Um beijo para Norma
Uma vez, alguns anos atrás, no Rio, numa festa Norma Bengell, me chamou para sua mesa, dizendo “eu só queria agradecer tudo que você falou bem de mim, esses anos todos”. E me deu um beijo. Fiquei comovido. Nunca tinha me dado conta de que realmente tinha feito isso. Sempre gostei de Norma, fui admirador, fã, cúmplice. De verdade. Há poucos dias a assisti novamente fazendo Brigitte Bardot em O Homem do Sputnik, deliciosa, no esplendor de seu sucesso como a mulher mais desejada do país. Seguido logo depois pela extraordinária sequencia da praia em Os Cafajestes, celebrado como o primeiro nu frontal do cinema brasileiro mas que hoje resulta muito mais. O filme de Ruy Guerra é esplendido e a sequencia em que ela é fotografada na praia, mais que isso violentada pela câmera de Daniel Filho é uma obra-prima. Norma escultural age com se estivesse num balé, um animal ferido, possuída pela dor.
Preciso reafirmar que Norma foi de uma de nossas poucas e maiores estrelas, ate internacional ? Como me lembrou a mensagem do meu amigo Djalma Limongi Batista. Uma estrela como Norma tudo pode. Não sei se chegaremos a ter outra com tanta densidade, tanta carga dramática, Norma era uma explosão de força, garra, verdade, talento. Ou se algum dia iremos ter de novo. Hoje eu devolvo o abraço, o beijo, com meu mais sincero carinho. Descansa em paz, nossa amada estrela.
Ref fim.

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