terça-feira, 21 de maio de 2013

O Cisne Negro




O Cisne Negro/The Black Swan em Blu Ray (não confundir como filme homônimo que deu Oscar a Natalie Portman).Esta é uma edição brasileira da Classicline, aparentemente licenciada pela Fox (mas o filme não existe neste formato nos EUA).  
Áudio: Inglês, Port. Leg: Port. EUA, 1942. Standard. 85 min. Aventura Capa-espada. Cor. Classicline Fox. 12 anos.

Diretor: Henry King . Elenco: Tyrone Power, Maureen O´Hara, Laird Cregar,Thomas Mitchell, George Sanders, Anthony Quinn, George Zucco, Fortuno Bonanova. Inspirado pelo livro de Rafael Sabatini com roteiro de Ben Hecht e Seton Miller. Fotografia de Leon Shamroy.   

Sinópse: No século XVII. o famoso pirata Henry Morgan é nomeado pelo Rei da Inglaterra, governador da Jamaica. Isso é um choque para os habitantes do lugar, ate porque ele convoca os seus colegas piratas do Caribe para ajudá-lo. Sua proposta é pacificar a região e acabar com a pirataria Jamie se une a ele mas se apaixona pela filha do antigo governador Margaret e enfrenta a resistência de dois renegados Capitão Billy Leech e Wogan.

Comentários: É interessante dar atenção a este lançamento porque é dos primeiros feitos no Brasil de um filme clássico sem que exista anteriormente nos EUA. Saiu também El Cid (que eu comprei mas ainda não assisti, a vantagem é que os preços são razoáveis). Mas este traz a vantagem de ter sido feito pelo famoso technicolor da Fox, que era considerado o melhor e mais bonito de Hollywood em sua época. E as cores resplandecem como nunca neste capa-espada que ganhou o Oscar de melhor fotografia a cores (na época, o sistema era a cores e os estúdios o utilizam para filmes de aventura, no caso para ressaltar os cabelos ruivos de sua estrela Maureen O´Hara (ainda viva) e o maior galã do estúdio Tyrone Power (reparem como os tempos mudaram e hoje ele parece fracote já que não era nada bombado. No entanto era considerado em seu tempo o modelo de homem bonito).  Inclusive Maureen participa do comentário em off, fazendo observações oportunas e bem humoradas. Foi ainda indicado aos Oscars de melhores efeitos especiais e trilha musical (Alfred Newman). 

       Já basta isso para se sentir que era uma produção Classe A de um gênero então muito popular e que ficou anos fora de cartaz para voltar recente com a série Piratas do Caribe com Johnny Depp. Embora bem humorado a aventura não chega a ser tão farsesca. Quase todo rodado em estúdio (embora tenha tido locações em Cuba, Florida, Griffith Park em Los Angels, Honduras, Mexico e Port Royal, Jamaica. 

      A nave que foi utilizada no filme foi reutilizada depois em outros como Lady Hamilton, Capitão Kidd e A Princesa e o Pirata. Apesar disso procuraram economizar nas filmagens procurando reduzir o numero de tomadas (e 30 por cento delas foram feitas em um único take). Embora digam ser inspirada num livro de Sabatini, na verdade o roteiro nada tem a ver com o original a não ser o uso do nome do Henry Morgan. O final original teve que ser modificado porque a censura não permitiu que Tyrone e Maureen pulassem juntas na água! Os roteiros são dois grandes veteranos famosos, Ben Hecht (1894-1964) ,6 vezes indicado ao Oscar (ganhou duas) e também diretor e escreveu filmes como Scarface, Quando Fala o Coração e Notorious de Hitchcock. Seton I Miller (1902-74), ganhou o Oscar por Que Espere o Céu e escreveu capa-espadas para Errol Flynn como Robin Hood e Gavião do Mar. 

      Naturalmente é uma aventura que mistura ação com humor, justamente o que o publico precisava naquele momento em que era atacado Pearl Harbor e o publico precisava de algo escapista e divertido. E no caso também bonito.  

      O segredo do filme esta no seu elenco que é liderado por uma dupla que é boa de ação e romance. Tyrone era um bom ator que teve a infelicidade de morrer cedo demais, numa filmagem (Salomão e a Rainha de Sabá, lutando com George Sanders, que é o vilão aqui), com apenas 44 anos (de enfarto, em Madrid). Maureen é mais lembrada como a estrela favorita de John Ford (também irlandesa de origem). Mas como coadjuvante e vilão tem o futuro astro Anthony Quinn, Thomas Mitchell, Sanders (todos eles premiados com o Oscar de coadjuvante) e outra grande figura que foi Laird Cregar (1913-44, que faz o Morgan), grandão e corpulento, ele era dos melhores vilões da Fox, que morreu prematuramente com apenas 31 anos (demonstrava mais), como resultado de uma dieta desastrosa que o levou a operar o estomago e um conseqüente enfarto. Fruto mais da vaidade de não querer ser vilão do que necessidade. 

      A edição é decente ainda  que na minha cópia  em alguns momentos haja irregularidades e queda de qualidade em algumas cenas.  Ainda assim eles todos contribuem para tornar este O Cisne Negro um dos melhores filmes de pirata de todos os tempos.  

Ref fim.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Um Rosto de Mulher

Um Rosto de Mulher A Woman´s Face  Audio: Ing. Leg: Port. EUA.  Standard. 106 min. Drama. PB. 1941.  Colecionando Clássicos/Originalmente MGM. 14 anos. Diretor: George Cukor. Elenco: Joan Crawford, Melvyn Douglas,Conrad Veidt, Reginald Owen, Albert Bassermann, Marjorie Main, Donald Meek, Osa Massen.

Sinopse: Na Suécia, Anna Holm é uma mulher amargurada e vingativa por causa de uma cicatriz no rosto que a deixou deformada. Começa em Estocolmo quando ela esta sendo julgada pelo assassinato de um homem. Em flashbacks ficamos sabendo  como ela se envolveu com a vitima Torssen, assim como passou a ser chantagista e cúmplice num complicado plano de matar uma criança , sobrinho dele, para ficar com uma fortuna.
  
Comentário: Este é um dos melhores papeis e filmes da estrela Joan Crawford (1906-77 (que absurdamente não lhe deu nem uma indicação ao Oscar, mas a própria Joan achava que teve efeito cumulativo para ser premiada em 45 por Alma em Suplicio). É baseado numa peça Francesa “Il Était une Fois” (Era uma vez) de Francis de Croisset, que já havia sido filmada na Suécia com Ingrid Bergman (dado o sucesso, Ingrid foi contratada pelo cinema americano, graças a esse filme e também Intermezzo, de  36, ela estrearia nos EUA numa refilmagem justamente de Intermezzo em 1939, ou seja na época deste filme ela já era super estrela nos EUA). Esta versão é muito parecida com o original sueco de 38, conserva ate os mesmos nomes de personagens,  que passou aqui como “A Mulher que Vendeu a Alma” do importante diretor Gustaf Molander e que existe em Home Video nos EUA. Se Ingrid tinha um tipo doce e ingênuo, Joan já vinha de uma tradição de vilãs e mulheres fortes. Também o sucesso do filme foi porque na época a cirurgia plástica não era tão famosa e difundida como hoje (e acabou sendo um grande propagandista). O diretor Cukor era o preferido das mulheres do estúdio e consegue dar um tom de dignidade a um melodrama que corria o risco de ficar absurdo. Joan o considerava como um pai e a pessoa que mais a influenciou em sua carreira.  Mas é Cukor é muito ajudado pelo elenco de grandes atores em particular o alemão Conrad Veidt (1893- 1943) que fez o papel de Cesare em O Gabinete do Dr.Caligari, clássico expressionista de 1920 e o oficial nazista de  Casablanca (ele morreu jogando golfe depois de completar só mais um filme Os Insuspeitos,43). O filme tem outras qualidades como a boa fotografia, momentos de suspense e a maquiagem que cria a cicatriz  no rosto de Joan. Absurdamente não teve boas criticas na época, que também não soube ver como Joan estava sem seus habituais maneirismos e maquiagem pesada (dizem que ela conquistou Cukor dizendo que faria o que ele mandasse). Lutando porque sentia envelhecer (estava com 34 anos) e não ia demorar seria mandada embora pelo estúdio. Enfim, o tipo do melodrama criminal que Hollywood sabia fazer melhor do que ninguém. Extras: Folheto com filmografias e informações.       

