quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Oscar 2016: A Polêmica das Indicações

Sempre que me perguntam sobre o Oscar, faço questão de dizer que ele é honesto, você não pode comprar um prêmio e explico porque. Ele não tem a estrutura de uma órgão político, os votantes moram em diversas partes do mundo e nunca se encontram, votam por correio ou coisa que o valha. Mal se falam ou se conversam. Não conseguem trocar favores como sucede com frequência em júris de festivais de cinema e muito mais ainda em lugares onde se reúnem políticos, que no fundo vivem justamente desse toma lá dá cá. Por outro lado, a Academia é extremamente injusta, tem uma enorme tradição de dar Oscars no ano errado para a pessoa certa, mas que com frequência é consolação por omissões passadas. E deixar passar em branco nomes importantes do cinema, que vão de Greta Garbo e Hitchcock a casos mais recentes, como Spike Lee ou Gena Rowlands. Para isso que existem os Oscars especiais que agora infelizmente são realizados em um cerimônia à parte no fim do ano. É um cala boca muito discutível, mas melhor do que nada.

Não acho que a academia mereça ser crucificada como está sucedendo porque este ano não selecionou nenhum negro, em nenhuma categoria. Na verdade, com muita lógica, porque o problema não é esse. A verdade é que a indústria do cinema americano é branca e masculina (por que até hoje somente uma mulher ganhou o Oscar de diretora? E assim mesmo injusto!). As ditas minorias são justamente isso, apenas uma parte pequena e não tão crescente assim quanto deveriam ser... acho que o choque dos finalistas é mais porque a presidente da Academia atualmente é uma mulher e negra, que estava se esforçando abertamente para trazer mais igualdade a premiação e como já no ano passado tinham feito com o filme Selma (que levou apenas Oscar de Canção, embora fosse a denúncia mais poderosa do racismo que Martin Luther King teve que enfrentar em sua vida). Por isso mesmo tomou providências para que a festa deste ano tivesse um apresentador negro - o ótimo Chris - além de um produtor negro, o diretor Reginald Hudlin.

Mas não pensaram no mais importantes, na verdade os possíveis candidatos não eram assim tão fortes quanto se podia pensar. É só ver a lista: Samuel L Jackson está excelente no filme do Tarantino, mas acontece que o filme ficou pronto em cima da hora e em certas premiações não deu nem tempo para concorrer; Idris Elba, outro grande ator, estrelou um filme divulgado pelo Netflix que não é exatamente a cara da Academia; O Creed pelo jeito a Warner não achou que era filme de Oscar e não fez campanha publicitária e Stallone está concorrendo e ganhando agora justamente por uma dessas injustiças a corrigir. Ou seja, o fato é que ha uma série de circunstancias que não tem nada a ver com racismo, ao contrario, a Academia e o próprio cinema americano já deu sinais disso em toda sua História. Eu acho mesmo mais triste constatar que no Brasil os filmes sobre e para negros as vezes já saem direto em Home Video. DVD ou TV por assinatura. E são enormes fracassos de bilheteria desde sempre... isso sim se poderia chamar de uma forma de racismo.

O que a presidenta fez foi mexer nas regras da Academia, procurando arejar mais o sistema, por exemplo fazendo com que os votantes tenham cargos durante dez anos, dali em diante para renovar teriam que provar que estão em ação na indústria do cinema e não aposentados (não seria isso outro preconceito, agora contra velhos?) e aumentar o números de sócios que são convidados pela Academia e não podem se inscrever, principalmente com mais mulheres, negros, latinos e europeus.

Tudo bem, mas levaria anos para mudar e francamente não garante nada. Não quando se ouve atualmente nos EUA onde estou no momento um candidato imbecil a presidência que está sendo muito cotado, ameaçando expulsar todos os mexicanos para sua terra natal. Vejam que curioso ele faz isso, exatamente quando a academia ameaça premiar justamente um fotógrafo mexicano pela terceira vez consecutiva, um fato inédito no Oscar e um diretor mexicano Inãrritu por O Regresso (The Revenant), que ganhou ano passado.

