segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Mostra Internacional de São Paulo 2013

Critica de Francisco Cannalonga.

Paradjanov 2013, Ucrânia. Dirigido por Serge Avedikian, Olena Fetisova. Com Serge Avedikian, Yulia Peresild, Karen Badalov, Zaza Kashibadze. 95 min.

     A pretensão é fazer uma cinebiografia de Sergei Paradjanov (1924-90), o excêntrico e genial diretor georgiano. Mas o resultado  não poderia ser menos excêntrico. Bem que tentam  mas não o suficiente. Paradjanov é possivelmente  dos grandes diretores o menos conhecido e subestimado, tanto em sua época quanto no presente. Seus filmes tem um estilo impossível de copiar , singular, e podem ser descritos da seguinte forma: São uma tela em branco, onde o diretor pinta suas belíssimas imagens, sem dar muita atenção à trama ou diálogos.

     Sobre a cinebiografia… O diretor é vivido por Serge Avedikian (que também assina a direção do filme ao lado de Olena Fetisova), que é extremamente convincente em sua interpretação, conseguindo equilibrar a caricatura com momentos mais serenos. No entanto, isso não é o suficiente para tornar o filme realmente especial. A trama se desenvolve a partir das filmagens de Os Cavalos de Fogo e procura mostrar diversos momentos da vida do cineasta, seu relacionamento amoroso com o filho de um homem importante do partido comunista, as difíceis filmagens de A Cor de Romã, sua prisão decretada pela União Soviética devido a sua chamada “subversã” e excentricidade e mais importante de tudo, seu infinito amor pela arte, beleza e por sua esposa.

      Há momentos de grande inventividade, em que vemos Paradjanov “dirigindo” seus filmes, através de manipulação digital. Há também algumas sequencias em stop-motion, que procuram com sucesso retratar como a mente do cineasta operava. Mas não é o suficiente, o filme nunca se aprofunda realmente na personalidade do diretor e esses artifícios visuais tornam-se cansativos, quando não simplesmente desnecessários. O personagem central não é tão magnético quanto deveria ser e  assistindo o filme, é possível o espectador  se perder em pensamentos externos.

Apesar de seus méritos, a cinebiografia não consegue equilibrar a excelente atuação de Serge Avedikian com um roteiro mais sucinto tornando o resultado cansativo. 

Fim

Mostra Internacional de São Paulo 2013 - Filme: Hopper Stories

Critica de Francisco Cannalonga.

Hopper Stories. França/Dinamarca/Alemanha , 2013. Dirigido por - Mathieu Almaric, Sophie Barthes, Dominique Blanc, Martin de Thurah, Sophie Fiennes, Velérie Mréjen, Valérie Pirson, Hannes Stor.


O adjetivo mais comum para esse tipo de filme - antologia de curtas, de vários diretores diferentes, sobre um tema em comum, certamente é “Irregular”. Hopper Stories não é irregular. De certa forma, é bem regular em sua característica básica:. é péssimo. Oito curtas metragens, dirigido por jovens diretores, aparentemente talentosos, todos se encontram na limite entre ruim e péssimo. É uma serie de  8 curtas, cada um deles inspirado por uma pintura de Edward Hopper painting. A serie foi comissionada pelo canal de teve Arte France e produzida por Didier Jacob, En Haut des Marches. Elçs são The 8 shorts are 'Next to Last' do ator Mathieu Amalric com o famoso documentarista Frederick Wiseman como Edward Hopper, 'The Muse' de Sophie Barthes com Michael Stuhlbarg, 'Hope' da atriz  Dominique Blanc com Clemence Poesy, 'First Row Orchestra' de Sophie Fiennes, 'Conference at Night' de  Valerie Mrejen, 'Rupture'  pela diretora de animação Valerie Pirson, 'Berlin Night Window' do alemão  Hannes Stohr, 'Mountain' do dinamarques Martin de Turah.


Edward Hopper, famoso pintor e artista gráfico americano, certamente não apreciaria muito os curtas-metragens que se originaram a partir de sua obra. Ah, esqueci de mencionar, o filme como um todo presta homenagem a Hooper, não que isso queira dizer muita coisa, provavelmente nem os mais fanáticos pelo pintor vão conseguir apreciar as obras, tamanha pedantismo, falta de contexto e formatação desses filmes. É difícil até mesmo de tentar selecionar um ou outro que mais agradou  ou que desagradou mais. 

O maior desapontamento talvez seja o curta de Sophie Fiennes, irmã do ator Ralph Fiennes e diretora de dois filmes estrelados pelo filósofo marxista Slavoj Zizek - O Guia Pervertido do Cinema e O Guia Pervertido da Ideologia. Em ambos filmes, mesmo que Zizek roube completamente a cena, Fiennes consegue impor um divertido e inventivo estilo visual, misturando o filósofo com cenários de filmes que ele discute durante a projeção. Neste projeto, é um tédio total.Apesar de ter apenas 40 minutos. 

Apesar da proposta interessante - criar um curta metragem livremente a partir de uma pintura de Edward Hooper, o resultado não é nada menos do que constrangedor. Levem um travesseiro.
Fm

Mostra Internacional de São Paulo 2013 - Fime: Trem Noturno para Lisboa

Critica de Rubens Ewald Filho


Trem Noturno para Lisboa /Night  Train to Lisbon. Portugal/Alemanha/França, 13. 111 min. Direção de Bille August. Baseado em livro de Pascal Mercier. Com Jeremy Irons, Melanie Laurent, Jack Huston, Martina Gedeck, Tom Courtenay, August Diehl, Bruno Ganz, Charlotte Rampling, Christopher Lee, Lena Olin.

     Só pelo elenco dá vontade de assistir este filme mas eu aconselho a deixar passar em branco, não vale ver nem mesmo depois em casa, por acaso. Faz tempo que já se desistiu do diretor Bille August (que acertou no tempo de Pele, o Conquistador e deve ter gostado tanto de Lisboa, onde rodou A Casa dos Espiritos que aceitou retornar aqui num projeto furado, que lembra os filmes multinacionais feitos nos anos 80 que eram chamados de Euro Pudding (porque embora se passassem em determinado país, não se usava a língua local e o elenco de origem diversa, usava o inglês com sotaque e algumas palavras de português de Portugal e uma menção rápida de Brasil, melhor dizendo Amazonas). 

      Talvez o livro faça mais sentido porque a palavra escrita joga com a imaginação, mas quando encenado fica difícil ter alguma lógica a absurda historia de um professor suíço de Berna (Jeremy Irons, cuja idade o humanizou) que salva uma moça que vai se jogar de uma ponte. Depois descobre no casaco dela, um bilhete de trem noturno para Lisboa e um livro de um certo Almeida Prado, que tem citações pseudo filosóficas que o deixa intrigado (embora sejam frases feitas como “existe um segredo debaixo da superfície da atividade humana?. Se nós realmente apenas vivemos uma parte do que temos dentro de nós, o que é que acontece com o resto?”. Só que no final das contas a trama não é sobre o sentido da vida mas a denuncia da ditadura de Salazar (nem se menciona o nome dele direito) e a repressão que prendia, torturava e matava aqueles que faziam parte do que se chama no filme de Resistência (como nos filmes franceses feitos pelos americanos ). 

     Assim nosso herói vai de pergunta em pergunta fazendo amizades (há pouca ou quase nenhuma ação), chegando mesmo a conquistar um absurdo interesse romântico. Como filme político, suspense ou aventura, o filme é totalmente nulo. A única possível qualidade é a presença de um elenco internacional curioso que inclui Christopher Lee quase centenário, o jovem Jack Huston como o Almeida (é neto do diretor John Huston), a charmosa francesa Melanie Laurent (Bastardos Inglórios) e depois mais velha fazendo o mesmo personagem, Lena Olin (mulher do diretor Lasse Hellstrom), o excelente britânico Tom Courtenay, o alemão Bruno Ganz , a inglesa Charlotte Rampling, a alemã Martin Gedeck. Todos em papeis menores do que mereciam. Ah, sim, Lisboa continua fotogênica e adorável.

Ref fim.

Diana

Diana (Idem) Inglaterra, 13. Direção de Oliver Hirschbiegel. Roteiro de Stephen Jeffreys baseado em Livro de Kate Snell.  113 min. Imagem. Com  Naomi Watts, Naveen Andrews, Douglas Hodge, Charles Edwards, Geraldine James, Cas Anvar, Laurence  Belcher, Michael Byrne, Harry Holland, Art Malik.

     Assisti o filme no dia na estreia em São Paulo, junto com outras 20 pessoas indiferentes e acabei achando que os críticos europeus que eu citei na material de apresentação foram é generosos. O principal defeito do filme não é parecer telefilme (mesmo porque hoje  em dia com a alta qualidade do que é feito para a televisão a comparação já não tem cabimento). Simplesmente ele é extremamente chato, aborrecido, uma historia de amor repetitiva, sem nenhuma emoção e prejudicada além de tudo por um galã feio e mau autor (estou supondo que ele foi poupado porque o britânico/hindu Naveen Andrews, era muito querido por sua participação na serie Lost e se alguém ainda lembrar em O Paciente Inglês ao lado de Juliette Binoche. Mas aqui esta inexpressivo, chega a ser irritante e nada carismático). Perderam uma grande oportunidade de fazer uma boa biografia de uma figura lendária do fim do século passado. 