Este Mundo Louco


Lançamento de filme clássico inédito em DVD no Brasil

Este Mundo Louco / Idiot´s Delight
Audio: Ing. Leg: Port. EUA.  Standard. 118 min. Drama. PB. 1939.  Colecionando Clássicos/Originalmente MGM. 14 anos. Diretor: Clarence Brown. Elenco: Clark Gable, Norma Shearer, Charles Coburn, Burgess Meredith, Joseph Schildkraut, Edward Arnold, Virginia Grey, Laura Hope Crews.


Sinopse: As vésperas da Segunda Guerra Mundial num hotel luxuoso nos Alpes encontram-se varias pessoas na tentativa de escapar do conflito que esta começando. Harry Van é um ator de vaudeville de pouco talento que esta com suas coristas Les Blondes e acha que reencontrou uma antiga colega Irene Fellara, que esta se disfarçando de russa. 

Comentário: É curioso como mesmo um estúdio conservador e tradicional como a Metro (MGM) foi capaz de fazer este esquisito drama filosófico, adaptação de uma peça de Robert E.Sherwood (aqui adaptada por ele mesmo) que havia sido encenada com uma dupla famoso do palco, o casal  Alfred Lunt e Lynn Fontanne (que durou 500 representações). Foi lançado em janeiro de 39, antes de E o Vento Levou e antes de estourar a Segunda Guerra Mundial  mas já pinta um retrato muito pessimista (na realidade, o conflito seria ainda pior) tendo o cuidado de não identificar direito os alemães nazistas (mesmo assim eles prendem e matam um pacifista que faz discurso contra a guerra, feito por Burgess Meredith). Muito teatral, ele é lembrado porque fez parte do documentário Era uma vez em Hollywood (That´s Entertainment) porque foi a única vez em que Clark Gable (1901-60),o Rei de Hollywood cantou e dançou a musica Puttin´ On the Ritz (não especialmente bem mas ele interpreta um canastrão e não se leva a serio. De qualquer forma, gravou a dança num único take- sendo que eles deixaram passar uma das coristas cuja roupa rasgou e esta caindo, reparem que é a segunda da esquerda para a direita!). Foi o terceiro e ultimo filme que Gable fez com a super estrela do estúdio Norma Shearer (1902-83) que era viúva do grande produtor Irving Thalberg que lhe deixou as ações do estúdio e por isso tinha preferência em qualquer projeto (Joan Crawford queria muito o papel mas Garbo o recusou. E na verdade, Norma faz uma quase parodia de Garbo, seu jeito de falar e representar  usando uma peruca loira obviamente falsa). O filme mostra toda uma primeira parte com o encontro do casal antes em Omaha, quando nasce um romance interrompido (na peça, ele apenas contava sobre esse encontro). No hotel, eles esbarram também num cientista que estava procurando a cura do câncer (mas teve que interromper), o milionário que era amante de Norma). O filme teve dois finais , um mais curto para o mercado interno (onde interpretam uma canção humorística)  e este mais longo que era para o exterior mostrando o casal no hotel sendo bombardeado e cantando o hino Abide with Me, mais esperançoso e feliz. Norma ainda faria mais 4 filmes (inclusive o sucesso As Mulheres) ate se aposentar em 42. Ela era uma atriz limitada mas muito popular na época (reparem que ela era vesga e nem disfarça muito). O problema é que o casal tem pouca química e há excesso de diálogos. Mas é uma prova curiosa e rara de como ate Hollywood fazia filmes bizarros com temas políticos e mensagem pacifista.  Extras folheto e informações sobre o filme e elenco.     

Boxe Lars Von Trier


Boxe Lars Von Trier 
(lançamento exclusivo da Versátil para a Livraria Cultura)

Áudio: Inglês. Legendas: português. Widescreeen .2.35.
Contem dois filmes:
Dançando no Escuro (Dancer in the Dark, 2000). Dinamarca. 14 anos. Drama musical. 140 min. Cor. 14 anos.
Diretor : Lars Von Trier
Elenco: Björk, Catherine Deneuve, David Morse, Joel Grey, Peter Stormare, Jean-Marc Barr, Vincent Patterson, Udo Kier, Stelan Skarsgärd, Zeljko Ivanek.

Sinopse: Selma é uma imigrante tcheca, mãe solteira, que trabalha numa usina têxtil na região rural norte dos EUA. O filho dela, Gene, tem 12 anos e Selma está ficando cega, o que prejudica seu trabalho na fábrica e seu projeto de participar de uma montagem do musical “A Noviça Rebelde”. Como o garoto pode ter herdado a mesma doença, ela luta para conseguir dinheiro para uma cirurgia no garoto, mas por causa de um vizinho, que a acusa falsamente de roubo, sua vida se torna ainda mais trágica. 

Comentários: Inexplicavelmente premiado com a Palma de Ouro em Cannes, este é o pior trabalho do diretor Von Trier, que apesar de trabalhar com vídeo digital, antes do HD,  ou talvez por causa disso, abusa dos movimentos bruscos de câmera (que ele praticamente inventou com o “Ondas do Destino/ Breaking the Waves”, 1996), a ponto de certas pessoas saírem enjoadas do cinema. Ele brigou muito com a cantora e compositora islandesa Björk, que apesar de insistir em afirmar que não é atriz (o que fica evidente no filme), mas mesmo assim, ela também ganhou o prêmio de atriz e Cannes, e chegou a ser indicada ao Oscar de Canção. Mas sua performance é constrangedora, parecendo deficiente mental em vez de ingênua, numa fita que tem uma trama digna de telenovela mexicana. Toda rodada na Europa (embora a ação se passe nos EUA), mal se consegue enxergar Catherine Deneuve como a melhor amiga da heroína. É quase um anti-musical, desarticulado e interminável. Embora louvado por toda a crítica brasileira, foi rejeitado pelos americanos. Nem mesmo Björk conseguiu levá-lo a sério. Edição nacional traz galeria de fotos, sinopse, filmografia e trailer de cinema, galeria de pôsteres e fotos, texto sobre vida e obra do diretor e o documentário Os 100 Olhos de Lars Von Trier/ Von Trier´s 100 Ojne, de Katia Forbert Petersen). 

Ondas do Destino (Breaking the Waves, 1996). Dinamarca. 16 anos. Drama. 154 min. Cor. 16 anos.
Diretor : Lars Von Trier
Elenco: Emile Watson, Stellan Skasgaard, Katrin Carlidge, Jean-Marc Barr,  Udo Kier, Jonathan Hackett, Sandra Voe, Adrian  Rawlings.

Sinopse: Nos anos 70, numa comunidade religiosa  repressiva no Norte da Escócia,  uma jovem ingênua chamada Bess se apaixona por Jan ,um dinamarquês que trabalha num plataforma de petróleo.  Mas ele sofre acidente e quebra o pescoço e o impede de ter relações sexuais.  Jan incentiva  Bess a ter um amante e lhe contar os detalhes. Ela obedece mas vai se tornando cada vez mais ousada no comportamento sexual  dizendo que suas ações são guiadas por Deus e estão ajudando Jan a se recuperar. 

