos (no caso, Ile de Ré, Charmante Maritime) que permitem longos passeios (no caso, obviamente de bicicleta) e conversações, passando por belas paisagens (mas de inverno, tristes). E principalmente sou grande admirador daquele que considero o melhor ator francês do momento o grande Fabrice Luchini (ele estrelou também o filme anterior do mesmo diretor em 2010, o divertido As Mulheres do Sexto Andar). Tive oportunidade de estar com ele algumas vezes em Cannes e observar sua personalidade de “grand vedette”, difícil, mal humorado, vaidoso, estrela,  de sólida formação no palco mas que durante anos foi polindo o estilo de representar para o cinema. Assim como conheço bastante Lambert Wilson, co-astro do filme (até Jean-Thomas dono do Reserva Cultural e eu tivemos um episódio curioso com ele em Portugal quando Wilson quase morreu diante de nos engasgado com uma espinha de peixe!). 

       Tudo isso que mencionei pode sem duvida ter me influenciado por ter gostado tanto do filme, mas o fato principal foi ter me interessado pela trama muito especial. Wilson foi um ator de meia idade (cabelos pintados de grisalho) que faz sucesso em series de teve e que vai ate o litoral desolado procurar um antigo amigo e parceiro de filmagem, um ator que há três anos abandonou tudo e mora numa casinha velha que herdou de um tio. Sua idéia é montar a primeira peça de Molière, O Misantropo, e quer que Fabrice retorne aos palcos já que adora o texto e o papel de Alceste (a principio há uma disputa entre eles pelo personagem mas surge a proposta de o alternarem a cada semana). Apesar da má vontade inicial, é o que chamamos de uma proposta irrecusável. 

       O filme irá se complicar (para se tornar também mais acessível) com a participação da dona da pensão que tem uma sobrinha que é atriz de filme pornô e que vem lhe pedir conselhos para a carreira, demonstrando inesperado talento, uma italiana mal humorada que esta vendendo uma casa e que acha todos atores narcisistas, o agente imobiliário, uma vasectomia, Wilson quase morrendo afogado na jacuzzi, uma traição amorosa que parece perdoada fácil de mais,  uma canção antiga de Yves Montand para servir de fundo para um passeio de bicicleta. E como sempre acontece nas relações humanas, a inevitável traição. 

       Há dois momentos deliciosos de Luchini falando italiano e tentando cantar com a canção Il Mondo no rádio...E o final vai surpreender ao fugir do lugar comum. Claro que tudo isso é para não deixar o filme arrastado e aborrecido. Se bem que para mim o maior prazer é ver os momentos de ensaio em que os dois atores alternam frases da vida com as de Molière. 

REF

Laura

Laura, documentário de Felipe Camarano Barbosa. Foto de Pedro Sotero. Musica de Patrick Lapan. Montagem de Karen Sztainberg.Roteiro de Lucas Paraíso.

       Como há poucas locadoras passou a ficar difícil assistir os filmes nacionais que perdi (não consigo dar conta de ver os brasileiros que ficam uma semana em cartaz, ainda quando há Mostras). Antigamente minha solução eram os DVDs onde podia conferir filmes curiosos como este, que não tem chance comercial mas pode interessar a uma faixa de publico. No caso de Laura (não se trata de um travesti ou transexual como se poderia deixar pensar) é um registro de uma curiosa figura de brasileira que vive em Nova York  onde freqüenta festas badaladas e círculos intelectuais. Embora não tenha credenciais para isso.

     E pronto. Tudo isso poderia ser melhor contado num curta, ou numa reportagem de teve social. Porque a gente fica esperando alguma revelação, alguma surpresa. De repente, ela é um grande talento não descoberto, ou uma cientista durante o dia, ou ao menos tenha uma língua afiada e mordaz que proporcionassem melhores cenas. Infelizmente nada disso sucede. Ela se veste para a festa, vai na festa, fica um tempo, não aparece ninguém memorável e volta para casa. O diretor deve achar isso tremendamente espetacular para dedicar tanto tempo de sua vida a essa senhora. Nem vou dizer que é celebração da futilidade. É perda de tempo mesmo. Faz um curtinha para a You Tube que terá a devida repercussão. 

Ref fim.

O Mordomo da Casa Branca.

