Há outra razão para o filme ser tão favorito, os rivais são relativamente fracos. O dinamarquês A War, é um drama de guerra no Afeganistão que parece ter vontade de ser filme norte- americano, Cinco Graças, o turco-francês que esta em cartaz, é feminino mas não especialmente notável. Não conheço o filme colombiano Embrance of the Serpent e Theeb da Jordânia é um filme árabe (dos Emirados Árabes) sobre garoto beduíno durante a Primeira Guerra Mundial que faz viagem no deserto para ajudar oficial inglês em missão secreta. Ou seja, o nosso Que Horas ela Volta? bem podia e merecia dar um fôlego nesta lista tão indigesta.
É preciso prevenir o espectador apenas curioso que O Filho de Saul é um difícil e sufocante. E na sessão que assisti houve os que saíram no meio. Tem se falado que o filme foi rodado em uma proporção quase quadrada. Na verdade, não é bem assim. O formato é o usado pelo cinema até a virada dos anos 1950 quando entra o Scope e o Panorâmico. Então a história que se passa em 1944, se tivesse sida contada naquela época teria sido nessa proporção (o mais curioso é que o filme sofre de um recurso que me aflige é contar toda a história pelo ponto de vista de uma nuca. Ou seja, segue, melhor dizendo persegue por trás , o protagonista que mais obscurece a imagem de tal maneira que quase nunca vemos o que realmente está acontecendo. Ou seja, ela cobre a visão das vitimas que foram mortas, estão sendo agora descartadas, dificulta a compreensão. Mas é bom para o ator que é um escritor amador e mantém a mesma expressão trágica todo o filme).
Enfim, a dificuldade de acontecer o que está sucedendo é parte da proposta do diretor estreante, que elege como protagonista o Saul Auslander, que tem a macabra missão de mesmo sendo prisioneiro de campo de concentração de Auschwitz, 1944, com data marcada para morrer, tem que ajudar os nazistas a administrar os recém chegados encaminhando-os para o banho da morte. Só que uma das vitimas, que custou a morrer, é um rapazinho que Saul insiste que é seu filho e será mistério não resolvido, já que varias vezes é dito que ele não teria filho. Na verdade, essa não é a questão, porque ele ficou obcecado em honrar essa vitima e procura obsessivamente a ajuda de um rabino que possa lhe dar o banho ritual e rezar a prece que lhe daria paz e redenção. E então caminha de um lugar para outro, humilhado pelos oficiais, incompreendido pelos colegas, desafiando a morte que de qualquer forma será inevitável. Há até uma tentativa de revolta e rebelião, mesmo fuga, em que ele vai se envolver.
Talvez porque o espectador fique meio no escuro, sem muitas explicações, é que o filme impressiona mais, até pela ausência de muitas explicações inclusive até o final. E se diferencie tanto de outros trabalhos sobre o mesmo tema. E não dá o espectador o menor respiro, ou momento de resgate, ou concessão ao heroísmo. A tragédia é aquela e pronto. O espectador vira uma testemunha consciente de um ato vil que o diretor resgata de uma possível banalidade. E transforma num ato de fé.
filme com um roteiro ja bastante usado, e massante , mas para quem gosta de filmes mas um relato da horrível realidade que o homem foi capaz de fazer.
ResponderExcluirMe lembrei de A vida é bela,que eu gostei.Só mesmo muita sensibilidade-artística pra tirar beleza(?) de um tema tão terrível.
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