Comentários: Este é o filme chave na carreira de Trier, a grande virada que o transformou num sucesso mundial (e que veio ainda antes da fase do Dogma) e um diretor cada vez mais polêmico (veja como Cannes o proibiu de participar do Festival depois de ter feito brincadeiras inconvenientes sobre Hitler e sua possível admiração por ele). Difícil imaginar o impacto que ele teve no Festival de Cannes (onde  levou o Grande Premio do Júri) inovando com a câmera solta na mão feita pelo alemão Robby Muller (holandês que trabalha com Wim Wenders e Jarmusch). É que foi por demais imitado desde então e será difícil  perceber isso já que suas inovações foram todas absorvidas pelo cinema comercial atual (vide a serie Bourne). Também revelou uma atriz desconhecida , inglesa, estreante e que faz ate hoje uma boa carreira. Mas por este filme foi indicada ao Oscar, indicada ao Bafta e  Globo de Ouro , ganhou o European Film Award, os críticos de Nova York, o Independent Spirit etc. O filme também teve seus prêmios (como o César francês, críticos de Nova York e assim por diante). Segundo Trier é o primeiro filme da trilogia do Coração de Ouro, giram em torno de heroínas que mantém seu coração puro e ingênuo apesar de suas ações (os outros são Idiotas e Dançando).  O filme usou uma técnica digamos primitiva para conseguir seu tom granulado e amadorístico,  passando o material editado para vídeo diretamente para a película de 35mm. Helena Bonham Carter e Barbara Sukowa foram consultadas antes para viver Bess. Não é um filme simples, mexendo com moralidade e Deus, com o diretor no auge de seu polemismo. Extras: Cenas cortadas, Teste de Emily, trailers, entrevista com Adrian Rawlins, Trechos de documentário sobre Lars.

Ref fim

Expedição Kon-Tiki



Expedição Kon-Tiki (Kon-Tiki) Noruega. 2012. 118 min. Direção de Joachim Ronning, Espen Sandberg. Com Pal Sverre Hagen, Anders Baasmo Christiansen, Gustaf Skarsgaard, Tobias Santelman.

     Ainda me lembro quando era estudante do ginásio no Colégio Santista e um colega , Pedro Paulo, me falou de um livro chamado Kon-Tiki, que era um sucesso absoluto da não-ficção (termo que não existía ainda na época). A historia real de um noruêgues chamado Thor Heyerdahl, em 1947, um etnógrafo que fez uma perigosa e inédita travessia numa balsa rudimentar, na tentativa de provar sua tese (que havia sido ridicularizada) de que os indonésios haviam feito  a travessia do mar ate a região do Peru, na America do Sul, muito antes dos espanhóis. Ou seja, os noruegueses  percorreram 5 mil milhas marítimas em condições precárias, revivendo o feito de 1.500 anos antes. Essa viagem foi filmada pelos aventureiros e rendeu um filme documentario de 1950, assinado pelo proprio Thor, e Olle Nordemar (e ganhou um Oscar de melhor documentário naquele ano, fato praticamente desconhecido). 

       Esta nova versão mais romanceada  concorreu ao globo de Ouro e depois ficou entre os cinco finalistas ao Oscar de filme estrangeiro.  Nada mal. A saga de Kon Tiki que foi a Produção mais cara da Noruega,  rodada em imagens de cartão postal, nas Maldivas, Bulgaria, Malta, Nova York, Oslo, Suécia, Tailandia. E se conseguir ser descoberto o filme tem tudo para ser sucesso no Brasil. Boa historia e belísimas imagens.  

      O aventureiro Thor começou visitando os Mares do Sul e ficando fascinado com a natureza tropical (na verdade, antes disso tem um prologo dele menino sendo corajoso e caindo na agua de um lado congelado).Depois leva dez anos escrevendo uma tese que é rechaçada por todos académicos. Só resta a ele junto com mais seis companheiros (todos branquissimos e loiros ou ruivos) embarcarem nessa historica jornada. Feito parte em locação, parte em estudio com efeitos especiais convincentes, não foge das armadilhas da biografia convencional. Mas interessa e ate empolga. 

      O nome da  balsa  Kon-Tiki (inspirado en um nome alternativo da deusa inca Viracocha) e o filme reproduz em preto e branco cenas recriando as imagens originais do documentario (e ao final dando informações e cenas autenticas dos envolvidos).  Foi dirigido por uma dupla Joachim Ronning e Espen Sandberg que fez antes  Max Manus,  Bandidas ( que não conheço). O Papel central de Thor é de  Pal Sverre Hagen, que se parece muito com o verdadeiro. Ou seja, é uma raridade, uma aventura real, que tem emoção e surpresas. A parte dramática nao é muito desenvolvida (embora tenha uma esposa a espera)  Mas é uma boa e ate educativa diversão.

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domingo, 12 de maio de 2013

Finalmente 18



Finalmente 18, (21 & Over). Direção e roteiro de John Lucas, Scott Moore.Com Miles Teller, Justin  Chon, Sarah Wright, Skylar Astin, Jonathan Keitz, François Chau, Daniel Booko. 90 min.

      Este é um caso muito maluco de tradução de titulo. No original, é “21 anos ou mais”, se referindo a idade de maioridade legal para os jovens poderem tomar bebidas alcoólicas. Como no Brasil, a idade é de 18, simplesmente mudaram para Finalmente 18! Pensando em fazer sentido embora tenham conseguido justamente o oposto. Além disso, por aqui não é nenhuma novidade, já que a fiscalização em bares é praticamente nenhuma . Mas os americanos tem essas coisas loucas como terem inventado a Lei Seca que teve a consequência de criar também os gangsteres e o contrabando. Afinal não basta proibir para que as pessoas automaticamente obedecem. E corre a lenda que parece verdadeira que jovem americano vai para a Faculdade/Universidade justamente para beber e fazer tudo aquilo que a família o controla e impede. Na verdade, eles não se divertem, não brincam como faz o brasileiro. Sua ideia de “fun” é encher a cara ate caírem bêbados vomitando ( por isso, que existem tantos casos de prisão por dirigir embriagado!).

      Então é justamente isso que acontece nesta pseudo-comédia (que começa alias com um close no traseiro pelado dos dois protagonistas) que foi feita pela mesma dupla que realizou o semelhante e igualmente irresponsável Projeto X (que pelo menos era ocasionalmente engraçado). E que escreveu também a Saga Se Beber , não case! Esta imitação custou relativamente pouco (13 milhões de dólares) mas também não estourou (não rendeu mais do que 25 milhões, o que para mim já é demais).Ate porque a única coisa mais chata do que um bêbado na vida real é um bêbado no cinema!

      As vitimas são os atores Justin Chon (da Serie Crepusculo), o sósia de John Cusack Miles Teller (Projeto X e Footloose) e, Skylar Astin (de Escolha Perfeita.  O ponto de partida é que o amigo chinês dos dois heróis esta completando 21 anos e deve comemorar no que será uma noite de loucuras e alcoolismo. Para horror do pai rigoroso do oriental (interpretado por Justin Chau de Lost).

     Vulgar, Grosseiro, Irresponsável são alguns dos adjetivos aplicável a esta monstruosidade repleta de cenas de vomito. Embora de certo momento em diante, o chinês desmaie e passa a ser carregado cena a cena e naturalmente ele sofre mais abuso e humilhação (incluindo nudez). O mais estranho de tudo é que os dois amigos depois são conduzidos e capturados por uma irmandade feminina que os deixa despidos (a não ser por uma meia em lugar estratégico) e o castigo é que eles sofram palmadas (com madeira, coisa de sado masoquismo) e sejam obrigados a se beijarem e se apalparem !!! 

