terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Ela

Ela (Her) EUA, 13. Direção e roteiro de Spike Jonze. 126 min. Com Joaquin Phoenix, a voz de Scarlett Johansson, Olivia Wilde, Amy Adams, Rooney Mara, Chris Pratt, Bill Hader, voz de Kristin Wiig.

     Apesar de gostar de praticamente todos os finalistas para o Oscar de melhor filme deste ano, meu favorito -  uma escolha muito pessoal - é este primeiro filme de Spike Jonze onde ele também escreveu o roteiro sozinho (havia co-roteirizado seu filme mais fraco o anterior Onde Vivem os Monstros, 10 e um curta I´m Here, 2010, que estreou em Sundance (mas não conheço). Antes disso a tendência era conhecê-lo como diretor de music vídeos, produtor de programas juvenis grossos (da série Jackass, inclusive o recente Vovô sem Vergonha). Na verdade, ele tem uma carreira muito diversificada (foi marido de Sofia Coppola que pintou um retrato dele em Encontros e Desencontros) e seus longas de maior sucesso foram escritos por Charlie Kaufman (Quero ser John Malkovich, 99) e Adaptação (2002). Então a tendência seria admirar Kaufman (que passou a direção com o confuso e complexo Sinédoque, Nova York, 08) e atualmente dirige uma animação (Anomalisa). 
    
       Tudo isso é para explicar que apesar de seu prestigio não imaginava Jonze capaz de fazer um filme tão sensível, tão bonito e intrigante quanto este “Her” que provavelmente vai ganhar o Oscar de roteiro original (já levou o Globo de Ouro), e também esta indicado como filme, trilha musical e canção (The Moon Song, que é uma joiazinha!). A historia se passa num futuro próximo em Los Angeles onde vive Theodore (Joaquin Phoenix),”um homem solitário, complexo e sentimental que ganha a vida escrevendo cartas pessoais e comoventes para outras pessoas. Inconsolável após o fim de um longo relacionamento, ele se interessa por um novo e avançado sistema operacional  que promete lhe dar uma única pessoa como companheira de conversas e amizade. Logo após instalado (que é como um pequeno fone), ele tem o prazer de conhecer “Samantha”, uma voz feminina vibrante (Scarlett Johansson), perspicaz, sensível e surpreendentemente engraçada. À medida que as suas necessidades e os seus desejos crescem, juntamente com os dele, a amizade se aprofunda e acaba se transformando num amor um pelo outro.” (eu copiei o material do press release para não correr o risco de distorcer algo).

       E junto com Theodore (Joaquin de bigode de português, esta em seu melhor momento no cinema, uma pena não ter sido indicado) a gente vai mergulhando no relacionamento do casal, se encantando com o envolvimento deles (também a voz de Scarlett esta perfeita e  adorável. É incrível também que o filme tenha sido todo rodado com outra voz, ainda nos sets. ate Spike chegar a conclusão de que Samantha Morton (uma atriz inglesa que fez Minority Reporter, John Carter, Terra de Sonhos) não era a voz adequada mudando na ultima hora por Scarlett. 

       Ao mesmo tempo em que Theodore vai se relacionando com a voz (Samantha) também experimenta outros relacionamentos que permitem o brilho de outras mulheres interessantes, um encontro as cegas com a belíssima Olivia Wilde, uma amizade com uma  vizinha (outra vez a sempre encantadora Amy Adams), Rooney Mara (um antigo amor). O que me impressionou especialmente foi como o diretor conseguiu utilizar a direção de arte/desenho de produção de maneira criativa, deixando sempre a cidade invadir os apartamentos, com sua luz (e muito vidro) de tal forma que ao assistir o filme (eu estava em Los Angeles) no dia seguinte sai com amigos na tentativa de descobrir onde ele filmou aqueles lugares tão fotogênicos. Só agora descobri que na verdade se tratam de efeitos digitais unindo alguns lugares de “Downtown L.A” com outros  que ele foi buscar em cidades recém criadas na China, tendo também o cuidado de sumir com os carros das ruas!). Enquanto isso o figurino cria seu próprio estilo (reparem na calça do herói, cintura alta, que por sinal já foi lançada agora nas lojas americanas na tentativa de fazer moda).

       Muito mais que um simples historia de amor, “Ela” já acontece no presente que vivemos. Nos facebooks anônimos, nas pessoas que não conversam e não largam seus celulares dito inteligentes, na tirania da Internet, na solidão das grandes cidades ou pequenas vilas, no estilo daquilo que convencionamos chamar de vida.  

Ref fim.

5 comentários:

  1. Finalmente atualizado! Estava com saudades! Abraços para o Rubens.

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  2. O filme nem é tão original assim. A história lembra muito um cult dos anos 80 chamado "Amores Eletrônicos" (Electric Dreams). E ainda tem alguns pontos de contato com outro cult chamado "Denise Está Chamando" e com o argentino "Medianeiras".

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  3. O filme lembra um pouco um episódio de uma série de TV inglesa chamada Black Mirror em que a mulher fica junto a um programa de computador que é um simulacro do marido que morreu

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  4. desculpem mas quanta bobagem essa necessidade de ficar procurando referência ou caixinha para tudo. Ah, "fulano fez igual a ", "sicrano usou uma cena parecida de um filme ucraniano de 1942" e por aí vai. Vocês não assistiram o filme e sim ficaram buscando em suas histórias algo conhecido ou não como se isso fosse mais importante. É uma obra prima para ser assistida como um todo, com o coração e com as inquietudes de um ser humano contemporâneo e não como um bibliotecário vasculhando arquivos antigos.... Assistam com o coração e esqueçam suas referências, seu mundo vai ser mais interessante sem isso

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  5. É incrível o que senti assistindo a esse longa, do paradoxo que vivemos no mundo de hoje. As pessoas com tanta necessidade de se relacionar por relacionar, os sentimentos carnais que tomam conta de nós como parasitas. As mulheres quando beiram os 30 desesperadas por casamento, somente para procriar, fazer família, procriar como os seus ancestrais, sem sentir a máxima, sem sentir o amor. Se completam assim no sexo, nas atividades, nas tarefas, mais pouquíssimos em ideias, vontades, desejos e etc. "Her" é tudo ao contrario ele tem nela tudo o que um companheiro busca numa amante e vice-versa, mais nunca poderá te-la, senti-la de verdade. Me pergunto hoje "Quantas pessoas no mundo trocariam um companheiro carnal, por um amor que te enchesse o coração que te completasse, fosse compreensivo e acolhedor, que estivesse com você todo o tempo? Isso me verdadeiramente me fascinou.

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