segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Mostra Internacional de São Paulo 2013 - Filme: Grand Central

Critica de Francisco Cannalonga para o Fan Page de Rubens Ewald Filho


Grand Central. França, 2013. Direção - Rebecca Zlotowski. Com Tahar Ramin, Lea Seydoux, Olivier Gourmet, Denis Ménochet.

     Grand Central é mais um daqueles casos em que o filme, em seu primeiro ato, apresenta uma temática e premissas interessantes, mas que se perde ao longo do caminho, mesmo contanto com um elenco de peso. Segundo longa da diretora francesa Rebecca Zlotowski, estreou e competiu na categoria "Un certain regard" no festival de Cannes desse ano. 

    No filme, Tahar Ramin (O Profeta) vive Gary Manda um "drifter" que em seu desespero, aceita trabalhar numa usina nuclear, onde os intensos níveis de radiação causam grande estresse físico e mental nos trabalhadores. que vivem numa pequena comunidade, em trailers ou quitinetes. Lá conhece Gilles (Olivier Gourmet, presença constante nos filmes dos irmãos Dardenne), o mais antigo e responsável pelos novos empregados, Toni (Denis Ménochet) e a bela Karole (Lea Seydoux), esposa de Toni, por quem Gary se apaixona e com quem tem um caso.

    O primeiro ato do filme é excelente em relação a fluidez dos eventos, os personagens e o texto  são apresentados de maneira eficiente. As sequencias na Usina são as mais interessantes, onde o emprego da camera na mão imprime urgencia às cenas e a sonoplastia auxilia na crescente tensão. Mas, após o primeiro ato, o filme desanda.  Diversos textos (e subtextos) interessantes que foram  apresentados no inicio  são esquecidos em função do aprofundamento do romance de Karole e Gary,  que é, certamente, o texto menos interessante da trama. 

      Grand Central apesar de tecnicamente eficiente, sofre pela grande carência de estilo na direção. Propositalmente ou não, por momentos parece que assistimos a um filme (mediano) de Jacques Audiard (O Profeta, Ferrugem e Osso), mas sem a mesma confiança em sua linguagem e intensidade.

   Contanto com um segundo ato mediano, um terceiro capenga e um desfecho forçado e sem nenhum poder, Grand Central é mais um na enorme lista de filmes que tinha tudo para ser bom, mas não o é.

Fim

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