O Mordomo da Casa Branca. Lee Daniels´The Butler. Direção de Lee Daniels. Eua, 13. Com Forest Whitaker, Oprah Winfrey, Vanessa Redgrave, Mariah Carey, John Cusack, Alex Petyfer, Terrence Howard, Cuba Gooding Jr, Lenny Kravitz, Robin Williams, Jane Fonda, James Marsden, Liev  Schreiber, Alan Rickman. 

       A Revista Veja definiu este filme como sendo uma propaganda do governo Obama e não há a menor duvida que é uma maneira cínica e verdadeira de definir este novo trabalho do polemico Lee Daniels (o nome dele esta no titulo porque a Warner criou polemica afirmando que era um nome registrado em 1919 por ela e foi dessa forma que os Weinstein resolveram o caso). Famoso por “Preciosa” (duas indicações ao Oscar, por direção e filme), fez o recentemente exibido, “Obsessão” (outro que tinha suas ousadias) e retorna aqui num filme que tem trilha musical do português Rodrigo Leão, famoso por sua participação no Grupo Madredeus e nos filmes de Wim Wenders. E curiosamente é assinado por 41 produtores (deve ser algum recorde) e  21 maquiadores (que tiveram o difícil trabalho de transformar astros famosos em políticos celebres). E foi um êxito de bilheteria nos EUA (custou 30 milhões de dólares e rendeu por lá 115 e por enquanto no exterior apenas 14, embora seja evidente que terá menos interesse para o resto do mundo).

       O roteiro foi escrito não pelo diretor mas por Danny Strong (que não é negro, é ator,  já ganhou  Emmys pelo telefilme Game Change,  escreveu bons filmes como A vida em Preto e Branco, Seabiscuit e agora a série os Jogos Vorazes). Ele se inspirou num artigo de revista de Will Haygood chamado “A Butler well Served by this Election”, publicado no Washington Post em 7 de novembro de 2008,  que foi inspirado numa figura real. O personagem de Cecil Gaines, foi baseado em Eugene Allen, que serviu como mordomo na Casa Branca por 3 anos, de Eisenhower a Ronald Reagan, ou seja de 1957 a 86 e morreu em 2010. O script originalmente tinha cena com o presidente Obama e foi rodada com um ator para ser finalmente descartada na edição final (ai sim tudo mundo iria perceber seu “parti pris”). Matthew MacConaughey iria fazer John Kennedy mas não pode e o papel foi parar com James Marsden. Na verdade, todos os presidente aparecem muito pouco e o que deixa pior impressão é John Cusack como Nixon (que esta bêbado). Jane Fonda tem aparição breve como a Sra Reagan, Liev Schreiber faz Lyndon Johnson, Robin Williams é Eisenhower (Melissa Leo fazia a mulher dele Mamie mas foi cortada) .Alguns outros aparecem em cenas de arquivo. 

       Também alguns famosos surgem rapidamente Mariah Carey como a mãe que ficou louca, Vanessa Redgrave como a velha bondosa, e principalmente Oprah pela primeira vez desde Bem Amada (de 98, onde não faz ela mesma). Fala-se de premio para ela, mas sua interpretação não é muito marcante e o único que parece ter previsão de ser indicado ao Oscar é mesmo o já vencedor por O Ultimo Rei da Escócia Forest Whitaker. Isso num ano onde há varias outras interpretações notáveis de atores negros.

       Apesar de muito badalado não espere muito do filme, porque seu roteiro é extremamente convencional, sem nunca aprofundar coisa alguma deixando o protagonista como testemunha muda da historia americana. Que não é assim tão honrosa. A observar sua obscura política racial só me deixou perturbado em perceber quanto tempo demoraram para cair em si e ir terminando com o racismo, ao menos com as absurdas leis segregacionistas. Uma mancha na Historia do país que eles não se apressaram a corrigir. E no final se tratam o protagonista com respeito, não fazem mais nada do que a obrigação. E já tarde. Não é tampouco uma direção inspirada.