      Há ainda um ato de generosidade para tentar  limpar um pouco a barra mas o filme comete outro pecado mortal: não é suficientemente engraçado para justificar tanta baboseira.

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Terapia de Risco


Terapia de Risco. Side Effects. EUA, 13. Direção de Steven Soderbergh. 106 min. Com  Jude Law, Catherine Zeta Jones, Channing Tatum, Rooney Mara, Mummie Gumer, Vladimir Versailles, Michele Vergara.

     Com certeza já ouviram falar que o diretor Steven Soderbergh, vencedor do Oscar por Trafic e vencedor da Palma de Ouro em Cannes por “Sexo, mentiras e Videotape” garante que depois de vinte e sete filmes em 24 anos vai se aposentar e largar o cinema? Ele já terminou Behind the Candelabra , biografia do pianista Liberace que foi feita para a HBO e passa em Cannes e então prometeu parar.  Poucos acreditam nisso mas de qualquer forma este é o que ele afirma ser seu filme de cinema de despedida! Que como sempre contem alguns segredos, um deles é o fato que Steven também fez a fotografia usando o pseudônimo de Peter Reynolds.  E também a montagem usando um nome feminino, Mary Ann Bernard. 

      De qualquer forma faz tempo que eu já desisti dele, que foi perdendo cada vez mais sua pretensão de autor (quem fez aquele filme recente de strip-tease e a fraca biografia de Che, não merece perdão).

     À primeira vista este filme parecia ser um corajoso ataque contra a medicina atual que cada vez mais recorre a drogas receitadas para todos os fins. Sem pensar nas possíveis conseqüências e problemas. Em cima de um roteiro do mesmo autor de Contágio, ele conta a historia de uma jovem , feita por Rooney Mara, em seu primeiro trabalho depois de ter sido indicada ao Oscar por Millenium- Os Homens que não amavam as Mulheres (para o papel foi considerada Lindsay Lohan- o que já demonstra a falta de seriedade do projeto e depois Blake Lively). É uma jovem esposa que parece ter cometido um assassinado quando esteve sob o efeito desses remédios sob receita. É um tema atual e perturbador que vai parar num tribunal e permitira uma serie de discussões atuais e oportunas. Em vez disso o filme prefere enveredar pelo suspense e o mistério policial. É para divertir e não fazer discursos. Claro que se tivesse um roteiro melhor e uma conclusão menos óbvia também ajudaria muito. Steven é muito auxiliado pelo elenco de gente famosa, Jude Law (como o médico que receita o remédio),Catherine Zeta Jones (num papel ingrato e desagradável), Channing Tatum (que saiu do sucesso de Magic Mike com ele e tem um papel inesperado), todos trabalhando felizes novamente ao lado do amigo diretor. Quanto a Rooney Mara continua a decepcionar, resultando numa interpretação fria que ajudou a afundar o filme (que nem se pagou, rendeu bruto 32 milhões de dólares e custou 30). Enfim, que tenha uma boa aposentadoria, não vou sentir sua falta.  

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Beije-me Outra Vez


Beije-me Outra Vez. Bacciame Encora. Itália, 2010. Direção de Gabriele Muccino. 139 min. Com Stefano Accorsi, Vittoria Puccini, Pierfrancesco Favino, Claudio Santamaria,Giorgi Pasotti, Marco Cocci, Sabrina Impacciatore, Daniela Piazza, Primo Reggiani, Valeria Bruchi Tedeschi, Adriano Giannini.

     Em 2001, o diretor Muccino fez muito sucesso na Itália com o filme O Ultimo Beijo, que chegou a ser exibido aqui mas sem grande repercussão. Foi mais visto quando foi refeito pelos americanos, como Um Beijo a Mais (06) de Tony Goldwyn, com o Zach Braff. Já fazia algum tempo que a continuação italiana do mesmo diretor Muccino (que nesse meio tempo foi para os EUA onde fez boa carreira ainda que irregular, é dele o muito fraco e recente Um Bom Partido, tendo funcionado melhor os que fez antes com Will Smith, Sete Vidas e A Procura da Felicidade). 

     O problema básico é que o filme original além de não ter sido assim tão memorável, é muito difícil ainda tê-lo na memória. Alias o roteiro e argumento são também do diretor o que faz supor que seja autobiográfico já que é uma variante no gênero criado faz anos por O Reencontro (The Big Chill, 83) de Lawrence Kasdan em que um grupo de amigos de faculdade se reencontram num fim de semana para conferir os estragos que a vida real lhes fez nos sonhos e projetos. Aqui, a historia retoma dez anos depois com o mesmo elenco e personagens,embora curiosamente sem procurar ser muito original (tanto que pelo menos dois casais tem partos simultâneos e onde o marido legal não é o pai da criança!). Fora disso, os italianos continuam a gritar muito,serem passionais (dois casos também de pegar o revolver para fazer justiça ou suicídio) e copiam os americanos em fugirem das responsabilidades e se assumirem como adultos.

     Por outro lado, o diretor Muccino aprendeu sua lição americana, realizando um filme de belíssima fotografia, narrativa ágil e mesmo frenética demais (apesar da longa metragem), locações fotogênicas e trilha musical (ou utilizaram o Eu sei que vou te amar de Jobim, ou é uma cópia descarada! Não consegui ver o crédito e não tem no imdb). Mas o roteiro poderia ter mais variantes alem do recorrente : o homem de trinta e tantos anos,ou quarentão,  que abandonou o filho pequeno e agora procura reencontrá-lo, ou o casamento que desmoronou (e a esposa arranjou o homem errado para substituí-lo, as doenças que começam a atacar (o protagonista e narrador Stefano Accorsi tem um peripaque que os médicos não sabem diagnosticar). Esta faltando também do filme original a bela Vittoria Mezzogiorno que foi substituída pela também bela Vittoria Puccini. Conclusão: indicado para a faixa de idade dos personagens, corre porém o risco de sair de cartaz antes de ser descoberto. 

Ref fim

O que se Move



O que se Move.Brasil, 12. Direção de Caetano Gotardo.  Com Cida Moreira, Fernanda Vianna, Andfrea Marquee, Degoberto Feliz, Christina Corazza, Wandré Gouveia, Ane Rodrigues.


        Este é o longa de estréia de um montador paulistano que faz parte do grupo coletivo Filmes do Caixote (ele editou Trabalhar Cansa de Marco Dutra e Juliana Rojas) que impressiona pela originalidade; é um filme de autor, lento, modesto, inspirado em fatos reais e que vai interessar mais a quem acompanha estes jovens realizadores que vem se firmando fora do chamado “mainstream” (fazem  filmes com humor mas não comédias). Mas o fato é que se deram bem no ultimo festival de Gramado. São 3 episódios inspirados em algum acontecimento traumático: o sofrimento de um pai, a perda de um ente querido, a própria dor da existência. O mais curioso é que ao final de cada episódio, um dos personagens começa a cantar. Não como se fosse um musical, nem mesmo fora de tom como em  Os Miseráveis. Apenas entoam, dizendo as palavras sem rima, tiradas do fundo da alma. É um recurso raro e original, extremamente tocante (em particular na sequencia inicial com um trabalho excepcional e desglamurizado de Cida Moreira). São  três histórias - de quatro mães – sempre sobre fatos do dia a dia, envolvendo perdas e um reencontro. E narradas de maneira leitura poética e melancólica.  A Atriz Fernanda do Grupo mineiro Galpão ganhou premio em Gramado mas pela própria estrutura do trabalho o Kikito deveria ter sido dividido entre as três, seria muito sensato e lógico.  