       Mas talvez por medo de algum processo ou retaliação da Família real , o filme simplesmente não mostra praticamente nada da vida dela dentro da Realeza . Já começa quando esta separada e vemos apenas de longe um flagrante dela chegando de férias com os dois filhos. Nada mais. Não tem rainha, não tem marido infiel. A surpresa para mim foi não apenas o caso dela muito serio e ate longo com o médico paquistanês (obviamente não me dei ao trabalho de ler as biografias, Diana não fazia cinema). Mas como ela teria sido manipuladora da imprensa, a ponto de ligar para os editores de revistas e jornais e estabelecer regras. Ou seja, era inteligente mas também fria, a ponto de marcar e fazer uma entrevista na televisão chutando o pau da barraca, sem que os auxiliares soubessem. E para qual ensaiou diante do espelho. É o único momento onde se fala nominalmente da amante do Principe Charles, com quem hoje ele é casado e perdoado (nem por isso o mundo inteiro se cansa de achá-la feia, medonha mesmo. E culpada pela separação. Sendo claro: o drama maior da vida dela que seria o que sofreu na mão da sogra Rainha e dos burocratas dos palácios não é mostrado, tudo é reduzido aos dois últimos anos de sua vida). 

      O fato é que mostrar Diana usando Dodi Fayed a deixa manipuladora (o filme começa na noite da morte em Paris, mostrando a cena pelo ponto de vista dela, no hotel luxuoso em que está e sua relutância em ir embora, preferindo esperar pelo telefonema do médico, estava brigada com ele naquele momento mas o filme mostra e remostra as idas e vindas do casal inúmeras vezes. Acho o começo ate interessante embora esteja já cansado de ver filmes atuais com câmera na mão que insistem em acompanhar os personagens pela casa, é o maior clichê atual do cinema!.  Ah, naturalmente a cena é repetida ao final embora não se dignem a mostrar as circunstancias do acidente. Eu jantei em Paris uma vez com o médico brasileiro que a atendeu (era noivo de uma amiga minha) e comentou comigo as circunstancias tremendas da perseguição e acidente, culpa sem duvida dos paparazzi sem escrúpulos. Tudo isso teria provocado ainda maior impacto na parte final. Do jeito que está a falta de expressão de Naveen na hora que vai entregar o ramalhete de flores chega a ser insultuosa para o espectador. Todo mundo triste e ele com cara de nada.

      Acho importante também mencionar a sequencia das Minas (Diana fez campanha aberta e de grande repercussão contra o uso de minas terrestres que faziam vitimas inocentes) ate porque ao final são fornecidos dados sobre as conseqüências quando tanto coisa mais é omitida (ah, outra coisa, não se qualquer sinal da família dela! Como se não existissem).    

         A escolha de Naomi Watts para ser Diana se limitou a copiar penteados e figurinos (poucos na verdade em geral esta informal) e lhe dar um nariz postiço (mesmo assim bem menor do que da verdadeira, devem ter tentado e achado que ficaria longo demais, enfeando a atriz. Preferiram a fantasia. Diana não tinha a cara que lhe da Naomi mas em compensação é uma figura simpática, uma atriz sempre eficiente e a única pessoa a sair ilesa desta infelicidade). Outra coisa para quem tem má memória, a única amiga intima que ela tem e que se chama Sonia nos créditos (feita por Juliet Stevenson, que não tem sua beleza ou discrição) na verdade é uma brasileira  que era a mulher do Embaixador brasileiro em Londres na época e que foi sua melhor amiga até o fim. Sendo que continuou discreta mesmo depois de sua morte (um gesto sem duvida admirável).

     Falta falar mal dos diálogos que são com freqüência risíveis. E da escolha do diretor, chamar um alemão para tal historia é porque já estavam querendo errar. O Hirschbiegel tinha feito antes biografia de Hitler ( A Queda), dramas pesados (A Experiência) e tinha errado em Hollywood ao tentar suspense/terror com Nicole Kidman (Invasores). Não era a pessoa indicada para fazer um drama romântico para o publico feminino chorar.

     Não é que o filme Diana seja tão ruim, é simplesmente entediante e interminável.

Ref fim

Mostra Internacional de São Paulo 2013 - Filme: Grand Central

Critica de Francisco Cannalonga para o Fan Page de Rubens Ewald Filho


Grand Central. França, 2013. Direção - Rebecca Zlotowski. Com Tahar Ramin, Lea Seydoux, Olivier Gourmet, Denis Ménochet.

     Grand Central é mais um daqueles casos em que o filme, em seu primeiro ato, apresenta uma temática e premissas interessantes, mas que se perde ao longo do caminho, mesmo contanto com um elenco de peso. Segundo longa da diretora francesa Rebecca Zlotowski, estreou e competiu na categoria "Un certain regard" no festival de Cannes desse ano. 

    No filme, Tahar Ramin (O Profeta) vive Gary Manda um "drifter" que em seu desespero, aceita trabalhar numa usina nuclear, onde os intensos níveis de radiação causam grande estresse físico e mental nos trabalhadores. que vivem numa pequena comunidade, em trailers ou quitinetes. Lá conhece Gilles (Olivier Gourmet, presença constante nos filmes dos irmãos Dardenne), o mais antigo e responsável pelos novos empregados, Toni (Denis Ménochet) e a bela Karole (Lea Seydoux), esposa de Toni, por quem Gary se apaixona e com quem tem um caso.

    O primeiro ato do filme é excelente em relação a fluidez dos eventos, os personagens e o texto  são apresentados de maneira eficiente. As sequencias na Usina são as mais interessantes, onde o emprego da camera na mão imprime urgencia às cenas e a sonoplastia auxilia na crescente tensão. Mas, após o primeiro ato, o filme desanda.  Diversos textos (e subtextos) interessantes que foram  apresentados no inicio  são esquecidos em função do aprofundamento do romance de Karole e Gary,  que é, certamente, o texto menos interessante da trama. 

      Grand Central apesar de tecnicamente eficiente, sofre pela grande carência de estilo na direção. Propositalmente ou não, por momentos parece que assistimos a um filme (mediano) de Jacques Audiard (O Profeta, Ferrugem e Osso), mas sem a mesma confiança em sua linguagem e intensidade.

   Contanto com um segundo ato mediano, um terceiro capenga e um desfecho forçado e sem nenhum poder, Grand Central é mais um na enorme lista de filmes que tinha tudo para ser bom, mas não o é.

Fim

Mostra Internacional de São Paulo 2013 - Filme: Escudo de Palha

Critica de Francisco Cannalonga para o Fan Page de Rubens Ewald Filho

Escudo de Palha – Wara No Tate. Japão, 2013. Dirigido por Takashi Miike, com Nanako Matsushima, Tatsuya Fujiwara, Takao Ohsawa.

     Para entender a inconstância e método do diretor cult japonês Takashi Miike, seria necessário compará-lo com músicos experimentais como Frank Zappa. Assim como era Zappa, Miike é extremamente prolífico em suas produções, chegando a dirigir até três ou quatro longas em um único ano e, assim como Zappa, nem todos os trabalhos gozam da mesma qualidade e dedicação. Escudo de Palha se encontra no meio termo entre os bons filmes de Miike como 13 assassinos e Audition e os ruins - Zebraman. 

    A trama gira em torno de uma equipe de quatro policiais cuja missão é escoltar Kiyomaru (Tatsuya Fujiwara), assassino da neta de um magnata das finanças que prometeu um bilhão de ienes ao homem ou mulher que assassinar Kiyomaru. A equipe se encontra encurralada contra praticamente toda a população do Japão e todos podem se tornar traidores, sem nenhum aviso. O enredo se desenvolve de forma episódica a medida que a equipe viaja rumo a Tóquio , escoltando Kiyomaru. Cada uma dessas sequencias carrega surpresas e novos testes de caráter aos personagens. E   apesar de inconsistentes em sua qualidade, são sempre divertidas. O protagonista, Kazuki Mekari (Takao Ohsawa) é certamente o personagem mais interessante e tridimensional do enredo e sua honra e caráter são colocados a prova, de formas cada vez mais intensas, a medida que a trama se desenvolve - a grande questão do filme é,”vale a pena proteger um homem que "merece morrer" em prol da honra e da justiça?”.

      O maior problema do filme toma forma em sua segunda metade. No primeiro ato, através de enquadramentos e planos "manjados", Miike brinca com clichês do cinema de ação norte-americano, brinca também com situações improváveis fomentadas pelo roteiro. No entanto, a medida que o filme se desenvolve, Miike comete o erro de levar a sério demais o roteiro esdrúxulo que tem em mãos, o que resulta em cenas contrangedoras, que deveriam ter algum poder emocional, mas não se justificam tamanha excentricidade do roteiro. 