       A parte mais tocante da historia seria quando o herói é criança ainda numa fazenda de algodão em Macon, Georgia, onde o jovem patrão usa a mãe dele como escrava sexual (o que deixa louca) e não deixa para o rapaz outra solução se não fugir. Os ingênuos produtores acham que seria uma boa lição de vida para o espectador que pensaria que só mesmo na America poderia alguém tão pobre e desafortunado chegar a um emprego tão bom. Que seria algo inspirador.  Só que tudo é contado meio rapidamente porque temos que acompanhar Forest por suas futuras aventuras. Vem para o norte, se tornando protegido de mordomo na Carolina do Norte, depois vai ser garçom no chique Hotel Excelsior de Washington e se casa com uma empregada do lugar. Eventualmente é recomendado por um amigo para a Casa Branca, onde sem muita dificuldade passa nos testes e fica nos bastidores do poder, com um lugar privilegiado para observar a Historia em marcha. Gosto mais do filme quando ele fica politicamente mais complicado, com as manifestações dos anos 60, um  filho dele se engajando na luta dos Panteras Negras e assim são ao menos discutidos por alto fatos como a Guerra do Vietnã, as tropas que foram mandadas para Little Rock para forçar a integração das escolas,as marchas pelos direitos civis, o apartheid na África do Sul. Nesse sentido será uma boa aula de historia.

       Erra em caracterizar muito mal (digo por maquiagens erradas, cenas ruins) os presidentes e só mesmo Forest consegue manter a dignidade e dar um foco ao filme.  Sem duvida é manipulador (a melhor cena seria a de Oprah como a mãe que bate na cara do filho lembrando-lhe alguns fatos, ao menos tem força). E não é grande coisa como cinema. 

Ref fim.  

Amor Bandido

Amor Bandido (Mud) EUA, 13. Direção e roteiro de Jeff Nichols. Com Matthew McConaughey, Reese Witherspoon, Tye Sheridan, Joe Don Baker, Jacob Lofflan, Sam Shepard, Michael Shannon, Sarah Paulson, Ray McKinnon. 130 min. California.  


      O diretor descreve o filme como uma historia de Mark Twain dirigida por Sam Peckinpah! Um velho projeto do diretor Jeff Nichols (do interessante  O Abrigo), rodado na Estado de Arkansas e que traz como protagonista Matthew McConaughey que deixou de ser o galã de comédias românticas para demonstrar um inesperado domínio de cena, ate mesmo competência em personagens misteriosos, de passado criminoso e figura ameaçadora. Deixando de ser um mero bonitão e virando ator de verdade. Tem chances de ser indicado ao Oscar este na premiação de 2014, com a historia não é exatamente original, lembra uma serie de outras aventuras envolvendo garotos, rios, criminosos em fuga, pais e mães que estão se separando e policia na caçada (para não falar em caçador de recompensas). Talvez pudesse ser contada com maior ritmo e intensidade. Mas o elenco é bom e com surpresas (Reese fazendo um papel relativamente pequeno como uma garota vulgar do fugitivo, possivelmente de mau caráter, Sam Shepard seu velho pai (será?). Mud (Lama) é o nome de um sujeito que esta escondido numa ilha aonde dois garotos, quase adolescentes vão procurar um barco que eles sabem que esta lá em cima das arvores. Mas tem a surpresa de encontrar esse fugitivo Mud, que passa a usá-los para conseguir comida, e mais tarde ajudá-lo a fugir ( o seu crime custa a ser revelado e o suspense seria causado pelo fato de que Mud pode ser um perigoso criminoso e assassino e os garotos podem estar em perigo). O ator favorito de Nichols faz um tio que cria um dos rapazes mas não tem um papel tão marcante quanto em O Abrigo. 

      Há também um romance teen talvez para criar maior interesse no público mais jovem (ele rendeu 21 milhões de dólares nos EUA , nada mal para um filme independente, nada do estrangeiro). Assim como o titulo nacional não exatamente correto.

      Embora me interessasse a trama ver o rapaz acusar Mud de usá-los me pareceu pueril e fácil e prenunciando uma conclusão clichê. Quando num filme se discute a ação de cobras pode apostar que em algum momento alguém será atacado por elas! Ou seja, não cumpre a promessa do filme anterior. Mas tem qualidades. 

