Em exibição no Cinemark dias 1, 2 e 5 de novembro
1984, EUA. 107
min. Diretor: Herbert Ross. Elenco: Kevin Bacon, John Lithgow, Lori Singer,
Dianne Wiest, Christopher (Chris) Penn, Frances Lee McCain, Sarah Jessica
Parker, Jim Youngs, Brian Wimmer, John Laughlin.
Comentários: Não da para comparar com a
refilmagem recente de 2011, que foi um extraordinário fracasso de bilheteria e
crítica. Custou 24 milhões de dólares e não rendeu mais de 15! Dirigido por
Craig Brewer, de Ritmo de um Sonho (Hustle & Flow) e o horrível Entre o Céu e o Inferno, era para ser
estrelado por Zac Effron, depois Chace
Crawford mas acabou nas mãos de um coreografo (de Justin Timberlake) que não
tinha condições nem tipo para o personagem: Kenny Wormald. A mocinha Julianne Hough é só ligeiramente
transparente e dispensável. De qualquer forma, poucos viram e vale reproduzir a
critica dele (leia no final do texto*).
Para
coincidir com esta nova versão, saiu em Blu Ray o filme original que se nunca
chegou a ser exatamente um clássico, sem dúvida fez bastante sucesso e virou ao
menos um Cult. Na época, este musical veio como sucessor de Flashdance, como precursor da moda do
videoclip (music video) e foi um dos
primeiros (se não o primeiro) a ser lançado com o apoio da recém fundada MTV.
Assim se beneficiou de seu apoio maciço que deram (também porque tiveram a inteligência
de lançar a trilha musical do filme em disco antes da estreia, ou seja quando o
filme estreou a musica já era sucesso!) Definido como “a liberdade de ir onde quiser e
fazer o que quiser”, o roteiro conta uma história como se ainda estivéssemos nos
anos 50, ou seja, antiquada demais para ser convincente. Ainda assim a história
teria sido inspirada na cidade Elmore City no Oklahoma, onde era proibido ter
danças desde sua fundação 1861. Os estudantes queriam fazer baile de formatura
e tiveram que brigar com a prefeitura para a permissão (a revista People
noticiou isso em 1980). E conseguiram.
O roteiro é
de Dean Pitchford, compositor da canção Fame
e que também fez a montagem teatral de 1998. É importante notar que não é um
musical no sentido tradicional, as pessoas aqui nunca cantam. As canções são
apresentadas em off, interpretadas por outros e que serviriam para passar o
sentimento daquela cena ou sequência. Por sinal eu assisti a montagem teatral
na Broadway (estreou em 22 outubro de 1998 e ficou em cartaz por 709
performances) e depois em 2006 na Inglaterra (onde ficou em cartaz apenas
alguns meses). A original não era muito boa, nem o elenco especial (Jeremy
Kushnier, Stephen Lee Anderson, Jennifer Laura Thompson. Nenhum deles fez
carreira). A verdade é que não funcionava nem mesmo com toda nostalgia. De
qualquer forma, era um ano fraco porque ganhou o Tony de roteiro e de trilha
musical!
É muito
curioso como o filme que teve nos EUA a liberação de PG (livre para menores) é
bastante forte (a nudez é masculina em cena de chuveiro) e mostra momentos de
juventude transviada a la James Dean! Esse chamado mau exemplo é dado
principalmente pelo personagem da filha do pregador (Lori Singer, que diante do
pai parece boazinha mas que longe dele se comporta como uma completa louca, desatinada
realizando absurdos, como pular de um carro para outro ambos em alta
velocidade, ficar diante de um trem em movimento). Outra cena idiota é quando o herói aposta
corrida de trator com um rival (o namoradinho de Lori) como o trator não corre
muito, a cena não convence. A nossa vigilante censura percebeu isso e porque o
filme dava o esse exemplo de
irresponsabilidade, custou a ser lançado no Brasil porque a Censura o proibiu
até 18 anos! De qualquer forma, a falta de fundamento do personagem era e
continua a ser o ponto fraco do filme.
Foi dirigido
por Herbert Ross (1927-2001), que todos do elenco lembram que era exigente e
dava broncas. Ele dirigiu filmes famosos que falavam de música (como Momento de Decisão, Funny Lady, Nijinsky) mas antes disso também foi diretor de cenas musicais de
fitas de outros diretores (Dr Dolittle,
Funny Girl com Barbra Streisand e
Natalie Wood em À Procura do Destino).
