EUA,
15. 121 min. Direção de Ron Howard. Roteiro de Charles Leavitt baseado
no livro The Tragedy of the Whaleship Essex, de Nathaniel Philbrick. 121
min. Com Chris Hemsworth, Cillian Murphy, Brendan Gleeson, Tom Holland,
Ben Whishaw, Charlotte Riley, Benjamin Walker, Frank Dillane, Jordi
Mollá.
Não sei se ainda existe público para este tipo de filme de
época, que pretende contar uma história já muito conhecida e que deu
origem a um livro celebrado e considerado um dos melhores de todos os
tempos da literatura norte-americana, que é “Moby Dick” de Herman
Melville, que foi filmado várias vezes, como minissérie de 11, com
William Hurt e Ethan Hawke, uma versão modernizada com Barry Bostowick,
um telefilme bem feito em 98 com Henry Thomas e Patrick Stewart, uma
versão clássica de 1930 de John Barrymore, e a mais famosa de todas, do
diretor John Huston em 1956, que trouxe Gregory Peck como o capitão
Ahab, Richard Basehart como Ishmael, Leo Genn como Starbuck e Orson
Welles como o padre. Agora como já temos efeitos digitais de primeira
linha é possível se mostrar a baleia assassina em todo seu esplendor. E
realizar um filme com bela fotografia, imagens fortes, algumas muito
belas que lembram pinturas antigas, outras que parecem ser feita por drones. Tudo assinado pelo ex/ator juvenil e diretor ate premiado com o Oscar Ron Howard.
Mas
continuo achando ele profissional mas extremamente irregular. Não
adianta ter feito um filme de qualidade quando está contando uma
história que todo mundo já conhece (ao menos os americanos que foram
obrigados a lê-lo no curso secundário) ou ao menos ouviram falar. A
lenda da baleia branca assassina e do capitão do navio baleeiro com quem
ela parece ter implicado mortalmente. E ai, entra outra questão, o
Cinema já fez muito filme de navio a vela no estilo O Grande Motim
(vencedor do Oscar, se baseava no conflito entre o imediato bom sujeito
e o capitão violento e neurótico, alias também inspirado em fato real,
várias vezes refeito pelo cinema inclusive com Anthony Hopkins e Mel
Gibson). O desafio deste filme é contar a história real do que sucedeu e
inspirou o próprio autor do livro Herman Melville (aqui vivido por um
muito magro e sem graça Whishaw, que é o Q de 007). O começo da historia
é quando este vem convencer um sobrevivente do evento a contar toda a
verdade para ele que assim pudesse adaptá-lo para ficção. Contando
detalhes que na época não eram admitidos (como uma baleia enorme que
enfrentaria o capitão do navio mesmo ferida e até a morte).
Uma
pena que o roteiro não tenha tido o texto forte e bonito de Melville nem
o diretor pudesse contar com um elenco mais forte de atores mais
competentes. Ninguém gosta de falar muito mal de Chris Hemsworth depois
de que ele foi votado o homem mais bonito do ano pela People. Afinal de
contas ele é o Thor e todo mundo o respeita. Ou inveja, acho que todo
jovem hoje em dia não quer ser aquele Superman sem graça mas o Thor. E
ponto final, isso o exime de criticas. Mas o filme supostamente seria um
duelo entre ele, justamente o imediato que entende do navio contra o
capitão, no caso de família tradicional marítima que seria o capitão
George Pollard. Quem o interpreta é Benjamin Walker, que nem como Abraham Lincoln O Caçador de Vampiros deu
certo. É inexpressivo, não tem carisma e simplesmente não segura o
personagem. O pior é que o resto do elenco que por diversos motivos
também não brilha muito - em particular quando perdem o navio e tentam
sobreviver no mar aberto e depois numa ilha deserta! - nem mesmo o
futuro Homem Aranha, Tom Holland, que depois será vivido pelo mesmo
personagem só que velho (Gleeson) porque é justamente o sobrevivente que
lembra de todos os detalhes.
A ação central deste lançamento da
Warner se passa no inverno de 1820, na Nova Inglaterra - e foi filmado
basicamente na Espanha e nas Ilhas Canárias -, quando o navio Essex vai
atrás do óleo de baleia (usado em iluminação de ruas e casas) e se
defronta com um bicho enorme e que se revela um grande guerreiro. Não dá
para dizer que seja um filme ruim, nem barato (não se confirmou um
orçamento ), mas tampouco é inédito (em 2013, houve o telefilme The Whale
que contava basicamente a mesma coisa!). Estreia simultaneamente com os
EUA, correndo para não ser devorado pela explosão eminente de Star Wars.
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