Critica de Francisco Cannalonga.
Paradjanov 2013, Ucrânia. Dirigido por Serge Avedikian, Olena Fetisova. Com Serge Avedikian, Yulia Peresild, Karen Badalov, Zaza Kashibadze. 95 min.
A pretensão é fazer uma cinebiografia de Sergei Paradjanov (1924-90), o excêntrico e genial diretor georgiano. Mas o resultado não poderia ser menos excêntrico. Bem que tentam mas não o suficiente. Paradjanov é possivelmente dos grandes diretores o menos conhecido e subestimado, tanto em sua época quanto no presente. Seus filmes tem um estilo impossível de copiar , singular, e podem ser descritos da seguinte forma: São uma tela em branco, onde o diretor pinta suas belíssimas imagens, sem dar muita atenção à trama ou diálogos.
Sobre a cinebiografia… O diretor é vivido por Serge Avedikian (que também assina a direção do filme ao lado de Olena Fetisova), que é extremamente convincente em sua interpretação, conseguindo equilibrar a caricatura com momentos mais serenos. No entanto, isso não é o suficiente para tornar o filme realmente especial. A trama se desenvolve a partir das filmagens de Os Cavalos de Fogo e procura mostrar diversos momentos da vida do cineasta, seu relacionamento amoroso com o filho de um homem importante do partido comunista, as difíceis filmagens de A Cor de Romã, sua prisão decretada pela União Soviética devido a sua chamada “subversã” e excentricidade e mais importante de tudo, seu infinito amor pela arte, beleza e por sua esposa.
Há momentos de grande inventividade, em que vemos Paradjanov “dirigindo” seus filmes, através de manipulação digital. Há também algumas sequencias em stop-motion, que procuram com sucesso retratar como a mente do cineasta operava. Mas não é o suficiente, o filme nunca se aprofunda realmente na personalidade do diretor e esses artifícios visuais tornam-se cansativos, quando não simplesmente desnecessários. O personagem central não é tão magnético quanto deveria ser e assistindo o filme, é possível o espectador se perder em pensamentos externos.
Apesar de seus méritos, a cinebiografia não consegue equilibrar a excelente atuação de Serge Avedikian com um roteiro mais sucinto tornando o resultado cansativo.
Fim


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