Fim

Tese sobre um Homicídio



Tese sobre um Homicídio (Tesis sobre um Homicidio) Argentina/Espanha, 13. Direção de Herman Goldfrid. 106 min Com Ricardo Darin, Alberto Ammann, Calu Rivero, Arturo Poig, Fabian Arenillas, Mara Bestelli, Antonio Ugo. 

       Ricardo Darin continua a ser o astro mais popular e famoso da Argentina e todos seus filmes novos tem chegado regularmente ao Brasil mesmo quando não é nada de tão especial. Este é um segundo longa do diretor que foi antes assistente e fez Musica em Espera (09). Goldfrid por sua vez inspirado em um livro de Diego Paskowiski.

      Basicamente uma historia policial de forma tradicional que esta na moda, apresentando a figura de Gonzalo, um psicopata jovem e pretensioso em conflito com um homem mais velho. No caso, Darin faz Roberto, um professor de pos Graduação em Direito, de valor reconhecido, que se envolve quando uma aluna da escola aparece morta no estacionamento da Escola. Parece que a intenção desse aluno feito por Alberto Ammann, que estrelou Lope do brasileiro Andrucha Waddington, esteve também em Cela 2111 (que lhe deu o Goya de revelação) é provar as falhas que existem no Código Penal que permite que criminosos escapem sem punição (alem de frio e calculista, ele  ainda por cima é filho de um respeitado colega e amigo). Não chega a ser um filme noir, nem é totalmente fiel ao livro original (que é narrado pelo criminoso, que faz inúmeras referencias a atriz Juliette Lewis e que tem gente que compara com Psicopata Americano). 

     Darin comparece com sua competência habitual (e o personagem tem vaga semelhança com seu êxito O Segredo de seus Olhos) e o filme interessa quase ate o fim quando cai numa armadilha que prejudica muito. É outro daqueles que tem um final confuso, que complica mais do que explica, irrita mais do emociona. E no final das contas fica bastante distante do outro.  

Ref fim

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Uma Ladra sem Limites


     Uma Ladra sem Limites ( Identity Thief). Direção de Seth Gordon. Com Jason Bateman, Melissa MacCarty, Amanda Peet, T.I., Jon Favreau, Morris Chestnut, Genesis Rodrigues, John Cho, Robert Patrick, Eric Stonestreet.111min.

       É preciso que as comédias americanas sejam sucesso grande nos EUA para que passem em nossos cinemas. Foi o caso  deste filme da Universal, que custou 35 milhões de dólares (cara para sua pretensão) mas rendeu 133 ! Sem duvida por causa da presença de sua obesa e divertida estrela Melissa, famosa nem tanto pela serie Mike and Molly  mas por ter roubado Missão Madrinha de Casamento que lhe deu uma indicação ao Oscar (fez ainda aparição em Bem Vindo aos 40, de Jud Appatow que irá sair em Home Video direto) e em breve The Heat com Sandra Bullock e também em Se Beber não Case III.

      Espero que não se desgaste  o estilo de humor de Melissa, que gosta de fazer barulho (ou ritmo ) com a boca, é debochada e grosseira, mas de um jeito que sempre resulta inocente ou mesmo ingênuo. É um dom que tem e que consegue salvar mesmo esta comédia trôpega e irregular. Que não chega nunca a convencer.

      Foi dirigida por Seth Rogen que fez Surpresas do Amor, Quero matar meu chefe, e muita teve. Foi rodado basicamente em Atlanta, Georgia (o resto das locações são meio fajutas)no que pode ser classificado de uma comédia de estrada. Jason Bateman pelo jeito já se conformou em ser escada de comediantes, o Dean Martin ou Dedé Santana do Didi,no caso Melissa. Ou seja, o parceiro faz a graça, ele apenas lhe passa a bola para este rebater e encestar. Como já preveni o filme não é muito engraçado. Jason é um homem de negócios casado que percebe que alguém lhe roubou tudo que tinha, todos os cartões (e esta gastando a beça, sem o menor controle). A única saída é ir até onde essa pessoa mora  e tentar prende-la ou impedi-la. Mal pode imaginar que é uma moça gorda e sem controle, chamada Diana, que rouba descaradamente e há muito tempo. Jason tenta prende-la mas a garota é astuta e sempre consegue um jeito de escapar (o resumo parece coisa para adolescente mas há uma piadinhas fortes e mesmo apelativas).  (ainda assim como filme de estrada é bem melhor do que o horrivel Guilt Trip com La Streisand).

      O roteiro foi escrito por Craig Mazin (Se Beber não Case II e III) e as vezes cai na grosseira (o filme provocou também polemica quando um critico chamou Melissa de trator e ate a ofendeu por causa de seu excesso de peso, Não concordo porque na verdade ela é sempre encantadora. Mesmo quando grosseira).Podia dar mais detalhes, Amanda como a esposa, Morris como o policial que lhe previne que vai custar a prender uma vigarista de tal quilate, o chato do Favreau faz o patrão que trata mal Bateman. E ainda por cima um gangster que também foi roubado por Melissa e mandou três assassinos atrás dela (e no caso ele que a capturou).

Conclusão: Melissa é ótima e merecia melhor script e filme.

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Uma Ladra sem Limites
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Bryan Forbes


Morre importante diretor britânico

Bryan Forbes 


       (1926- 2013). Ator, diretor, roteirista inglês. Nasceu John Theobald Clarke, em 22 de julho em Londres. Começou no rádio como uma espécie de rapaz-prodígio quando aos 16 anos apresentou um programa chamado Junior Brains. Publicou um romance ainda quando era estudante, estreando no palco em 1942. Fez medíocre carreira como ator cinematográfico (A Chave; Os Canhões de Navarone; Um Tiro no Escuro). Em 1958, fundou com Richard Attenborough uma produtora onde realizou seus filmes mais marcantes, trabalhando também como roteirista (Os Sobreviventes, 1955, para José Ferrer; Casa dos Segredos; Servidão Humana, cuja direção abandonou em favor de Ken Hughes). De 1969-71, foi chefe de produção dos estúdios da EMI. Sua mulher Nanette Newman (1934-    ), trabalhou na maior parte de seus filmes. Foi um diretor talentoso, especialmente em preto e branco. Mas também irregular, prejudicado pela situação insegura da indústria britânica. Nos anos 90 ajudou apenas no roteiro de Chaplin, 1992, para o amigo Richard Attenborough. Faleceu em sua casa em Surrey, aos 86 anos. Não informaram a data ou a casa. Uma sugestão: procurem conhecer seus primeiros filmes que foram brilhantes e mal distribuídos no Brasil. Com O Vento também tem segredos revelou e consagrou Hayley Mills antes de Disney. Demonstrou que Leslie Caron podia ser ótima atriz dramática com A Mulher que Pecou. Fez um brilhante suspense sobre espiritismo com Seance on a Wet Afternoon, inédito aqui, com a celebre atriz teatral Kim Stanley. O Rei de um Inferno foi competente drama de campo de prisioneiros. Mas sua obra prima provavelmente foi The Whisperers, outro inédito com a grande e veterana Edith Evans. Seu primeiro casamento foi com a atriz Constance Smith (1928-2003). Também roteirista publicou romances,  “The Rewrite Man”e “A Spy at Twilight”;  o livro de memorias “Notes for a Life” e “That Despicable Race: A History of the British Acting Tradition.”


