quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Armas na Mesa (Miss Sloane)


EUA, 16. 252min. Direção de John Madden (Shakespeare Apaixonado, Hotel Marigold). Roteiro de Jonathan Perera (o escritor vivia na Ásia e este é seu primeiro script). Com Jessica Chastain, Mark Strong, Gugu Mbatha-Raw, John Lithgow, Mark Sthulbarg, Mark Strong, Alison Pil, Jake Lacy, Sam Waterston, Dylan Baker.

Um modesto orçamento de 13 milhões não foi suficiente para promover Jessica Chastain que os produtores achavam que com este filme teria alguma indicação ao Oscar e a devida repercussão (foi apenas indicada para Globo de Ouro). Mas a verdade é que ouvir falar e acompanhar o trabalho ingrato de uma lobista trabalhando em DC (ou seja, no coração do governo americano) não parece o sonho atual de nos que já temos que lidar com as loucuras do próprio presidente Trump. Não é um filme fácil de compreender, endereçado particularmente aos poucos que trabalham com o governo americano e seu sistema de se criar e modificar a lei.

Francamente é um esforço de interpretação de Jessica, que só ao poucos vai crescendo de forma que até eu admiti que a moça merecia uma indicação (e que outras menos preparadas tiveram mais elogios e badalação. A moça tem alguns momentos memoráveis). Mas não sei se posso dizer o mesmo do personagem/ protagonista e de todo o complicado “game”. Já que no Brasil, o jogo (no fundo uma corrupção) é muito mais claro, aberto e descarado. Nada a ver com o jogo elaborado e intelectualizado mostrado no filme, aliás essa é justamente a razão mais importante para ver um filme como este, que no fundo é bem moralista e revelador. Tomara que haja alguém interessado no tema, já que o filme já fracassou e terá vida breve em qualquer outra mídia. Inclusive televisão.

Sem dúvida o personagem é muito interessante porque é uma solitária poderosa, brilhante, sem amigos, sem amores (ela mantém amantes, melhor dizendo transas com rapazes fortes e bem pagos). Não aparece alguém da família, porque já se sabe que para chegar tão longe, subir tanto não da para ter famílias. Jogar é o game da vida dela. E é ao mesmo tempo fascinante e assustador. Estava esquecendo dizer que a maior parte do filme é sobre o “gun control”, a venda, comércio e liberdade de uso de armas nos Estados Unidos, que é um problema que aparenta ser insolúvel (e novamente não dá para fazer paralelo com nossa situação). O filme joga com todos esses elementos e ainda se da ao luxo de ter um final inesperado e eficiente (ainda que diluído por outro final mais modesto).
Sem querer estender mais, este nada comercial filme interessa advogados e políticos, aqueles que não querem uma diversão ligeira e passageira.

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