     Apesar desses problemas, as sequencias de ação são  de tirar o fôlego e algumas cenas poderosas "escondidas" ao longo da trama fazem valer a sessão.
Ref fim .

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Kick- Ass 2

Kick- Ass 2 (Idem). EUA, 13. Direção e roteiro de Jeff Wadlow. Baseado em quadrinhos de Mark Millar e John Romita Jr. 103 min. Com Aaron Taylor-Johnson, Chloe Grace- Moretz, Christopher Mintz-Plasse, Morris Chestnut, Donald Faison, Claudia Lee, Steven MacKintosh, Garret Brown, John Leguizamo, Yancy Butler, Iain Glen, Clark Duke, e Jim Carrey. 

     O primeiro filme foi Kick- Ass Arrebentando Tudo (2010) dirigido por Matthew Vaughan (que assina como co-produtor desta continuação, assim como sua mulher a ex modelo Claudia Schiffer e Brad Pitt). Teve um orçamento de 30 milhões e não foi grande sucesso (96 milhões de renda global). Assim mesmo foi considerado cult (eu mesmo animadinho cheguei a importar o Blue Ray) e insistiram em realizar em continuação, trazendo –mesmo que sem destaque a presença do astro Jim Carrey no elenco (ainda que mascarado). Um tiro que saiu pela culatra, antes da estréia ele acusou o filme de ser desnecessariamente violento demais criticando o uso de armas de fogo .Ele só esta em cena por menos de 9 minutos, inventou grande parte dos diálogos dele (as frases  :Tente se divertir, se não? Qual a razão de ser?.E outra, Sim há cachorro em suas bolas. Ele era fã da historia original e comprou ele mesmo o material que usa no filme. 

    E o resultado: este teve orçamento mais baixo (28 milhões de dólares) assim como renda (mundial ate agora 60 milhões).Na verdade, eu já na critica do primeiro filme eu reclamava tendo escrito o seguinte: “É muito estranho terem feito um filme para adolescente que é fã de quadrinhos se identificar com o protagonista. Só que realizaram um longa tão violento, tão forte , que acabou tendo a censura R (ou seja proibindo a entrada de menores a não ser acompanhados dos pais, e desde quando teen vai ao cinema com a família! Nunca. Ou seja, não permitiu que eles vissem o filme que rendeu menos do que se podia esperar Realmente exageraram na dose (afastando também o publico feminino) por causa de seu excesso de palavrões, cenas muito violentas e um assunto que assusta (a grande heroína é uma menina de 11 anos treinada pelo pai para ser lutadora e assassina, tudo para vingar a morte da mãe. Uma situação que a principio choca um pouco a gente mas a menina é ótima e convincente o que ajuda a dar um toque de Tarantino ao filme ( a menina Chloe fez depois o filme de vampiro Let me In /Deixa Ela Entrar)..

      Mas é interessante a historia de um garoto que deseja ser um super herói com super poderes, como O Homem Aranha (já houve outras historias semelhantes). Obviamente ele é um rapaz meio nerd, Dave, que é interpretado por um  inglês Aaron Taylor Johnson que inventa um herói  chamado Kick –Ass (Chuta Traseiro literalmente). O filme já começava sinistro quando um cara que também deseja ser super herói pula do alto de  arranha céu e morre. Essa  é a proposta, ou você topa ou fica fora do filme. Para se ter uma idéia o titulo da critica do New York Times foi “É um pássaro, é um avião, não é um banho de sangue!!. 

      E se espanta com a atitude do filme que ao mesmo abraça e satiriza os clichês contemporâneos dos filmes de ação. O que salvava bastante era o  senso de humor, a habilidade nas cenas de ação, ausentes nesta continuação.

Kick-Ass 2

    Outra continuação que é pior (muito) do que o original. Quem dirige a nova versão é Jeff Wadlow, que não me parece credenciado para tanto, ele fez o filme de luta Quebrando Regras, e o terror Cry- Wolf, o Jogo da Mentira. Mas o resultado não tem o mesmo humor, nem ritmo, principalmente o vigor e a vibração do primeiro. Além de ser sádico, agora todos parecem cansados, envelhecidos (no caso especial de Aaron ficou velho demais para o papel). E os personagens e tramas parecem correr paralelas sem nunca se encontrarem . Não gosto da cena de abertura que mostra uma garota atirando num cara que não quer entrar na brincadeira e ela repete o jogo (ele tem proteção mas ainda assim é algo perigoso e desleal). Deixa um gosto amargo no espectador. Nicolas Cage que fazia o pai da menina é mostrado apenas numa foto na parede e agora ela tem um guardião negro e bonzinho (Chestnut).  Enquanto isso o chato do Christopher perdeu o pai e inferniza a mãe, insistindo em ser um super vilão (não gosto nada do ator ) e mais uma vez, acidentalmente ele mata essa mãe ao dar chutes na maquina quando ela esta se bronzeando artificialmente (o gosto piora na boca). O mau gosto de tudo logo é aumentado pelo grande numero de “profanidades” como dizem os americanos, ou seja palavrões. Não mudam muito mas dão ao filme o tom de grosseira que ele estava procurando. E ainda Misógino, estúpido, sem rima, ou razão. 

      Jim Carrey aparece aos vinte e três minutos, quase irreconhecível. Não em um de seus melhores momentos (reflete por sinal a crise em sua carreira, ficou velho demais para fazer palhaçada, não acertou fazendo drama, ao menos com o publico). Faz o Coronel Star and Stripes, super americanófilo! Mas foi quando eu desisti de ver o filme pela segunda vez, não tinha me conformado em não ter gostado de primeira. Este tenho agora certeza que não vai para a  minha coleção de Blu Rays.

Ref fim  


 





         



 

Os Suspeitos

Os Suspeitos (Prisioners) EUA/Canadá, 13. Direção de Denis Villeneuve. Roteiro de Aaron Guzikowski. Paris Filmes. Com Hugh Jackman, Viola Davis, Jake Gyllenhaal, Maria Bello, Terrence Howard, Melissa Leo, Paul Dano, Len Cariou. 153 min. 

      Muito bem recebido no Festival de Toronto, que atualmente é considerado a previsão mais acertada para o Oscar, este filme policial de suspense acabou desapontado nas bilheterias (para um orçamento de 46 milhões de dólares rendeu ate agora apenas 53 milhões e por enquanto 22 no exterior). Em parte porque é excessivamente longo (quase três horas de duração), também bastante confuso, não muito original e muito prejudicado por um final que sem a menor necessidade é obliquo, como se tivessem medo de serem mais objetivos. Muita gente louvou também a interpretação de Hugh Jackman, achando que tem chance para o Oscar mas ele me pareceu excessivo, como se ainda estivesse na pele de Wolverine (alguns defendem dizendo que o publico americano não gosta e não entende sutilezas).

      O fato é que você já viu essa historia antes, muitas vezes por sinal. Com uma única diferença importante: o filme foi muito bem dirigido por um realizador canadense, já ate veterano que ficou finalmente famoso por causa de Incêndios (2010) virou Cult quando foi indicado ao Oscar de produção estrangeira. Perdendo para o inferior dinamarquês Em Um Mundo Melhor. Tanto que atualmente o texto foi adaptado para o teatro e esta em cartaz no Rio de Janeiro com Marieta Severo. O diretor chamado Denis Villeneuve e eu o conhecia apenas por outro filme lançado aqui (de 2000, Redemoinho).

      Seu trabalho é exemplar e original. Certamente não teve o poder de mexer muito em roteiro mas contou com um elenco de primeira linha, na verdade com excelentes atores que não tem muito o que fazer (como é o caso das esposas que se limitam a chorar Viola Davis e Maria Bello, já que o script não soube desenvolver os personagens paralelos). Ainda assim ele conseguiu manter a atenção e sustentar um clima de suspense, de aflição e expectativa, sem esquecer em registrar o frio, a neblina, o clima inóspito de inferno glacial.

      A historia é que carece de novidades, talvez culpa do roteirista Aaron Guzikowski (que fez aquele horrível Contrabando) . São duas famílias de classe trabalhadora da região Noroeste dos Estados Unidos que celebram o dia de Ação de Graças na casa de um deles (que são negros) mas logo a festa é interrompida porque duas meninas pequenas, uma de cada família parecem ter desaparecido. Hugh faz um deles, o mais desesperado, Terrence, o outro. Mas logo entra na historia um terceiro, o policial Jake Gyllenhaal), que vai preferir uma trajetória particular, solitária, tentando encobrir os possíveis culpados. Nunca houve um caso que ele não tenha resolvido antes e isso o deixa obsessivo (ainda assim é um personagem mal desenvolvido e a inexpressão de Jake, não ajuda em nada). O mais chocante da historia é que Hugh encontra um rapaz aparentemente deficiente mental, feito pelo geralmente ótimo Paul Dano em papel ingrato,  que estaria dentro do  Trailer que as crianças teriam encontrado na rua. Ou seja, é um potencial suspeito. Este é levado para um lugar escondido onde apanha  para ver se consegue uma confissão (e assim ainda chegar a tempo de salvar as crianças já que o tempo esta passando). Podemos ver ai uma condenação as torturas que hoje as Forças Armadas americanas realizam como pratica normal mas o fato é que deixa um grande mal estar. É  a brutalização de um pai cujo ato mais violento ate então ensinar o filho mais velho a caçar animais selvagens. 