Ref fim.

domingo, 27 de outubro de 2013

Bird, Antonia

Bird, Antonia 

(1959- 2013  ). Diretora inglesa  nascida em Londres que fez sucesso com um filme ousado, O Padre, sobre um padre homossexual. Mas se perdeu sempre quando aceitou convites de Hollywood para fazer um drama de jovens com Drew Barrymore (Mad Love) ou para assumir já em meio a produção (Mortos de Fome). Começou na televisão fazendo episódios de séries (Eastenders, Inspector Morse, Spooks ). Trabalha constantemente com seu ator preferido, Robert Carlyle. Dirigiu episódios da serie de teve inglesa  A Passionate Woman (2010, Theo James, Sue Johnston. Quando faleceu (de causas não reveladas), esta em pré produção do drama Cross my Mind com Olivia Williams e Peter Mullan e tinha rodado 4 episódios da serie da BBC, The Village (2012).  

Dir.:
   1988 – Thin Air (Brian Bovell, Kate Hardie. TV).
   1992 – A Masculine Ending (Janet McTeer, Imelda Staunton. TV).
   1993 – Safe (Aidan Gillen, Kate Hardie. TV).
   1994 – O Padre (Priest. Robert Carlyle, Linus Roache).
   1995 – Amor Louco (Mad Love. Drew Barrymore, Chris O´Donnell).
   1997 – Face – Criminosos por Acaso (Face. Robert Carlyle, Ray Winstone).
   1999 – Mortos de Fome (Ravenous. Robert Carlyle, Guy Pearce).
   2000 – Care (Alun Evans, Steven MacKintosh. TV).
   2003 – Rehab (Daniel Mays, Gary Lewis. TV).
   2004 – The Hamburg Cell (Karim Saleh, Kamel. TV).
   2006 – Cracker (Robbie Coltrane, Anthony Flanagan. TV).
   2009- Off by Heart (Doc.).

Mostra Internacional de Cinema de São Paulo 2013 - Filme: Instinto Materno

Critica de Francisco Cannalonga.

Instinto Materno.  Pozitia copilului, Romênia, 2013. Dirigido por Calin Peter Netzer. Com Luminita Gheorghiu, Bogdan Dumitrache, Natasa Raab, Ilinca Goia.

       Este é o terceiro longa do diretor romeno Calin Peter Netzer , mais um grande nome da badalada “New Wave” do cinema romeno, movimento protagonizado por nomes com o Cristian Mungiu (4 meses, 3 semanas, 2 dias), Cristi Puiu (A Morte do Sr. Lazarescu) e Cristian Nemescu (California Dreamin). E que teve a honra de levar o prêmio maior do Festival de Berlim, O Urso de Ouro.

        Instinto Materno discorre sobre o período de pouco mais de três dias, em que Cornelia (Luminita Gheorghiu) é impelida a ajudar seu filho, Barbu (Bogdan Dumitrache), em questões judiciais quando este atropela e mata um adolescente ao tentar ultrapassar outro carro na estrada. Esse conflito desencadeia diversos eventos e revela conflitos internos e familiares e  a partir daí se filme um poderoso estudo sobre o mal-estar social da família burguesa na Romênia. Barbu é uma criança em corpo de homem, mimado, que despreza sua mãe, que por sua vez é narcisista e alto-centrada, tenta fazer de tudo para ajudar o filho para tentar suprir um vazio em sua existência. Ambos formam duas forças que vão entrar em colisão.

         A estética do filme é quase documental, todo o filme  usa a câmera na mão, cujo movimento e “tremedeiras” conferem grande realismo à obra. A montagem imprevisível, que ora corta duas vezes no mesmo plano (jump-cut) ou segue por bastante tempo sem cortar (plano sequencia), também ajuda a construir essa sensação. A performance dos atores é impecável, com destaque especial para a protagonista, Luminita, que está perfeita pintando um retrato de uma mulher idosa, narcisista, determinada, mas também extremamente frágil.

Ref fim.

Hal Needham

Morre o diretor e stunt man Hal Needham 

(1931- 2013 ). Diretor americano, amigo e protegido de Burt Reynolds, que o lançou. Nascido em 6 de março em Memphis, Tennessee. Ex-stuntman, é especialista em fitas de perseguição de carros e trombadas. Mas quando erra, é catastrófico. Quando sua carreira entrou em crise, passou a dirigir para a televisão, incluindo quatro longas da série B. L. Stryker (1989) com Burt Reynolds e Rita Moreno (Grand Theft Auto) e quatro filmes inspirados na série Bandit. Coordenador de stunts (cenas de perigo e ação) em mais de 50 filmes, entre eles: Nasce uma Estrela (A Star is Born, de Pierson); Os Aventureiros do Lucky Lady (Lucky Lady, de Stanley Donen); Na Trilha do Sol (Sunchaser, de Michael Cimino, 1996). Faleceu vitima de câncer dia 25 de outubro em Los Angeles. Em 2012, ele recebeu um Oscar honorário da Academia por sua carreira. 