Ou seja, entendia do assunto.
Algumas
músicas são contagiantes, mas as danças são poucas e ficam melhor nos clipes.
Entre as canções de sucesso, ouvidas na trilha “Footloose” (Kenny Loggins),
“Dancing in the Sheets” (Shalamar), “Let’s Hear it for the Boy” (Denise
Williams), “Holding out for a Hero” (Bonnie Tyler), “Almost Paradise” (Nancy
Wilson e Mike Reno). Duas delas, as mais comunicativas, a canção titulo e “Let´s
Hear for the Boy” chegaram a ser indicadas ao Oscar® de canção. Sendo que “Footloose”
também foi editada como clipe nos letreiros de apresentação além de ter sido
usada na dança final (que é o ponto alto do filme). É curioso se rever o filme
porque a figura que se dá melhor é mesmo que Kevin Bacon (então já com 24 anos
mas fazendo adolescente), de quem nunca fui muito fã (em parte pelo nariz pequeno
que lhe dá um ar frágil), mas esta foi sua revelação. E conforme ele diz num
depoimento atual que esta como extra do Blu-ray, ele se dedicou ao personagem e
a dança e resulta muito bem (ele faz a maior parte dos movimentos embora não
tivesse formação de dançarino, a não ser por alguns momentos atléticos, de
ginasta onde foram usados dublês). Ele lembra também que seu penteado no filme
foi inspirado em Sting e no grupo The Police! Mas criticamente acha que estava
melhor no teste (incluído no BD) do que resultou no filme!
Outra pessoa
que finalmente virou estrela é Sarah Jessica Parker, que na crítica original eu
nem mencionei. Ele também da depoimento nestes extras, lembrando que estava com
18 anos e que saiu da série de TV Square
Pegs para fazer o filme e que namorou durante as filmagens Chris
(Christopher Penn). Faz a melhor amiga da heroína e não da para imaginar que um
dia viria a ser o ícone de moda de Sex
and the City. Quanto a Chris Penn (1965-2006) ele é o irmão mais novo de
Sean Penn (então já famoso) e filho do diretor Leo Penn. Ele esta muito bem no
filme, simpático e carismático (e inclusive ao final dá show de dança embora
não tivesse qualquer preparação para isso). Chris fez filmes como Cães de Aluguel, A Hora do Rush, Cavaleiro Solitário,
Short Cuts, Selvagem da Motocicleta (num total de 64 títulos). Morreu gordo, de
problemas com o coração.
Já Lori Singer vem de família musical (o pai é maestro, a mãe
pianista), foi revelada pelo seriado Fama,
mas nunca fez filmes muito importantes: Warlock,
O Homem do Sapato Vermelho, Traição do Falcão, Short Cuts. É mais velha do que aparenta (nasceu em 1957) e bateu Madonna,
que chegou a fazer teste. É irmã do ator Marc Singer, prima do diretor Brian
Singer e muito alta: tem 1 metro e 79. E isso revendo o filme fica muito
visível. O pregador é feito pelo hoje astro de TV e grande ator John Lithgow
(tem até destaque na capinha do Blu-ray) e sua mulher pela duas vezes vencedora
do Oscar® Dianne Wiest.
Como todo
filme tem várias histórias de bastidores: Michael Cimino foi contratado como
diretor, mas despedido porque exigiu dinheiro para refazer o roteiro (ele teve
orçamento muito modesto de 7,5 milhões de dólares e foi rodado em locações realmente
em Utah). John Travolta recusou o papel central enquanto Tom
Cruise e Rob Lowe foram considerados antes de Kevin, mas Cruise estava fazendo
outro filme (All the Right Moves) e
Lowe machucou seu joelho. Sua participação em Diner foi o que contou a favor de Kevin. (para fazer o filme ele
desistiu de estrelar, Christine o Carro
Assassino). O papel da heroína Ariel foi recusado por Daryl Hannah (que foi
fazer Splash) e mais Elizabeth
McGovern e muitas outras (entre elas, Michelle Pfeiffer, Jamie Lee Curtis, Meg
Ryan, Jodie Foster, Tatum O´Neal, Brooke Shields).
Conclusão:
Não chega a ser como diz a capinha do Blu-ray, “o filme que marcou uma geração”
mas o tempo fez esquecer seus defeitos de roteiro e apenas recordar seus pontos
altos. Quem quiser conhecê-lo, melhor preferi-lo nesta edição Blu Ray. Ou num
Cinemark perto de você...
