EUA,
16. 1h48 min. Direção de Tim Miller.Com Ryan Reynolds, Morena Baccarin,
T.J. Miller, Ed Skrein, Gina Carano, Leslie Uggams, Brianna Hildebrand,
Michael Bernyaer.
Assisti o filme na famosa e bem sucedida
pré-estreia pública a uma hora da madrugada de quinta-feira numa sala
lotada com público de fãs (que reagiram felizes e aplaudiram nas horas
certas, tornando o espetáculo ainda mais agradável). Sim, praticamente
todos ficaram até o fim dos letreiros (por favor, não saiam antes por
que a Marvel usa sua marca registrada com uma aparição do herói, desta
vez fazendo uma citação de Curtindo a Vida Adoidado
(86) homenageando Matthew Broderick, anunciando a presença de outro
herói na continuação já em andamento, que eu não reconheci mas os fãs
adoraram! E afirmando que desta vez não tem Samuel L. Jackman que
habitualmente faz esse adendos!
Mas este é mais um detalhe que vem
complementar o sucesso que vai ser esta comédia (acho que é a maneira
certa de classificá-lo) de ficção cientifica ou simplesmente a
transcrição para o cinema de um herói famoso do quadrinhos que é
completamente diferente dos outros e se dá ao luxo de zombar de muitos
deles (em particular os X-Men e em especial O Wolverine) num roteiro
impagável escrito por Rhett Reese e Paul Wernick (os dois fizeram Zombielândia, mas também o péssimo G.I. Joe Retaliação
e mais nada que justificasse o ótimo resultado). Na verdade eu lamentei
não ser tão aficionado assim de quadrinhos, o que me impediu de
entender várias citações (só para fãs).
Mas a Marvel fez muito bem em abordar o ladro negro dos comics
antes que alguém o fizesse (o criador lendário Stan Lee aparece aqui
como locutor de uma boate de strip-tease!). Praticamente todas as piadas
e brincadeiras funcionam (me lembrando muito o estilo da revista Mad,
ao citar famosos, inclusive já começando pelos letreiros zombeteiros que
cria uma grande publicidade com o público). Certamente grande parte do
mérito cabe ao ator Ryan Reynolds, que durante anos lutou para levar o
projeto de seu coração adiante, no que deve ter sido um trabalho
exaustivo e detalhado (ele aparece a maior parte do tempo ou coberto por
uma pesada maquiagem, ou vestindo a roupa do personagem). Engraçado que
mesmo sendo dublado por especialistas em cenas de luta, Ryan deixa sua
marca na voz e nos trejeitos muitos seus. Certamente a melhor coisa que
já fez em cinema.
Outra boa presença é a da brasileira Morena Baccarin, que foi indicada ao Emmy em 2013 por Homeland e fez mais séries que filme (entre elas, V, que a revelou, The Flash
(ganhou prêmio por uso de uma voz de Gideon). Ela descende de família
de atores (a mãe é Vera Setta, o tio o ator já falecido Ivan Setta) e o
sobrenome vem de um ex-marido ainda repórter da TV Globo (recentemente
se separou do marido diretor de cinema). Estudou na famosa High School
of Performing Arts (de Fama!) e fez a Julliard. Em cinema, fez há pouco A Espiã que Sabia De Menos e me parece que ainda esta em cartaz em Gotham
(a série). Seu papel aqui é o central feminino, a namorada do herói e
espera-se que ela retorne porque tem um tipo diferente, é bonita,
sensual (faz a primeira nudez da Marvel!) e sai-se muito bem.
Tenho
falado mais do prazer que o filme me proporcionou com seu senso de
humor e nem fiz um resumo. O roteiro usa a técnica de começar com o
herói já em plena ação no que seria sua primeira grande missão pegando
um táxi e dando lições a um motorista indiano! Acontece então uma
incrível e divertida luta numa rua estilo minhocão sempre com o herói
tirando o sarro. Sim, com certa vulgaridade, ocasionais grosserias e
bastante violência (para os padrões do gênero). Depois a narrativa é
entremeada de voltas ao passado quando ficamos conhecendo a namorada, o
amigo do bar, a história do amor e finalmente a crise de saúde quando se
fica sabendo que ele vai morrer de câncer. É isso que o faz recorrer a
um último recurso e o faz cair nas mãos do famigerado Ajax. Esse vai e
volta funciona bem e dá certa dinâmica a narrativa (ameaça se arrastar
mais ou menos no meio mas felizmente recupera o ritmo e o humor).
Esta
é a primeira direção de Tim Miller, conhecido como especialista em
efeitos visuais, animador e foi indicado ao Oscar com o curta Gopher Broke, 2005. Foi supervisor Criativo de Scott Pilgrim Contra o Mundo
e alguns curtas. Mas nada disso o preparava para um trabalho tão
competente. O filme também deve transformar em estrela o ator Ed Skrein
que faz o vilão Ajax, que como muitos é britânico, era roqueiro e foi
revelado como tantos para Game of Thrones (onde era Daario Naharis), substituiu Jason Statham em Carga Perigosa, o Legado.
Deadpool passa rápido e dá vontade de ter mais. Que maior elogio se podia dar?
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