Critica de Francisco Cannalonga
Inside Llewyn Davis – Inside Llewyn Davis- Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis), Estados Unidos, 2013. Dirigido e roteirizado por Ethan Coen, Joel Coen. Com Oscar Isaac, Carey Mulligan, Justin Timberlake, John Goodman, F. Murray Abraham.105 min. Preto e branco.
É notável como, após 20 anos de carreira e 16 filmes no currículo, os irmãos Joel e Ethan Coen conseguem continuar se reinventando, filme após filme, e na maioria das vezes, mantendo um nível de qualidade excepcional. Também conseguem manter as peculiaridades e qualidades que os fizeram únicos, basta apenas alguns minutos para sabemos que estamos vendo um filme dos Coen, tudo isso sem jamais perder o frescor e explorando novos horizontes, temáticas e gêneros. Não é nenhum exagero dizer que é uma das melhores duplas de toda a história do cinema (Assim como os irmãos Taviani, os Dardenne e claro, os lendários britânicos Michael Powell e Eric Pressburguer).
Inside Llewyn Davis não é apenas mais um bom filme dos irmãos, é um grande filme que, no decurso do tempo, figurará como um de seus melhores esforços, ao lado de clássicos já consagrados como Onde Os Fracos Não Tem Vez (2007), Fargo (1996), Gosto de Sangue (1984), Barton Fink (1991) . Discorre uma semana em 1961, na vida do músico folk, Llewyn Davis, interpretado magnificamente por Oscar Isaac (o latino de Drive). Mas não parece apenas uma semana, da a sensação de uma odisséia, uma longa jornada, com a trajetória deste personagem tão fascinante e ao mesmo tempo tão comum, Llewyn Davis. A fotografia fantasmagórica e desnorteante de Bruno Delbonnel (Fausto, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain), que usa e abusa do “soft-focus” (foco suave) conferindo um “glow” belíssimo nos contornos e linhas das imagens, amplificam essa sensação de viagem espiritual, todo o filme, de certa forma, tem o ritmo de um sonho.
Discorrer sobre o roteiro seria perder tempo e poderia castrar o espectador das melhores surpresas que esse filme lhe reserva, seja os momentos de humor característicos dos diretores, as decepções do personagem ou as belíssimas sequências musicais. Na verdade, a música desse filme merece uma menção especial, o produtor musical do filme, T. Bone Burnett não poderia ter sido mais certeiro na seleção musical, canções folk clássicas ganham um novo brilho nas afinadas vozes dos atores (destaque especial para 500 Miles de Hedy West). Os irmãos já tinham demonstrado seu talento para trilhas sonoras ao utilizarem o silencio em Onde Os Fracos Não Tem Vez e tiveram extraordinário êxito de venda de discos com a trilha de E Aí, Irmão cadê Você (2000).Neste filme eles fazem questão de mostrar isso a todos que queiram ver (e ouvir). (um detalhe: aparentemente, talento na seleção de trilhas sonoras parece ser uma qualidade herdada por diversos diretores que protagonizaram o ressurgimento do cinema independente americano na década de 90 como Paul Thomas Anderson, Quentin Tarantino, Steven Soderberg, entre outros).
Os Coen já haviam demonstrado grande empatia pela vida do homem comum, mas nunca exploraram esse sentimento com tanto bom gosto e sensibilidade como neste novo filme. Sentem-se nas poltronas, relaxem, deixem que a música invada os ouvidos, encham os olhos com o esplendor visual e permitam que os irmãos, mais seguros do que nunca de suas habilidades, te levem para dentro de Llewyn Davis.
Fim


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