Filmografia
 
Dir.: 1961 – O Vento Também Tem Segredos (Whistle Down the Wind. Alan Bates, Hayley Mills).
       1962 – A Mulher que Pecou (The L-Shaped Room. Leslie Caron, Tom Bell).
       1964 – Seance on a Wet Afternoon (Kim Stanley, Richard Attenborough).
       1965 – O Rei de Um Inferno (King Rat. George Segal, Tom Courtenay).
       1966 – A Loteria da Vida (The Wrong Box. Michael Caine, Peter Sellers). The Whisperers (Edith
                   Evans, Eric Porter).
       1967 – Vertigem (Deadfall. Michael Caine, Giovanna Ralli).
       1969 – A Louca de Chaillot (The Madwoman of Chaillot. Katharine Hepburn, Paul Henreid).
       1971 – Muito Tarde Para o Amanhã (The Raging Moon. Malcolm McDowell, Nanette Newman).
       1975 – Esposas em Conflito (The Stepford Wives. Katharine Ross, Paula Prentiss).
       1976 – A História de Cinderela ( The Slipper and the Rose. Richard Chamberlain, Margaret  
                  Lockwood).
        1978 – Duplo Triunfo (International Velvet. Tatum O’Neal, Anthony Hopkins).
        1980 – Amantes Sensuais (Les Séducteurs/ Sunday Lovers. Epis. Roger Moore, Lynn Redgrave).
                    Jessie (Nanette Newman. TV).
         1981 – Antes Tarde do que Nunca (Better Late than Never. David Niven, Maggie Smith).
         1985 – A Outra Face (The Naked Face. Roger Moore, Rod Steiger). 1990 – O Jogo sem Fim (The
                    Endless Game. Albert Finney, George Segal. TV).
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quarta-feira, 8 de maio de 2013

O que Traz Boas Novas


O que Traz Boas Novas (Monsieur Lahzar), Canada,  2011. Direção de Philippe Falardeau. 94 min. Com Mohammed Felag, Sopie Nélisse, Émilie Néron, Vincent Millard, Marie Eve Beauregard. 

      Foi uma grande surpresa esta semana a noticia de a Academia do Oscar mudou as regras e a partir de agora também os filmes estrangeiros (ou seja, de língua não inglesas serão votadas por todos os associados e não mais por uma pequena comissão de voluntários que eram obrigados a ver todos os finalistas). Para evitar falhas como neste ano a ausência do Francês “Intocáveis”. Não sei ainda se será uma boa idéia mas  este filme canadense falado em francês local ficou dentre os cinco finalistas no ano passado. Não chega a ser uma obra prima mas interessa especialmente aos professores e todos abnegados que se dedicam ao magistério em suas diversas formas.

      Também vencedor dos Gênies (O Oscar local) inclusive de filme e direção, este drama mostra um emigrante argelino que é contratado como professor substituto numa escola de Montreal .É uma historia inspirado em peça de Evelyn de la Cheneliére – que alias faz ponta como a mãe de Alice- que agrada em diversos lugares do mundo (ganhou premio do publico em Locarno). O filme começa com um grande impacto quando dois alunos entram numa classe para encontrar o seu professor enforcado. Na falta de melhor alternativa a diretor contrata Bachir Lazar que ofereceu seus serviços ao ler sobre o caso no jornal. Ele é um professor experiente mas vem de outro mundo e outra experiência, num classe onde os alunos estão ainda abalados e o curriculum é diferente do mundo árabe. Assim não é apenas uma variante de Ao Mestre com Carinho mas também aborda os problemas da emigração, integração, responsabilidade, e obviamente educação. E ainda traz as marcas de uma tragédia pessoal. O interessante do roteiro é que ele não é tão obvio e previsível quanto parece, não da respostas fáceis. Cheio de boas intenções, interpretações sinceras, merece ser visto e discutido. 

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Amor Profundo



    Amor Profundo (The Deep Blue Sea). Direção de Terence Davies , adaptando a peça homônima de Terence Rattigan. 98 min. Com Rachel Weisz, Tom Hiddleston, Barbara Jefford, Simon Russell Beale. 

     Custou a chegar este drama britânico que deu a Rachel Weisz (mais lembrada por ter ganho um Oscar de coadjuvante por O Jardineiro Fiel de Fernando Meirelles) o premio de melhor atriz do ano pelos críticos de Nova York, alem de indicação ao Globo de Ouro e Festival de Toronto (onde ganhou).

     Na verdade eu sempre tive curiosidade de assistir a versão anterior que foi de 1955, O Profundo Mar Azul . dirigida por Anatole Litvak (que tinha muito prestigio e fez Anastásia a Princesa Esquecida com Ingrid Bergman) com Vivien Leigh, Kenneth More e Eric Portman (era proibida para menores e nunca o vi ate hoje). Depois houve outras versões para a teve nunca vistas aqui (e também um TV de Vanguarda da Tupi com Laura Cardoso em  63). 

        Mas o importante é que esta sendo redescoberto o autor do texto que foi famoso em sua época, Terence Rattigan (1911-77) que escreveu O Príncipe Encantado com Marilyn Monroe e Olivier,    Vidas Separadas que deu Oscar para David Niven, VIPs Gente muito Importante, com Elizabeth Taylor e Richard Burton, Nunca te Amei com Michael Redgrave, Cadete Winslow de David Mamet, O Rolls Royce Amarelo, dentre muitos outros. 

     Além disso, na direção esta um realizador Cult britânico chamado Terence Davies que ficou conhecido por seus trabalhos autobiográficos como Vozes Distantes e o Fim de um Longo dia. Na ficção dirigiu Memórias com Gena Rowlands e The HOuse of Mirth /A Essência da Paixão. 

      Sensível e poético, Davies conta uma velha historia com delicadeza, preocupado em recriar a Inglaterra dos anos 1950 e acrescentando mesmo um tom de David Lean (em Desencanto), inclusive usando de amor de musica erudita (Concerto de violino de Samuel Barber ). Era um tempo em que o cinema britânico não se incomodava com as pessoas comuns, a classe trabalhadora preferindo se fixa nos ricos e nobres. Margaret Sullavan fez o papel na Broadway, Peggy Ashcroft em Londres, o de uma mulher já perto dos 40 anos que sente que é sua ultima paixão de ter uma paixão. Na verdade, já começa com sua tentativa de suicídio com Rachel (como Hester) afirmando, desta vez eu realmente quero morrer). Em flash back, começamos a recordar com ela, sua vida monótona ao lado de um juiz de corte alta, Sir Collyer (Simon), e sobre seu amante, um piloto da RAF (Hiddleston, que tem ficado famoso como o vilão de Avengers). Há grande cuidado na reconstrução de um tipo de vida ainda marcado pelas feridas e estragos da Segunda Guerra, mas o filme erra em colocar um ator frio e sem jeito para galã como é Hiddleston, ainda mais num personagem que não se expõe como devia. Eu gosto de Rachel mas não é caso para prêmios. Vá entender o que deu na cabeça desses críticos malucos que resolveram louvar um papel que ela  faz com a competência habitual e bastante charme.

     Mas por vezes sinto que o diretor esta mais preocupado com a direção de arte, a trilha musical, figurinos e fotografia do que a química entre o casal.

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Amor profundo
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Somos Tão Jovens



Somos Tão Jovens Brasil, 13.Direção de Antonio Carlos Fontoura.Roteiro de Marcos Bernstein. Com Thiago Mendonça, Laila Zaid, Bruno Torres, Sandra Coverloni, Daniel Passi, Marcos Breda, Bianca Comparato, Conrado Godoy, Nicolau Villa-Lobos (como Dado),Sergio Dalcin.


