Brasil,
2015. Direção de Chris D´Amato. Com Gloria Pires, Ângelo Paes Leme,
Antônia Moraes, Susana Vieira, Antônio Dantas, Viviane Pasmanter, Pablo
Sanábio, Priscila Marinho, Stella Miranda.
Considerando o padrão
irregular das atuais comédias nacionais (e assistindo o trailer das
próximas atrações, todas assustadoras) está aqui acaba sendo das mais
aceitáveis, inclusive pela presença sempre classuda e impecável de
Glória Pires. E o trabalho profissional da diretora Chris D´Amato, cria
de Daniel Filho. Além de fugir das tramas habituais, acaba se inspirando
nos inúmeros filmes americanos de fantasmas que procuram corrigir
injustiças (o mais próximo seria Ghost, mas o tom é
outro, aqui tudo começa sério apresentando a situação e os personagens e
só começa a ser mais divertido depois de meia hora). Sua origem é mais
distante, mas duvido muito que nos tempos atuais alguém saiba quem foi
Topper (em que Cary Grant e Constance Benett era casal de fantasmas que
ate ajudava a solucionar crimes).
Gloria é ao que parece cirurgião
plástica (li isso em algum lugar, no filme não fica muito claro) que
está para lançar nova pílula que será capaz de acabar com a celulite. Ao
voltar de Los Angeles e organizar uma festa para apresentar sua
novidade, tem uma crise e cai da escada (não fica também claro se morreu
disso ou dos efeitos colaterais, que fora os olhos vermelhos também não
sabemos quais sejam...). Embora seja encerrado por dois discursos
positivos e espíritas, tenta nos fazer crer que a heroína fosse lançar o
produto sem fazer testes de possíveis consequências colaterais. O que
não tem lógica (embora uma critica a irresponsabilidade da indústria
farmacêutica seria bem vinda!). Também não são convincentes as cenas do
psicólogo que trata muito mal seus pacientes.
Gloria morre
descalça mas sente falta dos sapatos, o que tampouco consegui decifrar a
importância. Mas o filme tem algumas qualidades além de sua estrela de
um único vestido vermelho, entre eles o ótimo e subestimado ator Ângelo
Paes Leme (embora não havia necessidade alguma de transformar os vilões
em gays na ultima hora!) e a presença ate hoje rara no cinema de Susana
Vieira, que tem o papel chave de uma mãe de santo que é avó de um
psicólogo (Antônio Dantas) que é descrente mas se apaixona a primeira
vista pela filha de Gloria. Eu gosto também de Viviane Pasmanter que
ajuda a tornar o elenco de apoio com mais altos que baixos (outra que
brilha mas não sei o nome é a empregada gordinha e crente). Linda de Morrer
não é especialmente engraçado (o público da minha sessão mais riu no
episódio da apresentadora do programa de TV que tinha que fazer rabada
com o jovem cantor sertanejo) e no filme essa não é a função de
Glorinha. Enfim, serve mesmo porque muitos piores virão...
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