Brasil,
15. 102 min. Direção de Sergio Machado. Roteiro de Marta Nehrig, Maria
Adelaide Amaral, Marcelo Gomes, Sergio Machado. Baseado em livro Acorda
Brasil de José Ermírio de Moraes. Com Lazaro Ramos, Kaique de Jesus,
Elzio Vieira,Sandra Corveloni, Fernanda de Freitas, Thogun, Criolo,
Rappin´Hodd.
Reza a tradição de que crítico de cinema, em
particular os brasileiros, não apreciam filmes positivos, que contam
histórias que servem de bom exemplo e que em geral são e precisam ser
pela própria natureza dele, moralistas. Essa barreira é também
compartilhada por grande parte dos jovens e estudantes, que são
refratários a finais felizes e bons exemplos. Não sei nem se não fiquei
um pouco contaminado por esse tipo de cinismo, que provavelmente irá
prejudicar este bom filme (que ganhou o Prêmio do público na Mostra de
São Paulo) e que é inspirado em fato real, a criação da Orquestra
Sinfônica na periferia em Heliópolis, ajudado pelo instituto Baccareli.
Tudo isso naquilo que é o melhor trabalho até agora do diretor Sergio
Machado (que fez Cidade Baixa, Quincas Berro D´Água)
num filme forte, muito bem realizado e que deve ter sido um esforço
enorme para dar o tom certo. Toda a equipe de jovens passou um ano sendo
treinada por Fátima Toledo e estão todos muito bem, num nível de cinema
americano que tem tido projetos semelhantes (como o filme de Michelle
Pfeiffer, Mentes Perigosas. Seria na verdade o nosso Ao Mestre com Carinho!).
Destaque
especial também para o protagonista Lázaro Ramos (deixou de ser garotão
e virou adulto, ficou um pouco parecido até com o grande Idris Elba).
Ele iria fazer um coadjuvante mas brigou para ser o protagonista embora
não tocasse violino. Mas certamente enganou muito bem. A história é
sobre este músico que falha no texto da OSESP, a orquestra sinfônica
Paulista e nervoso acaba brigando também com os colegas com que
participa de um Quarteto. Acaba aceitando cuidar de uma orquestra de
periferia, com jovens rebeldes (os próprios pais acham que tocar nesse
tipo de banda não dá futuro para ninguém). E justamente o mais talentoso
deles acaba sendo perseguido pela polícia, enquanto o professor fica na
corda bamba tendo que conviver bem com os que mandam no lugar, os
traficantes (a cena em que ele toca Danúbio Azul no aniversario de 15
anos da filha do Chefão é alem de tudo divertida).
Naturalmente
Lázaro não toca o violino mas dubla muito bem. Na verdade, a música
clássica se mistura bem com o rap/Funk e que tais. O fato pouco
reconhecido é que é muito mais difícil realizar um filme como este bom
caráter do que outra estória de violência na favela. Já perceberam que
eu gostei muito do filme, que não temo em recomendar. E logo porque não
deve ficar muito tempo em cartaz.
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