*Footloose (2011). Diretor: Craig Brewer. Elenco:
Dennis Quaid, Julianne Hough, Andie MacDowell, Kenny Wormald, Miles Teller,
Patrick John Flueger, Ray McKinnon, Kim Dickens.
Sinopse: Quando morre sua mãe, o teen Ren
MacCormack deixa Boston e vem morar numa cidadezinha do Sul na casa de tios.
Mas descobre que é proibido dançar na cidade há três anos quando cinco
adolescentes morreram em acidente de carro, causado pela dança e bebida!
Comentários: Ficou inédita em nossos cinemas
esta inútil e mal sucedida refilmagem do sucesso de 1984 que consagrou Kevin
Bacon. O filme original mal chegava a ser classificado de musical (já que todas
as canções eram em off), mas tinha danças cheias de ritmo e energia e nenhuma
pretensão. Foi uma ideia estúpida refazê-lo a moda dos tempos atuais, ou seja,
tudo é mais moralista, bobo e inferior. Na verdade, nenhum dos filmes dessa
década que foram refeitos deu certo (nem mesmo, o Fama que tinha problema semelhante). Alias a história já tinha sido
feita como musical da Broadway. Eu o assisti, mas fora um par de danças não
tinha maior razão de ser. Embora alguns extras do DVD insistam em afirmar que é
uma releitura, não muda muito a história apenas escolhem o elenco errado (para
vocês verem como é fundamental a escolha de atores!).
Começando
pela figura do pregador que perdeu o filho no acidente (alias uma diferença é
essa, aqui tudo começa mostrando os 5 dançando a música tema e depois sofrendo
o acidente de carro que provocará a lei absurda). No original era John Lithgow
que o interpretava de forma exagerada e carrancuda, quase como vilão. Em seu
lugar puseram um dos piores atores de Hollywood, Dennis Quaid, que procurou
humanizar sua figura, justificar sua ação, com medo de entrar em conflito com
grupos religiosos e assim perder o público do interior. Deram-lhe inclusive uma
mulher glamourosa, a já senhora Andie MacDowell. Mas o erro básico foi a
escolha do protagonista que foi descoberto por testes, um baixinho com cara de
nada chamado Kenny Wormald, que se diz
dançarino mas nem isso faz bem. Nem chega aos pés de Kevin Bacon (que não tinha
formação de dança, mas se saiu muito melhor, tanto que sua carreira prossegue
ate hoje). Ele tenta ser meio Mickey Rooney, ou seja um típico Americano, mas
não responda a qualquer quesito e ajuda a derrubar o filme. Sorte teve Zac
Efron que havia sido escolhido para estrelar o filme, mas pulou fora alegando
que não queria fazer apenas musicais. Em seu lugar chamaram Chace Crawford de Gossip Girl, que por sua vez também
desistiu.
Só uma correção: a refilmagem de Footloose não rendeu apenas 15 milhões; e sim abriu com esse número no seu primeiro fim de semana em cartaz. O filme fechou com bilheteria final de quase 52 milhões domesticamente, e 63,5 milhões mundialmente (segundo o site do Box Office Mojo). No site do Rotten Tomatoes, que contabiliza críticas especializadas, o filme está com uma cotação de 71% (com 113 críticas positivas e 47 negativas); para efeito de comparação, o original tem 56% (apesar de estar contabilizado apenas 36 críticas).
ResponderExcluirOu seja, o filme passou longe de ser um fracasso de público (apesar de realmente não ter sido um super sucesso), e ainda mais longe de ser fracasso de crítica, muito pelo contrário.
Acredito que o crítico tem todo direito de não gostar do filme (eu não odiei, mas prefiro o original); mas não acho legal induzir o leitor com informações que não são verdadeiras. Se é para citar fatos, uma pesquisada rápida nos sites mencionados cairia bem.
Lembrando que quem faz o papel do amigo que não deixa maior impressão é Miles teller, que estrelou Whiplash, quarteto fantástico e vem construindo uma carreira sólida a cada filme em hollywood. Só lembrando.
ResponderExcluirLembrando que quem faz o papel do amigo que não deixa maior impressão é Miles teller, que estrelou Whiplash, quarteto fantástico e vem construindo uma carreira sólida a cada filme em hollywood. Só lembrando.
ResponderExcluirNunca vi o filme,vou procurar.
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