      Finalmente depois de tanto sofrimento, há uma resolução que não me convenceu em parte por causa da falta de convicção do interprete, no caso o ator mais que o personagem. E depois um final que deixara muita gente com a pulga atrás da orelha como se falava antigamente. Embora seja lógica a conclusão, não havia porque depois de uma historia tão sombria não dar ao publico a satisfação de um final. 

Ref fim.      
   

Serra Pelada

Serra Pelada. Brasil, 13.Warner. Direção de Heitor Dahlia. Com Wagner Moura, Juliano Cazarré, Julio Andrade, Sophie Charlotte, Matheus Nachtgaerle.

      Sem duvida, Serra Pelada é um dos melhores filmes brasileiros deste ano, indiscutivelmente o mais bem produzido. É espantoso que tenha sido rodado em apenas cinco semanas e meia, dada a dificuldade de recriar todo um universo (quase) desaparecido, que foi o campo de mineração de Serra Pelada, no Pará, em 1980, ainda sob o domínio da Ditadura (era um morro, virou hoje um lago, foi o maior campo de mineração do mundo a céu aberto). 

     A historia lendária chegou a ser tema de um dos filmes dos Trapalhões (82), Os Trapalhões na Serra Pelada que na verdade teve dificuldade de lidar com um assunto tão dramático, abordando o tema apenas de passagem mas servindo para captar imagens que foram restauradas para o filme (alias todo o trabalho com essas cenas e algumas de noticiários de teve estão organicamente  integradas ao filme, restauradas pela Tele Image ). Toda a direção de arte/cenografia, figurinos, escolha de figuração (o roteiro enxuto se fixa em poucos personagens escolhidos entre os melhores do atual cinema nacional) e particularmente a fotografia (Lito Mendes da Rocha), montagem (Marcio H. Soares) e a trilha musical (Antonio Pinto).  Orquestrada pela produção de Tatiana Quintella para a Paranoid e  pela direção extremamente competente de Heitor Dahlia, que lhe deu uma narrativa moderna, nervosa (mas sem exageros de câmera tremula), criando uma estrutura quase de épico (um amigo Claudio Erlichman disse que este era o verdadeiro “faroeste caboclo”).

     O fato é que o clima do garimpo não era muito diferente de qualquer terra sem lei, onde era matar ou morrer, ou as vezes matar antes para não ser atingido depois a traição. Sem duvida uma historia complexa que os roteiristas Dahlia e sua mulher Vera Egito depois de consultarem as diversas fontes de pesquisa resolveram sintetizar na figura de dois amigos de infância, que decidem ir para o garimpo na esperança de enriquecerem na busca do Ouro. 

      Joaquim (Juliano Andrade) foi mandado embora como professor do ensino público e deixa em São Paulo sua mulher grávida. Vai junto com Juliano (Juliano Cazarré), jurando fidelidade e a certeza de trabalhariam juntos. É  a situação clássica dos amigos/irmãos cuja a vida e as circunstancias separam e eventualmente chegam a ser inimigos. A fortuna sobe a cabeça de Juliano que se apaixona por uma jovem e bela prostituta (a encantadora Sophie Charlotte) que pertencia a um dos chefões do lugar Carvalho ( Matheus). Provocado por um homossexual ele é obrigado a matar pela primeira vez, e depois vem outra, e mais outras vezes (o filme abre com um super close de Cazarré mas é o outro Joaquim quem faz a narrativa na primeira pessoa, e dessa forma sintetiza os fatos mais importantes do garimpo: pepitas enormes de Ouro que batem recordes de tamanho e valor, a expulsão dos homossexuais do lugar quando chega o virus da Aids, mas prefere não entrar em detalhes sobre a administração oficial do lugar feita pelo governo, se fixando mais nos corruptos donos do garimpo, que logo passam também a contrabandear ouro e drogas com a participação de quadrilhas da qual  naturalmente faz parte a policia).

     Quando estavam para começar o filme, Wagner Moura teve que ir filmar no exterior e largar o papel de Juliano que passou para o homônimo Cazarré (que vinha de sucesso na televisão na novela Avenida Brasil). Foi feita então uma adaptação criando-se um papel menor  especialmente para o Wagner, outro maquiavélico e carismático  negociante (Wagner usa maquiagem que lhe dá uma calvície mas como de hábito sabe usar sua notável invenção e domínio de cena. Aparece pouco mas de maneira marcante ). 

     Não acho que se possa cobrar do filme denuncias políticas, as imagens já falam por si só. É uma historia muito brasileira, muito bem contada e realizada. Um filme impressionante e acessível,  que não cai em excessos e  merece ser visto. 

Ref fim.

Conexão Perigosa

Conexão Perigosa ( Paranoid) EUA, 13. Direção de Robert Luketic.106 min. Com Harrison Ford, Gary Oldman, Liam Hensworth,  Amber Heard, Lucas Till, Embeth Davidtz, Richard Dreyfuss, Josh Holloway, Julian MacMahon.

     Considerando o elenco, este foi um dos mais espetaculares fracassos do ano: custou 35 milhões de dólares e não conseguiu mais de 7 milhões de renda nos EUA! (e nada ainda do exterior). Não entendo a razão de tão completa rejeição, já que o filme não é pior nem melhor do que muitos outros.  Mas também não merece que gastemos maior tempo com ele. 

      É verdade que os títulos nacionais e original são muito ruins (Paranoia então serve para qualquer coisa). Basicamente é um Techno –thriller, d de pouca violência, mínima ação e suspense. Liam Hemsworth (irmão do Thor e ate dias atras namorado de Miley Cirus) é muito fraco como galã, no papel do heroi Adam Cassidy, que impressiona um milionário do software quando desafia um milionário mal educado (o excelente Gary Oldman num de seus dias de descanso, deve ter mandado um clone representá-lo. Alias o mesmo se pode dizer de Richard Dreyfuss que faz o papel pobre do herói, que esta inteiramente ausente (dramaticamente). Assim Adam é chamado para servir de espião principalmente com um outro milionário do ramo que Nicolas Wyatt (Oldman) detesta e que é feito por Harrison Ford, como Jock (Pobre Ford,  continua a ter dificuldades em se adaptar a vida de ator característico embora esteja melhor em 42, lançado direto em Home Video). Adam esta criando uma nova geração de telefones celulares que podem ser vistos em telas de televisão (mas não há qualquer paranóia a vista) mas encontra tempo para transar com  Emma (Heard), que é executiva com Ford. Depois Adam também cria um fone que pode colocar um GPS nos e-mails alheios certamente achando que assim poderia interessar o publico masculino interessado em intrigas em grandes corporações. Todo baseado em livro de Joseph Finder (autor de Crimes em Primeiro Grau) que foi desmantelado num roteiro incompetente por Jason Dean Hall (Jogando com Prazer) e Barry Levy (Ponto de Vista). Nada plausível, talvez não fique tão desprezível depois na teve a cabo. 

Ref fim.  

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Silent Hill: A Revelação 3D

Silent Hill:  A Revelação 3D (Silent Hill: Revelation 3D).EUA, 12. Playarte. Direção e roteiro de Michael J Bassett. Com Radha Mitchell, Sean Bean, Deborah Kara Unger, Adelaide Clemens, Carrie Anne Moss, Malcolm McDowell, Martin Donovan, Kit Harrington. 


      Continuação de Terror em Silent Hill (Silent Hill, 06, de Christopher Gans) co-produção entre Canadá e Austrália, com Radha Mitchell, Sean Bean, Laurie Holden, Deborah Kara Unger que estão nesta sequencia. Inspirado em video-game, contava a historia de uma mãe que vai atrás da filha desaparecida na cidadezinha de Silent Hill, tudo num clima meio estilizado. Ajudado pelo diretor original Christophe Gans (que era critico e ficou conhecido com o interessante O Combate Lagrimas de um Guerreiro), o filme provocou reações desencontradas (a maior parte das pessoas se queixou que não entendia nada e nem foi mostrado para a critica). Mas todos foram unanimes em elogiar a direção de Gangs e sua bela direção de arte, altamente criativa. Parecendo mais um filme experimental do que terror.

      A continuação não é tão delirante e rica quanto o primeiro ate porque chega com bastante atraso, e também não gosta de explicar muita coisa. No primeiro a gente supunha que os habitantes de Silent Hill estivessem mortos mas aqui tudo fica ainda mais confuso. Até porque a atriz que faz  a heroína mudou. Só posso dizer que a historia começa num parque de diversões quando ela esta sendo perseguida (ou acha que esta?) e chega a ser consumida pelas chamas. Já dá para ver que o desenho de produção, a concepção geral das figuras e monstros é bem acima da média (tem uma espécie de aranha que tem cabeças humanas muito interessante e uma bela mulher nua que é transformada em manequim de loja). E os astros do filme anterior fazem pouco maios do que pontas: o pai (Bean), a mãe (Radha)  e com algumas figuras novas (o misterioso Martin Donovan como Douglas, Malcolm MacDowell como Leonard, Carrie Anne Moss como Claudia Wolf). A identificação vai ajudar muito pouco porque a única coisa que me pareceu mais importante foi o acréscimo de um interesse romântico adolescente, arranjando um namorado para a heroína Heather Alessa (agora a australiana Adelaide Clemens que também esta em O Grande Gatsby assume o papel  e se parece muito com Michelle Williams). O rapaz é o estreante Kit Harrington, como Vincent e que depois disso conseguiu sobreviver em Game of Thrones entre 2011 e 13.