     Esta estreando finalmente a tão aguardada biografia de Renato Russo, da Legião Urbana mas também da explosão de grupos de rock que sucederam em Brasília nos anos 1970 Não sou capaz de prever a reação dos fãs do grupo mas achei o filme digno, bem realizado, interessante. Traz de volta o diretor já veterano Antonio Carlos Fontoura (que teve dois momentos importantes em sua carreira com Copacabana me Engana (68)e A Rainha Diaba (74) (inspirado em Madame Satã) para depois se dedicar ao trabalho na Rede Globo e um escandaloso Espelho de Carne (84). Embora nos créditos, afirme que a historia é romanceada e tomam-se  muitas liberdades, nas entrevistas ele deixou claro que o projeto era autorizado pela família de Renato (que estava sempre presente) que não queria um novo Cazuza, ou seja, a historia de um roqueiro drogado e homossexual que morreu de Aids. 

     Assim a gente conhece um Renato ainda jovem, na escola e de gay tem certos trejeitos que Tiago Mendonça lhe deu (não conheci o biografado e, portanto não sou capaz de avaliar a que ponto era ele amaneirado). Fala-se que ele gosta de meninos e meninas mas sua paixão ainda que atormentada aqui é sua melhor amiga, chamada de  Ana Claudia e interpretada por uma competente e sensível Laila Zaid (que não vi em suas aventuras por Malhação, Bela, a Feia, Tainá 3, e As Brasileiras). Ele tem um rápido e superficial romancezinho com um fã mas ate isso é mostrado de passagem  e  dando a entender que era mais espiritual que físico. Mas não perturba muito porque o filme mostra apenas o começo da sua carreira até os primeiros êxitos, não vai muito mais adiante. Porém não deixa de pintar o retrato de um garoto talentoso mas complexado, que adora usar frases em inglês (não se explica o porque disso!) cheio de verdades, de difícil convívio que a principio se interessa pelo movimento punk ate encontrar sua própria voz.

     O ator Tiago (que foi o irmão mais novo de  Dois Filhos de Francisco) convence como o protagonista embora eu tenha tido um choque ao final quando o filme tem um corte meio abrupto e entra uma cena autentica do verdadeiro Renato,  que é muito mais alto, corpulento, e não tão parecido assim com Tiago. Ou seja, o tipo físico é bem diferente. Vão aceitar isso? Não sei. Mas me pareceu bem contada a historia dele com a família, com os colegas sempre em discussões e polemicas  (eu gostei particularmente da naturalidade de todos em particular do Bruno Torres (que faz Fê Lemos ) que é filho do diretor Geraldo Moraes. Mas também me deixa a triste sensação de que deixaram de fora a melhor parte. São os excessos e os extremos que as pessoas gostam de ver e discutir. Reclamo também de letreiros mais completos ao final comentando o destino de cada um deles. 

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Ray Harryhausen


Morre mago dos efeitos

     Retornando do Festival de Anápolis, recebo a noticia da morte aos 94 anos, de um dos gênios da fantasia cinematográfica: o especialista em efeitos de animação, Ray Harryhausen. Morreu em Londres, dia 7 de maio. Mas quem foi criança nos anos 50-60, jamais vai esquecer as criaturas a que ele deu vida nos filmes de ficção cientifica ou mitológicos (foi ele quem fez os monstros do original Fúria de Titãs, não suas fracas imitações).Trabalhando com bonecos que ele movimentava como se fosse desenho animado, quadro a quadro,  trabalhou em filmes queridos como os de Simbad (e o Olho do Tigre, A Nova Viagem de Simbad, Simbad e a Princesa), Jasão e o Velo de Ouro (possivelmente o melhor dele ),  As Viagens de Gulliver, pré históricos ( Mil Séculos antes de Cristo, A Ilha Misteriosa).E Tenho uma especial afeição pelos primeiros e mais ingênuos (como o polvo que ataca San Francisco em O Monstro do Mar Revolto) e o inspirado em King Kong, O Monstro de um Mundo Perdido (Mighty Joe Young).Ganhou o premio da Academia para técnicos o Gordon E. Sawyer em 1992. Descanse em paz. 

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terça-feira, 7 de maio de 2013

Suprema Conquista


Lançamento em DVD no Brasil de comédia clássica e pouco conhecida, inédita em Home Video:


Suprema Conquista  Twentieth  Century. Audio: Ing. Leg: Port. EUA.1934. Standard. 91 min.Comédia. PB. Colecionando Clássicos/Originalmente Columbia Sony. 14 anos. Diretor: Howard Hawks. Elenco: John Barrymore, Carole Lombard, Walter Connoly, Roscoe Karns, Ralph Forbes, Charles Lane, Edgar Kennedy,Ettienne Girardot.  


Sinopse: O titulo original se refere não ao estúdio mas ao famoso trem que fazia a ligação entre Hollywood e Chicago. É nele que se transcorre a segunda parte desta comédia em que um famoso e decadente diretor de teatro, Oscar Jaffe depois de uma sucessão de fracassos faz tudo que pode para tentar reconquistar sua descoberta Lily Garland que virou estrela de Hollywood quando o deixou.   


Comentário: Não é todo mundo que vai curtir esta comédia clássica que é especialmente recomendada para atores, diretores e gente do teatro em geral. Só eles saberão curtir as referencias e o estilo de humor, inspirado em fatos reais (o diretor canastrão feito por Barrymore é inspirado num real, David Belasco), sempre “larger than life”(maior que a vida”). O filme sempre me inspirou pessoalmente e quando começo a dirigir uma peça de teatro, sempre cito o personagem de Jaffe que abre os ensaios dizendo:”apesar do que eu disser e fazer, não me entendam mal, eu amo vocês”. Realmente é uma homenagem ao Teatro mas por isso mesmo vai parecer teatro filmado para os incautos. Por outro lado, é uma rara oportunidade de se ver no auge de seu talento, duas lendas do cinema:John Barrymore (1881-1942) e Carole Lombard (1908-42).O primeiro pertence a lendária família de atores, como seus irmãos Lionel e Ethel, e sua neta Drew Barrymore. Famoso por seu perfil, desde jovem era ídolo das matinés e estreou no cinema mudo em 1912, fazendo em 1926 o sonoro (mas não falado) Don Juan. Era alcoólatra e temperamental mas é perfeito para o personagem. Carole é considerada a melhor comediante sofisticada que o cinema já teve, foi indicada ao Oscar por Irene, a Teimosa, 37, foi o grande amor da vida de Clark Gable e morreu tragicamente num desastre de aviação ao retornar de uma viagem onde foi vender bônus de guerra. Muito bem orquestrados pelo diretor Hawks, a dupla é cercada por ótimos coadjuvantes em grande personagens (um dos melhores é o  velho maluco que assina cheques sem fundo) num tom de total farsa. Traz um folheto com informações sobre a dupla.  

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Ferrugem e Osso


Ferrugem e Osso (De Rouille et D´Os) França, 12. Direção de Jacques Audiard. Roteiro de Audiard e Thomas Bidegain baseado em argumento de Craig Davidson. 122min. Com Marion Cotillard,  Matthias Schoenaerts, Armand Verdure, Celine Salette, Corinne Masiero, Jean Michel Correa.

     
Sou admirador do roteirista e diretor Jacques Audiard (que vem de ilustre família, seu pai Michel Audiard foi o mais famoso dialoguista do cinema Frances e também diretor). Mas se o pai preferia comédias sofisticadas e brilhantes, Jacques estreou com uma visão bem humorada de um vigarista (Um Herói Muito Discreto, 96, premiado em Cannes) mas com o tempo optou por dramas policiais (o meu favorito De Tanto Bater meu Coração Parou, 05 mas fez ainda mais sucesso com O Profeta, 09). Aqui ele tem a sorte de contar com a melhor atriz jovem do cinema Frances atual que é sem duvida, a premiada com o Oscar Marion Cotillard.  Que alias vem fazendo uma bela carreira nos dois lados do Atlântico, na França com o marido em Ate a Eternidade e principalmente nos EUA, com Meia Noite em Paris, A Origem, Batman Ressurge, Nine. Na verdade ela bem que merecia ter sido indicada ao Oscar novamente este ano (mesmo assim foi lembrada com indicações ao BAFTA, Instituto Australiano, Globo de Ouro, SAG,  Cesar, prêmios especiais no Gotham Award e No Hollywood Festival, Críticos de Londres, Premio Lumiére e mais outros).

