EUA,
15. 104 min. Direção de Ericson Core. Roteiro de Kurt Wimmer. Com Edgar
Ramirez, Ray Winstone, Luke Bracey, Teresa Palmer, Matias Varela,
Clemens Schick, Max Thieriot, Delroy Lindo, Nikolas Kinski, James Le
Gros, Tobias Santelmann.
Este é um caso estranho de uma super
produção (feita quase que totalmente por atores e diretores
desconhecidos) e que custou cerca de 110 milhões de dólares e até agora
não rendeu mais de 27 milhões, no que se constituiu num imenso fracasso
para o que vem a ser a refilmagem de um filme Cult que o estúdio achou
que daria muitos frutos. Fui procurar o que escrevi a respeito do
original Caçadores de Emoção (1991). Foi dirigido pela
única mulher a ganhar um Oscar de diretora, Kathryn Bigelow. O elenco
tem o já falecido Patrick Swayze, Keanu Reeves, Lori Petty, Gary Busey,
John C. McGinley e os únicos que retornam aqui são James LeGros e o
Bojesse Christopher, como diretor do FBI. Não é a toa que virou cult.
Olha só que história: é sobre um grupo de ladrões de banco que na
verdade são surfistas. E para complicar há neles infiltrado um jovem
agente do FBI (Keanu na fase pré Matrix). E para
aumentar a emoção há várias cenas com os mais variados esportes radicais
(algumas de tirar o fôlego). Esse é daquele exemplar raro: um filme de
verão no formato e no espírito.
A refilmagem começa com um erro
grave, reúne um elenco desconhecido, começando pelo venezuelano Edgar
Ramirez que ficou mais ou menos conhecido pelo telefilme Carlos, o Chacal (2000), o australiano Luke Bracey e Teresa Palmer (que estrelou Meu Namorado é um Zumbi e agora que deve estrear semana que vem, A Escolha). O diretor era um fotógrafo que fez carreira em filmes de ação como Velozes e Furiosos (o primeiro) e realizou antes o pouco visto O Invencível,
06, com Mark Wahlberg. Originalmente Gerard Butler ia fazer o
protagonista. Levou quase um ano para ser rodado em locações exuberantes
e difíceis em 10 países (em particular na famosa Angel Falls na
Venezuela). Tudo fica valorizado pelo 3D ainda que por vezes se sinta
claramente o uso de efeitos digitais. Mas é um milagre que ainda que com
dublês profissionais, não tenha morrido alguém.
Enfim, o que era
uma aventura bem humorada e com vaga mensagem política acabou se
tornando um filme inflado e exagerado, mais um que divulga a filosofia
do Bromance (é assim que eles chamam a amizade entre homens que embora
não seja gay fica com cara de romance!). O primeiro erro é situar a ação
agora, enquanto o outro se passava na era logo depois do Presidente
Reagan. E eles estavam cercado de mulheres que jeito de supermodels.
Não era para ser levado a sério, tinha senso de humor (que faz muita
falta aqui) inclusive nos nomes que se repetem aqui Johnny Utah e Bodhi.
Para não ressaltar o fato de que o elenco aqui é praticamente
desconhecido, menos atraente e carismático. Originalmente eles eram
surfistas e ladrões de banco, mas aqui ganharam uma outra dimensão meio
Robin Hood, que vai se tornando cada vez menos verossímil.
O filme
começa com Utah (o louro e nada carismático Bracey) que estão no alto
de uma montanha no meio do deserto com um grande amigo e resolvem fazer
uma corrida que culminará com um salto absurdo para um outro pico. O
herói consegue fazer o feito, mas o amigo morre! Por alguma razão nada
clara, isso o inspira a entrar para o FBI (orientado pelo melhor do
elenco Delroy Lindo). E apresenta um teoria difícil de provar que
existem ladrões que viajam pelo mundo. Isso além de absurdo é confuso e
pretensioso quando ainda se acrescenta uma mítica figura chamada Ozaki
8, sobre uma série de esportes radicais em diversos lugares do mundo.
Quando Utah vai surfar numa mega onda, é salvo pelo Bodhi (Ramirez, que
tem cara de bandido Mafioso) e assim tão fácil ele já entra para a
bendita quadrilha. Então vem snowboarding, voando de “wingsuit” e
escalar montanhas pelo jeito para fortalecer a amizade. Para ser justo, o
roteiro inclui ainda algumas citações do original mas nada ajuda a
tornar a história convincente e que não passa de pretexto para incríveis
cenas de ação de envergonhar a ESPN! Mas a amizade não chega a
convencer assim como o interesse romântico com Samsara (Teresa Palmer).
Na
versão de 91, eles eram surfistas aloirados com algum propósito,
enquanto aqui o filme “overproduced”! Viaja pela França, Austrália,
Suíça, Venezuela, Canadá e EUA. Desta vez quem rejeitou o filme não foi a
critica, mas os próprios fãs.
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