Dir.:
   1977 – Agarra-me se Puderes (Smokey and the Bandit. Burt Reynolds, Sally Field).
   1978 – Hooper, o Homem das Mil Façanhas (Hooper. Burt Reynolds, Sally Field).
   1979 – Cactus Jack, o Vilão (The Villain. Kirk Douglas, Arnold Schwarzenegger).
   1979 – Morte na Estrada (Death Car on the Freeway. Barbara Rush, George Hamilton. TV).
   1980 – Desta Vez Te Agarro (Smokey and the Bandit Il. Burt Reynolds, Sally Field). Malabaristas
               Ilimitados (Stunts Unlimited. Susanna Dalton, Sam Jones. TV).
   1981 – Quem Não Corre, Voa (Cannonball Run. Burt Reynolds, Farrah Fawcett).
   1982 – Megaforce ou  O Esquadrão do Terror (Megaforce. Barry Bostowick, Michael Beck).
   1983 – O Imbatível (Stroker Ace. Burt Reynolds, Ned Beatty).
   1984 – Um Rally Muito Louco (Cannonball Run Il. Burt Reynolds, Shirley MacLaine).
   1986 – Rad (Bill Allen, Lori Laughlin).
   1987 – Gang da Pesada (Body Slam. Dirk Benedict, Tanya Roberts).
   1994 – Bandit – De Volta às Origens (Bandit Goes Country. Brian Bloom, Brian Krause. TV).
               Bandit – Brincando com a Sorte (Bandit´s Silver Angel. Brian Bloom, Brian Krause. TV).
               Bandit – Limpando a Barra (Bandit – Bandit. Brian Bloom, Brian Krause. TV).
           Bandit contra o Crime Organizado (Bandit: Beauty and the Bandit. Brian Bloom, Brian Krause. TV).
    1996- Street Luge (CM).
    1999 – Reféns no Hotel ou Hostage Hotel (Hard Time: Hostage Hotel (Burt Reynolds, Charles Durning).




Mostra Internacional de São Paulo 2013 - Filme: Rio Ano Zero

 Critica de Francisco Cannalonga

Rio Ano Zero - Rio Anné Zero  França, 2013. Dirigido por Aude Chevalier-Beaumel. Com Marcelo Freixo, Marcelo Yuka.

     Imaginem viver na cidade do Rio de Janeiro e não poder ir à praia, nem aos finais de semana, nos dias mais quentes. “Eu invejo eles”, diz Marcelo Freixo, deputado estadual do Rio de Janeiro, num tom de piada, porém melancólico. Essa é a sina de ser um homem sério nos meandros da política no Brasil. Freixo, em 2008, presidiu a CPI das milícias, que encarcerou cerca de 700 milicianos. Segundo pesquisa da UERJ, as milícias dominam aproximadamente 41% das favelas do Rio de Janeiro (Freixo foi a inspiração para o personagem Diogo Fraga, no filme Tropa de Elite 2). Após a entrega do relatório, em 2011, Freixo viu-se vítima de diversas ameaças contra sua vida, chegando até a morar no exterior por um curto período de tempo com a ajuda da Anistia Internacional. Desde então, ele não pode sair de casa sem uma escolta policial fortemente armada. Essa é a sina de ser um homem sério.

     Marcelo Freixo candidatou-se à prefeitura do Rio de Janeiro em 2011, competindo cabeça-a-cabeça, mesmo que em condições adversas, contra Eduardo Paes, então o  prefeito da cidade. O documentário é o primeiro longa da francesa Aude Chevalier-Beaumel e acompanha a trajetória da campanha de Marcelo, tão audaciosa e corajosa, indo contra a corrente das campanhas financiadas por empresas privadas, ao mesmo tempo que mostra, com grande sensibilidade, o homem simples por trás do paletó e da CPI das milícias. Estes momentos do cotidiano, que abrangem a nossa empatia pelo personagem, talvez sejam os melhores do filme, momentos como quando Marcelo volta para o seu pequeno apartamento e come um pedaço de queijo, enquanto sua mulher está num show de Caetano Veloso e Chico Buarque, show este dedicado a ajudar a financiar a campanha do deputado, show este que ele foi proibido de ir ou quando uma mulher, interrompe uma gravação da propaganda eleitoral e o chama de “canalha” e Freixo não consegue manter a compostura e discute com a mulher, afinal, ele sabe que não é um canalha, sabe que não é como “os outros”. A presença de Marcelo Yuka, ex-baterista da banda O Rappa e vice de Marcelo Freixo, também é sempre emocionante em sua fé e em seu sonho por um futuro melhor para a população do Rio de Janeiro. 

