Praticamente todos os filmes de Cantinflas foram dirigidos pelo mesmo realizador Antonio del Amo |(1911-91). Então há bastante lógica que esta biografia tenha sido dirigida pelo filho dele, Sebastian Del Amo, apenas em seu segundo trabalho, tendo tido êxito com o primeiro (The Fantastic World of Juan Orol, biografia de um diretor de filmes B meio involuntariamente surrealista!).
Mas ele escapou pela fantasia, encontrou um ator parecido com ele (ainda que mais alto e mais magro) que imita seu jeito de falar, mas sem a mesma simpatia ou comunicação. Até na calça caída atrás que era sua marca registrada o filme falha. Ele é um espanhol de Barcelona, que tem carreira longa em filmes como Navegando em Águas Perigosas, Fuga Implacável com Bruce Willis, Che 2, Camaron (que lhe deu o Goya), Trash, que lhe deu o Gaudi.
Mas eu que assisti praticamente tudo que Cantinflas fez e me diverti muito, também porque sempre achei que ele era o México, o homem médio, falante, enrolador, simpático, sem grana, mas inteligente e esperto para conseguir sobreviver e ser feliz. Para não esquecer seu bigodinho característico. Ou o trapo que dependurava no ombro. Nada disso é valorizado no filme, que coloca genéricos interpretando as estrelas mexicanas da época (tudo rapidinho), tem uma cena com La Taylor (sai muda e entra calada) já que Mike Todd seria seu futuro marido e conviveu muito com o astro (depois ele morreria num desastre de aviação sem ter tempo de fazer outro filme). Foi muito criticado também porque seu tipo tão forte – apelidado de Peladito, foi deixado de lado assim como a amizade que tinha com presidentes e políticos importantes! Rendeu nos EUA 6 milhões e pouco de dólares.
Superficial mas bonitinho, chega mesmo a ser inferior aos similares americanos de 60 anos atrás. Mesmo assim representa oficialmente o México no Oscar® agora.
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