      Este não é um filme bonitinho, engraçadinho e digestivo. Audiard faz questão de ser realista, mostrar gente comum sofrendo problemas do dia a dia, um desafio tanto para a atriz, quanto para o protagonista masculino. Ele procurou um ator novo em ginásios de boxe mas acabou optando por  um ator holandês que o impressionou muito Matthias que conhecíamos de um filme indicado ao Oscar onde realmente tinha uma figura impressionante (o indicado ao Oscar de filme estrangeiro Bullhead, 11). Alias ele ganhou o premio Cesar por este trabalho como a revelação masculina do ano. E realmente é difícil se achar um tipo como ele, grandão, forte, abrutalhado mas também sensível. É um duelo duro entre o casal que naturalmente tem os apelidos que aparecem no titulo. E Ademais dois grandes atores. 

     O roteiro é baseado em dois contos (o Ferrugem e Osso e mais um Rocket Ride, de um livro de contos do canadense Craig Davidson). No livro é o homem que perde as pernas depois de um ataque da Orca Baleia assassina mas na adaptação Audiard preferiu que fosse uma mulher (em parte porque no filme anterior O profeta havia excesso de personagens masculinos).  O herói leva  o nome  de Alain e deixa a Bélgica com o filho pequeno indo procurar trabalhar a beira, na Cote D´Azur, na cidade de Antibes junto com a irmão mais velha e o cunhado. Acaba conhecendo e se envolvendo com Stephanie que trabalha num parque aquático, tipo Marineland, onde justamente trabalha com a baleia. Mas por  um infeliz acidente ela é atingida pelo bicho e fica sem as duas pernas. Sua recuperação é difícil e atormentada. Embora tivesse um seguro médico, é difícil aceitar a nova realidade e ainda mais aceitar o amor (meio bruto)do parceiro.

     Marion que fez o filme simultaneamente como o ultimo Batman tem um papel difícil, com momentos pesados (como quando se arrasta sem pernas) mas é ela quem define melhor o que é a obra: um filme sobre o amor,  a carne, ferrugem e osso, coração e sexo.

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Em Transe (Trance) Inglaterra, 13. Direção de Danny Boyle. Roteiro : Joe Aherne, John Hodge. Com James McAvoy, Vincent Cassel, Matt Cross, Rosario Dawson, Danny Sapani, Mark Poltimore. Fox. 101 min.


     Fiquei impressionado com as criticas negativas que este filme teve nos Estados Unidos, agora na sua recente estréia limitada (ate agora não foi além dos  2 milhões e cem mil dólares de renda) se considerando que é o novo trabalho do vencedor do Oscar Danny Boyle (de Quem Quer ser um Milionário ) e que foi rodado durante um intervalo dos preparativos que duraram dois anos quando ele planejou e depois dirigiu as brilhantes cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos de Londres ( inclusive o ponto alto que foi a participação de James Bond e a Rainha). 


     Estava todo animadinho para ver o que seria este thriller de suspense, conduzido por Boyle que é provavelmente o grande mestre dos filmes visualmente brilhantes e espetaculares , sempre criando novas soluções de imagem, edição  e momentos de violência. Boyle desde Trainspotting criou um novo estilo em que embarcaram outros (como o ex-marido de Madonna, Guy Ritchie). Todo filme seu é um exercício de estilo e este não fica atrás. Ele convocou James McAvoy de volta a Inglaterra (que na America esteve no X Men, no O Procurado, mas antes disso estrelou também o cult Desejo e Reparação) para fazer o protagonista um certo Simon,  que é o narrador, um  empregado de loja de leilões de quadro famosos que esta para vender um famoso trabalho do espanhol Goya. Para prevenir roubos, e a perda de vidas humanas, Simon é treinado para fugir com a pintura e esconde-la num largo determinado. Dito e feito, uma quadrilha assalta o lugar, provoca pânico e incêndio, enquanto Simon age como o previsto. Ou não? (A Quadrilha é liderada pelo francês e brasileiro Vincent Cassel, já que vive parte do ano no Rio de Janeiro).

    Num filme deste tipo nada é o que parece. O roteiro é muito bem armado, mas ao mesmo que não se da conta de detalhes importantes (por exemplo, um cadáver em decomposição é deixado em  um carro num estacionamento durante algum tempo e ninguém percebe ou sente ou denuncia). Também é muito arriscado usar como base da trama o hipnotismo  que era uma arma muito explorada no cinema de mistério dos anos 20,30 e 40. Ou seja, além de super explorado, caiu em desuso porque ficou desacreditado. Mas o script aqui quer nos fazer crer que quando Simon quer lembrar o que fez com o quadro pressionado pelos ladrões, não consegue recordar e vai pedir ajuda a uma médica que pratica hipnose (o melhor trabalho que já vi da exótica Rosario Dawson). Naturalmente os dois se envolvem mas isso não é da missa a metade, como se dizia antigamente. A historia vai se complicando, com reviravoltas (sempre com ação e violência ) das mais mirabolantes possíveis. Não que não de para entender, é que tanta coisa, tanto absurdo a gente acaba se desinteressando. A única polemica que resta é resolver se este é o pior filme ao menos desde daquele horrível Por uma Vida Menos Ordinária (97).  

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Uma Garrafa no Mar de Gaza


Uma Garrafa no Mar de Gaza / Une Bouteille a la Mer. França, Israel, Canadá. 2011.
Direção de Thierry Binisti. Com Agathe Bonitzer, Mahamud Shalaby, Hiam Abbass, Riff Cohen, Abraham Belaga, Jean Philippe Écoffey.

     Indicado apenas para publico de salas de arte, este é daqueles filmes bem intencionados  mas ingênuos, repleto de coincidências e boa vontade. Tudo muito previsível e impossível de acontecer na vida real. Mas enfim, sempre se pode sonhar que os rapazes sem futuro possam encontrar uma motivação para mudarem de rumo e conseguirem fazer algo de sua vida. No fundo é um bom exemplo difícil de ser seguido, ainda mais nos tempos que correm. É a historia de uma jovem de 17 anos, israelense, Tai que vive em Tel Aviv, com os pais, estuda e tem medo dos ataques com bomba que sucedem quase diariamente. Tem a idéia de lançar uma garrafa ao mar, como nos antigos romances, na esperança de que alguém a pegue e responda a carta, abrindo uma amizade via internet. Só que pede para o irmão que serve o exercito joga a garrafa no mar da faixa de Gaza, aquela terrível região em que são forçados a conviver os palestinos sem pátria e os judeus que se instalaram lá como colonos. E quem a recebe é o palestino Naim, de 20 anos, que a principio ressabiado, esconde dos amigos (mas ao menos tem uma mãe compreensiva feita pela atriz palestina mais famosa do mundo, Hiam Abbass). E eventualmente começa a se corresponder com a jovem, que é só inimiga por circunstancias de que eles não tem culpa. 

     Assim vamos acompanhando a relação a distancia entre eles, que incentiva o rapaz a ir estudar numa Aliança Francesa e ate mesmo lutar por uma Bolsa de Estudos em Paris. Na vida real, um caso desses teria ainda mais obstáculos que o filme mostra, que é um daqueles “pode mentir que a gente gosta”. Um Romeu e Julieta moderno que é baseado num livro para os chamados “Young adults” e que foi sucesso (a autora se chama Valerie Zenatti). 

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