     Outro aspecto interessante, são os momentos de bastidores que o documentário consegue capturar e mostrar, com grande clareza, as adversidades que Freixo e sua equipe tiveram que combater - As redes de comunicação completamente parciais, A falta de apoio financeiro para a campanha e claro, a insegurança e o medo que permeiam a vida do personagem, medo que o impede de ir em certas regiões da cidade dominadas pela milícia. 

      Rio Ano Zero é certamente um documento importante que, infelizmente, não pode sequer ser veiculado no Rio de Janeiro (no Festival Internacional de cinema do Rio de Janeiro), mas que deveria ser assistido por todos aqueles que tem interesse de vislumbrar a coragem e a audácia de um homem, que foi até as últimas consequencias em busca de um ideal. 

Ref fim

Mostra Internacional de Cinema de São Paulo 2013 - Filme: The Grand-Master

Critica de Francisco Cannalonga.

The Grand-Master (Yi dai zong shi), 2013. Hong Kong. Dirigido por Wong Kar Wai. Com Tony Leung, Ziyi Zhang, Chen Chang.

      Representante oficial de Hong Kong na corrida do Oscar de filme estrangeiro deste ano, o “novo” filme de Wong Kar Wai, foi, na verdade, anunciado como projeto, cerca de dez anos atrás e só agora começa a chegar às nossas salas. Além do perfeccionismo do diretor, os motivos para tamanha demora ainda são misteriosos, conta-se que o filme foi editado por mais de um ano e que foram feitos três edições diferentes (O corte “chinês” de 130 minutos, o corte do festival de Berlim de 123 minutos e o corte da Weinstein, de 108 minutos. Além disso corre a lenda de que existiria a versão realmente oficial com 4 horas que ele esta recusando liberar!). Tanto demorou a conclusão do filme, que foram lançados, não um, mas dois outros filmes sobre a mesma história e personagem (Ip-Man, o lendário mestre de Kung-fu, mestre de ninguém menos que o lendário Bruce Lee). Infelizmente, a espera não traduz a qualidade do filme, que, apesar de visualmente esplendoroso, peca pela progressão narrativa confusa e sem foco.

      Wong Kar Wai, um dos mais respeitados cineastas da Asia e autor de alguns dos melhores filmes chineses dos últimos vinte anos como Felizes Juntos (1997), Amor a Flor da Pele (2000), Amores Expressos (1994), nunca foi, tecnicamente, um contador de histórias. É um esteta por natureza e um dos melhores. Em seus filmes de maior sucesso, o enredo e o roteiro eram apenas pretexto para a feitura de algumas das imagens mais bonitas e audaciosas do cinema. Kar Wai fazia uso de todas as possibilidades para criar suas imagens do monocromo para cores ultra-saturadas, lentes grande-angular ou olho de peixe, movimentos de câmera vertiginosos, closes e câmera lenta. E, o mais importante, através das imagens, sons e mise-en-scene, o diretor conseguia aquilo que é mais importante, extrair emoções e sensações verdadeiras do espectador, sem nunca ter que se preocupar muito com o enredo.

      Infelizmente, The Grand-Master além de ser, de certa forma, uma cine-biografia, é um filme que apresenta um roteiro denso, repleto de personagens, tramas e sub-tramas e, como dissemos, a narrativa nunca foi um dos maiores talentos do autor chinês. Combinada ainda com uma montagem paralela de diversas dessas tramas, sub-tramas, que se passam em épocas diferentes e se focam em personagens diferentes, fica bem difícil entender onde o filme está nos levando e porquê.