Ou seja, como tudo na vida o buraco é mais embaixo e não será resolvido de forma simplória e simplista, ouvindo atores veteranos que não entendem do assunto, que precisa mudar sem dúvida é verdade. Agora como mudar é que são elas... que engraçado que não é só lá que isso acontece, né? Tanta coisa por aqui que precisa também mudar...


O apresentador , que é Chris Rock, claro que vai garantir tiradas muito irônicas! Será que não vão reclamar de deixarem de lado o lesbianismo porque não puseram na lista Carol? E por que não mudam logo essa besteira de variar o número de filmes a cada ano, deixa dez e pronto, porque desse jeito dá a impressão de que tem anos bons e anos ruins. Esqueci de mencionar  o mais importante,  que outro grande problema e a própria votação da Academia, que não é o sistema tradicional, mas um que eles trouxeram da Austrália, que é uma confusão danada e o sócio ao votar em dez na verdade apenas os dois primeiros em que votou tem algum peso. Eles tentam explicar e cada vez fica mais confuso e caótico. Isso que  deveria mudar dentre tantas outras coisas.

Rubens Ewald Filho direto de Atlanta, EUA.

9 comentários:

  1. Indicar 10 filmes é pior,não existe tantos filmes típicos p agradar votantes nos cinemas. Hoje o mundo é streaming.Mesmo com alguns entusiasmos q tentam recuperar com muita ousadia a volta dos cinemas de ruas.As qualidades cinematográfica está estagnadas e subtraindo cada ano q passa,por isso eu compreendo quando em vez de 10 filmes sai 8 ou 7.

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  2. Indicar 10 filmes é pior,não existe tantos filmes típicos p agradar votantes nos cinemas. Hoje o mundo é streaming.Mesmo com alguns entusiasmos q tentam recuperar com muita ousadia a volta dos cinemas de ruas.As qualidades cinematográfica está estagnadas e subtraindo cada ano q passa,por isso eu compreendo quando em vez de 10 filmes sai 8 ou 7.

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  3. Rubens, não sei se estou certo, porém em minha humilde opinião deveriam ser apenas cinco concorrentes na categoria melhor filme. Fizeram esta mudança pois a cerimonia do oscar vinha perdendo audiência ao longo dos anos, e acharam que precisavam mudar em alguma coisa. Mas francamente, no meu entender, cinco é um ótimo número, pois dá a impressão de valorizar mais os filmes que estão concorrendo em questão. Afinal desde 1945, se não me engano já era esse molde. Vc tem a mesma opinião ou discorda? Grato!!!

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  4. Algumas pessoas reclamam de vc Rubens porque teria uma análise pouco profunda das questões sobre o cinema. Considero imensa injustiça, seu trabalho é fazer uma crítica sobre os filmes lançados e não fazer antropologia cultural. A verdade que quando vc se propõe pode fazer um texto profundo e fundamentado. E por isso por outros que te considero um dos maiores críticos do mundo sobre cinema.

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  5. Algumas pessoas reclamam de vc Rubens porque teria uma análise pouco profunda das questões sobre o cinema. Considero imensa injustiça, seu trabalho é fazer uma crítica sobre os filmes lançados e não fazer antropologia cultural. A verdade que quando vc se propõe pode fazer um texto profundo e fundamentado. E por isso por outros que te considero um dos maiores críticos do mundo sobre cinema.

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  6. Concordo. Extinguir o racismo dá tanto trabalho... Melhor é deixar como está e continuar fingindo que tudo segue na normalidade. #deixaprala

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    1. Concordo em algumas partes, porém discordo no geral. A Academia é sim preconceituosa e isso já vem sendo demonstrado há anos, agora o problema todo é que não se trata de racismo apenas contra negros, a principal crítica à Academia deve-se ao fato de ser uma premiação praticamente fechada, sem diversidade entre filmes e atores. No que concordo com você é o fato de ainda haver muito sexismo (e eu acho que Carol foi injustiçado esse ano entre os melhores filmes) como no caso de melhor duretira que até hoje somente a Katherine Biggelow venceu, mas também é injusto com a falta de candidatos e performances de atores e atrizes que não são de um país anglófono. Enfim, o Oscar é realmente injusto e algumas medidas (não cotas) precisam ser tomadas para que essas injustiças sejam amenizadas.

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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