segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Navegando pelo Netflix: Documentários de William Shatner

São dois documentários realizados por Shatner, o capitão Kirk de Star Trek. Aconselho vocês a darem uma olhada no acervo de documentários da Netflix que por sinal tem vários filmes que ficaram entre os 15 finalistas do gênero para o Oscar do ano que vem! São eles: Amy, Best of Enemies, Going Clear Scientology, What Happened ? Miss Simone, Winter on Fire, estes pelo Netflix. Outros que estão disponíveis são  He Named Me Malala (em cartaz nos cinemas), Listen to me Marlon (lançado em DVD e Blu-ray pela Paramount).

Mas eu quero contar da minha surpresa de ver esses dois documentários mais leves e informativos. O primeiro se chama Chaos on the Bridge, 14 e tem perto de uma hora (a ponte logicamente é de comando da aeronave!). Shatner (nasceu em 1931 e está muito bem para a idade!) é o narrador e entrevistador do que é uma retrospectiva muito divertida da tentativa de ressuscitar a série Star Trek em uma espécie de continuação, A Nova Geração em 1987. Acompanhamos os depoimentos de vários atores, roteiristas , produtores, ou seja , gente de trás e de frente as câmeras, que tentam relatar como os primeiros anos da série foram uma enorme confusão onde ninguém se entendia e o lendário criador das histórias, Gene Roddenberry (1921-91), tanto ajudava quanto atrapalhava. Sempre ouvi falar muito dele e sua reputação de gênio, mas não sabia que era alcoólatra e nessa fase já estava decadente. E durante os 3 primeiros anos o caos reinou para pouco a pouco se tornam um enorme êxito e dar origem a outras series parecidas (como Voyager, Deep Space Nine etc.), até por fim se tornar novamente uma franquia de aventuras para cinema. Shatner escuta mais do que fala e algumas intervenções dele são visivelmente editadas na versão final. Mas é uma curiosa e reveladora visão dos bastidores de uma lenda da televisão e cinema.

Não satisfeito, Shatner partiu para outro projeto ainda mais ambicioso, The Captains Close Up, também do mesmo ano 2013. O curioso é que Shatner viaja por várias partes do mundo, inclusive na mansão muito elegante do Patrick Stewart, conversando com todos os atores que fizeram o papel do líder da Enterprise, Jonathan Frakes (o que aparece menos), Scott Bakula (especialmente cordial e modesto), a misteriosa e muito talentosa Kate Mulgrew (que atualmente esta em Orange is the New Black), o atual e mais recente Capitão Kirk (que é o Chris Pine, de quem ficamos sabendo que é filho de atores Robert Pine e Gwynne Gilford. Sendo o mais jovem, chegam a luta braço de ferro, mas se sai bem sempre atencioso e disponível). O mais esquisito de todos é Avery Brooks, que estrelou Deep Space Nine e que também é musico de origem e tradição e dá entrevista dedilhando seu piano. Mas deixa a impressão de que está sonado, em alguma trip que a gente não compartilha (é curioso ver que sua carreira também é bem curta). Mas embora muita gente critique Shatner, sempre gostei dele desde os tempos em que ousava representar (Irmãos Karamazov, Julgamento em Nuremberg, Quatro Destinos). Fiquei muito impressionado com sua entrevista com Patrick Stewart (que é um ator shakespereano, inteligente e informado) onde faz sua mea culpa confessando que muitas vezes rejeitou o personagem de Kirk, mas que só agora o esta levando a sério ao perceber finalmente a importância que ele e a série tem para milhões de pessoas no mundo todo! Ou seja, quando isso sucede ele está errado em rejeitá-lo (um dos momentos curiosos é ele participando de uma convenção em Las Vegas, onde o público delira com ele). Ou seja, fãs da série e dos personagens irão curtir muito este documentário bem feito, que ainda não foi superado. Experimente.

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