      No entanto, o esteta Won Kar Wai voltou à velha forma e o filme apresenta uma das fotografias mais bonitas deste ano e as sequências de combate são coreografadas impecavelmente, e o grande talento do diretor fala alto nessas cenas, em que é possível ver muito mais do que duas ou mais pessoas lutando. Tais sequencias são pura poesia visual e despertam uma vasta gama de sentimentos e sensações. Won Kar Wai como contador de histórias, é um grande esteta.

Ref Fim.

Mostra Internacional de Cinema São Paulo 2013 - Filme: Inside Llewyn Davis

Critica de Francisco Cannalonga

Inside Llewyn Davis – Inside Llewyn Davis- Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis), Estados Unidos, 2013. Dirigido e roteirizado por Ethan Coen, Joel Coen. Com Oscar Isaac, Carey Mulligan, Justin Timberlake, John Goodman, F. Murray Abraham.105 min. Preto e branco. 

  É notável como, após 20 anos de carreira e 16 filmes no currículo, os irmãos Joel e Ethan Coen conseguem continuar se reinventando, filme após filme, e na maioria das vezes, mantendo um nível de qualidade excepcional. Também conseguem manter as peculiaridades e qualidades que os fizeram únicos, basta apenas alguns minutos para sabemos que estamos vendo um filme dos Coen, tudo isso sem jamais perder o frescor e explorando novos horizontes, temáticas e gêneros. Não é nenhum exagero dizer que é  uma das melhores duplas de toda a história do cinema (Assim como os irmãos Taviani, os Dardenne e claro, os lendários britânicos Michael Powell e Eric Pressburguer).

Inside Llewyn Davis não é apenas mais um bom filme dos irmãos, é um grande filme que, no decurso do tempo, figurará como um de seus melhores esforços, ao lado de clássicos já consagrados como Onde Os Fracos Não Tem Vez (2007), Fargo (1996), Gosto de Sangue (1984), Barton Fink (1991) . Discorre uma semana  em 1961, na vida do músico folk, Llewyn Davis, interpretado magnificamente por Oscar Isaac (o latino de Drive). Mas não parece apenas uma semana, da a sensação de uma odisséia, uma longa jornada, com a trajetória deste personagem tão fascinante e ao mesmo tempo tão comum, Llewyn Davis. A fotografia fantasmagórica e desnorteante de Bruno Delbonnel (Fausto, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain), que usa e abusa do “soft-focus” (foco suave) conferindo um “glow” belíssimo nos contornos e linhas das imagens, amplificam essa sensação de viagem espiritual, todo o filme, de certa forma, tem o ritmo de um sonho.

Discorrer sobre o roteiro seria perder tempo e poderia castrar o espectador das melhores surpresas que esse filme lhe reserva, seja os momentos de humor característicos dos diretores, as decepções do personagem ou as belíssimas sequências musicais. Na verdade, a música desse filme merece uma menção especial, o produtor musical do filme, T. Bone Burnett não poderia ter sido mais certeiro na seleção musical, canções folk clássicas ganham um novo brilho nas afinadas vozes dos atores (destaque especial para 500 Miles de Hedy West). Os irmãos  já tinham demonstrado seu talento para trilhas sonoras ao utilizarem o silencio em Onde Os Fracos Não Tem Vez e tiveram extraordinário êxito de venda de discos com a trilha de E Aí, Irmão cadê Você (2000).Neste filme eles fazem questão de mostrar isso a todos que queiram ver (e ouvir).  (um detalhe: aparentemente, talento na seleção de trilhas sonoras parece ser uma qualidade herdada por diversos diretores que protagonizaram o ressurgimento do cinema independente americano na década de 90 como Paul Thomas Anderson, Quentin Tarantino, Steven Soderberg, entre outros).

Os Coen já haviam demonstrado grande empatia pela vida do homem comum, mas nunca exploraram esse sentimento com tanto bom gosto e sensibilidade como neste novo filme. Sentem-se nas poltronas, relaxem, deixem que a música invada os ouvidos, encham os olhos com o esplendor visual e permitam que os irmãos, mais seguros do que nunca de suas habilidades, te levem para dentro de Llewyn Davis.

Fim

O Verão de Minha Vida

O Verão de Minha Vida / The Way Way Back. EUA, 13. Direção de Nat Faxon, Jim Rash. 103 min. Com Steve Carell, Toni Colette, Sam Rockwell,  Allison Janney,   Maya Rudolph, Liam James, Anna Sophia Robb, Amanda Peet, Robert Coddry.

