Jordânia,
Qatar, Inglaterra, Emirados Árabes, 2015. Direção de Naji Abu Nowar.
Roteiro de Nowar e Bassel Grandour e Rupert Lloyd. Com Jacir Edi
Al-Hwietat, Hussein Salameh Al-Sweihiyeen, Hassan Mutiag Al Maraiveh.
É
muito estranha a lista dos filmes estrangeiros para o Oscar este ano,
selecionando produções de importância duvidosa. Como se diversidade
quisesse dizer talento ou qualidade, quanto se sabe que não é bem assim.
Naturalmente O Filho de Saul parece ser o favorito,
mas cada vez que penso neste filme acho-o mais problemático. Por
exemplo, já há algum tempo não se vê ao menos aqui um drama sobre
Holocausto na profundidade. E este senhor diretor filmando praticamente
tudo pela nuca do protagonista parece estar fazendo um truque, chamando a
atenção para si e não o que esta sucedendo em Auschwitz. Querendo
mostrar, “olha como sou inteligente e criativo, além de ousado”. Já que
mal conseguimos ver nem detalhes nem exatamente o que se passava no
campo (o banho da morte, a chegada deles, de forma que se consegue ver e
entender pouca coisa. A impressão é que o leigo ou o jovem ficará
confuso e sem as informações. Para não esquecer também que ele mobilizou
figurantes e grande produção para simplesmente não mostrá-los! Ou
apenas como pano de fundo. Usando câmera de pouco alcance, Ou será isso
uma espécie de truque para deixar o espectador propositalmente
confuso?). Certamente eu preferia um filme mais claro e menos
pretensioso.
E os outros indicados ao Oscar (não consegui ver o colombiano O Abraço da Serpente). Mas achei o dinamarquês A War muito fraco, o turco Cinco Graças bem feminino (isso hoje é qualidade),e agora este Theeb (que significa Lobo). Ele representa - e foi rodado em - um dos poucos países árabes menos belicosos, a Jordânia.
Este
filme teve carreira longa em festivais: foi indicado ao BAFTA de
roteiro de estreante e filme em língua estrangeira, em Abu Dhabi, premio
da critica e premio do Mundo Árabe,Beijing melhor diretor estreante,
Cairo (fotografia e direção), Cameraimage (diretor estreante), FEST
(melhor filme e diretor), Miami (roteiro), Veneza na paralela Horizons
(diretor).
Lembrando em alguns momentos Lawrence da Arábia,
o filme se passa na mesma época, durante o Império Otomano na
provincial de Hijaz (hoje Arábia Saudita) em plena Primeira Guerra
Mundial. Mostrando as experiências e amadurecimento de um adolescente,
justamente Theeb, quando participa de uma perigosa viagem através do
deserto para guiar um jovem oficial britânico Edward que tem que ir num
destino secreto. Esse papel é feito por Jack Fox, que é o quarto filho
do famoso ator James Fox (O Criado, Positivamente Millie, Caçada Humana, Isadora) que por sua vez descende de famosa família teatral.
Não
espere um filme político, é ao contrário uma aventura clássica que
podia ser feita a qualquer momento, já que pertence a um gênero hoje
esquecido, que é a aventura no deserto revelando os antigos costumes
beduínos (e interpretado por amadores).
Na historia são dois
irmãos órfãos, Hussein e justamente Theeb que pertencem a uma família de
guias peregrinos e que seguem as regras de hospitalidade de sua tribo.
Os meninos então quando rejeitados, seguem o grupo que cai numa
emboscada num canyon, são obrigados a deixar seus camelos e ouvem as
vozes dos inimigos durante a noite. Hussein é morto e surge um
mercenário ferido. A perda do irmão (os atores são primos na vida real) é
o conflito maior do protagonista. Mas o diretor faz questão de deixar
claro o contexto histórico, já que a tradição dos nômades está chegando
ao fim. Mesmo tendo sido rodado em Super 16, com lentes anamórficas, o
filme resultou bonito e cumpre sua proposta. Acredito que tenha sido
esse seu aspecto um pouco antiquado que tenha comovido a Academia.
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