Brasil,
15. Direção de Aluizio Abranches. Roteiro de Fernando São Thiago. Com
Alexandre Borges, Bianca Comparato, Camila Morgado, Christine Fernandes,
Rosi Campos, Ingra Liberato, Xuxa Lopes, Fernando São Thiago, Carlo
Briani, Leticia Lima, Cora Zobaran, Luiza Mariani, Fernanda Nizzato,
João Gabriel Vasconcellos.
O diretor Aluízio Abranches é conhecido pela qualidade de seus trabalhos, no ousado Um Copo de Cólera (99) com o mesmo Alexandre, o romântico gay Do Começo ao fim
(2009), com João Gabriel, que aparece aqui como o noivo. Mas houve
pouco que conseguiu fazer trabalhando com um roteiro muito fraco do
também ator Fernando São Thiago (ele faz o fotógrafo que vem se juntar
ao grupo e fica namorando Bianca Comparato). Na verdade esta é uma
comédia sem nenhuma risada com uma situação absurda e mal desenvolvida.
Nem mesmo Alexandre Borges, sempre confiável, conseguiu compor um
personagem palpável e lógico, na figura de um veterano (ele diz numa
frase que gastou a herança da família com mulheres e viagens) que agora
mora numa casa pequena mas muito bem decorada, enquanto trabalha
gravando casamentos. A idéia até que não é ruim, mas ele teria que ser
uma figura mais popular, não elegante e inviável, já que é uma profissão
de muito trabalho e baixo salário. E muito povão.
A sensação que
tive foi que o autor viu muitas comédias antigas americanas e dali
desenvolveu figuras que não tem a menor lógica na atualidade. Veja
também o caso de Camila Morgado, que faz uma loira sempre muito chique
(embora paupérrima, mas se pensar bem ela é uma chata, meio louca e não
temos qualquer informação concreta sobre ela). Qualquer homem experiente
fugiria dela como o diabo da Cruz e jamais se apaixonaria. Nos anos 30,
havia Carole Lombard, nos 50 Marilyn Monroe e ambas poderiam conquistar
o espectador com seu charme. Também na época as pessoas eram menos
exigentes, bastava ter timing de humor para funcionar. Aqui Camila faz
tudo para ficar engraçada, mas não lhe deram nada de consistente para
ela trabalhar.
É verdade que se grita menos do que na média das
comédias brasileiras, mas isso não é vantagem. Tudo é absurdo, passado
num limbo em especial toda a história do casamento, o comportamento da
noiva, da sogra, da charmosa Christine Fernandes que começa uma coisa e
depois vira outra sem mais nem menos... E por aí vai.
Cadê a crítica de CALIFÓRNIA, que é mil vezes melhor que esse?
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