segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Mostra Internacional de São Paulo 2013

Critica de Francisco Cannalonga.

Paradjanov 2013, Ucrânia. Dirigido por Serge Avedikian, Olena Fetisova. Com Serge Avedikian, Yulia Peresild, Karen Badalov, Zaza Kashibadze. 95 min.

     A pretensão é fazer uma cinebiografia de Sergei Paradjanov (1924-90), o excêntrico e genial diretor georgiano. Mas o resultado  não poderia ser menos excêntrico. Bem que tentam  mas não o suficiente. Paradjanov é possivelmente  dos grandes diretores o menos conhecido e subestimado, tanto em sua época quanto no presente. Seus filmes tem um estilo impossível de copiar , singular, e podem ser descritos da seguinte forma: São uma tela em branco, onde o diretor pinta suas belíssimas imagens, sem dar muita atenção à trama ou diálogos.

     Sobre a cinebiografia… O diretor é vivido por Serge Avedikian (que também assina a direção do filme ao lado de Olena Fetisova), que é extremamente convincente em sua interpretação, conseguindo equilibrar a caricatura com momentos mais serenos. No entanto, isso não é o suficiente para tornar o filme realmente especial. A trama se desenvolve a partir das filmagens de Os Cavalos de Fogo e procura mostrar diversos momentos da vida do cineasta, seu relacionamento amoroso com o filho de um homem importante do partido comunista, as difíceis filmagens de A Cor de Romã, sua prisão decretada pela União Soviética devido a sua chamada “subversã” e excentricidade e mais importante de tudo, seu infinito amor pela arte, beleza e por sua esposa.

      Há momentos de grande inventividade, em que vemos Paradjanov “dirigindo” seus filmes, através de manipulação digital. Há também algumas sequencias em stop-motion, que procuram com sucesso retratar como a mente do cineasta operava. Mas não é o suficiente, o filme nunca se aprofunda realmente na personalidade do diretor e esses artifícios visuais tornam-se cansativos, quando não simplesmente desnecessários. O personagem central não é tão magnético quanto deveria ser e  assistindo o filme, é possível o espectador  se perder em pensamentos externos.

Apesar de seus méritos, a cinebiografia não consegue equilibrar a excelente atuação de Serge Avedikian com um roteiro mais sucinto tornando o resultado cansativo. 

Fim

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