Critica de Francisco Cannalonga
Wakolda (idem), 2013, Argentina. Dirigido por Lucía Puenzo. Com Alex Brendemühl, Natalia Oreiro, Florencia Bado, Diego Paretti.
Wakolda, selecionado para representar a Argentina no Oscar de 2014 e exibido na sessão Un Certain Regard do Festival de Cannes desse ano, é o terceiro filme da diretora Lucía Puenzo, filha do renomado diretor argentino Luis Puenzo (vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 1986 por seu ótimo “A História Oficial”), e assim como seus outros filmes XXY e O Menino Peixe, Lucía demonstra não ter medo de temas complexos e difíceis, Desta vez, gira em torno da estranha relação psicossexual que envolve uma menina de 13 anos e um dos maiores e mais doentios criminosos do mundo, Josef Mengele. Para aqueles que estão encontrando dificuldades para lembrar quem foi Josef Mengele, uma breve explicação - Mengele foi um condecorado oficial da SS nazista de Hitler e o principal médico do campo de concentração de Auschwitz, ficou conhecido por seus experimentos humanos doentios, realizados em homens, mulheres e crianças do campo, seu apelido era “Anjo da Morte”.
O filme começa em 1960, vemos com uma grande tempestade que avança ao longo do horizonte, talvez uma alegoria para os eventos que virão, vemos a família de Lilith/Walkoda (Florencia Bado) se preparando para viajar pelo deserto, em direção ao hotel na região da Patagônia que pertencia à família de Eva (Natalia Oreiro), mãe de Lilith. No meio do caminho, encontram o próprio doutor alemão, que pede para viajar com eles em caravana, em direção a um destino comum. Chegando ao hotel, Mengele aluga um quarto por um mês, paga adiantado. Mengele e sua mórbida curiosidade pela genética humana logo põe seus olhos sobre Lilith, uma menina de 13 anos com problemas de crescimento. Ele a usa como cobaia para testar hormônios de crescimento. “...Em função de melhorar a espécie”, ele argumenta. Lilith o enxerga como um homem bom, santo, salvador, quando é justamente o contrário.
Apesar de emocionante e angustiante, não é um filme perfeito, a relação entre Lilith e Mengele torna-se mais e mais superficial ao longo da jornada, o que começou como algo intenso e assustador vai perdendo sua força à medida que o filme dá mais atenção para curiosidades que Mengele apresenta em relação a outros membros da família que o “acolheu”, interesses esses que são mal explorados.
Contra o nosso “maior rival”, no futebol e no cinema, o representante brasileiro do Oscar O Som ao Redor vence de lavada.
Ref fim


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