      Um bom trailer ajuda bastante esta comédia que foi convidada em Sundance, ganhou o Festival de Newport e traz a estréia na direção do ator e roteirista premiado com o Oscar  por  Os Descendentes (ao lado de Nat Faxon, veterano ator e professor de improviso também estreante). 

       É curioso como sempre dão certo os filmes autobiográficos em que os diretores recordam sua juventude. É o caso desta comédia em que Jim Rash recorda o tempo em que era adolescente. Você talvez não conheça o nome mas Rash é ator, Quando tinha 14 anos, ele passava as férias numa praia de Massachuttes, tendo problemas como seu padrasto vivido no filme por Steve Carrell. A excelente australiana Toni Colette faz a mãe. Mas sua adolescência  só começou  a melhorar quando conseguiu um emprego num parque aquático, onde passou a fazer amigos e descobrir os prazeres da vida. A idéia original era fazer um filme de época em 1984, mas não havia dinheiro para isso (e depois há uma resistência atual do publico jovem para filmes não atuais). Mas é bem relacionado e conseguiu um elenco legal onde se destacam Sam Rockwell (um  bom ator que nunca se consagra, aqui faz o melhor amigo adulto do herói), Allison Janney (da serie Mom) e Maya Rudolph (filha da cantora Minnie Riperton), cuja personagem foi quase todo improvisado. 

     Segundo Rash a inspiração para o filme foi a cena de abertura que ele teve com o pai, semelhante com a que sucede aqui com Carell. O script foi escrito em 2007 como The Way Back mas mudaram para não parecer outro filme homônimo (aqui Caminho da Liberdade). E virou Way Way Back, usando uma gíria antiga que designava aquele lugar nas antigas peruas que ficava no lugar das bagagens e onde vai o protagonista.  Para economizar, os atores não tiveram trailers mas ficaram todos numa mesma casa de praia que acabou virando o ponto de encontro de toda a equipe.      

       Apesar de momentos de farsa, não é uma chanchada mas uma comédia ate romântica, e embora se passe na atualidade tem um ar meio nostálgico.  Mas a coisa mais importante é não ver o trailer, porque vai esvaziar os possíveis risos do filme.

Ref fim.

O Mar ao amanhecer

O Mar ao amanhecer (La Mer à L´Aube) Direção e roteiro de Volker Schlondorff. 90 min . Baseado em fatos reais e livros que foram feitos sobre o assunto. Com Leo Paul Salmain, Marc Barbé, Ulrich Mattes, Jean Marc Roulot, Philippe Résimont, Charlie Nelson,  Jean Pierre Darroussin, Arielle Domsbale, e  Christophe Buccholz.

     Foi feito originalmente para a teve, participou de festivais do gênero Monte Carlo), Biarritz, Baden-Baden  mas também Mar Del Plata. Este é o mais recente trabalho do diretor alemão Schlondorff (que fez clássicos como O Tambor e Um Amor de Swann) que se inspirou em fatos reais para contar uma historia da Resistência francesa durante o começo da Ocupação Nazista, mais precisamente envolvendo os jovens comunistas (como se sabe, foram eles ligados ao Partido- a Juventude Comunista- que constituíram a maior parte dos maquis que enfrentaram o invasor). Feito em cores luminosas, não tão apropriada assim ao tema, com  elenco pouco famoso (o comandante alemão é Christopher , filho do astro alemão já falecido Horst Buccholz). Darrousin faz o padre com uma consciência e Arielle canta uma canção antiga.
  
      Talvez por sua própria origem, o filme não se prende tanto as regras da diversão podendo enveredar no questionamento dos métodos dos exércitos nazistas trabalhando junto com as autoridades locais jogando com interesses de cada um. Tudo sucede porque três jovens atiram e matam um oficial alemão. Em represália, querem agora matar 150 franceses que estão presos. Entre eles, um rapaz de 17 anos que justamente tinha ganhado uma corrida dias antes. Há traições, falhas, conspiração até o momento do fuzilamento, mostrado de longe, sem muita emoção ou indignação. Curioso para quem  se interessa pelo tema e historias de Guerra. Nada muito especial para outros. 

Ref fim.