      O roteirista original do primeiro filme Roger Avary, parceiro de Tarantino em Pulp Fiction, ia também escrever o script daqui mas foi mandado para a cadeia para o assassinato culposo por dirigir embriagado e matar! Foi substituído por Michael J Bassett (Solomon Kane, Os Selvagens) que também  dirigiu.

     Não há duvida que os fãs do vídeo game tem o Silent Hill em alta conta e esta continuação é como sempre inferior ao original (ainda que com mais gore/sangue). E talvez ainda mais confusa. Como disse um critico americano e concordo, este não é um lugar que você queira visitar.

Ref fim.

Riddick 3

Riddick 3 (Idem) EUA, 13. Cotação: um e meio  (se quiser podem reduzir critica).
Direção de David Twohy. Com Vin Diesel, Karl Urban, Katee Sackhoff, Jordi Mollá, Mattt Nable, Dave Bautista, Raoul Trujillo, Conrad Pla. 119 min.

Alguns anos atrás, Vin Diesel participou de um filme que virou Cult chamado Eclipse Mortal (Pitch Black, 2000), do mesmo diretor que aqui, David Twohy. Era sobre uma astronave que caia num planeta desértico e inóspito, habitado por estranhas criaturas. Entre os passageiros que se salvavam, estava uma moça que assumia o comando, um caçador de recompensas, um antiquário, vários mulçumanos que viviam rezando para Deus e principalmente um perigoso assassino. Aos poucos, eles descobrem que havia mineradores por lá e que desapareceram atacados por um tipo de monstro. Detalhe: os monstros não conseguem enxergar na claridade, eles só atacam no escuro e como o planeta tem três sóis é dia eterno. Com uma exceção que se aproxima, quando os três ficam alinhados provocando um eclipse. Com ajuda de fogo e baterias eles tentam sobreviver mas a única chance é com o ex-prisioneiro sem escrúpulos, que fez operação que o deixa ver apenas no escuro. O diretor é o mesmo de “A Invasão” com Charlie Sheen, não propriamente um clássico mas os roteiristas Jim e Ken Wheat, escreveram um dos telefilmes sobre os Ewoks, inspirado na série “Star Wars”. Com um orçamento modesto, um elenco pouco conhecido, locações na Austrália, o filme é uma absorvente história, realizada com uma montagem rápida estilo MTV e fotografia criativa. Embora seja basicamente um filme de terror/ficção cientifica, é muito bem narrado, com muito clima, sem sustos fáceis mas um visual muito interessante.
O problema é que depois o projeto foi comprado pela Universal que teve a infeliz idéia de transformá-lo em super produção virando A Batalha de Riddick (The Chronicles of Riddick, 04)  certamente o pior blockbuster da temporada  (um título misterioso, já que Riddick é um personagem,o herói. Geralmente a Batalha é um lugar e não uma pessoa).  Embora se afirme uma  continuação, pouco ou nada tinha a ver (tanto que existe um desenho animado chamado The Chronicles of Riddick: The Dark Fury, 2004, de Peter Chung, que pretende fazer a ligação entre os dois filmes, explicando um pouco melhor as coisas que aconteceram nos 5 anos entre os dois fatos ). O absurdo é que esse desenho foi lançado apenas depois da estréia do filme. Portanto quem fosse ver aquele filme, não  entenderia muita coisa. Dos filmes recentes foi dos que menos fez sentido, sem pé nem cabeça, pior que filme de David Lynch quando eles trocam os rolos.
O conselho era esquecer o original e tentar enfrentar o filme como estava . Sua única qualidade era o visual, o desenho de produção, a direção de arte (Holger Gross) que era espetacular. Lembrando  um pouco o antigo Duna mas é intrigante, estranho, espetacular (o filme era bonito ainda que tolo). Na verdade, acho que a própria Universal  achava isso porque o poster do filme também não queria dizer nada, não vendia nada. No melhor estilo “space opera”, o filme conta a historia de uma raça os Necromongers que estão dominando o mundo, dopando as pessoas  com uma droga que os deixa mansos.  Riddick que continuou fugindo de mercenários que o perseguiam nesses cinco anos, acaba sendo capturado também mas resiste as pressões para eventualmente liderar o líder  Lord Marshal daquela seita  (naquelas lutas absurdas onde era muito mais fácil matar o sujeito do que ficar brigando a socos).
  Batalha de  Riddick custou 105 milhões de dólares e rendeu nos EUA apenas 54. De qualquer forma, foi dinheiro jogado fora  e não era para ter continuação. Mas trocou seu retorno a franquia Velozes e Furiosos, em troca de ter mais este filme da série. Por isso que temos este filme então, que teria custado 38 milhões de dólares e rendido nos EUA 40. No exterior por enquanto outros 44 milhões. 

Neste capitulo 3, pouca coisa acontece na primeira meia hora, além do herói (que se chama Riddick) acordar no deserto, onde foi abandonado para morrer. Sendo sucessivamente atacado por bichos feios e predadores, que o tentam matar (um deles uma espécie de cachorro monstrengo eventualmente será um animal de estimação domesticado). Como ninguém esta entendendo nada, há também um flash-back de Riddick lutando com o inimigo do filme anterior, feito por Karl Urban, aquele de Senhor dos Anéis que tem uma cara imemorável (Vin murmura um monte de filosofadas mas como se sabe a dicção e a voz de Vin Diesel não se presta a esse tipo de expressão artística). Assim traído pelos seus, logo Riddick se vê perseguido também por caçadores de recompensa (dois grupos que se odeiam entre si) que irão ser vitimas de sua vingança antes de retornar para seu planeta de origem Furya tentando salva-lo da destruição.
O espanhol Jordi faz o líder dos mercenários mas desta vez a direção de arte é ruim, chega a lembrar faroeste italiano do inesquecível Giuliano Gemma em cenário inconvincente de estúdio, pior que John Carter de Marte. Depois de Papo Furado entre os invasores, Riddick é  abatido por balas especiais e seu cão morto. Enquanto grande tormenta se aproxima e noturna...
Chega de resumos. Este é daqueles divertimentos machos, homoerótico , onde ate a única mulher importante é masculinizada. De qualquer forma, quem for ver um filme de Mr. Diesel já sabe o que esperar. Eu preferia aconselhar descobrir o primeiro Eclipse de qualquer forma nos últimos vinte e cinco minutos no escuro a ação finalmente esquenta. Um detalhe:reparem como o que faz o maior rival, que seria Boss Johns (Matt Nable) é a cara de Charles Bronson.

Ref fim.   

Lore

Lore (Idem)Austrália, 12.Direção de Cate Shortland. Com Saskia Rosendahl, Kai Malina, Nele Trebs, Ursina Lardi, Andre Fridas. 108 min.


      Este foi o filme oficialmente escolhido pela Austrália para representar o país no Oscar de produção em língua não inglesa (aqui é basicamente o alemão e co-produção incluiu Escócia,Alemanha, Inglaterra) e que teve vários prêmios e indicações, os mais notáveis o de publico no Festival de Locarno, melhor direção do Sindicato dos Realizadores da Austrália, melhor musica na Bavaria, direção e revelação de atriz Saskia, pelos críticos da Australia. 

      A minha primeira sensação vendo o filme foi que já assisti essa historia antes e algumas vezes mesmo, principalmente feita por franceses, igualmente competentes. Por outro lado, não há regra que obriga ninguém a ser sempre original, o que naturalmente é impossível. Feito por uma diretora (nascida em 68), que entre longas, series de teve e curtas, tem 7 outros trabalhos (o outro longa é Sommersault, 04, que me parece inédito aqui apesar da presença de Sam Worthington de Avatar e Abbie Cornish). Ela caminha por território conhecido, usando as armas conhecidas de outros filmes do gênero, câmera na mão (e à moda da Jayme Monjardim uma trilha excessiva e exagerada). Muito close, e apesar do tema, mostra sem discurso ou exageros. 

       A ação se passa na Alemanha no fim da segunda Guerra quando a família da jovem Lore é obrigado a fugir com quase nada porque os americanos estão próximos e não se explica bem mas o pai era oficial nazista (não do alto escalão, pelo jeito dele e do uniforme, era menos importante mas mesmo assim eles tem documentos para queimar, sinal que alguma culpa tem no cartório. Provavelmente porque trabalhava com ou num campo de concentração. Além de Lore, temos dois gêmeos e outra irmã mais velha, a mãe (todos loirinhos e com cara de folhinha suíça). Basicamente o tema é clássico: a perda da inocência. Numa longa caminhada pela Floresta Negra em direção a casa da avó, os mitos vão se desmoronando diante das mortes, estupros, os abusos, o encontro com outros fugitivos, a necessidade de comer e roubar. E a também  sempre presente despertar da sexualidade. 

