domingo, 27 de outubro de 2013

Mostra Internacional de Cinema de São Paulo 2013 - Filme: The Grand-Master

Critica de Francisco Cannalonga.

The Grand-Master (Yi dai zong shi), 2013. Hong Kong. Dirigido por Wong Kar Wai. Com Tony Leung, Ziyi Zhang, Chen Chang.

      Representante oficial de Hong Kong na corrida do Oscar de filme estrangeiro deste ano, o “novo” filme de Wong Kar Wai, foi, na verdade, anunciado como projeto, cerca de dez anos atrás e só agora começa a chegar às nossas salas. Além do perfeccionismo do diretor, os motivos para tamanha demora ainda são misteriosos, conta-se que o filme foi editado por mais de um ano e que foram feitos três edições diferentes (O corte “chinês” de 130 minutos, o corte do festival de Berlim de 123 minutos e o corte da Weinstein, de 108 minutos. Além disso corre a lenda de que existiria a versão realmente oficial com 4 horas que ele esta recusando liberar!). Tanto demorou a conclusão do filme, que foram lançados, não um, mas dois outros filmes sobre a mesma história e personagem (Ip-Man, o lendário mestre de Kung-fu, mestre de ninguém menos que o lendário Bruce Lee). Infelizmente, a espera não traduz a qualidade do filme, que, apesar de visualmente esplendoroso, peca pela progressão narrativa confusa e sem foco.

      Wong Kar Wai, um dos mais respeitados cineastas da Asia e autor de alguns dos melhores filmes chineses dos últimos vinte anos como Felizes Juntos (1997), Amor a Flor da Pele (2000), Amores Expressos (1994), nunca foi, tecnicamente, um contador de histórias. É um esteta por natureza e um dos melhores. Em seus filmes de maior sucesso, o enredo e o roteiro eram apenas pretexto para a feitura de algumas das imagens mais bonitas e audaciosas do cinema. Kar Wai fazia uso de todas as possibilidades para criar suas imagens do monocromo para cores ultra-saturadas, lentes grande-angular ou olho de peixe, movimentos de câmera vertiginosos, closes e câmera lenta. E, o mais importante, através das imagens, sons e mise-en-scene, o diretor conseguia aquilo que é mais importante, extrair emoções e sensações verdadeiras do espectador, sem nunca ter que se preocupar muito com o enredo.

      Infelizmente, The Grand-Master além de ser, de certa forma, uma cine-biografia, é um filme que apresenta um roteiro denso, repleto de personagens, tramas e sub-tramas e, como dissemos, a narrativa nunca foi um dos maiores talentos do autor chinês. Combinada ainda com uma montagem paralela de diversas dessas tramas, sub-tramas, que se passam em épocas diferentes e se focam em personagens diferentes, fica bem difícil entender onde o filme está nos levando e porquê.

      No entanto, o esteta Won Kar Wai voltou à velha forma e o filme apresenta uma das fotografias mais bonitas deste ano e as sequências de combate são coreografadas impecavelmente, e o grande talento do diretor fala alto nessas cenas, em que é possível ver muito mais do que duas ou mais pessoas lutando. Tais sequencias são pura poesia visual e despertam uma vasta gama de sentimentos e sensações. Won Kar Wai como contador de histórias, é um grande esteta.

Ref Fim.

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