terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Philomena

Philomena (Idem) Ingl, 13. Direção de Stephen Frears. Roteiro de Steve Coogan e Jeff Pope. Baseado em livro de Martin Sixsmith, The Lost Child of Philomena Lee. Com Judi Dench, Steve Coogan, Mare Winningham, Sophie Kennedy Clark, Barbara Jefford, Ruth McCabe, Peter Hermann. Paris Filmes.

        Este é o filme da Weinstein deste ano no Oscar e para mim uma das melhores surpresas da temporada. Embora já credenciado pela presença do excelente diretor Stephen Frears (Ligações Perigosas. Alias quando vão finalmente lhe dar um Oscar e reconhecer seu talento?) , o filme dava uma impressão enganosa de ser uma historia romântica, sentimental e piegas. Nada mais longe disso (embora nem por isso deixe de ser comovente ). E por incrível que pareça é mais um dos indicados deste ano que também é inspirado num fato real.(Dos 9 finalistas a melhor filme apenas 3 são fictícios, Gravidade que provavelmente deve ganhar como diretor e efeitos especiais, Ela meu favorito para melhor roteiro original e ainda Nebraska, que é um roteiro original portanto deve ter sido influenciado pelos fatos reais que mostra). 

         Também é uma pena (relativa, claro) que Cate Blanchett esteja tão magnífica em Blue Jasmine porque Judi Dench, aos quase 79 anos, esta num de seus melhores momentos e papeis. Difícil porque ela interpreta uma pessoa doce e não vingativa por natureza, que não duvida de suas convicções religiosas embora tudo pareça levá-la a isso. Ou seja, e uma figura muito complexa na sua simplicidade e grandeza de alma. Não sei quem foi o responsável pela idéia de chamar o humorista Steve Coogan para co-escrever o roteiro e ser co produtor mas o fato é que seu humor sarcástico quebra tudo que o filme poderia ter lacrimoso ou novelesco.Lhe dá um necessário humor e distanciamento. 

          Steve faz um apresentador da televisão britânica bastante famoso mas que esta enfrentando uma fase difícil na profissão porque perdeu seu programa na TV e esta fora do ar, desacreditado. Com muita relutância, aceita a missão de acompanhar uma modesta senhora da classe trabalhadora  que tem um sonho de reencontrar o filho que foi lhe tirado das mãos por freiras. Naquela época as meninas que não tinham família e por acaso engravidavam tinham que se tornarem virtuais prisioneiras, trabalhando para o convento enquanto as crianças eram negociadas para adoção, em geral por gente que veio da America (a atriz Jane Russell foi uma dessas clientes).  Foi o caso do menino dela que foi levado embora e desde então, embora tivesse se casado e tido uma filha, nunca conseguiu esquecê-lo e seu sonho é um dia ao menos encontrá-lo.

          O repórter e a mãe começam então uma peregrinação (ele tem o direito de publicar o resultado e conseguiu o apoio de um jornal) que os irá levar ate os Estados Unidos, mais precisamente Washington onde lhes aguardam varias surpresas. Não posso revelar qual e peça as pessoas que façam o mesmo, porque tudo isso na conclusão é que torna o filme uma forte e dura denuncia contra fatos que raramente o cinema tem coragem de abordar. Com medo de ofender e ser censurado.  Mas é justamente o que diferencia o filme, dando-lhe um impacto fora do comum. Alguns flash-backs foram criados para o filme mas outros são verdadeiros, do próprio filho. Indicado para 4 Oscars (Judi, filme, roteiro e trilha musical), também levou em Veneza o premio de roteiro, e mais 8 prêmios paralelos para Frears!), indicado para 3 Globos de Ouro, 4 Baftas (ainda não entregues) e vários outros. Não deixe de ver. 

Ref fim.

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