      De  uma certa maneira é um filme de estrada, mas como já disse pouco se explica nem mesmo ao final. O que me incomoda bastante ainda mais quando li uma critica de um americano, que tentava comparar o que sucedeu com os nazistas e seus crimes (que poucos sabiam a extensão na época) com o que sucede hoje em dia, quando se cometem crimes de igual calibre, de forma anônimo, por vezes ate mais cruel. Massacres sem dono que ninguém quer assumir.É o que passa Lore, a negação, o “denial”, não se pode acreditar que se viva num pais que cometa esses atos e crimes. Ou abusos ou absurdos. De uma certa maneira portanto todos nos somos Lore. 

Ref fim .

É o Fim

É o Fim (This is the End) EUA, 13.Cotação:3
Direção de Seth Rogen e Evan Goldberg.103 min.com Seth Rogen, James Franco, Jonah Hill, Jay Baruchel, Danny McBride, Craig Robinson, Michael Cera, Emma Watson, Mindy Kaling, David Krumholtz, Rihanna, Paul Rudd, Martin Starr, Chaning Tatum, Jason Segel.

Riso não se discute. É o que dizem e neste caso tendo a concordar. Não é todo mundo que vai achar engraçada esta brincadeira entre amigos, uma  “inside joke” que fica muito mais divertida se você conhecer os bastidores dos jovens astros de Hollywood, que tem a humildade (ou suprema vaidade) de se auto gozarem (tirarem o sarro deles mesmos). Onde o elenco inteiro interpreta uma versão de si próprios (claro que é o lado que desejam revelar, ou tem a coragem de transparecer, seja qual for a razão). O fato é que alguns deles são atrevidos e não tem medo de serem humilhados (Chaning Tatum em particular mal aparece como um escravo sexual de um cara!). Emma Watson foge apavorada achando que todos querem estruprá-la e um deles, McBride é o que se expõe como grosseiro, cafajeste, sem escrúpulos!
Parece que a origem do projeto são dois nomes conhecidos o ator e roteirista Seth Rogen (revelado em O Virgem de 40 anos, astro depois de Ligeiramente Grávidos) e o habitual roteirista Evan Goldberg (que fez vários trabalhos da turma, como Segurando as Pontas, Superbad,Vizinhos Imediatos do Terceiro Grau mas também o horrível Besouro Verde pelo qual inclusive Seth é interpelado). O segredo foi chamar os amigos quase todos nomes famosos da comédia americana atual e colocá-los numa trama que não é encarada como farsa, ao contrario tudo é levado a serio em particular na parte final quando acontecem para valer.
Jay Baruchel é o protagonista junto com Seth (alias eles são canadenses assim como Goldberg). Ele chega a Los Angeles depois de uma longa ausência e é levado para uma festa maluca na casa forte de James Franco (que agüenta com sua cara de pau de sempre os desrespeitos ao seu nome e persona). Lá somos surpreendidos com algumas revelações como Michael Cera que se revela um sátiro incansável e completamente oposto a sua imagem de bobinho.Mas não demora muito que de repente do céu apareçam raios e pessoas são capturadas, enquanto buracos se formam nas ruas de Los Angeles, que levam outros não se sabe para onde.
Ate que se estabelece finalmente que o esta sucedendo não é uma invasão de Ets mas  o apocalipse, as pessoas estão sendo levadas para o céu ou o inferno conforme seu comportamento. Tudo na maior seriedade.
E o mais estranho é que funciona tanto a sátira dos primeiros dois terços quanto a resolução final. A gente não sabe com o que mais se espantar, com a cara de pau dos atores, ou com a coragem de assumir um fim até religioso. Mais espantado ainda fiquei eu em gostar do filme, me divertir, rir bastante e não apenas eu (com orçamento de 32 milhões já alcançou os 100 milhões de dólares de renda nos EUA e mais 18 internacional). Sugiro que experimente ver. Eu ri muito.

Ref fim.  

Gravidade

Gravidade (Gravity).EUA, 13. Cotação: **** (4)
Direção de Alfonso Cuaron. Roteiro de Alfonso e seu filho

Jonas Cuaron. 91 min.Warner. Com George Clooney, Sandra Bullock, voz de Ed Harris. Fotografia de Emmanuel Lubeski.Montagem de Alfonso e Mark Sanger.

Este será com certeza um candidato forte aos principais Oscars deste ano (que acontecerá no domingo de Carnaval de 2014), em particular nas categorias técnicas, com sua impecável fotografia, desenho de produção (ou  direção de arte), montagem, roteiro e direção. Já sabíamos que o diretor mexicano Alfonso Cuaron era competente desde os tempos em que foi descoberto por Spielberg que o chamou para um episódio de  Fallen Angels (93)e A Princesinha (95). Mais tarde faria sucesso com E Sua Mãe Também (01), o episódio de Harry Potter que é considerado o melhor da série (Prisioneiro de Azkaban,04), o muito elogiado ficção cientifica Filhos da esperança (06), seguido de alguns documentários e episódio de serie (Believe, 13).
Mesmo assim é difícil imaginar que conseguisse realizar um filme tão enxuto, tão bem amarrado, que é uma pequena jóia, uma obra-prima de suspense e tensão (daqueles de você ficar colado na tela e assustado, torcendo. Não é terror mas não fica longe disso). Na verdade fazia tempo que não víamos uma aventura passada no chamado Espaço Sideral, ao menos nada muito memorável além de 2001, uma Odisséia no Espaço de Kubrick e Alien, o Oitavo Passageiro de Ridley Scott e depois num nível um pouco menor (o pouco lembrado Sem Rumo no Espaço/Maroooned , 69, de John Sturges e Apollo 13, 95, de Ron Howard). Solaris com o mesmo Clooney era filosófico e mal sucedido.
Recentemente o gênero cedeu lugar a aventuras inspiradas em quadrinhos, ou pura fantasia, as chamadas Space Operas. Em parte certamente porque as viagens espaciais verdadeiras se tornaram caras demais e não haja nada de romântico  ou emocionante (e muito de secreto) em estações espaciais e satélites espiões de origem duvidosa. Talvez parte da impressão que o filme deixa, ainda mais em 3D (é outro dos que expande os horizontes do sistema) é que se passa inteiramente no espaço, com dois únicos atores e o planeta azul, a Terra como pano de fundo. O efeito é impressionante e espetacular.
A historia é muito simples: Sandra Bullock tem um trabalho físico impressionante como Ryan Stone, uma médica/engenheira que foi treinada para esta missão no espaço, junto com outros companheiros numa estação espacial. O filme começa com um narrador dizendo algumas verdades básicas (não há som no espaço, não é um lugar para humanos sobreviverem facilmente etc) enquanto três astronautas estão consertando um Telescopio de um satélite. Um deles brinca no espaço, outro da instruções e Ryan faz o trabalho duro de tentar corrigir os problemas. É novata e nada segura. Fazer piadas e comentários jocosos entre eles, é a forma de combater o nervoso e o medo do perigo (há alguns que reclamam do excesso de diálogos que podem parecer um pouco forçados. Há também os que não gostam do monologo sentimental sobre o filho, acompanhado de uma excessiva trilha musical). Só que não demora em chegar a má noticia, eles perdem o contato com a sede em Houston e não tem tempo suficiente para se refugiarem de uma forte tempestade do chamado “debris”. Houve um acidente e um monte de lixo esta circulando no espaço na mesma altitude em que eles estão trabalhando. E o resultado é devastador (essas cenas são as que servem de trailer para o filme).
Talvez seja melhor não entrar muito em detalhes, basta dizer que todo o filme será uma excitante luta pela sobrevivência, em busca de uma saída, muitas vezes tentando decifrar instruções em russo ou chinês, ou coisa pior. A maior parte das soluções dramáticas  dizem os especialistas são possíveis (como usar o extintor de incêndio), outras nem tanto (a trajetória entre o Hubble Telescópio Espacial e a Estação Espacial Internacional não seria viável).
Mas o roteiro que o diretor escreveu com seu filho, é um mapa para uma realização notável, abraçada pelos críticos (mais de 90 por cento dos comentários foram favoráveis) e que me fez embarcar inteiramente . Clooney faz uma variação de sua simpática “persona” mas o tour de force é mesmo de Sandra. De Tirar o fôlego.

Ref       

Rota de Fuga

Rota de Fuga (Escape Plan) Paris filmes. 116 min. Direção de Mikael Hafstrom. Com Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, 50 Cent, Jim Caviezel, Vinnie Jones, Vincent D´Onofrio, Amy Ryan, Caitriona Balfe.

      Indicado ao Oscar de filme estrangeiro, por Evil- Raízes do Mal, 2003,  o diretor sueco Mikael Hafstrom  fez vários outros filmes: o sueco a Maldição do Lago, 04, Fora de Rumo/Derailed, 05 com Jennifer Aniston, 1408, com Samuel L. Jackson e John Cusack, 07, Conspiração Xangai, 010 com Gong Li e novamente Cusack e ainda O Ritual (The Rite, 11) com Anthony Hopkins e Alice Braga.  Agora lhe coube a missão de comandar este filme de prisão e ação, que reúne novamente dois veteranos ídolos dos anos 80, Sylvester Stallone (67 anos completados em julho) e o ex-governador agora desempregado Arnold (66 anos também em julho). Bom lembrar que ambos vem de dois imensos desastres de bilheteria, Arnold com O Ultimo Desafio (The Last Stand,13)renda nos EUA: 12 milhões e mais 25 no exterior e Sylvester do Alvo Duplo (Bullet to the Head, 12) renda: 9 milhões e 400 mil ( não tem registro do mundo todo). Bom lembrar também que os dois estiveram juntos recentemente em The Expendables 2/ Os Mercenários 2 que foi mal nos EUA (85 milhões) mas compensou no resto do mundo (215), mas aonde Arnold fazia apenas uma participação. O filme tem dizem 70 milhões de orçamento e os dois trabalham bem, juntos, embora Arnold insista em fazer caretas e fique horrível em momentos dramáticos (alias pela primeira vez eu o vi falar alemão num filme). Em 1989, Stallone fez um filme de prisão que tem alguma vaga semelhança com este, Condenação brutal/ Lock Up, de John Flynn. 

      A explicação para o êxito de Expendables é que este era um  filme evento ao reunir quase todos os maiores astros da ação, hoje veteranos e quase aposentados (a dupla estará de novo junta no Mercenarios 3, que sai em agosto do ano que vem e que trará como reforço Mel Gibson, Harrison Ford, Wesley Snipes, Antonio Banderas, e ate Milla Jovovich. 

       Outra curiosidade é verificar que o publico da dupla hoje já não vai mais quase ao cinema, assiste em casa, seja teve por assinatura, seja DVD , seja VOD (Now), seja pirata. 

      Fui prova disso agora no Rio quando entrevista Rodrigo Santoro, que esteve com Arnold em O Ultimo Desafio e foi parado duas vezes por dois senhores (separados) que queria cumprimentá-lo por sua presença no filme! 

      Ou seja, ele ainda tem fãs e ainda mais no Brasil onde poucos sabem ou deram bola para seus escândalos em família ou sua má administração como governador. 

      Entrando finalmente no assunto, este Rota de Fuga é corretamente realizado e mais em cima de Stallone (que também se conservou melhor fisicamente) já que Arnold só vai entrar em cena depois de meia hora. É uma pena ir revelando as reviravoltas da trama ao menos a primeira que sucede logo no começo. Como disse é um filme de prisão e todos eles se parecem muito. No caso, Stallone esta preso numa de alta segurança sofrendo os abusos de sempre até quando miraculosamente consegue escapar. Logo vem a explicação, ele é Ray Breslin na verdade é um mestre em fugir e sua profissão é testar prisões, descobrir seus pontos fracos para que sejam corrigidos. Tanto que ganha bem por isso, escreveu livros a respeito e tem uma pequena equipe a seu lado, uma semi-namorada (Amy Ryan), um parceiro de confiança (50 Cent) e ainda um empresário/advogado (Vincent D´Onofrio). Agora tem uma nova oferta: testar outra prisão, no caso de particulares ou algo misterioso nessas condições. (Eu ingenuamente achei que seria uma denuncia do governo americano que esconde prisioneiros/terroristas em lugares como Guantanamo, fora da lei. Mas já aviso que o filme não é sobre isso).  Breslin  é alertado que pode ser perigoso porque não há garantias de nada mas a ganância pelo dinheiro e o desafio é grande demais. Então vai ser preso (disfarçado) e já sabemos o que esperar. Se torna realmente encarcerado dessa prisão situada num lugar muito estranho e original. E a fuga seria ao que parece impossível... 

      Mas para o Rocky, desculpe Stallone,  nada é impossível, até porque esse tipo de filme nunca procura ser muito verossímil. Se for pensar melhor há uma serie de coisinhas que não fazem sentido. Só assim de passagem 1)para pegar o segredo na senha da porta qualquer notaria a diferença e a presença de um plástico para captar digitais. 2) na prisão de tanta segurança como ele e Arnold conseguem falar em publico e as vezes ate na sela, sem serem gravados? O que seria básico! 3) ao contrario do que diz o filme, é muito obvio saber a identidade do bandido mas na verdade isso não faz qualquer diferença. 

Stallone apanha muito e sofre nas mãos do diretor da prisão, sempre um papel de total vilanice que caiu nas mãos de Jim Caviezel, aquele que foi Cristo nas mãos de Mel Gibson (ficou maduro, se esforça, mas nunca vai ser um grande ator, outro mais carismático no lugar roubaria o filme). Alias há desperdício de mais gente , o australiano Sam Neill como o médico da prisão (seu comportamento é absurdo e ingênuo, o pior é que tem participação fundamental, sem ele nada daria certo), o jogador de futebol britânico Vinnie Jones com um guarda e uma bela irlandesa e nome impossível  Caitriona! 


     Enfim, quer for ver sabe o que esperar. No gênero não é ruim, mas posso muito bem estar de boa vontade com a dupla. Tenho um fraco por sobreviventes. 


Ref fim.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Norma

Um  beijo para Norma

      Uma vez,  alguns anos atrás, no Rio, numa festa Norma Bengell, me chamou para sua mesa, dizendo “eu só queria agradecer tudo que você falou bem de mim, esses anos todos”. E me deu um beijo. Fiquei comovido. Nunca tinha me dado conta de que realmente tinha feito isso. Sempre gostei de Norma, fui admirador, fã, cúmplice. De verdade. Há poucos dias a assisti novamente fazendo Brigitte Bardot em O Homem do Sputnik, deliciosa, no esplendor de seu sucesso como a mulher mais desejada do país. Seguido logo depois pela extraordinária sequencia da praia em Os Cafajestes, celebrado como o primeiro nu frontal do cinema brasileiro mas que hoje resulta muito mais. O filme de Ruy Guerra é esplendido e a sequencia em que ela é fotografada na praia, mais que isso violentada pela câmera de Daniel Filho é uma obra-prima. Norma escultural age com se estivesse num balé, um animal ferido, possuída pela dor.

     Preciso reafirmar que Norma foi de uma de nossas poucas e maiores estrelas, ate internacional ? Como me lembrou a mensagem do meu amigo Djalma Limongi Batista. Uma estrela como Norma tudo pode. Não sei se chegaremos a ter outra com tanta densidade, tanta carga dramática, Norma era uma explosão de força, garra, verdade, talento. Ou se algum dia iremos ter de novo. Hoje eu devolvo o  abraço, o beijo, com meu mais sincero carinho. Descansa em paz, nossa amada estrela.

Ref fim.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Chéreau, Patrice

Morte importante diretor francês

Chéreau, Patrice

(1944- 2013 ). Ator, roteirista e diretor, com maior prestígio no teatro do que no cinema. Dirigiu um famoso grupo teatral em Nanterre e também óperas, inclusive uma polêmica montagem da tetralogia de Richard Wagner, O Anel dos Nibelungos em Bayreuth (em que modernizou a história), em 1976. Foi diretor do Teatro de Sartrouville (entre 1966-69) e do Piccolo Teatro de Milão (1969-73). Nasceu em Lézigné no dia 2 de novembro, estudou em Paris e estreou na direção teatral em 1963 com a peça L’Intervention (de Victor Hugo). Começando com filmes irregulares demonstrou talento com L’Homme Blessé, mas só foi acertar com a superprodução A Rainha Margot, premiada em Cannes. Causou escândalo ao fazer cenas de sexo explícito em Intimidade, premiado em Berlim,visto no Brasil apenas na . Durante anos tentou produzir um filme sobre Napoleão com Al Pacino, mas nunca chegou a trabalhar no cinema americano, como almejou. Era assumidamente homossexual. Faleceu de câncer no pulmão, no dia 7 de outubro em Paris.   

Filmografia

Dir.:
1974 – A Marca da Orquídea (La Chair de L’Orchidée. Charlotte Rampling, Bruno Cremer).
1978 – Judith Therpauve (Simone Signoret, Philippe Léotard).
1983 – L'Homme Blessé (Jean-Hughes Anglande, Vittorio Mezzogiorno).
1987 – Hôtel de France (Laurent Grevill, Laura Benson).
1994 – A Rainha Margot (La Reine Margot. Isabelle Adjani, Virna Lisi).
1998 – Ceux Qui M’aiment Prendront le Train (Jean-Louis Trintignant, Pascal Greggory).
2001 – Intimidade (Intimité! Kerry Fox, Mark Rylance).
2003 – Seu Irmão (Son frère. Bruno Todeschini, Eric Caravaca).
2005 – Gabrielle (Isabelle Huppert, Pascal Greggory).
2009- Persécution ( Charlotte Gainsbourg, Romain Duris) .


sábado, 5 de outubro de 2013

Carlo Lizzani

Morre diretor neo-realista Carlo Lizzani

   Sua morte em Roma ainda tem causa misteriosa mas pode ter sido suicídio, parecido com o de Mario Monicelli. Seu corpo foi encontrado e a morte anunciada neste sábado quando ele teria caído do balcão de seu apartamento em Roma, Ele tinha 91 anos de idade. 

     Lizzani(1922-  2013 ). Diretor italiano, teórico do Neo Realismo, escreveu para a revista Cinema e Bianco e Nero. Nascido em 3 de abril, em Roma, realizou vários documentários. Foi assistente de De Santis, Lattuada, Rosselini. Começou no cinema fazendo o roteiro e interpretando Il Sole Sorge Ancora, em 1947. Nesse mesmo ano faz o primeiro documentário: Nel Mezzogiorno Qualcosa è Cambiato. Outros se seguiram, em 1951 dirige seu primeiro longa, inspirado na luta da Libertação. Teve problemas com a censura e com os produtores, que acabaram por convencê-lo a dirigir policiais com pseudônimo (Lee Beaver), o que acabou por marcar também uma decadência artística. Foi responsável pelo ressurgimento do Festival de Veneza nos anos 80. Continuou ativo realizando documentários, minisséries e telefilmes, também atuando novamente como crítico e historiador, numa surpreendente vitalidade para alguém de sua geração.

Dir.: 
1949 – Togliatti è Tornato (MM. Doc. Co-d.). 
1951 – A Rebelde (Achtung! Banditi! Gina Lollobrigida, Andrea Checchi). 
1952 – Tortura de Duas Almas (Ai Margini della Metropoli. Giulietta Masina, Massimo Girotti). O Amor na Cidade (L’Amore in Città. Epis. L´Amore che si Paga).
1953 – Os Amantes de Florença (Cronache di Poveri Amanti. Marcello Mastroianni, Anna Maria Ferrero). 1955 – Lo Svitato (Dario Fo, Franca Rame). 
1957 – La Muraglia Cinese (Doc.). 1959 – Esterina (Carla Gravina, Geoffrey Horne). 
1960 – O Corcunda de Roma (Il Gobbo. Gérard Blain, Anna Maria Ferrero). 
1961 – Il Carabiniere a Cavallo (Nino Manfredi, Annette Stroyberg). L’Oro di Roma (Gérard Blain, Anna Maria Ferrero). 
1962 – Il Processo di Verona (Silvana Mangano, Frank Wolff). 
1964 – La Vita Agra (Ugo Tognazzi, Giovanna Ralli). Amori Pericolosi (Epis. La Ronda. Sandra Milo). 
1965 – La Celestina P... R... (Assia Noris, Venantino Venantini). Pesadelo de Ilusões (Thrilling. Epis. L´Autostrada del Sole. Alberto Sordi). 
1966 – Lutring, Acorda e Mata (Svegliati e Uccidi. Lutring, Robert Hoffman). A Guerra Secreta (La Guerra Segreta. Epis.). Sangue nas Montanhas (Un Fiume di Dollari. Henry Silva, Dan Dureya). 
1967 – Réquiem Para Matar (Requiescant. Mark Damon, Lou Castel). 
1968 – Bandidos de Milão (Banditi a Milano. Gian Maria Volonté, Tomas Millian). Amore e Rabbia (Epis. L’Indifferenza). O Amor Nasceu do Ódio (L’Amante di Gramigna. Gian Maria Volonté, Stefania Sandrelli). 
1969 – Seqüestrados (Barbagia, La Società del Malessere. Terence Hill, Don Backy). 
1971 – Roma Bene (Nino Manfredi, Virna Lisi). 
1972 – Turim Negra (Torino Nera. Bud Spencer, Nicola di Bari). Faccie dell´Asia che Cambia (Doc. Co-d.). 
1973 – O Mafioso Rebelde (Crazy Joe. Peter Boyle, Paula Prentiss). 
1974 – Os Últimos Dias de Mussolini (Mussolini, Ultimo Atto. Rod Steiger, Lisa Gastoni). 
1975 – Storie di Vita e Malavita (Anna Curti, Lidia di Corato).
1976 – San Babila Ore 20: Un Delitto Inutile (Daniele Asti, Giuliano Cesareo). Africa Nera Africa Rossa (Doc.). 
1977 – Hotel Kleinhoff ou Insólito Encontro (Kleinhoff Hotel. Michele Placido, Corinne Clery). C’Era una Volta un Re... (Doc.). 
1980 – Fontamara (Idem. Michele Placido, Antonella Murgia. TV). 
1982 – Inverno di Malato (TV). 
1983 – A Casa do Tapete Vermelho (La Casa del Tappeto Giallo. Giovanni Guidelli, Jean-Pierre Leroux). 
1984 – Nucleo Zero (Patrick Bauchau, Antonella Murgia). L’Addio a Enrico Berlinguer (Doc. Co-d.) 
1985 – Mamma Ebe (Stefania Sandrelli, Berta Dominguez). Un’Isola (TV). Assicurazione sulla Morte (TV). 
1987 – Una Moglie (Mariangela Melato, Jean-Pierre Cassel). 
1988 – Caro Gorbaciov (Harvey Keitel, Flaminia Lizzani). 
1989 – La Formula Mancata (minissérie. TV). Capitolium (Co-d.). 
1990 – La Trappola (TV). 
1991 – Cattiva. 
1993 – Il Caso Dozier (F. Murray Abraham, Ennio Fantastichini).
1996 – Celluloide (Giancarlo Giannini, Christopher Walken). 
1998 – 12 Registi per 12 Città (Epis. Cagliari). La Donna del treno (Antonella Fattori, Alessio Boni. minissérie. TV). 
1999 – Luchino Visconti (Doc.). 
2000 – Roberto Rossellini: Frammenti e Battute (Doc.). 
2001 – Um Outro Mundo É Possível (Un Altro Mondo è Possibile. Epis. Doc.). 
2002 –Decadência de um Império- A Ultima Rainha ( Maria Josè, l’ultima Regina.Barbora Bobulova, John Turturro. Minissérie TV. Co d. Francesco Rosi ). 
2003 – Operazione Appia Antica (Domenico Balsamo). 
2004 – Le Cinque giornate di Milano (Fabrizio Gifuni, Chiara Conti. TV). 
2005 – La Passione di Angela (Donatella Finocchiaro).
2007- Hotel Meina (Majlinda Agaj, Eugenio Allegri).   
2008- Giuseppe De Santis (TV. Doc). 
2008-All Human Rights for All (Doc. Epis. Art. 1). 
2009- The Unionist (Co-D Francesa Del Setta. CM. Doc). 
2011- Scossa (epis. Speranza. Massimo Ranieri, Amanda Sandrelli). 

     
 

Tá Chovendo Hamburger 2

Tá Chovendo Hamburger 2 (Cloudy with a Chance of Meataballs 2) EUA, 13. Sony Animation. 95 min. Direção de Cody Cameron e Kris Pearson. Vozes originais:Bill Hader, Anna Faris, James Caan, Will Forte, Andy Samberg, Benjamin Bratt, Neil Patrick Harris, Terry Crews. 

     O Primeiro de 2009 foi uma boa surpresa que teve bom resultado (indicado para o Globo de Ouro e o Annie mas não o Oscar rendendo 124 milhões nos EUA e 118 no exterior). A continuação não traz os mesmos diretores substituídos por Cody Cameron (que veio dos Shreks como roteirista e dirigiu O Bicho vai Pegar 3)  e Kris Pearn (que no primeiro foi chefe do departamento de roteiro, tendo grande experiência na Animação mas é sua estréia na co-direção). 

    Como sempre a gente tem medo de continuação, que costuma ser muito pior, e com freqüência totalmente inferior. Não é tão grave o caso, aqui começa mal mas vai recuperando fôlego para culminar com uma conclusão (meia hora final) muito alegre e divertida. Prossegue o estilo do original, continuando a ser muito colorido, com um traço pessoal e inusitado. Infelizmente não pode ter mesmo o ineditismo do original mas se esforça bem. Depois da desastrosa chuva de comida o herói Flint e sua família (e amigos)são obrigados a deixar a ilha e vaõ trabalhar para seu ídolo, na The Live Corp (no caso, Chester V. é um veterano inventor que costumava aparece em shows de teve mas esta se tornando cada vez mais rico e sem escrúpulos.E começa a produzir com uma velha maquina híbridos que misturam vegetais , frutas e comida exótica. 

     Tive dificuldade de enfrentar essa primeira parte que me pareceu confusa e sem os personagens tão curiosos quanto estávamos esperando. Mas felizmente eles surgem ao final, quando há uma sucessão de figuras engraçadas, como o Taco, o Cheeseburger, o Berry (Morango), a Macaca (que exige ser chamada de Primata) e inúmeros vegetais e doces. Feito em 3D, teve critico que aconselhou a não ver o filme de estomago vazio (exagero, apenas uma frase que soa legal para os publicistas dos estúdios). Mas como é endereçado basicamente para crianças e elas estão sempre famintas, pode muito bem ter razão.

Ref fim